Guardiões da Galáxia

capa_guardioesUm dos diferenciais da Marvel construído desde a Era de Prata é a presença de super-heróis humanizados e colocados em cenários realistas. Todos nos lembramos do Homem-Aranha passeando por Nova York, ou dos X-Men interagindo com os fatos da história mundial, ou até mesmo edições históricas como o especial pós-11 de setembro que mostram esse link com as pessoas e lugares do dia-a-dia. Mas o estúdio, mesmo dentro de seus quadrinhos especiais, tem espaço para a mais pura especulação e extrapolação, como seu cenário espacial.

Outra coisa que temos de admitir é que, desde quando a guerra entre as editoras se tornou transmídia, a Marvel anda ganhando de goleada. Desde a fundação do estúdio de cinema próprio e da compra pela Disney, filmes Marvel são garantia de qualidade. Aliás, não me lembro qual foi o último filme Marvel ruim (e provavelmente foi fruto de uma cessão de direitos). E com o dinheiro entrando, com projetos ambiciosos como a série dos Vingadores dando muito mais certo do que se supunha, sobra espaço para apostas em cenários diferentes e personagens desconhecidos.

Leia mais deste post

Anúncios

A Invenção de Hugo Cabret

Não sou muito de falar de filmes, até porque os assisto menos do que deveria e acho que há pessoas muito mais capacitadas do que eu internet afora. Mas quando se esbarra em um ponto bem acima da média, como ficar quieta? Ainda mais agora que toda euforia do Oscar se foi e a poeira baixou um pouco, talvez caiba falar um pouco sobre um filme que me impressionou bastante.

A Invenção de Hugo Cabret é a adaptação do livro de mesmo nome pelas mãos do diretor Martin Scorsese e trata da história de um menino órfão que vive numa estação de trem de Paris na década de 1930, buscando peças para terminar de restaurar um autômato, herança do pai relojeiro. No seu caminho, encontrará pessoas como o inspetor da estação (representado para todos os efeitos cômicos pelo Sacha “Borat” Baron Cohen), os comerciantes e passantes diários da estação de trem e um certo vendedor de brinquedos que é bem mais do que parece ser…

Leia mais deste post

Histórias da Copa do Mundo

Espero que desculpem a falta de atualizações, mas estou usando um computador que tem birrinha com o WordPress, além de estar ocupada com os compromissos acadêmicos e com minha querida diversão que só acontece de quatro em quatro anos 🙂

Gosto do jogo futebol e da cultura futebol, que é tão atávica a nós e também tão menosprezada (talvez por esse atavismo tão forte, não sei). A Copa do Mundo, maior competição esportiva do planeta e que envolve rivalidades nacionais, locais, une países e orgulha nações, é riquíssima em histórias a serem contadas pelas gerações e hoje recomendo dois filmes.

O primeiro é o alemão O Milagre de Berna. Em 1954, havia uma grande seleção e um grande craque: a Hungria de Puskas. Era a favorita, ganhando partidas e encantando a Europa, mas havia um azarão em seu caminho: a Alemanha Ocidental, recém saída da guerra, humilhada, destroçada e deprimida. Os alemães surpreenderam e venceram o melhor time na final disputada na cidade de Berna, na história conhecida como milagre de Berna, elevando o moral nacional e trazendo alegria e esperança para seus torcedores.

O segundo, o estadunidense Duelo de Campeões, que trata da vitória dos EUA sobre a Inglaterra na Copa de 1950, partida disputada em Belo Horizonte. Os EUA eram uma equipe amadora formada principalmente por imigrantes, azarona, que fez o jogo de sua vida e ganhou o jogo da grande equipe europeia. Vale bem a pena. 🙂

***

Outro filme sobre o esporte – e sobre a África do Sul – que é um must see é Invictus, que trata da história da liderança de Nelson Mandela para o fim do apartheid e a copa do mundo de rúgbi que a equipe da África do Sul venceu invicta, unindo um país desunido por anos de um regime político cruel em torno de uma causa única e a esperança de dias melhores.

***

Algum dia ainda arrisco resenhas de filmes 🙂

E até a próxima!

Eragon – Christopher Paolini

Tenho pé atrás confesso com modinhas, ainda mais quando escuto opiniões divergentes e a própria proposta da coisa não me chama a atenção. No auge do Harry Potter, muito se questionou qual seria seu sucessor. Um dos “prováveis sucessores do Harry Potter” da vez foi Eragon – que saiu no Brasil mais ou menos na época em que foi anunciado a produção de um filme baseado na obra.

