Expectativa e Decepção

crying-girlPoucas coisas na vida são piores do que a expectativa, do que criar na sua cabeça uma situação idílica que será desmentida pela realidade. Nós vamos lá, imaginamos as coisas, bordamos todos os detalhes, colocamos até a prévia dos sentimentos e, na hora dos fatos, nada disso ocorre. Então nos frustramos, já que nossa imagem mental não se concretizou. Esse sentimento faz até com que não apreciemos aquilo que a situação tem a oferecer, já que não é a que imaginamos, e saímos decepcionados.

 Todo mundo passa por isso na vida, seja com pessoas (ah, as expectativas e consequentes decepções que criamos e sofremos em relação aos outros…), com profissões, com acontecimentos da vida como faculdade, casamento, maternidade/paternidade, enfim. Sobre quase tudo. Não é um bom sentimento.

 Mas como não é de um aspecto emocional interno que pretendo falar, apesar do princípio ser o mesmo, vamos à decepção artística: criamos toda uma expectativa em relação a uma obra e, quando chegamos lá, não é nada daquilo que esperamos, quebramos a cara e nos decepcionamos. Escolhemos o livro pensando ser uma coisa e, na verdade, é outra

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Férias

feriasVocês, como leitores, têm épocas em que não conseguem nem olhar para um livro? Pois é, eu tenho.

Adoro ler, é meu passatempo predileto (bom, acho que é meio óbvio), o que não significa que não tenha outros passatempos ou interesses e às vezes a diversão solitária de um livro não é o que desejo. Quero algo mais dinâmico como um filme, um jogo, um passeio, um esporte. Ou mesmo se não vou sair de casa ou fazer nada em especial: às vezes meu cérebro simplesmente está cansado demais para absorver literatura e pede férias de livros.

Ainda mais porque trabalho com leitura, interpretação de texto e às vezes tudo o que NÃO quero depois de um dia cheio de trabalho é ver um livro na minha frente, quando mais algum mais complexo que exija mais concentração. Lembro-me de um ano especialmente apertado da universidade, quando li oito livros de ficção em um ano inteiro. Muito mais do que a média nacional, eu sei, mas muito pouco para qualquer clube de amante de livros.

Hoje estou mais tranquila quanto a isso (a única coisa que invejo é velocidade de leitura, vejo essas pessoas que leem 100 livros por ano e acho a coisa mais utópica e impossível do mundo @_@), até porque para nada na vida existe fórmula, prazo ou jeito certo. Mais do que isso: se um prazer vira obrigação, ele imediatamente deixa de ser prazer. Se é forçado, perde o encanto. Então… para que forçar quando o corpo e a mente pedem outra coisa?

Aproveitei as férias, fiz outras atividades, recebi outros estímulos e finalmente estou conseguindo pegar livros novamente, de leve, aos poucos, querendo compatibilizá-los com mais um mundo de possibilidades.

Começar o ano aos poucos então, desenjoando dos livros e buscando o novo!

***

Até a próxima!

Fluxograma – Qual vai ser sua próxima leitura?

O último fluxograma que publiquei aqui no blog fez um sucesso danado, né? Pois é, agora encontrei outro um pouco menos específico (achei no 9gag, mas com certeza saiu originalmente em outro lugar).

Novamente, o gráfico foi pensado para o leitor norte-americano (depois faço uma versão nacional dele, com obras coloniais e pós-coloniais, por exemplo), mas tem várias opções de clássicos e contemporâneos para quem está indeciso com o que ler:

E então? Achou uma boa sugestão para seu próximo livro?

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Até a próxima!

Spartacus – Howard Fast

Este é desses livros que contam uma história que todo mundo já ouviu (aliás, é a base para uma de suas versões mais famosas, o filme clássico de 1960 com Kirk Douglas no papel principal) e que atualmente, graças ao seriado também homônimo (que pode não ser lá um bom seriado mas é divertido :P), ganhou uma nova versão. É também uma dessas incríveis histórias reais que sobrevivem ao tempo e são compartilhadas pelas gerações.

 Essa versão foi escrita pelo autor norte-americano Howard Fast no auge do macartismo, a perseguição nada velada aos comunistas. A obra, com viés marxista bem explícito (o conceito de luta de classes está em todos os lados, até literalmente, e como se isso não estivesse claro o suficiente em determinado ponto um personagem vira e diz algo mais ou menos assim: “não trabalho com escravos, só com assalariados, porque já que eles recebem pagamento nunca vão se rebelar”), é um lembrete que, apesar da época difícil, houve desde o início da humanidade aqueles que deram a vida pela liberdade e que cabe a cada um, independente da época, seguir seu exemplo.

