A Invenção de Hugo Cabret

Não sou muito de falar de filmes, até porque os assisto menos do que deveria e acho que há pessoas muito mais capacitadas do que eu internet afora. Mas quando se esbarra em um ponto bem acima da média, como ficar quieta? Ainda mais agora que toda euforia do Oscar se foi e a poeira baixou um pouco, talvez caiba falar um pouco sobre um filme que me impressionou bastante.

A Invenção de Hugo Cabret é a adaptação do livro de mesmo nome pelas mãos do diretor Martin Scorsese e trata da história de um menino órfão que vive numa estação de trem de Paris na década de 1930, buscando peças para terminar de restaurar um autômato, herança do pai relojeiro. No seu caminho, encontrará pessoas como o inspetor da estação (representado para todos os efeitos cômicos pelo Sacha “Borat” Baron Cohen), os comerciantes e passantes diários da estação de trem e um certo vendedor de brinquedos que é bem mais do que parece ser…

Como falar mais é estragar a surpresa, vamos aos detalhes que interessam. Esse é um filme infanto-juvenil, então o tom de fábula é presente em todo seu roteiro – não há nenhuma novidade e a partir de determinado ponto o desenrolar é óbvio, mas não acho que isso prejudique a apreciação da obra como um todo. E tem outro viés: uma grande homenagem à história do cinema, que talvez o espectador mais novo não compreenda, mas que faz valer o filme.

Essa vontade de demonstrar o impacto do cinema em seus primeiros dias foi muito bem conduzida pelo uso do 3D (aliás, até hoje foi o único filme que vi em que vale a pena mesmo assistir em 3D, ele é elemento de narrativa, tanto para explorar de novas formas planos de imagem quanto para destacar objetos essenciais no cenário). Hoje ninguém vai sair correndo ao ver a imagem de um trem saltando da tela, mas ver peixes e flocos de neve ao alcance das mãos nos encanta e surpreende.

Mais do que isso: o próprio roteiro e desenvolvimento lúdico do filme (o antagonista é bem típico de desenhos animados ou comédias pastelão) lembram as primeiras e clássicas projeções ainda mudas e preto e branco, fora algumas situações de tensão vividas pelo protagonista e que dialogam com cenas de filmes clássicos, até mesmo exibidas durante a trama. Ainda, a brilhante trilha sonora composta por Howard Shore, remonta à importância da trilha no período em que não havia diálogos: acordes certos para momentos de tensão, que já avisam se haverá um momento de agitação, perseguição ou contemplação. O tom carregado, muito mais presente do que a habitual trilha incidental, já deixa claro este ponto, de que o som também é um elemento narrativo.

Por fim, a escolha afiada do elenco. É difícil colocar o peso do protagonismo em atores infantis, mas os escolhidos roubam a cena e conduzem bem os personagens. Fora isso, os demais atores, inclusive as participações especiais, também se encaixam bem com o roteiro, mesmo aqueles personagens que poderiam ter sido eliminados do longa sem prejuízos de compreensão possuem seu encanto.

Vi críticas, inclusive de pessoas acostumadas a comentar cinema, sobre o ritmo lento do filme. Ora, o Scorsese, por um desses acasos, é um desses diretores que eu particularmente acompanho – e os filmes dele não são exatamente conhecidos por serem ágeis. Fora que a simplicidade (e para não dizer do lugar-comum) do roteiro, como já disse, lembra um tempo de histórias mais simples, às vezes até bobinhas, mas que enchiam os olhos pelo movimento e pelos efeitos especiais e seu mravilhamento.

Enfim, é um filme que vale a pena ser assistido tanto por encher os olhos, numa belíssima utilização da técnica (e aqui dá para lembrar muito bem porque o cinema é chamado de sétima arte) quanto pela homenagem aos primeiros dias e primeiros mestres que o inauguraram. É ver uma história contada de maneira bela na tela grande, utilizando-se do que de melhor a tecnologia contemporânea pode oferecer.

(e claro, tendo o plus de contar uma história que descobri depois ser baseada em fatos reais, mas como e por que vocês terão de descobrir sozinhos…)

***

Até a próxima!

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8 Responses to A Invenção de Hugo Cabret

  1. Bruno says:

    Pra mim foi o filme do ano. É lindíssimo mesmo, não tenho muito o que adicionar, só que a companhia certa sempre ajuda também… 😉

  2. Jagunço says:

    COF, COF… Sem querer interromper… 😄

    Como eu disse em outros espaços interneteiros, gostaria de ver a invenção de Hugo dar tiros e destruir inimigos… 🙂 Mas é só meu espírito de momento. Estou chateado com Scorcese desde A ilha do Medo. Aí vem teu texto e me dá vontade de arriscar. Vamos ver… 🙂

  3. Nábila says:

    Pena que não assisti em 3D! Excelente filme.

  4. zayra says:

    nossa é inpressionamte o filminho bom esse em

  5. muito interressante por que a escola rondolfo estamo fazendo a peça teatral

  6. Pingback: Círculo de Fogo | Leitura Escrita

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