Spartacus – Howard Fast

Este é desses livros que contam uma história que todo mundo já ouviu (aliás, é a base para uma de suas versões mais famosas, o filme clássico de 1960 com Kirk Douglas no papel principal) e que atualmente, graças ao seriado também homônimo (que pode não ser lá um bom seriado mas é divertido :P), ganhou uma nova versão. É também uma dessas incríveis histórias reais que sobrevivem ao tempo e são compartilhadas pelas gerações.

 Essa versão foi escrita pelo autor norte-americano Howard Fast no auge do macartismo, a perseguição nada velada aos comunistas. A obra, com viés marxista bem explícito (o conceito de luta de classes está em todos os lados, até literalmente, e como se isso não estivesse claro o suficiente em determinado ponto um personagem vira e diz algo mais ou menos assim: “não trabalho com escravos, só com assalariados, porque já que eles recebem pagamento nunca vão se rebelar”), é um lembrete que, apesar da época difícil, houve desde o início da humanidade aqueles que deram a vida pela liberdade e que cabe a cada um, independente da época, seguir seu exemplo.

 

O escravo Spartacus, que liderou seus iguais a uma rebelião contra seus senhores na República Romana, dois milênios atrás, marcou seu nome e seus feitos na história e os fatos deram lugar às lendas, assim como às interpretações feitas pelas pessoas do tempo presente. E, apesar desta ser sua história e ele ser indubitavelmente o personagem principal, pouco aparece, mas toda a narrativa é feita para demonstrar a construção de um mito (que até hoje, dois mil anos depois, está vivo).

 A rebelião dos escravos liderada por Spartacus acabou, este foi presumivelmente morto e os outros insurgentes encontram-se pendurados em cruzes pelas estradas para lembrarem ao povo romano que não devem se rebelar, caso contrário esta será sua punição. Um grupo de jovens de classe alta, interessados apenas em se divertir, parte para dias agradáveis na capital e em seu caminho, permeado pela visão de cadáveres e pela lenda que só faz crescer, procura informações sobre aquele tal Spartacus de quem ouvem falar, despertando lembranças naqueles que participaram de forma mais ativa nos acontecimentos.

 É através de lembranças que recontam a história de Spartacus, o escravo que nunca se dobrou e que se aproveitou de sua posição como gladiador para liderar uma rebelião que tinha como objetivo primário a liberdade, mas que cresceu de vulto até se tornar uma ameaça à própria Roma. Opõe-se então a vida dos escravos retirada de si e a rotina miasmática da classe alta, das maquinações políticas, fofocas, futilidades e desumanização à vida simples dos escravos e seu desejo de recuperar sua liberdade.

Nesse sentido, especialmente tocante quando o narrador passa a ser o escravo judeu David, que teve tudo tirado de si, mas para quem Spartacus, em uma posição de redenção, lhe devolveu a dignidade e a esperança. O líder que o inspirava e aos outros companheiros, que os levava a lutar pela liberdade e, quem sabe, pelo fim do sistema opressor. A conclusão final não deixa de ser feliz: os homens morreram, mas o mito está vivo para inspirar as gerações vindouras, para mostrar que liberdade e dignidade são valores pelos quais, independente de qualquer situação, vale a pena se lutar.

***

Até a próxima!

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5 Responses to Spartacus – Howard Fast

  1. Aeeeee, eu estava esperando essa resenha!
    E não custa recomendar mais e mais esse livro a todo tipo de pessoa. Independentemente de orientação política, Spartacus é um dos livros mais bonitos que eu já li em minha vida. Li adolescente e reli várias vezes. 🙂

  2. Uau! Parece ser um livrão. Parece tocante. Tá pra mim. Bjs

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