Kaori e o Samurai Sem Braço – Giulia Moon

 kaori-capaConheço o trabalho de Giulia Moon como contista há bastante tempo (e tive até mesmo o privilégio de dividir com ela as páginas de uma antologia) e lá em 2010 adquiri seu primeiro romance, Kaori – Perfume de Vampira. Só que não comprei o livro numa data propícia: apesar de tê-lo encontrado na livraria da rodoviária de São Paulo durante uma viagem, em posição de destaque, aquela foi uma época em que estava lendo muito material sobre vampiros. Meio saturada, pensei: “vou guardar o livro, leio quando desenjoar, senão minha apreciação vai ficar muito comprometida”.

 Só que aí vocês sabem como é, né 😛 Livros vêm, promoções vão, e a pilha de leitura vai crescendo 😛 Até que em 2012 a autora lançou o romance Kaori e o Samurai Sem Braço. Achei a temática interessante (mitologia japonesa é um tema que me atrai), vi que além de tudo o livro era ilustrado – já disse mais de uma vez que adoro livros ilustrados – e o que é melhor: soube que era um spin-off que não dependia da leitura do primeiro livro. Pensei: por que não?

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Adorável Noite – Adriano Siqueira

Vamos começar hoje pelo óbvio: ao contrário do que a ultraexposição pode fazer crer, os vampiros não começaram com Crepúsculo. Pelo contrário: os vampiros são criaturas sobrenaturais que permeiam nosso imaginário de forma perene, algumas vezes em alta e outras em baixa, em todas as mídias, e possuem inclusive fãs fiéis e apaixonados.

Um desses fãs é Adriano Siqueira, que há décadas coleciona histórias, revistas, livros, filmes e todos os tipos de objetos relacionados a nossos morcegos prediletos. Inclusive, quando a internet brasileira começou a caminhar, fundou o site Adorável Noite, a maior referência vampírica brasileira, com novidades, informações e muitos contos.

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Os Sete – André Vianco

Antes de começar a resenha tem “causo” pra contar: quando fui a São Paulo para o lançamento do Meu Amor É Um Vampiro, em junho, a Ana Cristina Rodrigues, também participante do livro, tinha um almoço marcado com alguns membros do Grupo Silvestre – inclusive, Felipe Pena, o dono do blog linkado ao lado, era um dos presentes no citado almoço. O manifesto tem a interessante proposta de valorizar a literatura de entretenimento, vista como marginal, secundária, pequena, de segunda classe… Enfim, voltarei ao tema no post e algum dia falarei disso com calma. E quem estava presente no almoço? André Vianco.

Almoçando, conversa vai e conversa vem, em um desses acidentes de percurso ele acidentalmente derrubou uma taça de água nesta que vos escreve. Lembrem-se: eu lançaria dentro de algumas horas um livro sobre vampiros e o mais conhecido autor brasileiro contemporâneo de terror e fantasia tinha me acertado água. A simbologia é óbvia e resolvi tomar como o melhor dos presságios – um batismo como escritora profissional. 🙂

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Literatura não se limita à produção acadêmica, pelo contrário. Já falei um pouco sobre isso antes, mas nunca é demais repetir. Existem os autores que estão preocupados em utilizarem-se dos fundamentos da teoria literária para fazerem obras de arte atemporais (ou ao menos tentam), de usarem palavras e transformá-las em poesia, de utilizar a ficção para filosofar… E outros que querem principalmente entreter o público, garantir uma leitura leve e divertida.

E o que o André Vianco quer oferecer ao seu leitor é: entretenimento. Diversão. Como um bom blockbuster pipoca de ação, desses que servem para desligar o cérebro e curtir – e que jamais ganharão um Sundance, um Cannes ou um Festival de Berlim… mas farão grande bilheteria, arrasarão no boca-a-boca e alguns deles até gerarão mini-fandoms.

Claro, como o Vianco atingiu notoriedade e sucesso, começam os detratores. Os livros são ruins, são isso, são aquilo, são aquilo-outro e blablabla. Muito curiosa para saber a origem de seu sucesso, resolvi encomendar um livro e ver qual era e não gostei do que li por uma série de razões.

