Meio Sol Amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie

meio-sol-capaIndependente da orientação política seguida pelo leitor, é preciso saber que há uma óbvia ênfase na história de apenas uma parte do mundo, daqueles lugares Que Realmente Importam. É até uma piadinha comum e recorrente que um acidente de carro com vítimas nos Estados Unidos será manchete no jornal noturno, mas o mesmo evento ocorrido na esquina do bairro passará batido, como se nada tivesse havido.

Da mesma forma se faz o tratamento dos grandes eventos e tragédias da história da humanidade. Se aconteceram debaixo dos holofotes, terão destaque nos livros de história, debates e cultura popular (quantos filmes existem sobre o exército americano na Segunda Guerra Mundial, por exemplo?). Outros, nos cantos mais periféricos do mundo, são esquecidos, ou mesmo nunca referidos.

Para minha geração, Biafra é um nome vazio. No máximo evoca criancinhas mortas de fome na África, de uma forma bem genérica (já que o mesmo Ocidente-que-importa adora generalizar a África como pessoas passando fome). E trata-se, apenas, de uma das maiores tragédias da história da humanidade.

E entramos aqui no papel da literatura. Dentre as várias funções da arte, existem duas a serem destacadas: a da lembrança do que jamais pode ser esquecido e o da terapia do povo, de quem precisa falar sobre o luto para processá-lo e aprender com ele.

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Assando Bolos em Kigali – Gaile Parkin

Um desses lugares comuns bem verdadeiros sobre livros e leituras é sua capacidade de nos transportar para outras terras, viver culturas diferentes da nossa e conhecer maneiras novas de se pensar. É uma oportunidade única, pegando autores e histórias certas, de conhecer muito mais sobre o mundo e seus habitantes do que os atlas geográficos ou enciclopédias.

Já há algum tempo ando interessada em ler histórias de lugares diferentes da minha cultura brasileira, de classe média e moradora do sudeste (depois de quase vinte anos de interior agora ando me aprimorando nas artes de “moradora de cidade grande”), assim como da cultura anglófona quase onipresente nos livros de ficção, no cinema e na TV mais comerciais. Gosto de conhecer o diferente, saber como as coisas acontecem aqui e acolá do mundo e que no fim das contas pessoas são pessoas, onde quer que elas estejam e como quer que elas vivam.

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Os Perigos de Uma Única História

O vídeo é um bate-papo com a escritora nigeriana Chimamanda Adichie,  para o site TED em outubro do ano passado.

Ela fala um pouco sobre estereótipos, pré-conceitos e preconceitos, e que tudo no mundo tem mais de uma história. Vale a reflexão para nós, num país e num mundo tão cheio de assunções, lugares-comuns e ideias pré-concebidas difíceis de serem derrubadas. E devemos estar abertos para o mundo em todas as suas versões, nuances e particularidades, que vão além da história única.

http://www.ted.com/talks/view/id/652

(para ver o vídeo legendado, a opção de legendas está debaixo do play)

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Até a próxima!