Lendo em um idioma estrangeiro

…ou Comentando o Comentário do Leitor #3.

 Aqui, o leitor Marcos faz a seguinte colocação:

Ei, acho que seria legal um post sobre ler livros em ingles? Como e quando vc comecou, se os livros que costuma ler tem um vocabulario especifico, dicas pra quem quer comecar a ler em ingles (pq se a gente for esperar tudo sair em portugues, vai deixar de ler muita coisa), etc”.

Infelizmente, para quem lê ficção fantástica, essa é uma verdade. Pouca coisa sai aqui (a situação até está melhorando ultimamente, mas ainda estamos longe do ideal) e vários clássicos ficaram para trás sem nunca ganharem uma tradução, principalmente nas épocas de vacas magras nacionais. Ou até ganharam, mas a edição se esgotou e hoje em dia é muito difícil, senão impossível, encontrá-la em português.

Outro ponto que não dá para deixar de mencionar é o preço dos livros. Os pockets em inglês ficaram mais acessíveis, hoje em dia são encontrados em qualquer livraria média ou grande (e alguns lugares, como a Livraria Cultura, são o verdadeiro paraíso para quem procura pockets em inglês) e algumas vezes custam a metade ou até mesmo 1/3 ou ¼ da edição nacional. Assim, o fator bolso acaba pesando.

O jeito então é aprender a ler em uma língua estrangeira e para isso temos algumas dicas:

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Comentando o Comentário do Leitor II – Sobre traduções e adequação textual

O leitor Raphael deixou esse MARAVILHOSO comentário no post A Fúria dos Reis: Tradução, lançamento e crítica. Achei os comentários sobre tradução e adequação bem interessantes, o texto dele está em itálico, minhas intervenções (poucas, pouquíssimas, quase nenhuma) em texto corrido. Vejamos:

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Comentando o comentário do leitor

No post sobre Os Sete, o leitor Rogério deixou o seguinte comentário, que achei tão interessante e reflexivo que achei melhor transformar a resposta em post e puxar a discussão cá para cima. O post integral está lá, aqui vou comentar os trechos, que estão em itálico.

“Concordo. Li o livro, aliás, alguns livros do Vianco. Esses erros no livro dele, como o do caso do IML, poderia ter sido consertado se a editora tivesse um bom copidesk, um bom revisor. Mas no Brasil esses profissionais não são valorizados, embora essenciais para a editora e o próprio autor”.

É um ponto que bati forte na resenha dele e é verdade. AGORA está se começando a ter um cuidado editorial maior com livros de fantasia, mas vemos best-sellers com problemas BOBOS que poderiam ter sido resolvidos sem prejuízo algum ao texto. Não são coisas que diminuem a qualidade do texto ou a técnica do autor, mas fica faltando acabamento, as arestas ficam evidentes. Falta copidesque, revisor, leitor crítico, o que seja. e falta também a consciência do papel deste profissional para o acabamento de uma obra, qualquer seja ela.

“Tirando um ou dois de seus livros, mais ou menos, os os restantes do André Vianco são horríveis, puro lixo. Mas…vendem bem! O que isso quer dizer? Que o leitor brasileiro que ajuda a criar bestsellers come lixo literário.  Que no Brasil não existem leitores, apenas gente que embarca no embalo – sujeito faz um marketing pessoal bem feito, aparece no programa do Jô e atura a brincadeira do gordo…e pronto, eis um best-seller”.

Acho que aqui está meu maior ponto de discordância. Por que não existem leitores, por que livros de entretenimento não são livros?

Aliás, vamos a um exercício um pouco maior. Pegue as listas de bestsellers de todo o planeta. Existe alguma que não seja composta majoritariamente por livros de entretenimento? Logo, o desejo de consumo do público é o de uma leitura mais leve capaz de entretê-lo e não de uma atividade intelectual elaborada? Os grandes best-sellers, como a J. K. Rowling e a Stephenie Meyer (apesar de que ambas focam um público mais jovem e creio que a análise seja ligeiramente diferente aqui, mas enfim), Dan Brown, Sydney Sheldon, John Grisham, Stephen King e outros vendem entretenimento. Não vendem qualidade literária ou filosófica (apesar de vez ou outra até conseguirem esbarrar numa reflexão existencial, ainda que rasa), vendem o que as pessoas querem ler.