Mas da mesma forma que alguns outros autores, resolvi dar ao autor uma segunda chance para tentar entender por que ele tem tantos fãs, suas oficinas no Fantasticon estão sempre cheias. Como não gostei muito do primeiro livro que li fui deixando pra lá, deixando pra lá, até acontecer o incidente acima e aparecer uma linda e providencial promoção dos livros dele numa das lojas online que você encontra no banner aí do ladinho… -> 😛

Os Sete foi o escolhido por ser seu primeiro livro de vampiros e por ter só uma continuação realmente direta. Comecei a ler de coração aberto e preparada para encontrar diversão despretensiosa.

Agora eu vou dizer que o livro é lindo e maravilhoso e a melhor coisa que já li na vida? Não. Mas o autor entregou exatamente o que eu como leitora comprei: DIVERSÃO.

A história acho que todo mundo conhece: um grupo de jovens mergulhadores de uma cidadezinha do Rio Grande do Sul encontra uma caravela naufragada e dentro dela uma caixa de prata contendo sete cadáveres e avisos expressos para que eles continuassem selados. Não é preciso pensar muito para saber que são sete vampiros poderosíssimos, presos por caçadores na Portugal do século XVI e que despertarão no Brasil dos dias de hoje para continuarem seu rastro de destruição.

Mas os vampiros aqui não são só tradicionais chupadores de sangue e transmorfos em morcegos: eles têm poderes monstruosos como convocar o gelo, tempestades, acordar os mortos ou transmutar-se em lobisomem e farão uso deles para capturar novas vítimas e procurarem vingança do caçador que séculos atrás conseguiu prendê-los e distanciá-los de suas terras portuguesas.

Os vampiros aqui não escondem sua natureza de monstros. Matam sem dó, se alimentam sem remorso e lutam contra os humanos como se fossem baratas. Mas não é por isso que estão isentos de sentimentos: até determinado ponto, possuem uma aliança entre si, e como temos a oportunidade de ver o mundo pelos seus olhos, dá para criar empatia pelos personagens, em especial por Inverno e Gentil.

Os humanos são então forçados a tentar pará-los antes que o foco de destruição saia da pequena cidade – e o protagonista, Tiago, além disso, precisa salvar sua amiga Eliane, que parece atrair os monstros. Então dá-lhe exército, tiro, tática, mordida, porrada, sangue espirrando, tensão e perseguição. Para quem gosta de ação, é uma ótima pedida – assim como para quem anda enjoado de vampiros brilhantes e românticos, o pessoal aqui quer é tocar o terror.

E CLARO, tudo isso se passa no Brasil com personagens que falam português e que poderiam ser qualquer um dos leitores, além de passear por uma cidadezinha litorânea fictícia, Porto Alegre e principalmente Osasco, a terra natal do autor (e DÁ para ver a diferença quando o autor se propõe a descrever o mundo que está mais imediatamente ao seu redor).

Mas aqui entra o mais grave defeito do livro (que se repete em outros livros – curiosamente, a próxima resenha, que também vai ser de um livro nacional, vai voltar a esse ponto): faltou a mão de um editor, faltou aquele acabamento no material pronto.

Para começar: dava para fazer uma boa lipoaspiração no livro, cortar metade dos coadjuvantes com nome e sobrenome, que só aparecem para terem seus quinze minutos de fama e não influem em nada no transcorrer das coisas. Dava para fazer uma boa intervenção no desfecho – que ficou um pouco arrastado porque a sequência demorou demais para se resolver – e tornar as coisas mais ágeis. O livro tem 400 páginas, mas poderia facilmente e de uma maneira mais fluida, contar a exata mesma história em 300 – o que evitaria muitas passagens em que a leitura acaba se arrastando.

