Valhalla

chapecoenseO Valhalla é um dos paraísos do panteão nórdico, onde o guerreiros valorosos mortos em batalha poderiam divertir-se para sempre sobre as bênçãos de Odin, num eterno banquete com todas as diversões possíveis.

Hoje sonho com um Valhalla verde. Verde e branco. Com os cantos da torcida, o grito de gol, a alegria da bola rolando e toda a emoção de um vestiário em festa. Um estádio eternamente lotado, a glória perpétua, a alegria da conquista estampada no rosto.

Só há um jeito de ser jovem para sempre. Só há uma forma de ser jovem para sempre.

E dói em quem fica, obrigados a conviver com a perda, a saudade e a passagem do tempo. Talvez o pesado legado de assistir a passagem dos dias.

A quem parte, os campos eternos, onde já não existe dor.

E na dor, juntos quem ficou, nos abraçamos na mais profunda e sincera solidariedade. Às alegrias que nos deram, por nos ter feito acreditar em que tudo era possível, que qualquer um pode triunfar.

O Brigadeiro

brigadeiroPoucas coisas proporcionam tanto prazer e são tão simples quanto um brigadeiro. Seja o doce preferido das festinhas de criança (às vezes acompanhado do granulado de pior qualidade possível que estraga toda a experiência), aquela solução rápida para uma vontade inconveniente de comer doces, a panela amiga em um dia de mau humor – lá está o rei dos doces.

 A receita é bem simples: uma lata de leite condensado, uma colher de manteiga, duas de chocolate em pó. Algumas pessoas tentam complicar o que é simples (como a famosa receita do William Bonner que leva gema de ovo) – mas é só jogar os ingredientes na panela, mexer mexer mexer mexer e voilà. Claro, não desaprovo as variações temáticas e até aprecio novidades, como trocar o chocolate em pó pela barra, ou pelo cacau em pó para diminuir a doçura, ou misturar a cremes e biscoitos. Entrou na moda a onda de brigadeiros gourmet, com com recheios e coberturas sofisticadas demonstrando toda a versatilidade do doce. Mas o menos é mais.

 E para mim esse é o grande mistério do brigadeiro: como não existem dois iguais, sendo a receita tão simples? Como o resultado final de cada um é diferente? Seriam as mãos do cozinheiro, a temperatura do fogo, a panela, a quantidade de mexidas? Já fiz essa experiência em casa: no mesmo exato fogão com a mesma exata receita, dois resultados completamente diferentes.

 Claro, às vezes inventa-se demais e acaba-se errando nos princípios, nos fundamentos. Para não mencionar os brigadeiros desandados da minha infância: minha mãe nunca foi a mais habilidosa das cozinheiras, é verdade, mas fazia balinhas de chocolate puxentas impossíveis de serem consumidas. Bons tempos.

 O que continuo sem entender é: como algo tão simples pode ser tão individual? O brigadeiro da madrinha, da tia, da amiga. Pode-se dizer que duas pessoas são diferentes, logo, duas receitas serão diferentes – mas como outras tantas, às vezes complexas, podem ser iguais então?

 Mas duas coisas são sagradas: JAMAIS use margarina no brigadeiro, a textura muda completamente e não de uma maneira boa, e só use achocolatado se esse for o ultimíssimo recurso.

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Até a próxima!

Fim do Mundo

fimdomundoDaí que de vez em quando o mundo acaba mesmo. Sério. Já acabou algumas vezes, vai acabar outras tantas, e assim as coisas vão. Até porque “mundo” é uma conceituação relativa, que pode coincidir ou não com a de planeta – é sócio-cultural, não física. Para não chegar aos mundos pessoais que cada um carrega dentro de si e que algum dia também terminarão – já que a vida é finita.