Também não concordo com a expressão “lixo literário”. Lixo por quê? Por não fazer parte de grupos de estudos acadêmicos, mas ter extrema aceitação popular? De representar aquilo que as pessoas querem consumir como produto? De ser o que as pessoas elegem como leitura predileta e consomem? Que querem relaxar após um dia cansativo, desligar o cérebro nos livros?

E eles são menos leitores por preferirem material de consumo ao invés de material de pesquisa?

O André Vianco é o mesmo caso do Paulo Coelho, com um pouco mais de esforço eles até podem vir a serem bons escritores. Vender bem seus livros é outra coisa. Existem autores consagrados na literatura mundial que em vida não venderam quase nada, e depois de mortos tornaram-se sucessos universais. E outros que venderam milhões em vida, mas depois de mortos e com o passar dos anos, sumiram.

Pois é, mas é a época que dá o valor? No calor dos fatos, podemos com certeza afirmar quem fica e quem vai ser esquecido? Acho que não.

E voltamos à diferença de mundos, a academia de um lado e a literatura comercial do outro. A academia precisa de leitores? Ou o livro-objeto de estudo tem finalidade diferente do livro-objeto de prazer, no sentido de terem leituras diferentes? E essas leituras podem existir ao mesmo tempo ou também podem estar disassociadas?

Não diminuo a literatura de entretenimento. Não sei o que as gerações futuras vão dizer do Paulo Coelho, do Vianco e de todos os outros, porque eu, com meus olhos contemporâneos, não posso enxergá-los. Não podemos avaliar quem fica e quem vai ser atropelado pelo tempo, talvez apenas especular – e me arrisco em poucas especulações nesse campo…

 

Apesar de tudo, acho que o André Vianco está melhorando e muito em seus livros. Com um pouco mais de calma e esforço, ele fará pelo menos um bom livro em vida.

A vida é evolução 🙂

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O Papo na Estante voltou, após um longo e tenebroso inverno! *-*

Agora com uma nova formação e em nova casa: o site do Nerd Escritor.

Cliquem lá e confiram o episódio 24 – um resumo de tudo o que aconteceu enquanto o podcast esteve fora do ar!

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Até a próxima!

Série House of the Night – PC e Kristin Cast

Uma das várias séries voltadas ao público adolescente feminino que trata de vampiros é a chamada House of the Night, escrita pelas autoras, mãe e filha, PC e Kristin Cast.

Não tive interesse em ler a série, mas a amiga Mariana Ferreira leu e resenhou para mim. Com isso, estreiamos a seção “O Leitor Escreve”, onde é você, o leitor, que colabora com a resenha!

Claro, como não li a série, a respnsabilidade é toda da Mariana, reclamem com ela e não comigo se não gostarem 😛

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House of the Night -resenha por Mariana Ferreira

Dizem que se for para falar mal é melhor nem abrir a boca. Mas né? Vamos considerar isso uma ultilidade pública:

House of Night não é uma série que valha a pena ser lida. Li porque não tinha nada melhor pra fazer durante as férias e estava em promoção no Submarino. Até agora foram 5 volumes e diz a autora que serão 12. Como alguém consegue escrever 12 livros sobre praticamente nada é um grande mistério.

A série até o 5º volume se baseia em vampiros e índios Cherokees. Claro que os vampiros tem seu grau de estilização É assim: uma pessoa se torna vampiro por causa de uma mutação no DNA durante a adolescência. Então ela é marcada, se torna um novato e tem que ir para uma morada da noite para completar sua transformação. Não, não tem mordida, sangue, sedução nem nada. É puramente “biológico”. O mais impressionante é que a despeito de os vampiros serem bonitos, ricos e famosos (no livro, vários atores e cantores como Hugh Grant e Shania Twain são vampiros) os novatos e vampiros são discriminados pelos humanos. Sim, contradição pouca é bobagem. Já os índios só aparecem como referência cultural (o vilão desses primeiros livros é baseado na mitologia deles).

O grosso da história são os adolescentes e seus draminhas e conversinhas. Coisas do tipo: “Oh! Meu namorado humano aparentemente está em grande perigo. Vou ali assistir um DVD com meus coleguinhas depois eu cuido disso”. Então, ao invés de ação, o leitor se depara com uma boa meia dúzia de páginas de diálogos que parecem saídos de malhação com trocentas falas dispensáveis. Exemplo: se a protagonista está com os amigos e faz uma pergunta, aparece uma fala de cada um, mesmo que todos estejam respondendo, em essência a mesma coisa. Isso somado ao grau sandystico de perfeição da personagem irrita demais. Muito piegas para o gosto de praticamente qualquer um.