Outra coisa: tem umas falhas de construção de cenário (como o IML dentro de um cemitério e não dentro/próximo a um hospital, como é o usual ou o que o trem transporta, isso para não dar um spoiler) que um editor poderia enxergar e consertar, já que é coisa pouca – e até dava para deixar passar outras coisas grandes, já que a suspensão da descrença aqui é semelhante ao Duro de Matar ou o Máquina Mortífera – pensar “pô que apelação!” é meio parte da graça.

Uma reclamação comum que vejo por aí é em relação à linguagem do autor. Realmente, o Vianco está longe de ser o autor mais lírico que já li, mas a linguagem que ele usa é o coloquial que se conversa na lan-house, no cafezinho, no boteco. Inclusive, essa coloquialidade ajuda bem na naturalidade dos diálogos, que fluem bem.

Outra coisa é que a trama do interior do exército, que vai bem na primeira metade do livro, é esquecida na segunda, em que Tiago e Eliane vão para o centro da ação. Dava para ter balanceado melhor os dois focos da trama até o final (e deixar as coisas mais enxutas, tb).

Não é uma leitura que vá agradar a todos os gostos, como filmes de ação também não agradam, mas que vale para desligar a cabeça e curtir o prazer de ver as coisas explodirem.

E deu para entender perfeitamente qual apelo que torna o livro um best-seller (lembrando que não houve uma campanha de marketing na época de seu lançamento), mas pretendo voltar ao assunto algum dia… 🙂

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Quer conferir também? Leia o livro! Compre em (Submarino)

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Até a próxima!

Essa é a penúltima resenha de 2010, teremos mais uma e depois férias!

Série House of the Night – PC e Kristin Cast

Uma das várias séries voltadas ao público adolescente feminino que trata de vampiros é a chamada House of the Night, escrita pelas autoras, mãe e filha, PC e Kristin Cast.

Não tive interesse em ler a série, mas a amiga Mariana Ferreira leu e resenhou para mim. Com isso, estreiamos a seção “O Leitor Escreve”, onde é você, o leitor, que colabora com a resenha!

Claro, como não li a série, a respnsabilidade é toda da Mariana, reclamem com ela e não comigo se não gostarem 😛

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House of the Night -resenha por Mariana Ferreira

Dizem que se for para falar mal é melhor nem abrir a boca. Mas né? Vamos considerar isso uma ultilidade pública:

House of Night não é uma série que valha a pena ser lida. Li porque não tinha nada melhor pra fazer durante as férias e estava em promoção no Submarino. Até agora foram 5 volumes e diz a autora que serão 12. Como alguém consegue escrever 12 livros sobre praticamente nada é um grande mistério.

A série até o 5º volume se baseia em vampiros e índios Cherokees. Claro que os vampiros tem seu grau de estilização É assim: uma pessoa se torna vampiro por causa de uma mutação no DNA durante a adolescência. Então ela é marcada, se torna um novato e tem que ir para uma morada da noite para completar sua transformação. Não, não tem mordida, sangue, sedução nem nada. É puramente “biológico”. O mais impressionante é que a despeito de os vampiros serem bonitos, ricos e famosos (no livro, vários atores e cantores como Hugh Grant e Shania Twain são vampiros) os novatos e vampiros são discriminados pelos humanos. Sim, contradição pouca é bobagem. Já os índios só aparecem como referência cultural (o vilão desses primeiros livros é baseado na mitologia deles).

O grosso da história são os adolescentes e seus draminhas e conversinhas. Coisas do tipo: “Oh! Meu namorado humano aparentemente está em grande perigo. Vou ali assistir um DVD com meus coleguinhas depois eu cuido disso”. Então, ao invés de ação, o leitor se depara com uma boa meia dúzia de páginas de diálogos que parecem saídos de malhação com trocentas falas dispensáveis. Exemplo: se a protagonista está com os amigos e faz uma pergunta, aparece uma fala de cada um, mesmo que todos estejam respondendo, em essência a mesma coisa. Isso somado ao grau sandystico de perfeição da personagem irrita demais. Muito piegas para o gosto de praticamente qualquer um.