A história simplesmente não me interessou a princípio e continuou a não me interessar. Sempre torci o nariz, achando que não seria uma história de meu agrado, que o tempo gasto para lê-la poderia ser investido de maneira mais útil lendo coisas que fossem mais ao meu gosto. Só que alguns amigos, surpresos por eu ter lido Crepúsculo – e não desgostado -, alguns até com experiência de leitura, me disseram: “Por que não ler Eragon? É divertido e descompromissado – e mais satisfatório do que Crepúsculo”. Um dia, passeando pelos sites online, vi uma oferta imperdível: a saga inteira por R$29,90. Pareceu um preço justo pela curiosidade, então encomendei.

Resolvi ler Eragon, o primeiro da saga, de coração aberto, não esperando uma obra genial e revolucionária, mas diversão leve e despretensiosa.

Então comecei a ler a história de um mundo onde humanos, elfos (que vieram do… oeste, oh god), anões, orcs e nazgûls urgals e raz’acs convivem entre si. O mapa traz indicações a lugares como Eldor, Ardwen, Melian… Bom, sinto que já ouvi algo parecido em algum lugar, alguma vez…

Este é o mundo de Alagaësia, onde um anel foi forjado e agora precisa ser destruído nas montanhas de Mordor anos atrás, havia uma ordem de cavaleiros jedi místicos que controlavam seus dragões, detentores de um grande poder. Só que um destes cavaleiros, Galbatorix, perdeu seu dragão e, com a ajuda de um desertor, eliminou todos os demais cavaleiros-dragões, tornando-se o Imperador tirânico e despótico.

(a partir daqui, spoilers, ok?)

Entretanto, alguns ovos de dragão escaparam do massacre e um deles conseguiu ser enviado para um lugar seguro. Eragon, um jovem garoto órfão, criado pelos tios em uma fazenda, que desconhece seu próprio passado, encontra o ovo, que choca, revelando a existência de Saphira, uma dragoa azul que acabou de nascer mas tem personalidade de adolescente. Suas mentes se ligam e Eragon é revelado como um cavaleiro-dragão, o primeiro em séculos.

Então, guiado por Brom, aparentemente um bardo, mas um mago experimentado e repleto de conhecimentos, começa sua jornada do herói através do mundo de Alagaësia, para se encontrar com os Varden, uma facção rebelde que desafia o Imperador.

Lá pelas tantas, o destino de Eragon se cruza com o de uma bela princesa elfa que está aliada aos rebeldes. Acaba ganhando um aliado amigo, que o salva de poucas e boas, e acabam formando um trio até encontrarem o QG dos Varden.

Murtagh, o amigo (?) de Eragon, ressalte-se, é emo sorumbático, com dificuldades de relacionar-se ou relaxar, sendo perseguido por seu sharingan por sua origem. E, claro, Eragon e Arya, a elfa, se apaixonam, o que nunca é fácil nessas circunstâncias

E assim começam as aventuras de Eragon, cavaleiro dragão, no primeiro livro de sua (NOSSA, JURA?) trilogia. Ok, não é uma trilogia, virou tetralogia, jocosamente uma trilogia de quatro.

Toda a parte anterior dessa resenha foi para apontar, de forma irônica, sarcástica e ácida o que considero o maior e principal ponto fraco do livro: ele é um amálgama de várias sagas famosas. É quase um Senhor dos Anéis encontra Star Wars, com uma boooa pitada dos dragões de Pern por cima (que é uma série que nunca saiu no Brasil mas é um grande sucesso nos EUA).

Para deixar bem claro aqui: eu não chamaria de plágio, pois os elementos de várias histórias estão misturados entre si e não há cópia de nenhuma delas. Mas, também, não há nenhuma originalidade, nenhuma criação em cima de fórmulas já conhecidas, testadas e aprovadas. São elas reunidas, batidas no liquidificador e servidas ao público. É uma espécie de “roteiro-miojo” – bem menos complexo do que o arroz-com-feijão, só jogar a jornada do herói na água por três minutos e pôr temperinhos por cima.

A jornada do herói, ou monomito (algum dia volto ao tema com mais calma), é um roteiro basilar para se contar uma história e muito está relacionado ao processo de crescimento pessoal do indivíduo, mas colocá-la da forma mais linear possível em uma história, de forma que dê para identificar facilmente cada uma de suas etapas, está para lá de batido. É uma maneira fácil e prática de montar uma história, sim, quase com o preenchimento de lacunas, mas não traz nenhuma surpresa para o leitor com algum experimentalismo.

