Meio Sol Amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie

meio-sol-capaIndependente da orientação política seguida pelo leitor, é preciso saber que há uma óbvia ênfase na história de apenas uma parte do mundo, daqueles lugares Que Realmente Importam. É até uma piadinha comum e recorrente que um acidente de carro com vítimas nos Estados Unidos será manchete no jornal noturno, mas o mesmo evento ocorrido na esquina do bairro passará batido, como se nada tivesse havido.

Da mesma forma se faz o tratamento dos grandes eventos e tragédias da história da humanidade. Se aconteceram debaixo dos holofotes, terão destaque nos livros de história, debates e cultura popular (quantos filmes existem sobre o exército americano na Segunda Guerra Mundial, por exemplo?). Outros, nos cantos mais periféricos do mundo, são esquecidos, ou mesmo nunca referidos.

Para minha geração, Biafra é um nome vazio. No máximo evoca criancinhas mortas de fome na África, de uma forma bem genérica (já que o mesmo Ocidente-que-importa adora generalizar a África como pessoas passando fome). E trata-se, apenas, de uma das maiores tragédias da história da humanidade.

E entramos aqui no papel da literatura. Dentre as várias funções da arte, existem duas a serem destacadas: a da lembrança do que jamais pode ser esquecido e o da terapia do povo, de quem precisa falar sobre o luto para processá-lo e aprender com ele.

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O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

o-lado-bom-da-vida-capaHá alguns livros que podem ser leves e simples, mas trazem mensagens e reflexões bem interessantes. A bem da verdade, esse livro foi uma leitura de viagem, comprado por não ser complexo e de digestão mais leve, mas nem por isso deixou de me comover, me fazer refletir ou de pensar nos personagens e suas angústias mesmo depois da página final.

 É um livro leve e bem-humorado, sim, mas que trata de um assunto nada colorido: a doença mental. Pat Peoples é bipolar e passou os últimos tempos de sua vida internado num sanatório por motivos que não se recorda. Seu maior desejo é reatar com a esposa por quem é loucamente apaixonado, Nikki, e para isso ele está se esforçando para se tornar uma pessoa melhor. Só que o mundo do lado de fora está bem diferente do que quando o deixou…

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Jogos Vorazes – O filme

A primeira coisa a falar aqui, novamente, é o fato de que o filme é uma adaptação do livro, então se o fã espera que tudo ocorrerá ipsis literis como na história que ele conhece, sairá decepcionado. A segunda é que, apesar de ter gostado bastante do livro e recomendá-lo a quem pergunta, não sou exatamente fã – não participo de fóruns de discussão, não fiquei acompanhando em cima a produção do filme e nem nada disso, apenas sabia que iria assisti-lo fatalmente, o que tira um pouco do auê da coisa.

Dito isso, voltemos à questão da adaptação: quando se faz um filme, deve-se pensar em dois públicos, aqueles que já leram o livro e querem a história que conhecem na tela e aqueles que nunca tiveram nenhum contato anterior com a obra e querem que o filme seja auto-explicativo. Dessa forma, detalhes, personagens e acontecimentos devem ser condensados na duração do filme (no caso, 145 min), e muitos fatos serão refeitos, personagens terão de desaparecer ou farão uma participaçãozinha especial só para constar.

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A Invenção de Hugo Cabret

Não sou muito de falar de filmes, até porque os assisto menos do que deveria e acho que há pessoas muito mais capacitadas do que eu internet afora. Mas quando se esbarra em um ponto bem acima da média, como ficar quieta? Ainda mais agora que toda euforia do Oscar se foi e a poeira baixou um pouco, talvez caiba falar um pouco sobre um filme que me impressionou bastante.

A Invenção de Hugo Cabret é a adaptação do livro de mesmo nome pelas mãos do diretor Martin Scorsese e trata da história de um menino órfão que vive numa estação de trem de Paris na década de 1930, buscando peças para terminar de restaurar um autômato, herança do pai relojeiro. No seu caminho, encontrará pessoas como o inspetor da estação (representado para todos os efeitos cômicos pelo Sacha “Borat” Baron Cohen), os comerciantes e passantes diários da estação de trem e um certo vendedor de brinquedos que é bem mais do que parece ser…

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