 Aliás, talvez esse seja um dos maiores apelos do fim do mundo: nessa nossa sociedade urbana, industrializada, asséptica e desumanizada, nos desconciliamos dos ciclos naturais. A morte é uma parte natural da vida, mas nos desacostumamos a ela – talvez esse um dos grandes fatores que geram medo e ansiedade do fim. Ela virá, é certa, mas o ciclo seguirá sem nós e continuaremos. Nem precisa chegar-se a uma continuação metafísica, mas nossos corpos nutrirão a terra, que nutrirão outros corpos e assim o ciclo se reinicia. Mas já que desconhecemos a terra, nos afastamos dela, e vida e morte são assépticas e desinfetadas, nos esquecemos que somos seres orgânicos como quaisquer outros que habitam o mundo. Finitos e parte da vida.

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Madame Bovary sou eu

Há livros que mexem mais com você do que outros. Que dialogam com sua alma numa conversa ao pé do ouvido, que vão muito além da simples experiência de leitura e se tornam uma jornada de auto-descoberta. Que o autor, atemporal, pareceu te captar, te colocar nas palavras e nas sensações.

No caso, Madame Bovary é meu livro.

Quando o li estava na saída da adolescência, numa fase de experimentação da vida adulta e de novas experiências que a compõem. Estava procurando entender um pouco mais de mim mesma e o livro, parecendo atraído por isso, veio parar em minhas mãos. Ali, numa obra da metade do século XIX passada na França, uma garota às vésperas de seu aniversário de dezenove anos, nos primeiros anos do século XXI, num país e numa cidade que nem sonhavam em existir na época da publicação original, pode se enxergar como em seu diário.

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Educação sentimental

Não, ao contrário do que o título possa indicar, não se trata de uma resenha do clássico de Flaubert. É a reunião de alguns pensamentos soltos sobre alguns assuntos que perpassam todos os assuntos e a vida geral das pessoas. A busca da satisfação dentro de relacionamentos, claro. Mais especificamente… sexo.

A noção que se vende de relacionamentos e sexo é tremendamente irreal, para homens e mulheres (a abordagem é um pouco diferente). O príncipe encantado, a gostosa tesuda, o relacionamento lindo e livre de problemas com a única alma gêmea… Sinto informar, eles não existem. A potência sexual perfeita: ela também não existe. E somos tão forçados a acreditar em certas coisas que a expectativa acerca de um relacionamento se torna tão irreal e impossível de ser realizada que logo se encaminha a um profundo mar de frustração.

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Olimpíadas de Londres 2012 – Uma breve reflexão

Sou viciada em olimpíadas, dessas pessoas que param a vida pela oportunidade de acompanhar as modalidades (já até combinei o tempo de recuperação de uma cirurgia com os Jogos para assistir a tudo com mais calma). Aliás, adoro esportes em geral, acompanho várias modalidades com prazer imenso o ano inteiro. Educação Física foi uma ideia até cogitada a sério como curso por algum tempo, mas logo abandonada porque minha prática não é lá grandes coisas (e na vida há paixões e habilidades um pouco maiores).

Mas poucas coisas na vida tem um apelo maior do que o esporte, como a humanidade desde os tempos antigos já reconheceram. Qualquer um que já tenha praticado algum esporte individual sabe o que é o duelo consigo mesmo e a auto-superação, a alegria de forçar o limite e saber que ele é mais extenso do que se imagina. Da mesma forma o esporte coletivo: fazer o seu máximo e conhecer o máximo do outro, fora o sentir-se parte de algo. Isso para nem falar da diversão, coisa que qualquer peladeiro de final de semana poderá afirmar. O esporte tem um papel muito importante na saúde física e mental do indivíduo (óbvio que a grande maioria das pessoas não será atleta de alto rendimento), quando praticado, e esse desafio ao próprio limite, além de provocar certa projeção de quem torce (o torcedor se projeta no time, a vitória do time é a do torcedor, mesmo que em seu sofá e cerveja).

