Meio Sol Amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie

meio-sol-capaIndependente da orientação política seguida pelo leitor, é preciso saber que há uma óbvia ênfase na história de apenas uma parte do mundo, daqueles lugares Que Realmente Importam. É até uma piadinha comum e recorrente que um acidente de carro com vítimas nos Estados Unidos será manchete no jornal noturno, mas o mesmo evento ocorrido na esquina do bairro passará batido, como se nada tivesse havido.

Da mesma forma se faz o tratamento dos grandes eventos e tragédias da história da humanidade. Se aconteceram debaixo dos holofotes, terão destaque nos livros de história, debates e cultura popular (quantos filmes existem sobre o exército americano na Segunda Guerra Mundial, por exemplo?). Outros, nos cantos mais periféricos do mundo, são esquecidos, ou mesmo nunca referidos.

Para minha geração, Biafra é um nome vazio. No máximo evoca criancinhas mortas de fome na África, de uma forma bem genérica (já que o mesmo Ocidente-que-importa adora generalizar a África como pessoas passando fome). E trata-se, apenas, de uma das maiores tragédias da história da humanidade.

E entramos aqui no papel da literatura. Dentre as várias funções da arte, existem duas a serem destacadas: a da lembrança do que jamais pode ser esquecido e o da terapia do povo, de quem precisa falar sobre o luto para processá-lo e aprender com ele.

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