Game of Thrones – Quinta Temporada

shireenEu me lembro muito palpavelmente da minha reação à primeira temporada de Game of Thrones: era a volta à simplicidade dos velhos tempos, à sensação de maravilhamento que tive na leitura do primeiro livro, anos atrás – e que se opunha ao confuso, prolixo e muito pouco satisfatório quinto livro da saga, também lançado naquele ano. Era o confronto de uma história fantástica realista, com personagens carismáticos, com uma que se enfiava num espiral de confusão e desamparo, com muitas perguntas, poucas respostas e a incerteza de se haverá um dia um final (o último capítulo faz isso parecer impossível, ao menos em sete livros).

Nos últimos quatro anos, muita coisa aconteceu. Game of Thrones, o seriado, se tornou um dos maiores hypes da história – se antes éramos uma meia dúzia de nerds que tínhamos importado os livros e estávamos ansiosos por um seriado fantástico que nem sabíamos se daria certo e seria renovado, hoje estamos diante de uma franquia bilionária, com milhares de subprodutos, fortíssima presença na mídia e com público amplo e variado. A Song of Ice and Fire, os livros, continuam… como se estava. À espera do sexto livro (para quando, não se sabe), vários e interessantes contos sobre outros personagens no mesmo universo (recomendo O Cavaleiro dos Sete Reinos para uma sensação bem semelhante à do primeiro livro), um livro-cenário bem legal, que também explora personagens secundários e informações de sobra para os fãs (e que ainda não li inteiro)…

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Livros de Colorir

jardim-secreto-capaComo ficar de fora da onda do momento, os livros de colorir?

Tinha uma mandala de colorir, comprada há algum tempo. Foi uma coisa meio de parar na frente da estante certa da livraria, os olhos encontrarem algo que me chamou a atenção e a reação meio “isso não é o que estou pensando” – e era. Passei meses bem divertidos com lápis de cor e mandalas, exercitando minha (falta de) veia artística.

Até que a grande demanda represada explodiu com o lançamento dos livros Jardim Secreto e Floresta Encantada, gerando filhotes e derivados a perder de vista, além de encherem os cofres de livrarias e editoras em tempos difíceis.

O marketing é o de “livros de colorir para adultos”, ou seja, uma roupagem nova, sem personagens licenciados, para os bons e velhos livros de colorir que continuam em seus lugares nas prateleiras infantis. São florzinhas, folhinhas, bichinhos, mandalas, santos, obras de arte, enfim, tem para todos os gostos.

E, como tudo na vida hoje em dia, principalmente na internet, para todos os ódios.

Vi todo o tipo de desqualificação ao público desses livros: desde o ressentido “poderiam estar comprando ‘livros de verdade’ mas estão aqui colorindo” até serem pessoas desocupadas, fúteis, sem ter o que fazer, etc. Para mim nenhum dos dois faz sentido nenhum.

Dia desses, vi na televisão a entrevista de um crítico literário (!!!!!!) sobre os livros de colorir. A relevância dessa opinião só se explica por uma conclusão errônea: a de tudo o que é vendido numa livraria, no formato de livro, é literatura.

Alguém aqui enxerga literatura num apanhado de imagens e meia dúzia de palavras do tipo “preencha com mais borboletas”, “ponha detalhes nas flores”? Sinceramente?

E por mais que sejam vendidos no mesmo lugar e tenha o mesmo formato, nada se relacionam com livros. Ou as revistas Coquetel são jornalismo? Afinal são impressas, são chamadas “revistas”, são vendidas em bancas de jornal…

O que leva à próxima crítica, que soa como inveja de não ter tido a ideia antes ou de não despertar o mesmo interesse. “Por que as pessoas não compram os meus livros ao invés dos livros de colorir?”, é a tradução aproximada da maioria dessas críticas. Talvez essas pessoas comprem, pois não são consumos incompatíveis entre si. Ou talvez essas pessoas não tem o menor interesse em leitura e nem mesmo entrariam numa livraria para adquirirem qualquer outra coisa. Ou seja: nunca foram público, nunca seriam público – e a mudança deste quadro passa por questões muito mais complexa do que o ataque aos livros de colorir.