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Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira

FIQUEM DE OLHO PORQUE ESSA É A ÚLTIMA SEMANA, AS INSCRIÇÕES ACABAM DIA 14!!! Não percam essa maravilhosa oportunidade! 🙂

Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira

O concurso Hydra, uma parceria entre a revista eletrônica norte-americana Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show e o website brasileiro A Bandeira do Elephante e da Arara, visa expor o melhor da literatura fantástica brasileira para leitores em língua inglesa do mundo inteiro.

Um painel composto por três juízes selecionará três finalistas entre os contos de literatura fantástica publicados no Brasil pela primeira vez nos anos de 2009 e 2010. O conto vencedor será selecionado pelo escritor norte-americano Orson Scott Card, autor dos livros Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos e um dos escritores mais premiados de ficção científica no mundo.

Card diz, “Desde a época em que vivi no Brasil no começo dos anos 70, a nação e o povo do Brasil têm sido importantes para mim. É por isso que em Orador dos Mortos, os colonos são brasileiros que falam português! Quando voltei para o Brasil há vinte anos para participar de uma convenção de ficção científica, fiz novas amizades e li o trabalho de alguns autores estimulantes. Continuo seguindo o panorama de ficção científica brasileira, e tenho orgulho que a IGMS facilitará a apresentação de alguns destes escritores aos leitores americanos. Até agora, leitores americanos têm pouca idéia da quantidade de bons trabalhos que estão sendo feitos no nosso gênero no Brasil.”

O conto vencedor receberá tradução para o inglês feita pelo escritor Christopher Kastensmidt, finalista do Prêmio Nebula de 2010, e organizador do Concurso Hydra. O conto vencedor também será publicado na Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show (IGMS), com pagamento profissional.

Edmund R. Schubert, editor de IGMS diz, “Desde o lançamento online da revista, publicamos histórias do mundo inteiro, mas apenas das partes do mundo onde falam o inglês. Esta oportunidade de buscar literatura brasileira, onde não há apenas um outro jeito de falar mas também de pensar, é emocionante. América do Sul e América Latina são conhecidas de longa data por incorporar realismo mágico em sua ficção, o que é uma novidade perfeita para a IGMS investigar. Estou bastante animado para ver as histórias que chegarão para nós deste concurso.”

O organizador Christopher Kastensmidt diz, “A comunidade brasileira de ficção especulativa produziu centenas de histórias excelentes durante os últimos anos, mas poucos chegaram aos leitores de outros países. Esse concurso é uma chance de mostrar aquele talento para o mundo. Intergalactic Medicine Show reconhece que o mundo da FC se estende muito além dos EUA, e agradeço de coração o apoio deles neste evento. Acho que vai ser um grande momento para nossa comunidade aqui.”

O nome do Concurso Hydra vem da constelação. Sendo um grupo de estrelas com nome de um monstro mítico, a constelação Hydra é símbolo da fantasia e ficção científica produzida pela comunidade de escritores de ficção especulativa. A constelação atravessa a equador celestial, unindo os hemisférios celestiais norte e sul, da mesma maneira que o Concurso Hydra espera juntar os hemisférios norte e sul de ficção especulativa. A constelação Hydra também aparece na bandeira brasileira.

As inscrições serão abertas de 01 de julho até 15 de agosto, e todos os autores brasileiros com contos de ficção científica ou fantasia publicados em 2009 e 2010 são encorajados a participar. O regulamento ESTÁ DISPONÍVEL AQUI. Não existe taxa de inscrição, e o vencedor receberá tradução do conto para inglês e contrato de publicação na IGMS, com pagamento padrão da revista.

Sobre Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show

Fundada pelo escritor premiado Orson Scott Card, e editada nos últimos cinco anos por Edmund R. Schubert, IGMS é uma revista online bimensal premiada que publica contos ilustrados de ficção científica e fantasia, histórias em áudio, entrevistas, resenhas e mais. Autores vão de profissionais como Peter Beagle e David Farland até autores estreantes. O site da revista é http://www.intergalacticmedicineshow.com.