Além de piegas a narrativa é arrastada, cheia de detalhes que não são da sua conta e com pouca ação por livro. O primeiro volume, como eu já disse, é praticamente só ambientação. Tem um pouquinho de “coisa acontecendo” (nada de muito aventuresco mesmo, juro) e milhares de detalhes sobre a vida e obra dos vampiros e suas escolinhas. Totalmente dispensável. Os detalhes terrivelmente irrelevantes são coisas do tipo “passei a chapa para arrumar os cabelos”. Sério, se cada vez que a autora trocasse a descrição do ritual de make-up da protagonista por “me arrumei e saí” os cinco volumes juntos diminuiriam umas 50 páginas. Se não fosse tão angustiante ler esses detalhes sem importância, os livros seriam muito melhores, porque a história em si tem até seu charme.

Mas o que mais mata lenta e dolorosamente tudo o que podia ser bom na série é a previsibilidade feladaputa. Caro leitor, se você tiver a mínima suspeita de que uma personagem vai morrer, é porque ela VAI morrer. Se acha que alguém vai fazer alguma merda, é porque essa pessoa VAI fazer merda. Se suspeitar minimamente que a diretora da escola é mau igual a um pica-pau, tenha certeza de que ela é mesmo. Isso fica claro desde a primeira vez que ela aparece. Nem pra ter um conflito “será que ela é” igual a J. K. Rowling fez com o Snape.

Falar em Snape, eu devia ter lido a série do Harry Potter de novo nas férias ao invés dessa bobagenzinha. Talvez a única coisa boa desses livros é que vai virar filme ou série de televisão com muitos corpos malhados e rostos bonitos. Segundo a autora, todos os vampiros são muito belos e se o novato engordar ou adoecer, ele morre.

Bom, resumindo para você poder conversar com sua priminha de 12 anos retardada por definição e fã da série: A menina é marcada, aí a família de crentes loucos dela surta e ela foge para pedir ajuda à avó. Como a velhinha mora em uma fazenda e está pelo campo, a menina sai andando loucamente pelo bosque, cai, bate a cabeça e morre desmaia. Desmaiada, ela vê/sonha com a deusa Nyx, divindade que os vampiros cultuam. Aí a deusa tipo abençoa especificamente a ela. Quando a protagonista (Zoey) acorda, ela está na morada da noite em segurança porque a vovozinha a levou para lá. Depois de se recuperar, ela sai botando moral pela escola porque é muito mais poderosa do que qualquer novato que já existiu, então ela consegue acabar com a equivalente cheerleader local e ficar com o namorado dela além do namorado antigo que ela tinha na vida de apenas humana. Durante os outros livros, a melhor amiga dela morre e volta como uma criatura estranha, mas a incrível Zoey consegue salvá-la e a menina se transforma em um outro tipo de vampiro. Então ela descobre que tem mais um monte de novatos que não morreram e também estão assim. Além disso,  a cheerleader do primeiro livro vira amiga da protagonista. Como Zoey é a principal, estilo Seiya porém mais rainha da cocada preta, ela arruma mais uns 3 ou 4 namorados/pretendentes e geralmente está com mais de um ao mesmo tempo embora no fundo sejam todos uns malas. Em determinado ponto da história, fica claro que a diretora da morada da noite é má e ela invoca um deus antigo e mau. Então a perfeita Sandy Zoey, seus fiéis amigos, seus devotos namorados e sua fofíssima vovó descendente de Cherokees se unem com as freiras legais para exorcizar os capetas. Ah sim, importante lembrar que a Zoey é estilo Jesus, sabe? Ela é MUITO tocada pela deusa! O tempo todo acontece. É tipo RPG mesmo, sabe? Entra na dungeon, salva a princesa, ganha XP e sobe de nível. Isso só comprova o quanto a personagem é isenta de falhas. Sério, eu devia ter relido Harry Potter, que pelo menos era o “escolhido” mas era um sujeito loser como outro qualquer, com seus conflitos internos, suas fraquezas, suas incompetências e seus amigos que participam da história ao invés de só ficar pagando pau para ele.

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Até a próxima!

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