Mad Max: A Estrada da Fúria

mad-max-fury-roadJá falei do inferno que são as expectativas. Trailer legal, o hype que já começa a ser inflado meses antes,  as redes sociais em peso falando de algo, enfim.

E às vezes nem tem tanto hype assim. Algum dia escutei que Mad Max teria mais um filme, pensei em “ah, mais um da onda de ressurreição de franquias, quem se importa” e deixei para lá. Até uma onda de críticas, pouco antes da estreia, dando conta tratar-se de um FILMAÇO. Uma crítica melhor do que a outra, certa unanimidade no ar e me despertou a vontade de ver.

E É TUDO ISSO O QUE ESTÃO DIZENDO SIM.

É dos filmes que JÁ NASCEM CULT (como, aliás, os dois primeiros filmes da franquia). Que já nascem paradigmáticos. Que já são revolucionários imediatamente.

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Hibisco Roxo – Chimamanda Ngozi Adichie

hibisco-roxo-capaQuando dei-me conta que lia mais literatura americana/inglesa do que qualquer outra anos atrás, resolvi que era um erro que precisava ser reparado e resolvi dar maior atenção às demais vozes do mundo. Aí percebi que nunca tinha lido autores africanos e corri atrás desse objetivo. Aí fui mais longe: percebi que li apenas africanos brancos, queria saber o que os autores africanos negros tinham a dizer. Minha primeira experiência foi com Chinua Achebe (infelizmente sem resenha já que não tenho ânimo/inspiração/coragem para resenhar todos os livros que leio), talvez o mais clássico autor nigeriano contemporâneo. A colagem que ele faz, da tradição tribal que colide e se funde com a colonização europeia mas que deixa certo desalento de “e agora?” nas pessoas e culturas antigas, é fantástica.

Mas poderia ser mais contemporânea ainda. Então finalmente fui ler Chimamanda Ngozi Adichie, conhecida deste blog desde 2010 pelo incrivelmente fantástico e necessário vídeo Os Perigos de Uma Única História, mas não tem problema se a conheceu este ano por causa da Beyoncé e de seus outros TEDs. Chimamanda é uma jovem autora nigeriana que no fim da adolescência se mudou para os Estados Unidos para melhores oportunidades de estudo e talvez hoje uma das jovens vozes mais hypadas da literatura internacional. Não sem mérito, diga-se.

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O Amor de Uma Boa Mulher – Alice Munro

amor-boa-mulherEntão chegamos ao prêmio literário de maior prestígio do mundo, o Nobel. O franco favorito a ser contemplado em 2013, o nigeriano Chinua Achebe, faleceu no começo do ano – e como não há premiação póstuma, deixou seu posto em aberto (só para comentar, já li um dos livros do autor, chamado A Flecha de Deus – que, de certa forma, se assemelha ao livro de hoje, naquilo que traz o recorte do cotidiano de uma família e comunidade numa Nigéria que passa por um imenso choque cultural). Assim sendo, não havia favoritos ou nomes certos e uma grande indagação no ar: quem será o contemplado?

A grande torcida das bolsas de apostas (e também deste blog) era pelo japonês Haruki Murakami, mas a decepção foi generalizada no dia do anúncio do prêmio, que contemplou a canadense Alice Munro. A obra da autora, contista (num mundo de romancistas, um raro dom), intimamente ligada ao cotidiano e vida das mulheres canadenses nas décadas centrais do século XX. Claro que fiquei insatisfeita porque meu candidato preferido não havia ganhado, mas a temática da autora me despertou alguma curiosidade, além de que, querendo ou não, havendo justiça ou não, o Nobel é a maior chancela que um autor pode ter por sua obra.

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Frozen: Uma Aventura Congelante – Disney

frozenProvavelmente (já que não me lembro da primeira vez, já que tenho uma lembrança remota que comprova a teoria, mas não sei se houve um “antes”) o primeiro filme que vi no cinema foi um dos grandes clássicos Disney. Ou melhor, indo mais longe na lembrança: A Bela e A Fera (no cinema onde hoje é o Sesc Palladium, em Belo Horizonte, pra ser mais exata). Tive a sorte de ter crescido na era de ouro do final de 1980-início de 1990, onde, por cerca de dez anos, uma obra-prima Disney atrás da outra eram lançadas. O mês julho era esperado com ansiedade (não apenas para meus dias de férias com minha avó – que incluiam, é claro, pelo menos uma ida ao cinema), já que era a data da próxima animação.

