O Primo Basílio – Eça de Queirós

o-primo-basilio-capaJá mencionei em outras ocasiões que perdemos muito mais do que ganhamos com preconceitos literários. Uma torcida de nariz e lá se vai a oportunidade de ler obras brilhantes, que seriam muito divertidas e instrutivas, mas que nos recusamos a ler por… bobagens.

A resenha de hoje é de um livro que já vem acompanhado da pecha de “livro obrigatório do vestibular”, “livro antigo”, “livro chato” e vários outros adjetivos pouco lisonjeiros. Mas para quem se dispuser a deixar de lado os preconceitos, temos uma história bem instigante e interessante.

(mas concordo que a obrigatoriedade de certas leituras, ainda mais em idades em que muitas vezes a temática pode não ser tão interessante, tira muito a magia da coisa. Pessoalmente, não tive esse problema – lembro-me de ter lido Senhora para o colégio e ADOREI o livro, mesmo na época. Aliás, o único livro realmente muito muito chato que (não) li (porque era um saco) para o vestibular foi um romance contemporâneo… Só não devemos virar reféns disso. Tenho muitas respostas positivas de pessoas que releram os romances depois da escola e descobriram que eles, na verdade, eram muito bons. Não dá para descartar todos os “livros antigos”, “livros curriculares” apenas por esse único e exato motivo).

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Clarissa – Érico Verissimo

A adolescência é uma fase peculiar da vida e essa transição entre a infância e idade adulta ganha contornos diferentes de acordo com cada época. Aliás, a transição entre o infantil e a maturidade pode ser vista não apenas em termos biológicos, mas também em outros lugares: o urbanismo (no começo das grandes cidades as coisas eram muito mais românticas e simples do que no caos megalopolitano de hoje, o encanto de ir ver um filme no cinema ou fazer o footing no fim da tarde existiam, assim como uma proximidade entre vizinhos que parece impensável nos dias de hoje) ou mesmo o caminho entre os primeiros trabalhos de um autor e aquelas que seriam suas obras-primas.

Clarissa é o livro de estreia de Érico Verissimo e ambos, criador e criatura, possuem muito em comum: ela é uma mocinha sensível, ingênua e sonhadora que saiu da estância da família, no interior, e foi fazer o curso normal em Porto Alegre, na década de 1930 (a cidade não é citada em nenhum ponto do texto, mas por vários elementos textuais, como expressões regionais e referências ao seu lugar natal é fácil inferir). Lá, ela mora na pensão da tia e vemos o dia-a-dia tanto da menina que descobre aos poucos, e não sem surpresas e choques, o mundo adulto, quanto dos demais moradores da pensão e seus vizinhos, de idades e ocupações variadas na vida.

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