Além de piegas a narrativa é arrastada, cheia de detalhes que não são da sua conta e com pouca ação por livro. O primeiro volume, como eu já disse, é praticamente só ambientação. Tem um pouquinho de “coisa acontecendo” (nada de muito aventuresco mesmo, juro) e milhares de detalhes sobre a vida e obra dos vampiros e suas escolinhas. Totalmente dispensável. Os detalhes terrivelmente irrelevantes são coisas do tipo “passei a chapa para arrumar os cabelos”. Sério, se cada vez que a autora trocasse a descrição do ritual de make-up da protagonista por “me arrumei e saí” os cinco volumes juntos diminuiriam umas 50 páginas. Se não fosse tão angustiante ler esses detalhes sem importância, os livros seriam muito melhores, porque a história em si tem até seu charme.

Mas o que mais mata lenta e dolorosamente tudo o que podia ser bom na série é a previsibilidade feladaputa. Caro leitor, se você tiver a mínima suspeita de que uma personagem vai morrer, é porque ela VAI morrer. Se acha que alguém vai fazer alguma merda, é porque essa pessoa VAI fazer merda. Se suspeitar minimamente que a diretora da escola é mau igual a um pica-pau, tenha certeza de que ela é mesmo. Isso fica claro desde a primeira vez que ela aparece. Nem pra ter um conflito “será que ela é” igual a J. K. Rowling fez com o Snape.

Falar em Snape, eu devia ter lido a série do Harry Potter de novo nas férias ao invés dessa bobagenzinha. Talvez a única coisa boa desses livros é que vai virar filme ou série de televisão com muitos corpos malhados e rostos bonitos. Segundo a autora, todos os vampiros são muito belos e se o novato engordar ou adoecer, ele morre.

Bom, resumindo para você poder conversar com sua priminha de 12 anos retardada por definição e fã da série: A menina é marcada, aí a família de crentes loucos dela surta e ela foge para pedir ajuda à avó. Como a velhinha mora em uma fazenda e está pelo campo, a menina sai andando loucamente pelo bosque, cai, bate a cabeça e morre desmaia. Desmaiada, ela vê/sonha com a deusa Nyx, divindade que os vampiros cultuam. Aí a deusa tipo abençoa especificamente a ela. Quando a protagonista (Zoey) acorda, ela está na morada da noite em segurança porque a vovozinha a levou para lá. Depois de se recuperar, ela sai botando moral pela escola porque é muito mais poderosa do que qualquer novato que já existiu, então ela consegue acabar com a equivalente cheerleader local e ficar com o namorado dela além do namorado antigo que ela tinha na vida de apenas humana. Durante os outros livros, a melhor amiga dela morre e volta como uma criatura estranha, mas a incrível Zoey consegue salvá-la e a menina se transforma em um outro tipo de vampiro. Então ela descobre que tem mais um monte de novatos que não morreram e também estão assim. Além disso,  a cheerleader do primeiro livro vira amiga da protagonista. Como Zoey é a principal, estilo Seiya porém mais rainha da cocada preta, ela arruma mais uns 3 ou 4 namorados/pretendentes e geralmente está com mais de um ao mesmo tempo embora no fundo sejam todos uns malas. Em determinado ponto da história, fica claro que a diretora da morada da noite é má e ela invoca um deus antigo e mau. Então a perfeita Sandy Zoey, seus fiéis amigos, seus devotos namorados e sua fofíssima vovó descendente de Cherokees se unem com as freiras legais para exorcizar os capetas. Ah sim, importante lembrar que a Zoey é estilo Jesus, sabe? Ela é MUITO tocada pela deusa! O tempo todo acontece. É tipo RPG mesmo, sabe? Entra na dungeon, salva a princesa, ganha XP e sobe de nível. Isso só comprova o quanto a personagem é isenta de falhas. Sério, eu devia ter relido Harry Potter, que pelo menos era o “escolhido” mas era um sujeito loser como outro qualquer, com seus conflitos internos, suas fraquezas, suas incompetências e seus amigos que participam da história ao invés de só ficar pagando pau para ele.