Os anos foram se passando, veio um período bem ruim para o estúdio: filmes ruins, problemas financeiros e a hegemonia abalada pela concorrência, como a revolucionária Pixar – ainda que pertença ao estúdio – , a descoberta ocidental de Hayao Miyazaki (um dos maiores mestres da arte da animação) e mesmo os grandes estúdios de cinema se mexendo e aprimorando suas próprias técnicas, como a Dreamworks. Mas, como num conto de fadas, a Disney reergueu-se, vem na sequência de bons filmes (ainda que não sejam mais apresentados em julho) e voltou a ter o prestígio de outrora (ainda que com alguns escorregões desnecessários, mas já chegamos lá).

Então não deixa de ser uma grande alegria dar de cara com A Animação do Ano que tem todo o jeito dos melhores filmes dos saudosos anos 90, de ter vindo na esteira de grandes sucessos como o próprio A Bela e a Fera, Alladin e O Rei Leão (que, há quem diga, é a animação da Disney absoluta). Mas… bom, os tempos são outros 😉

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A História da Aia – Margaret Atwood

capa-a-historia-da-aia-margaret-atwoodQualquer coisa que eu diga sobre esse livro vai ser pequena perto de seu conteúdo. Aliás, esse é um desses livros que dá medo de resenhar – penso que qualquer palavra que eu vá dizer sobre ele vai soar pequena e ridícula demais. Mas a vontade de contar minhas impressões, de “espalhar a palavra” sobre um livro excelente (e infelizmente fora de catálogo, comprei de um sebo) e que recomendo imensamente a leitura e reflexão.

Poucas coisas me horrorizam mais do que discursos machistas e conservadores como o do deputado Malafaia (para pegar alguém que personifica esse tipo de pensamento) e da utilização de argumentação pseudo-religiosa para a validação desse discurso. Cada vez que vejo nas páginas de jornais matérias como audiências na Câmara sobre a “cura gay” (!!!), debates acalorados sobre o aborto, comentaristas em notícias de crimes de estupro e violência contra a mulher em geral falando que as vítimas mereceram, penso que se damos passos para frente em alguns aspectos, os para trás em outros são óbvios e velozes. Ao mesmo em que se luta por igualdade e respeito independente de gênero, mais se reprime e oprime em moldes morais castradores.

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O papel aceita tudo…

Quarta-feira de cinzas, todo mundo com aquele climão de ressaca (convenhamos que mesmo quem não gosta de carnaval gosta de feriados, né?) e retomamos os trabalhos do blog! Hoje, para dividir um pouco de revolta…

Passeando pelo twitter, vi a seguinte foto sendo retuitada. Fiquei horrorizada com o conteúdo. Como um livro na sessão infantil pode trazer uma “dieta especial para meninas”? A paranoia de dietas da nossa sociedade precisa começar ainda mais cedo do que ela já começa? Claro que a editora lança o material porque existe demanda, mas há pais que permitem que suas filhas comprem esse material e comecem dieta em plena fase de crescimento?

Fui pesquisar sobre o livro e achei a sinopse:

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Os Homens Que Não Amavam As Mulheres – Stieg Larsson

Se tem um assunto sensível para mim, por razões que vão além do óbvio, é a violência contra a mulher, em especial quando violência doméstica. Podem reparar que os assassinatos de mulheres que saem na mídia foram cometidos por seus companheiros, inconformados com o fim do relacionamento, ou para acobertar o abuso sexual cometido por estranhos. Também tem os casos de agressão e abuso que não acabam em morte, mas também não acabam – ou só muito raramente – na punição dos agressores. É um quadro que tem muito de cultural, muito de uma cultura machista – onde a mulher é “posse” do homem, onde a vítima de abuso sexual “também provocou”, onde “em assunto de família ninguém se mete”. Passos são dados, mas muito ainda precisa ser feito a esse respeito.

Dito isso, vamos ao livro de hoje, Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, do sueco Stieg Larsson. O livro foi uma verdadeira coqueluche quando saiu no Brasil, lá pra 2008 ou 2009, desses que todo mundo leu, mas o preço proibitivo me inibiu de comprar. Acabei comprando em 2010, mais por impulso do que por reflexão consciente, numa oferta da Bienal de BH. Coloquei na estante e pensei: “livro grande, preguiça”. Vim ler só esses dias por culpa da exibição da adaptação americana do livro (apesar da sueca também ter chamado bastante atenção quando saiu), o que atiçou minha curiosidade.

