Meio Sol Amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie

meio-sol-capaIndependente da orientação política seguida pelo leitor, é preciso saber que há uma óbvia ênfase na história de apenas uma parte do mundo, daqueles lugares Que Realmente Importam. É até uma piadinha comum e recorrente que um acidente de carro com vítimas nos Estados Unidos será manchete no jornal noturno, mas o mesmo evento ocorrido na esquina do bairro passará batido, como se nada tivesse havido.

Da mesma forma se faz o tratamento dos grandes eventos e tragédias da história da humanidade. Se aconteceram debaixo dos holofotes, terão destaque nos livros de história, debates e cultura popular (quantos filmes existem sobre o exército americano na Segunda Guerra Mundial, por exemplo?). Outros, nos cantos mais periféricos do mundo, são esquecidos, ou mesmo nunca referidos.

Para minha geração, Biafra é um nome vazio. No máximo evoca criancinhas mortas de fome na África, de uma forma bem genérica (já que o mesmo Ocidente-que-importa adora generalizar a África como pessoas passando fome). E trata-se, apenas, de uma das maiores tragédias da história da humanidade.

E entramos aqui no papel da literatura. Dentre as várias funções da arte, existem duas a serem destacadas: a da lembrança do que jamais pode ser esquecido e o da terapia do povo, de quem precisa falar sobre o luto para processá-lo e aprender com ele.

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Hibisco Roxo – Chimamanda Ngozi Adichie

hibisco-roxo-capaQuando dei-me conta que lia mais literatura americana/inglesa do que qualquer outra anos atrás, resolvi que era um erro que precisava ser reparado e resolvi dar maior atenção às demais vozes do mundo. Aí percebi que nunca tinha lido autores africanos e corri atrás desse objetivo. Aí fui mais longe: percebi que li apenas africanos brancos, queria saber o que os autores africanos negros tinham a dizer. Minha primeira experiência foi com Chinua Achebe (infelizmente sem resenha já que não tenho ânimo/inspiração/coragem para resenhar todos os livros que leio), talvez o mais clássico autor nigeriano contemporâneo. A colagem que ele faz, da tradição tribal que colide e se funde com a colonização europeia mas que deixa certo desalento de “e agora?” nas pessoas e culturas antigas, é fantástica.

Mas poderia ser mais contemporânea ainda. Então finalmente fui ler Chimamanda Ngozi Adichie, conhecida deste blog desde 2010 pelo incrivelmente fantástico e necessário vídeo Os Perigos de Uma Única História, mas não tem problema se a conheceu este ano por causa da Beyoncé e de seus outros TEDs. Chimamanda é uma jovem autora nigeriana que no fim da adolescência se mudou para os Estados Unidos para melhores oportunidades de estudo e talvez hoje uma das jovens vozes mais hypadas da literatura internacional. Não sem mérito, diga-se.

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Caim – José Saramago

caim-capa(Atenção: essa é a resenha de uma obra literária que será tomada pelo universo dessa obra. Não é uma discussão teológica/religiosa, já que cada um acredita naquilo que mais lhe convém e tentar provar que outra pessoa está certa ou errada nesses aspectos ou vai para o rumo da inutilidade ou da briga. Portanto, se tiver algum comentário sobre religião que vai além do que o autor traz ou se é sensível com material de cunho religioso, pode clicar no link “lista de posts” ao lado e divertir-se com alguma postagem de potencial menos polêmico).

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Clube da Luta – Chuck Palahniuk

clube-da-lutaA primeira regra do Clube da Luta é não falar sobre o Clube da Luta.

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A Sombra no Sol – Eric Novello

A resenha deste livro tem de começar por alguns dados objetivos bem interessantes: ele faz parte de um projeto multimídia bem interessante, no qual o e-book foi lançado antes do livro de papel e cuja pré-venda dava direito ao e-book exclusivo Dias Nublados (não, não tenho, chuif! Tenho de editar a resenha depois…). Infelizmente, não tenho e-reader e além de tudo detesto ler no computador (hábito que pelo visto precisarei rever nos próximos anos), então só pude ler a edição de papel lançada algum tempo depois. Mas vale a iniciativa, até porque, como disse, o meio eletrônico cada dia mais deixa de ser promessa e vira realidade, que deve envolver todos os sujeitos do processo de leitura: o autor, o editor, a editora, o leitor. Esses primeiros experimentos mostram o novo caminho a ser seguido – e é bom que se repliquem cada vez mais, até para teimosos tradicionalistas como eu se dobrem às novidades 😦

O autor, Eric Novello, velho conhecido aqui do blog (e sou fã mesmo!), parecia a pessoa ideal para encampar o projeto: além da qualidade de seu texto, é alguém que gosta de testar aquilo que a tecnologia, multimídia e transmídia tem de especial para oferecer à experiência de leitura. Também bem legal a editora Draco levar o projeto adiante, um salto para frente bem legal.

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After Dark (Após o Anoitecer) – Haruki Murakami

A madrugada, aquelas horas em que a agitação da cidade se foi, em que o reino da escuridão se adensa, as estrelas brilham e o silêncio impera, é uma hora do dia bastante peculiar em seus personagens e acontecimentos. É a transição entre os que dormem tarde e os que acordam cedo, musa maior dos notívagos e a guardiã de todos aqueles apreciadores das horas sem luz. É quase uma realidade paralela, onde as regras se modificam e as coisas se apresentam de formas um pouco diferente.

Este é um livro sobre a madrugada, onde ela é a personagem principal – e de algumas pessoas que, pelos mais diversos motivos, estão perdidas na noite.

Mas antes de falar da trama em si, um pouco do autor. O Haruki Murakami (que, como o nome indica, é japonês) é um dos mais incensados autores contemporâneos e a ficção dele tabém está no limiar entre o mainstream e o fantástico – e este limiar é ultrapassado com frequência, as coisas mais estranhas, na obra dele, são banais, fazem parte da realidade. Mas, ao contrário do Neon Azul, por exemplo (e leiam a resenha para saberem mais sobre onde o mainstream e a fantasia se mesclam), este livro tende mais ao mainstream mesmo. A estranheza, quando ocorre, é tão onírica que pode muito bem ter sido mesmo um sonho ou um jogo de cena, uma brincadeira narrativa.

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