O que é outro ponto importante: eu não sou da faixa etária planejada para o livro, de jeito nenhum. Mas daí lembro que li o Senhor dos Anéis com 15 anos, sem maiores problemas – e, antes disso, já tinha lido Admirável Mundo Novo ou a Odisseia. Tudo bem, eu reconheço que essa é a exceção e não a regra, mas fica complicado não comparar Eragorn com toda a minha carga anterior de leitura – e que a total falta de originalidade do roteiro salte aos olhos.

O que é uma pena, porque a prosa do autor é até gostosa de se ler. Imagino o que ele faria com uma história que fosse um pouco mais dele…

E aqui outro ponto de esclarecimento: como já disse, a jornada do herói é uma das formas mais clássicas de se contar uma história. Há quem diga, inclusive, que todas as histórias já foram contadas. Não estou pregando aqui uma originalidade total – difícil, quase impossível, somos humanos, se formos buscar, todos os nossos dilemas possuem a mesma raiz – mas a utilização de elementos clássicos de uma forma original, de uma maneira nova. As próprias comparações que saltam aos olhos quando se lê Eragon: Star Wars não é um primor de originalidade, mas conseguiu reunir elementos antigos em algo novo. Mesmo o Senhor dos Anéis: trata-se de um paradigma do gênero fantástico, mas algumas das referências são óbvias (como O Anel dos Nibelungos, p. ex.). E, nunca é demais ressaltar, toda obra parte de uma série de referências anteriores – mas para que ela se torne algo novo, deve transcendê-las.

Eragon é um livro divertido, bom para passar o tempo, de leitura rápida. Há alguns problemas de suspensão da descrença – mais para o final, principalmente. Eu deixei de levar o livro a sério depois de uma passagem em que os personagens atravessam um deserto durante o dia (!!!) e praticamente a jato com seus cavalos. Um pouco de lógica básica, no caso, não faria nenhum mal à trama.

Outro ponto é que, pelo menos para mim, Eragon, Saphira e amigos próximos nunca estiveram realmente em perigo – exceto aqueles que, para qualquer um que já viu Star Wars, precisam ser eliminados para o bem da história. Essa sensação de que não interessa o que aconteça, o personagem vai se dar bem – não estou nem falando de morte, mas de ver planos darem redondamente errado, de perigos iminentes, de separações dolorosas, de ver o personagem “por baixo” para poder se reerguer.

Enfim, valeu a leitura, foi leve e divertida. Mas a satisfação foi a mesma de almoçar um miojo porque não tem mais nada em casa…

(e um p.s. inevitável: lá pelas tantas tem um figurante chamado Korgan. Não pude deixar de imaginar Aragorn, filho de Arathorn, herdeiro de Isildur, Elessar, de espada na mão dizendo “there can be only one“).

***

Quer tirar suas conclusões? Compre o livro! (Submarino – Cultura)
***

O link para os comentários está no cabeçalho do post!

Quer ver algum livro aqui? Clique em “O que você quer ver aqui?”, acima.

Stardust – Neil Gaiman

Neil Gaiman é um escritor britânico que ganhou fama internacional como roteirista da série de quadrinhos Sandman, da linha de quadrinhos adultos da DC Comics. Trata de uma das séries que revolucionou o próprio conceito de quadrinhos como entretenimento, dando-lhes um viés ao mesmo tempo literário e artístico, mitológico e pop. É uma grande releitura de Sandman, personagem clássico da editora, mas também do mito de Morfeu, o deus dos sonhos dos gregos.

Stardust, elaborado juntamente com o desenhista Charles Vess, lançado originalmente em volumes pela DC, traz uma proposta semelhante: um conto de fadas – ricamente ilustrado, diga-se de passagem – elaborado para leitores adultos.

A trama é bem simples: na Inglaterra vitoriana, em uma pequena vila que faz fronteira entre o mundo dos mortais e o mundo das fadas, um jovem faz a seguinte promessa para sua amada: capturar uma estrela cadente. Só que, como é natural em um conto de fadas, a natureza da estrela cadente não é exatamente o que ele quer encontrar…

Aqui, a mistura do clássico e do pop apresentada em Sandman dá lugar aos elementos típicos dos contos de fadas: a bruxa, a princesa desaparecida, o herói valente que tem um coração de ouro, criaturas que o ajudarão em seu percurso, um reino que precisa de um herdeiro, a simbologia de números como três e sete, a presença e o poder das cantigas… Tudo isso em uma construção interessante e intrincada.