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Assando Bolos em Kigali – Gaile Parkin

Um desses lugares comuns bem verdadeiros sobre livros e leituras é sua capacidade de nos transportar para outras terras, viver culturas diferentes da nossa e conhecer maneiras novas de se pensar. É uma oportunidade única, pegando autores e histórias certas, de conhecer muito mais sobre o mundo e seus habitantes do que os atlas geográficos ou enciclopédias.

Já há algum tempo ando interessada em ler histórias de lugares diferentes da minha cultura brasileira, de classe média e moradora do sudeste (depois de quase vinte anos de interior agora ando me aprimorando nas artes de “moradora de cidade grande”), assim como da cultura anglófona quase onipresente nos livros de ficção, no cinema e na TV mais comerciais. Gosto de conhecer o diferente, saber como as coisas acontecem aqui e acolá do mundo e que no fim das contas pessoas são pessoas, onde quer que elas estejam e como quer que elas vivam.

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Reino das Névoas – Camila Fernandes

A proposta desse livro é trazer “contos de fadas para adultos”. Não que, em sua origem, contos de fada tenham sido histórias infantis, como a própria autora esclarece no prefácio: eram histórias moralizantes, que davam conselhos e a punição de maus atos, principalmente para adultos ou jovens em formação para a vida. As versões que conhecemos hoje, de certa forma pasteurizadas, surgiram a partir dos trabalhos dos Irmãos Grimm e de Charles Perrault, que recolheram essas histórias e as recontaram de maneira mais leve.

Mas o “para adultos” do título também pode ter uma outra interpretação. Não diz respeito apenas a cenas de sexo e violência mais cruas, mas ao que acho principal no fato de ser adulto: ter de fazer escolhas, nem todas fáceis, nem todas simples, e viver com o peso de suas consequências. Sabem aquela história batida dos grandes poderes e grandes responsabilidades? Mais ou menos isso.

Então, com essas prerrogativas em mente, a autora traz uma coleção de contos de fadas modernizados – e deliciosos, li o livro em uma tarde, não conseguia largá-lo – e adultos. Toda aquela atmosfera mágica de contos de fada está presente e a narrativa é simplesmente deliciosa de se acompanhar. A autora conseguiu pegar o espírito dos contos que lhe servem de inspiração, alguns deles até mesmo recontados aqui, como A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e mesmo A Bela e a Fera (evidentemente não a versão da Disney). Outro ponto forte são as ilustrações para cada conto, também obra da autora (que é ilustradora), afinal um livro de contos de fadas não poderia passar sem ilustrações, poderia?

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O Incêndio de Troia – Marion Zimmer Bradley

Esse livro tem historinha pré-resenha. Pode não ser um dos grandes ou a obra-prima da Marion Zimmer, mas é meu livro predileto dela, de longe (mais do que As Brumas de Avalon ou qualquer outro trabalho). Talvez um dos meus livros preferidos de todos os tempos, se bobear, por mais que não seja o mais brilhante que já tenha lido, em roteiro ou desenvolvimento.

Conheci esse livro no primeiro semestre de 2005, em meus intermináveis passeios pela biblioteca da UFV. O livro tinha tudo para me agradar: escrito por uma das minhas autoras preferidas, tendo por base a mitologia grega e com uma protagonista ao que tudo indicava forte. Comecei a ler naquela tarde mesmo, numa aula de Introdução à Economia (lembro da época que li o livro pela época que fiz a matéria, também) sentei na última fileira , coloquei o livro no colo e fiquei lendo…

No começo foi tudo estranhamento, até porque o livro conta a história pela perspectiva de Cassandra (ou Kassandra, para respeitar a transliteração original), a sacerdotisa de Troia filha de Príamo que foi amaldiçoada ao recusar Apolo – ela teria o dom da profecia, mas ninguém acreditaria nela. E, em se tratando do viés feminista e pagão da autora, óbvio que as coisas seriam bem diferentes da Ilíada ou de qualquer autor clássico. Quando fechei o livro (e não levei mais do que cinco dias para lê-lo, isso no meio do período letivo e com quase 600 páginas – ah, fui envelhecendo e perdendo ritmo de leitura, como lidar :'(), não sabia sinceramente o que tinha achado dele, se tinha gostado ou odiado.

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