Sobre The Elephant and Macaw Banner

A Bandeira do Elefante e da Arara (em ingles, The Elephant and Macaw Banner) é uma série premiada de fantasia situada no Brasil colonial. As histórias contam as aventuras de Gerard van Oost e Oludara, uma dupla improvável de heróis que se encontram em Salvador. Notícias, arte e informações sobre as referências culturais e históricas podem ser encontrados no site http://www.eamb.org.

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Oportunidade MARAVILHOSA para quem quer dar um passo adiante na carreira literária!!!!

Não custa nada ler as regras e submeter trabalhos, vamos lá!

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Até a próxima!

Pensamentinhos I

Há dias em que me sinto dotada de natureza dupla, de Odisseu aventureiro e de Penélope que espera e borda. Entretanto, a vida é a grande aventura, e tenho de agir e esperar na mesma proporção.

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Também sei ser Penélope que destrói de noite o que construiu durante o dia. Quando deixarei todos os meus pensamentos no papel?

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Fico feliz que você tenha cicatrizes. Pode compreender melhor as minhas assim.

Bruce Sterling em BH

Como parte de um evento sobre mídias portáveis, arte eletrônica e tal, Bruce Sterling (cliquem no link para o currículo) veio palestrar em Belo Horizonte hoje.

Vamos a um pequeno relato do que rolou:

NÃO foi uma palestra literária. Com todos os grifos e estrelinhas. Ele nem mencionou seus trabalhos de ficção.

Era parte de um evento sobre artes digitais – e como o Sterling é um entusiasta delas e também estudioso, foi convidado a falar.

Foi uma conversa sobre urbanismo e urbanização contemporânea, sobre o advento e necessidade da banda larga nas cidades e na relação entre a liberdade oferecida pela internet em oposição aos outros tipos de mídia e seus conglomerados empresariais, assim como os EUA, que já foram campeões da banda larga, hoje ocupam o 17o lugar.

Falou tb sobre as soluções urbanas do Vale do Silício – da prosperidade trazida pela indústria, mas que enquanto Seattle possui infra-estrutura e recursos, o mesmo não é exatamente verdade para o resto da área. Falou sobre modelos de desenvolvimento, sobre os centros de excelência europeus, como Madrid, e como o Brasil também pode tê-los – e como Belo Horizonte, que está se tornando pólo em TI, também poderia se tornar um.

E o papel da internet – como a rede mundial de computadores altera a comunicação, a divulgação de dados e coisital. Fez uma comparação também da internet com uma favela – o google, o facebook, o orkut, o youtube são terra sem lei, onde todos constroem o que querem como querem sem regulamentação e estão à mercê dos “donos” do lugar, como o Facebook, comandado por “um ditador de 26 anos”. Falou da necessidade dos direitos autorais serem repensados e perguntou: “como vocês agem na internet? apenas de maneira lícita?”.

Também teceu comentários sobre as mudanças nas cidades, como Austin, invadida por “alemães vestidos como caubóis – calça jeans, chapelão e botas” e cidades que derrubam o custo de vida para tornarem-se mais atrativas como moradia.
Falou também sobre a crise dos EUA, a influência da política e dos partidos políticos no mundo, disse que não acha ideal o modelo com republicanos, democratas e tea party. E também que “o Brasil vai demorar mais para se tornar os EUA do que os EUA para se tornarem o Brasil”. Falou sobre modelos que mudam e precisam ser repensados.

Também citou a valorização de coisas que foram substituídas pela modernidade mas que são retomadas, como o movimento da slow food. Você espera pela comida, ela vai demorar, mas vai proporcionar uma experiência única.  Da mesma forma, como comparativo, poderíamos imaginar um lugar onde tudo tecnológico fosse proibido: celulares, notebooks, câmeras, o que fossem, e onde se projetasse um filme – por rolos – apenas uma única vez. Sobre o quanto a experiência única também poderia ter valor.