Então, aos autores, não adianta diminuir os livros de colorir. Como não adianta culpar as palavras cruzadas pela crise no jornalismo impresso.

O outro ponto é a desqualificação do público. Das pessoas ungidas que se consideram superiores por lerem clássicos e quase morrem quando os bárbaros invadem suas sacras livrarias para consumirem 50 Tons de Cinza e livros para colorir. Vejo muito de síndrome do floquinho de neve nisso: EU sou uma pessoa especial que gosta de coisas diferenciadas e a plebe jamais será tão especial quanto EU com seus gostos bobos. Vamos crescer que o jardim de infância já passou?

E chamar o público de pessoas desocupadas, sem ter o que fazer, mandar pintar “canaviais de rola” ou distribuir prints sobre os exageros encontrados em comunidades de praticantes do hobby como prova do total descontrole dessas pessoas é… tosco. Por que modelismo ou fotografia não entram no mesmo saco de críticas?

Ah, é. Porque artesanato, cores, pintura atraem determinado gênero de público – ao qual determinadas pessoas adoram colar e insistir na etiqueta de fútil, né? De praticar atividades pequenas, desprezíveis e tolas em comparação da seriedade dos hobbies do outro gênero. Engraçado como é sempre assim – se agrada e acerta determinado público, é ruim e ridículo. Coincidência?

Óbvio que tem críticas que podem e devem ser feitas ao livro de colorir, ou ao marketing envolvido. Tenho duríssimas críticas à pecha de “atividade antiestressante”, ou seja, você deve fazer por ser “terapêutico”, não por ser divertido. Somos tão medicalizados que até o hobby tem de ter finalidade, não pode ser simplesmente relaxar e se divertir um pouco (sim, nós podemos e devemos fazer coisas simplesmente porque elas são legais de vez em quando). Ou o consumismo exagerado, em que você deve comprar 3181914 lápis e 874514769 canetinhas para que os desenhos fiquem bons, ou pela exigência que todos façam pinturas com técnicas e materiais profissionais, quando pode ser usado qualquer material e deve ser uma atividade livrem.

Enfim.

Estamos vivendo o boom e a moda, mas certamente é um mercado que vai descobrir e ajustar seu tamanho, sem a enxurrada de títulos que vemos hoje. E será mais um hobby artesanal como muitos outros, quando os livros voltarão a ter lugar de destaque nas prateleiras e vitrines. E por que não são lidos com o mesmo afinco?

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Sobre as núpcias de Sansa Stark

sansa1Então.

Tava feliz da vida pensando: “vai chegar segunda-feira, vou escrever uma linda resenha de Mad Max e será isso”. Tava até pensando em lá pelo episódio 8 de Game of Thrones escrever outro post sobre a série e fechar ao fim da temporada (já que minha paciência para fazer resenhas individuais esgotou-se em algum ponto da temporada passada).

Só que o episódio de ontem foi coroado por uma cena forte demais para passar batida.

Antes, resumo rápido: Arya prossegue com o treinamento e tem algumas sequências interessantes (e a suspeita já presente nos livros que a trama dela desembocará na conclusão de que ela jamais será Ninguém – ela é Arya Stark, movida pelos amores e ódios que não pode deixar pra trás), Dorne tá cada vez mais uma bela duma porcaria nonsense, com Jaime Lannister louquíssimo achando que um plano tão imbecil teria a menor chance de dar certo e Sand Snakes ridículas e dispensáveis (além duma luta pessimamente coreografada), etc, etc, etc.

Até que… Sansa se casa com Ramsay Bolton. Leia mais deste post

Mad Max: A Estrada da Fúria

mad-max-fury-roadJá falei do inferno que são as expectativas. Trailer legal, o hype que já começa a ser inflado meses antes,  as redes sociais em peso falando de algo, enfim.