Mas, acima de tudo, é um livro que, apesar de um autor experiente e com domínio de narrativa invejável, possui alguns problemas sérios. O primeiro deles: quando a história chega em sua metade, o ritmo se altera totalmente. Era como se a cadência de uma melodia, que se mantinha durante a primeira parte, fosse alterada de maneira radical. Os acontecimentos se aceleram mas não porque a narrativa e a condução dos mesmos assim o exige – parece que o autor detalhou demais os primeiros elementos e, tendo um número limitado de páginas a cumprir, saiu correndo no final.

Além disso, a aparição da Irmandade do Castelo aparece muito mais como deus ex machina do que como solução. São personagens totalmente isolados da trama, que não se amarram ou se encaixam e deixam mais perguntas do que respostas. Servem apenas de via fácil para o autor tirar seus personagens de uma enrascada.

Alguns acontecimentos do desfecho da história também tem esse gosto de deus ex machina. Um fato bastante relevante na vida de Tristram passa quase que batido, enquanto outro simplesmente surge, sem nenhuma indicação de que aquilo poderia ocorrer. Mesmo os finais de alguns personagens parecem forçados, não-naturais, mal trabalhados… Uma pena. Sinceramente, esse era um universo que merecia mais capricho. Prefiro acreditar que a DC Comics precisou diminuir o número de edições por alguma razão, fazendo com que o autor não pudesse concluir e colocar os detalhes necessários para a trama.

E aqui cabe um adendo. Em 2007, a adaptação de Stardust chegou às telas de cinema.

Adaptação sempre é uma questão polêmica, mas o roteiro do filme de Stardust corrige algumas das falhas grandes e visíveis do livro, transcrevendo-as em um filme delicado, interessante – e, até mesmo, algo que o livro não dá brecha, com cenas de ação. Os grandes buracos do livro são preenchidos, as falhas arrumadas, algumas adições bem interessantes. Vale, principalmente, por um personagem exclusivo do filme: o capitão Shakespeare, que inclusive é o dono das melhores tiradas.

É um desses raros casos em que o filme sai melhor do que o livro originário, talvez por se permitir uma exploração maior e melhor do cenário.

***

Os comentários estão abertos! Sinta-se livre para deixar o seu!

Quer ver algum livro aqui? É só clicar em “O que quer ver por aqui?”, lá em cima!

Devoradores de Mortos – Michael Crichton

O mundo nem sempre foi do jeito que é hoje. O poder muda de mãos, o conhecimento, a riqueza… e todos eles se movimentam, espalham e retraem com o tempo. Por volta do século X, a vanguarda científica e tecnológica do mundo ocidental encontrava-se nos países árabes – bastante irônico se pensarmos em sua situação geopolítica atual, bem como em alguns pré-conceitos e preconceitos bastante disseminados. Ali, naquele momento histórico, estava centrado o ápice da civilização e da intelectualidade do mundo.

Agora, imagine que um árabe dê de cara com um povo bárbaro, diferente em tudo de sua própria cultura. Esse é um dos pontos de partida de Devoradores de Mortos, de Michael Crichton.

Michael Crichton era um escritor especialista em best-sellers, em todos os gêneros: romance, suspense, ficção científica, fantasia… Talvez o seu trabalho mais conhecido seja O Parque dos Dinossauros, que inspirou o filme – e vários dos seus livros acabaram por virar filme. (Devoradores de Mortos, inclusive, deu origem a O 13º Guerreiro).

Um ponto interessante é que a trama é trazida como relato histórico, inclusive com notas de rodapé produzidas pelo próprio autor, como se fosse um manuscrito antigo traduzido por ele. É uma escolha narrativa bastante interessante e que funciona muito bem na história a ser contada aqui – o ser que sai da metrópole e se encontra com os bárbaros e se espanta com a diferença de costumes e modo de vida.

Só que entramos aqui na segunda premissa da história: os bárbaros são nórdicos, liderados pelo lendário Beowulf. Será recontado então, através do olhar de um observador alienígena, que além de narrar a saga, dirá muito também sobre a cultura em que se insere. A trama não diz respeito apenas à busca do herói pelo monstro e pela mãe do monstro, mas a todo o processo, detalhes e minúncias envolvidos.

E, como a trama é revestida por uma aura de relato histórico, a explicação do monstro também tem algum senso de pseudo-ciência, o que acaba muito bem construído. Também é de se ressaltar o trabalho de pesquisa realizado pelo autor, que não tirou as explicações sobre os povos nórdicos e seus hábitos simplesmente de sua cabeça.