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Lendo em um idioma estrangeiro

…ou Comentando o Comentário do Leitor #3.

 Aqui, o leitor Marcos faz a seguinte colocação:

Ei, acho que seria legal um post sobre ler livros em ingles? Como e quando vc comecou, se os livros que costuma ler tem um vocabulario especifico, dicas pra quem quer comecar a ler em ingles (pq se a gente for esperar tudo sair em portugues, vai deixar de ler muita coisa), etc”.

Infelizmente, para quem lê ficção fantástica, essa é uma verdade. Pouca coisa sai aqui (a situação até está melhorando ultimamente, mas ainda estamos longe do ideal) e vários clássicos ficaram para trás sem nunca ganharem uma tradução, principalmente nas épocas de vacas magras nacionais. Ou até ganharam, mas a edição se esgotou e hoje em dia é muito difícil, senão impossível, encontrá-la em português.

Outro ponto que não dá para deixar de mencionar é o preço dos livros. Os pockets em inglês ficaram mais acessíveis, hoje em dia são encontrados em qualquer livraria média ou grande (e alguns lugares, como a Livraria Cultura, são o verdadeiro paraíso para quem procura pockets em inglês) e algumas vezes custam a metade ou até mesmo 1/3 ou ¼ da edição nacional. Assim, o fator bolso acaba pesando.

O jeito então é aprender a ler em uma língua estrangeira e para isso temos algumas dicas:

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Sopa de Letrinhas

A gente sempre escolhe algum critério para ler um livro, né. Seja o tema, seja o autor, seja o que for. Alguns dos critérios seguem alguma lógica (por exemplo, como devem ter notado por esse blog, ando tentando ler mais literatura mainstream, ou propostas diferentes dentro do gênero), outros não seguem muita (simplesmente deu vontade de ler um livro e pronto).

Uma das coisas que tinha me proposto uns tempos atrás era ler coisas de partes diferentes do mundo, o que também ando fazendo com sucesso (o Desafio Literário deu uma mãozinha bem a calhar) e está sendo muito gratificante.

Até aí, tudo bem, né.

Daí estava olhando a lista de resenhas do blog (você não sabia que ela existe??? Clica lá!!!!), que estão indexados em ordem alfabética. Reparei a frequência de A’s e C’s (coincidência, será?), e também bastante M’s e S’s – os N’s estão aumentando ultimamente – nos livros lidos.

Olhando com cuidado, também percebi algumas coisas curiosas: não temos resenhas de livros começados com K, O, Q, X, Y e Z. Ao mesmo tempo, temos só uma resenha para cada uma das letras I, L, T, U e V.

Agora fica por conta de vocês, queridos leitores. Tem títulos de livros legais para sugerir começados por essas letras? Não gosto de deixar espaços em branco nas estatísticas! 😉

Fluxograma para um leitor iniciante de ficção científica e fantasia

Esse fluxograma bem legal está rodando pelas redes sociais há alguns dias, a partir do blog SF Signal e que traz um guia dos 100 melhores livros de FC&F para leitura. É bem legal ir pelos caminhos e procurar qual seria “seu livro”. Está em inglês e não traduzi, mas se você entende, é legal ir acompanhando.

(clique na figura para ampliar)

É uma lista evidentemente controversa (senti falta do Drácula aí, por exemplo, e acho que Stardust está sobrando), mas interessante. Realmente, se você é um leitor iniciante do gênero, que quer saber por onde começar, esta é uma excelente estrada. Dá também para fazer umas consideraçõezinhas sobre os escolhidos.

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After Dark (Após o Anoitecer) – Haruki Murakami

A madrugada, aquelas horas em que a agitação da cidade se foi, em que o reino da escuridão se adensa, as estrelas brilham e o silêncio impera, é uma hora do dia bastante peculiar em seus personagens e acontecimentos. É a transição entre os que dormem tarde e os que acordam cedo, musa maior dos notívagos e a guardiã de todos aqueles apreciadores das horas sem luz. É quase uma realidade paralela, onde as regras se modificam e as coisas se apresentam de formas um pouco diferente.