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Até a próxima!

E se quiser contribuir, clique em contato aí em cima e mande sua resenha, que será avaliada para postagem.

Morto Até O Anoitecer – Charlaine Harris

Desde que ouvi falar na série True Blood, lá pelo comecinho de 2009 quando a febre já tinha estourado – e quando eu saí do meu exílio intelectual do meu ano de formatura – fiquei interessadíssima na premissa, uma história de vampiros com doses de terror, romance e modernidade. Vi um episódio solto quando ainda tinha HBO em casa (não tenho mais, buaaaa), adorei o climão e assim que saiu o box da primeira temporada, comprei e assisti de uma vez só. Fazia tempo que não me sentia tão envolvida com a trama e os personagens de uma série, além de que HBO é HBO, né? Elenco bem escalado, produção caprichada, música boa…

E a série de TV é baseada numa série de livros, As Crônicas dos Vampiros Sulistas, da autora Charlaine Harris. A protagonista da série é Sookie Stackhouse, uma moça de 25 anos simpática, sorridente e com a pequena peculiaridade de ler a mente das pessoas, e as histórias são contadas por ela, em primeira pessoa.

Desde ano passado estava querendo comprar o primeiro volume da série, Morto Até o Anoitecer, em português, mas a primeira edição lançada pela Ediouro (com a capa original fofinha!) tinha esgotado e até em sebos estava difícil de encontrar. Só que a Ediouro lançou uma segunda edição – que também já deve estar esgotando rapidinho, porque é meio complicada de encontrar – e no meu mais recente passeio ao meu parque de diversões predileto comprei o último exemplar da loja.

Não é a primeira vez que trato de livros de vampiros e de romance sobrenatural de vampiros aqui no blog, como vocês podem relembrar aqui e aqui. Só que esse é um pouquinho diferente dos outros… Tem romance? Tem. Mas é um ponto de convergência fortíssimo entre dois subgêneros do fantástico: o romance sobrenatural e a fantasia urbana. Não entrarei em detalhes sobre ambos agora, mas basta dizer que esse é um livro para quem gosta de romances e também para quem gosta de histórias de vampiros.

Sookie é uma garçonete que mora em Bon Temps, cidadezinha do interior da Louisianna – que é o lugar mais mágico de todos os EUA – onde nada de muito interessante acontece, até o belo dia em que um vampiro aparece. Os vampiros vieram a público há dois anos, quando os japoneses desenvolveram sangue sintético engarrafado e permitiram que essa minoria revelasse para o mundo sua existência e requeresse seus direitos.

Claro, nós descobrimos que Bill Compton é um vampiro na SEGUNDA página do livro, então nada de centenas de páginas de Sookie especulando qual criatura misteriosa é aquele bonitão inesperado que apareceu na sua vida. E dá-lhe ironias e referências aos romances de vampiro e romance sobrenatural em geral, e autoras como Anne Rice em particular.

E não só a ironia: os vampiros são uma minoria social que deseja aceitação e representatividade – e quantas não são as minorias reais que desejam o mesmo? Esse ponto é mais forte na minissérie do que no primeiro livro, que só tangencia a questão da aceitação e do preconceito de levinho, mas cabe dizer que a base do desfecho é justamente essa.

Ah, dois pontos de ter visto a minissérie antes: a minha concepção dos personagens é a feição dos atores da série – a Sookie é a Anna Paquin e o Bill o Stephen Moyer – e eu já sabia mais ou menos o que aconteceria. Claro, na minissérie há detalhes a mais e a menos, algumas coisas são modificadas e outras, que só acontecem mais pra frente na série de livros, já aparecem na primeira temporada. Mas são experiências diferentes e complementares, não excludentes.