E às vezes nem tem tanto hype assim. Algum dia escutei que Mad Max teria mais um filme, pensei em “ah, mais um da onda de ressurreição de franquias, quem se importa” e deixei para lá. Até uma onda de críticas, pouco antes da estreia, dando conta tratar-se de um FILMAÇO. Uma crítica melhor do que a outra, certa unanimidade no ar e me despertou a vontade de ver.

E É TUDO ISSO O QUE ESTÃO DIZENDO SIM.

É dos filmes que JÁ NASCEM CULT (como, aliás, os dois primeiros filmes da franquia). Que já nascem paradigmáticos. Que já são revolucionários imediatamente.

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Game of Thrones – Quinta temporada (até agora)

gots05Então, adivinhem só o que me deu vontade de fazer hoje? Exatamente, uma “resenha” de Game of Thrones!

A última foi em… nem me lembro mais. Não me empolguei o suficiente com a temporada anterior para fazer uma resenha capítulo-por-capítulo, como de praxe. Aliás, nem mesmo nessa. Não tive muito a dizer dos capítulos especificamente, mas tenho tantas impressões soltas sobre os primeiros episódios que resolvi juntar tudo.

Primeiro, os quatro primeiros episódios vazaram na internet, então o que vou dizer pode ser notícia velha. Para mim não é, já que não baixei, não fui atrás, tou vendo legalmente e paramos ontem no episódio 4. Novidades para todo mundo só a partir de semana que vem.

Segundo, agora estamos todos no mesmo barco. Quem leu os livros, quem não leu, quem só acompanha os spoilers pela internet. Sobraram poucos plots em aberto do quinto livro e sinceramente, quero saber como essa história se encerra, quero novidades, quero ser surpreendida!

Mas, sem mais delongas, vamos aos comentários gerais.

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O Primo Basílio – Eça de Queirós

o-primo-basilio-capaJá mencionei em outras ocasiões que perdemos muito mais do que ganhamos com preconceitos literários. Uma torcida de nariz e lá se vai a oportunidade de ler obras brilhantes, que seriam muito divertidas e instrutivas, mas que nos recusamos a ler por… bobagens.

A resenha de hoje é de um livro que já vem acompanhado da pecha de “livro obrigatório do vestibular”, “livro antigo”, “livro chato” e vários outros adjetivos pouco lisonjeiros. Mas para quem se dispuser a deixar de lado os preconceitos, temos uma história bem instigante e interessante.

(mas concordo que a obrigatoriedade de certas leituras, ainda mais em idades em que muitas vezes a temática pode não ser tão interessante, tira muito a magia da coisa. Pessoalmente, não tive esse problema – lembro-me de ter lido Senhora para o colégio e ADOREI o livro, mesmo na época. Aliás, o único livro realmente muito muito chato que (não) li (porque era um saco) para o vestibular foi um romance contemporâneo… Só não devemos virar reféns disso. Tenho muitas respostas positivas de pessoas que releram os romances depois da escola e descobriram que eles, na verdade, eram muito bons. Não dá para descartar todos os “livros antigos”, “livros curriculares” apenas por esse único e exato motivo).

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O Destino de Júpiter

jupiter_ascending_movie_poster_2O grande mérito/pecado de tudo o que diz respeito aos trabalhos dos irmãos Wachowski deve-se ao fato de terem sido eles os criadores de Matrix.
Não sei se você, leitor, reconheça o impacto que Matrix teve na época de seu lançamento. Foi uma quebra de paradigmas em todos os sentidos: de trama, de montagem, de efeitos especiais, de tudo. Foi um dos grandes marcos do cinema, que influenciou não apenas o gênero ficção científica/cyberpunk. E tudo o que se espera dos Wachowski, desde então, é um novo Matrix – e todos os seus filmes serão medidos com a régua matriciana.
Daí já começamos a entender porque O Destino de Jupiter é um fracasso de crítica. Porque, óbvio, não é Matrix. A trama está situada em algum lugar entre o mediano e o razoável – mas isso para quem nos deu Matrix é o Pior Filme do Mundo.