Este é um livro sobre a madrugada, onde ela é a personagem principal – e de algumas pessoas que, pelos mais diversos motivos, estão perdidas na noite.

Mas antes de falar da trama em si, um pouco do autor. O Haruki Murakami (que, como o nome indica, é japonês) é um dos mais incensados autores contemporâneos e a ficção dele tabém está no limiar entre o mainstream e o fantástico – e este limiar é ultrapassado com frequência, as coisas mais estranhas, na obra dele, são banais, fazem parte da realidade. Mas, ao contrário do Neon Azul, por exemplo (e leiam a resenha para saberem mais sobre onde o mainstream e a fantasia se mesclam), este livro tende mais ao mainstream mesmo. A estranheza, quando ocorre, é tão onírica que pode muito bem ter sido mesmo um sonho ou um jogo de cena, uma brincadeira narrativa.

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Extraneus volume 1 – Medieval Sci-Fi – Vários

O site Estronho e Esquésito é um dos pioneiros no Brasil no que diz respeito à divulgação de contos de autores amadores, em especial em histórias de terror. A divulgação online e gratuita é um senhor caminho para quem está dando os primeiros passos na escrita e desde a fundação do site inúmeros autores já publicaram por lá. Comemorando os 15 anos (pois é!) de site, a Estronho está dando um passo além: partindo para a publicação física de coletâneas e romances.

Uma destas primeiras coletâneas, lançada em parceria com a Editora Literata, é a Extraneus vol. 1 (primeiro de uma série de três coletâneas temáticas) que, apesar de não tratar de terror, propõe uma temática bem desafiadora: ficção científica em cenário medieval. Como compatibilizar ambos os conceitos, que à primeira vista parecem incompatíveis? Este foi o desafio lançado nesta coletânea, composta tanto por autores já conhecidos do gênero quanto de novatos que estão aqui para mostrar muito bem que há muita gente boa a caminho.

Uma coisa bem legal da coletânea é o tamanho dos contos. São curtinhos, para serem lidos de uma só vez, do tamanho ideal para quem, como eu, anda com um livro na bolsa para ler enquanto enfrentando o trânsito nosso de cada dia. É um livro de ônibus perfeito, com bocadinhos ideais para serem saboreados entre as paradas.

Como em toda coletânea, há altos e baixos, e os pontos altíssimos são sem dúvida os contos Dez Lampejos do Muçulmano de Ferro, de Cirilo Lemos – que abre a coletânea em grandíssimo estilo com uma cruzada ligeiramente mais tecnológica; Punição, de Simone O. Marques, que conseguiu me surpreender pela construção caprichadíssima em um estilo de conto que não é meu predileto, mas que me cativou até o fim; e Mensagem a Pedro, o Eremita, de Davi M. Gonzales, que consegue dar um ar bem genuíno a uma temática até comum.

Não que o livro também não traga surpresas como um conto que flerta abertamente com o new weird, homenagens aos cenários clássicos de fantasia medieval, como Shadowrun, lendas medievais como a de Robin Hood revisitadas…

Só houve uma coisa que me incomodou nos contos: a temática acabou por ficar repetitiva. Dá para dividir facilmente os contos entre aqueles que tratam de viagens dimensional-temporais, invasões alienígenas e realidade virtual. Na minha opinião, dava para os autores terem extrapolado mais a temática, como os exemplos acima demonstraram, e me pergunto se o problema não é de um certo engessamento que o conceito de ficção científica anda ganhando nos últimos tempos. Dava para ter ousado mais, na minha opinião.

Mas ainda assim é uma obra bem interessante em estilos e narrativas, e um preview bem legalde novos autores que certamente estão aparecendo e causando por aí 🙂

(e, P.S., “medieval sci-fi” pra mim é e sempre será Phantasy Star. E tenho dito!)

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Até a próxima!

O Amante de Lady Chatterley – D. H. Lawrence

(Atenção: não teria como fazer a resenha abaixo sem cometer alguns spoilers. É um dos meus livros prediletos, afinal, e mesmo a compreensão da história precisa de alguns spoilers. Vários deixei de fora, mas não pude fugir de alguns outros. Não falei nada principalmente sobre o final, para não estragar a surpresa. Coloquei também duas fotos do último filme de adaptação do livro, “Lady Chatterley“, que é bem fiel ao espírito da obra, já que o texto ficou gigante. Bom, chega de delongas e vamos lá)

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