É um livro curto e de leitura fácil, temática interessante e uma boa introdução à obra de um autor tão versátil.

Julie&Julia – Julie Powell

Olá! O blog andou um tanto quanto silencioso nos últimos tempos, mas minha vida fora daqui também anda agitada. Estou aproveitando a atualização para juntar links, organizar coisas e tirar as teias de aranha do blog. Enfim.

Terminei os livros já publicados da série A Song of Ice and Fire. Como o volume de spoilers vai aumentando gradualmente, e vocês conhecem a política de spoilers do blog, achei que não seria conveniente fazer resenhas dos dois últimos livros. Mas, em compensação, como boa fangirl que sou, já estou prometendo uma resenha que englobe tudo!

A coisa boa de não ter podido atualizar, também, é que estou devendo quatro resenhas além da já citada! Ou seja, tem muito material para vir pra cá. E espero ter novidades dentro de breve!

Mas chega de blablabla e vamos ao livro de hoje. Primeiro, soube deste livro primeiramente por uma notinha de jornal sobre o filme baseado nele, e a temática me interessou: Julia Child é uma chef famosa, responsável pela popularização da culinária francesa nos Estados Unidos na década de 1960, enquanto Julie Powell, nos anos 2000, vivendo um mau momento de sua vida, impõe-se o seguinte desafio: preparar, em um ano, todas as receitas do livro de Julia Child (o filme, estrelado por Meryl Streep e Amy Adams, estreia no Brasil em outubro).

A premissa me pareceu interessante: a culinária servindo como vetor de uma mudança de vida. Além disso, pelo menos por enquanto, estou tentando evitar livros de fantasia para que minha impressão sobre eles não saia viciada (quero ver alguém me causar a sensação de maravilhamento que o sr. George R. R. Martin me causou), e este parecia ser do tipo leve, divertido e não-fantástico que eu procurava.

O livro, baseado em fatos reais, narra a história de Julie Powell, aproximando-se dos trinta anos, com um emprego horrível, precisando se mudar para um apartamento péssimo e sendo cobrada, ainda que internamente, por filhos. O suficiente para qualquer um surtar, não? Então, visitando sua mãe, ela encontra o livro Mastering the Art of French Cooking (Dominando a arte da culinária francesa, numa tradução livre), de autoria de Julia Child, e, com o apoio de seu marido, se propõe o seguinte desafio: preparar todas as mais de 500 receitas do livro em 365 dias – e relatar, em um blog, seus progressos diários.

Claro que este não é um processo simples, afinal a vida e todos os seus problemas consequentes continua lá. A autora relata suas próprias crises pessoais, como a falta de apoio da mãe ao seu projeto, o apartamento mal localizado e caindo aos pedaços, o emprego desestimulante e enfadonho… Tudo isso regado a manteiga e vísceras (só de pensar em fígado de frango…IUCK!!!!!!).

Claro, Julie e o marido tem suas restrições alimentares, mas todas caem por terra pelo domínio da culinária francesa. Quem nunca comera ovos antes, passa a apreciá-los, bem com vísceras e pepinos.

Outra coisa, o quanto o ato de comer, de servir comida, se relaciona à interação social. Nós nos reunimos em volta da mesa, convidamos os amigos para jantar ou almoçar, vamos para bares e restaurantes… Nos domingos e natais, reunimos a família em volta da mesa. Comer e conviver são coisas que se complementam, que caminham juntas. Conversar com as pessoas queridas usando como pretexto comidinhas gostosas é uma das melhores coisas que existem, e até isso parece ser modificado na vida de Julie – sua casa, em um lugar longíquo e de acesso complicado, vira um reduto de amigos atrás de sua comidinha.

E, claro, a importância que blogar adquire em sua vida, afinal os relatos diários faziam parte do desafio. O blog se tornou um sucesso e a relação com os leitores importante tanto para sua concretização quanto para dar novos ares e um novo rumo para a vida. Não sei. Quem sabe os comentários desse blog comecem a bombar também? 😛

Enfim, é uma leitura leve, desbocada e divertida, sobre coisas que uma pessoa pode resolver fazer para dar um up na própria vida.

***

Quer tirar suas próprias conclusões? Compre o livro (Submarino – Cultura) ou o filme! (Submarino – DVD ou Blu-Ray)

***
Os comentários estão livres!

Gostaria de ver algum livro aqui? Dê sua sugestão!

Até a próxima!