O mundo de Bon Temps é revelado aos pouquinhos e não são apenas os vampiros que o habitam, mas também outras criaturas mágicas. E os vampiros, bom que se diga, não são góticos bebedores de sangue ou criaturas pasteurizadas e boazinhas: são monstros. Claro, alguns são éticos e tentam se misturar e viver bem com os humanos, como Bill, outros são cínicos e não fazem questão de conviver com humanos fora da hora das refeições mas também não querem cometer crimes à toa,  como Eric, ou máquinas de caos e morte, como Diane e Malcolm. Quanto à caracterização deles, a autora está mais próxima de Bram Stocker e dos livros de terror e ação do que do romance sobrenatural.

Quanto ao romance… Sookie e Bill se apaixonam – ela porque não consegue ler a mente dele, e isso a deixa em paz, ele porque a acha uma criaturinha interessante -, namoram, fazem sexo, bastante sexo, trocam declarações de amor, tudo aquilo que convém a um casal de namorados, mas nada de melodramas como “esperei por você por toda a eternidade”, “você é meu amor verdadeiro”, “você é minha alma gêmea”, “nunca senti por ninguém o que sinto por você” e bombas de glicose do gênero. É um casal normal de pessoas que se atraem mutuamente e gostam da companhia uma da outra – um relacionamento mais adulto. Para mim, é um modelo de romance muito mais agradável e que faz muito mais sentido do que o clássico do romance sobrenatural.

Enfim, é um livro de leitura rápida, gostosa e divertida. Com certeza não me lembrarei dele pro resto da vida, mas recomendo enfaticamente! Um excelente conto de terror, mas situado na atualidade e em seus problemas e com uma boa e generosa pitada de erotismo!

p.s.1: Fiz uma experiência no skoob e fiz histórico de leitura desse livro. Confira o resultado aqui!

p.s.2: Os dois livros seguintes da série, Vampiros em Dallas e Clube dos Vampiros, já estão disponíveis em português!

p.s.3: Sookie lê os pensamentos de todos, menos os de Bill, a pele dos vampiros é mais brilhante do que a das demais pessoas… e Morto Até O Anoitecer foi lançado em 2000. Então decidam vocês quem inspirou quem, ou se é só uma coincidência…

p.s.4: Desde o seriado, sempre visualizei a Sookie como Olive, a protagonista do jogo Princess Maker II, dizendo “Hello, Mr. Vampire! ^^”

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Até a próxima!

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Convite oficial para o lançamento de Meu Amor É Um Vampiro, da Editora Draco

Lançamento: Meu Amor É Um Vampiro, da Editora Draco

Eu disse que teríamos boas novidades em breve, essa é uma delas!

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“MEU AMOR É UM VAMPIRO”, PRIMEIRO VOLUME DA COLEÇÃO AMORES PROIBIDOS

 

A coleção Amores Proibidos vem mostrar que o amor verdadeiro vence todas as barreiras, e pode fazer pessoas muito diferentes descobrirem que tem algo em comum, mesmo quando o coração de uma delas não bate há séculos.

 

Se apaixonar não é nada fácil. Rola ansiedade, expectativa e muito nervosismo pensando no primeiro encontro e, quem sabe, no primeiro beijo. Imagine então quando o pretendente é um vampiro?
Pode ser um bem tradicional de capa e longos caninos, um sombrio e misterioso que aparece de repente na sua janela ou um aventureiro de moto e calça jeans, louco para te levar em um passeio inesquecível. Nesses casos, a adrenalina é ainda maior!

Nas perigosas páginas de Meu Amor é um Vampiro você conhecerá histórias fantásticas das melhores autoras de literatura vampiresca nacional, repletas de casais apaixonados e situações surpreendentes. Mas não pense que tudo são flores e caixas de bombom, afinal de contas, encontrar o par perfeito pode esconder terríveis surpresas.

Proteja o seu pescoço e marque um encontro com histórias que vão do romance ao susto, do suspense ao riso, numa leitura com beijos de tirar o fôlego.

Quem nunca se apaixonou que enfie a primeira estaca.

Essa coletânea é organizada pelo escritor Eric Novello e pela editora Janaína Chervezan, leitores assíduos de literatura de vampiros, e tem o prefácio da dama morcega Giulia Moon, uma das maiores escritoras brasileiras dentro do gênero de terror vampiresco.