Por fim, fez algumas previsões sobre o futuro:
– As pessoas ficarão mais velhas, porque assim é o mundo (e tb porque a natalidade tende a diminuir e os jovens de hoje serão os velhos de amanhã)
– A sociedade ficará mais velha, pois este é o rumo das coisas;
– A qualidade do ar vai piorar;
– No próximos 10 anos Steve Jobs vai morrer ou estar doente demais para continuar trabalhando e não teremos mais brinquedinhos divertidos da Apple…

Depois fizeram perguntas sobre o 4chan e a internet (perdi o raciocínio nessa) e sobre as Unidades de Pacificação nas favelas cariocas e uma certa idealização e estilização para vendê-las como turismo. Tive de sair e não ouvi totalmente a resposta para a pergunta.

Claro que ele falou mais coisas que acabei amalgamando nos tópicos que levantei ou que me passaram batidas, mas em essência foi isso.

Achei INTERESSANTÍSSIMA a palestra, ainda mais porque a expressão do mundo não precisa ser feita apenas pela arte, mas também pela observação, pesquisa e construção acadêmica e prática. Também sobre a internet, essa terra sem lei em que estamos, e os diferentes modelos de cidade pelo mundo. É sempre bom ouvir pessoas que sabem mais, estudaram mais e viram diferente para aprender.

Bom, e uns finalmentes literários:

Com muita vergonha (e quando eu fico envergonhada nem português consigo falar direito, quanto mais inglês) fui pedir autógrafos para meu livro e para o livro do Romeu Martins.

Expliquei para ele que tinha um amigo que morava em Florianópolis que mandou o livro para ser autografado e coisital. Ele achou interessante, autografou e dei o meu (que era um Pirata de Dados que o Romeu me presenteou pela gentileza). Ele autografou o livro e me entregou. No autógrafo, literalmente: “Might even be readable!” – Ou que faça algum sentido hoje. Eu disse que gostava mais de steampunk do que de cyberpunk, ele respondeu que o cyber tem um viés mais político. Disse ainda que a protagonista é uma mulher e que talvez eu goste por isso e que é para eu mandar um e-mail depois dizendo o que eu achei do livro 😛 Achei bem legal!

É bom ver que o artista não precisa prender-se à arte, pode pesquisar e desenvolver muito além dela.

Até a próxima!

Brilho nos Olhos

Um post de emergência, só para não deixar passar…

Hoje/ontem foi a noite de autógrafos do Eduardo Spohr, autor do A Batalha do Apocalipse, aqui em BH. Depois houveu m bate-papo bem legal entre autor e público, com muitas informações interessantes e troca de ideias (e isso quer dizer, CLARO, que assim que meu sufoco mental terminar e eu der conta de ler o livro, vai ter resenha aqui 😛 Faço questão.)

Mas indo direto ao ponto: estava na fila de autógrafos, tinha entrado de novo porque a minha amiga e fiel escudeira Mari tinha resolvido adquirir o livro e queria autógrafo, quando vimos um dos vendedores da loja com uma pilha de livros. Perguntamos se era para mais gente e ele disse “ah, é tudo meu”. Olhando a pilha, tinha o primeiro exemplar do A Batalha…, lançado em 2007, o primeiro lançado recentemente pela Verus e a edição especial de capa dura – e mais um sem capa dura mesmo. “Ah, e esse repetido, é pra outra pessoa?”. “Não, é pra mim também, pra guardar. Sou muito fã desse cara, você não vai entender” (ah, eu vou entender sim, o George R. R. Martin que se cuide caso eu tenha oportunidade de conseguir um autógrafo dele :P).

Pegamos nossos autógrafos e nos sentamos esperando o início do bate-papo. Pouco depois passa o sujeito, sua pilha de quatro livros, um sorriso enorme nos lábios e os olhos brilhando como estrelas. Era a visão da criança que abre seu presente de Natal, aquele maravilhamento e felicidade que só os pequenos prazeres que significam muito podem causar.

Fiquei feliz pelo sujeito, que conseguiu se encontrar com o ídolo, e pelo autor, que conseguiu despertar tal sentimento em um leitor. Será que algum dia consigo um leitor assim também?