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Desafio Volta ao Mundo

mundoAno-novo, nada melhor do que começarmos com um desafio literário novo!

Na verdade, não iria tornar um desafio público, mas, provocada pelo Luan, resolvi escrevê-lo.

Uma coisa que falo muito aqui no blog e recomendo para qualquer leitor: saiam da lista dos mais vendidos. Saiam dos best-sellers e autores óbvios. A gente acaba se fechando tanto no mais do mesmo que não enxerga o resto, acaba entrando num loop de ler eternamente o mesmo tipo de coisas (até porque acaba sendo mais fácil). E nem precisa ir muito longe para encontrar esses autores: indo para um nível ainda pop, mas que sai do best-seller, já achamos ótimos autores e que nos darão o diferente (dois exemplos óbvios: Haruki Murakami e Chimamanda Adichie. São autores pops, acessibilíssimos e que já saem dos mesmos autores e temas batidos). Nós também temos a tendência (enorme, gigante) de consumir muita literatura anglófona e… ignorar o resto. Ou deixar de ver o que mais há fora disso.

Então chegamos ao nosso desafio: a volta ao mundo!

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Hibisco Roxo – Chimamanda Ngozi Adichie

hibisco-roxo-capaQuando dei-me conta que lia mais literatura americana/inglesa do que qualquer outra anos atrás, resolvi que era um erro que precisava ser reparado e resolvi dar maior atenção às demais vozes do mundo. Aí percebi que nunca tinha lido autores africanos e corri atrás desse objetivo. Aí fui mais longe: percebi que li apenas africanos brancos, queria saber o que os autores africanos negros tinham a dizer. Minha primeira experiência foi com Chinua Achebe (infelizmente sem resenha já que não tenho ânimo/inspiração/coragem para resenhar todos os livros que leio), talvez o mais clássico autor nigeriano contemporâneo. A colagem que ele faz, da tradição tribal que colide e se funde com a colonização europeia mas que deixa certo desalento de “e agora?” nas pessoas e culturas antigas, é fantástica.

Mas poderia ser mais contemporânea ainda. Então finalmente fui ler Chimamanda Ngozi Adichie, conhecida deste blog desde 2010 pelo incrivelmente fantástico e necessário vídeo Os Perigos de Uma Única História, mas não tem problema se a conheceu este ano por causa da Beyoncé e de seus outros TEDs. Chimamanda é uma jovem autora nigeriana que no fim da adolescência se mudou para os Estados Unidos para melhores oportunidades de estudo e talvez hoje uma das jovens vozes mais hypadas da literatura internacional. Não sem mérito, diga-se.

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Confissões On-Line – Iris Figueiredo

Confissões-On-Line-Frente-684x1024Outro dia vi uma frase interessante: não confie em quem teve um Ensino Médio maravilhoso. Digo mais – da mesma forma que todas as famílias felizes são iguais e infelizes se diferenciam pela infelicidade, ensinos médios felizes são todos iguais e os problemáticos se diferenciam pela natureza dos problemas sofridos.

Conheço a autora do blog dela, de segui-la no twitter e achá-la uma pessoa superfofa. Quando soube que ela lançaria um segundo romance, fiquei curiosa para ver mais sobre sua escrita – conhecia um pouco da ficção dela pelo conto da coletânea Meu Amor É Um Anjo.

Pela capa, título e sinopse esperava uma coisa levinha, engraçadinha, bem inha mesmo, meio consciente de que não sou público-alvo e que talvez isso influenciasse meu julgamento. Mas então me veio a surpresa: de “inho”, esse livro não tem nada. Mais: toda minha condescendência caiu por terra e fui atingida em cheio pela trama e personagens.

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