Sobre as autoras

Adriana Araújo é uma criatura estranha com idéias esquisitas. Cria histórias em tempo integral e estuda Química na UFMG para se distrair. Já publicou contos nas coletâneas Pacto de Monstros (2009) e Paradigmas 4 (2010) e mantém os sites de tirinhas Bram & Vlad, sobre vampiros, clichês e coisas da vida e Periódicas, onde a Química ri. Seu lema de vida é “não se leve tão a sério”.

Ana Carolina Silveira é advogada, blogueira, leitora inveterada e escritora eventual, não necessariamente nesta ordem. Tem residência variável, sendo a atual Belo Horizonte-MG. Jogou muito Vampiro: A Máscara durante a adolescência e até  hoje tem uma quedinha por Lestat de Lioncourt.

Cristina ‘Tziganne’ Rodriguez tem alma e vida de cigana. Muda incessantemente, procurando descobrir algo de novo no mundo que a cerca. Romântica, acha que o amor supera tudo, inclusive vampirismo. É casada e tem um filho. Dedica-se a escrever e a tentar cuidar de plantas, sem muito sucesso. ‘O vermelho do teu sangue’ é seu primeiro conto publicado. Para saber mais sobre ela, visite: http://tziganne.blogspot.com

Giulia Moon é paulistana, formada em publicidade e propaganda pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Já foi diretora de arte, ilustradora, diretora de criação e sócia de agência de propaganda. Giulia tem três coletâneas de contos publicadas: Luar de Vampiros (2003), Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros (2004) e A Dama-Morcega (2006). Em 2009, lançou o seu primeiro romance, Kaori: Perfume de Vampira. Participou das coletâneas Amor Vampiro (2008), Território V (2009), Galeria do Sobrenatural (2009) e Imaginários Vol. 1 (2009).

Helena Gomes é jornalista, professora universitária e autora dos livros de ficção Assassinato na Biblioteca, Lobo Alpha, Código Criatura, Kimaera – Dois mundos, Nanquim – Memórias de um cachorro da Pet Terapia (infantil), O Arqueiro e a Feiticeira, Aliança dos Povos e Despertar do Dragão (os três últimos da saga A Caverna de Cristais). É também coautora da não-ficção Memórias da Hotelaria Santista (1997). Publica contos em sites, antologias e revistas. Mais sobre seu trabalho em http://mundonergal.blogspot.com

Nazarethe Fonseca nasceu em São Luís, Maranhão. Começou a escrever aos 15 anos, após um sonho que se tornaria seu primeiro livro, uma trama policial. É autora da saga Alma e Sangue, iniciada com O Despertar do Vampiro e que prossegue em O Império dos Vampiros. Escreveu também Kara e Kmam, e publicou contos nas coletâneas Necrópole: Histórias de Bruxaria e Anno Domini.  Mora atualmente em Natal, Rio Grande do Norte. Seu e-mail de contato é almaesangue@gmail.com.

Regina Drummond é mineira e mora em Munique, Alemanha. Apesar da sua formação de professora, nunca deu aulas, mas sempre trabalhou com literatura. Autora de muitos livros, tradutora e contadora de histórias, fala alemão, inglês e francês. Já ganhou alguns prêmios e destaques, sendo o mais importante o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, como editora. Escreve ainda para jornais e revistas, nacionais e internacionais. Entre seus livros, destacam-se “Destino: Transilvânia” (Ed. Scipione); “Sete Histórias do Mundo Mágico” (Ed. Devir); “O destino de uma jovem maga” e “Histórias de Arrepiar” (Giz Editorial); “O Passarinho Rafa”, (Ed. Melhoramentos). Para conhecer seu trabalho, acesse a homepage http://www.regina-drummond.de

Rosana Rios é autora de Lit. Fantástica, Infantil, Juvenil. Em 22 anos de carreira produziu ficção, teatro, roteiros (TV e quadrinhos), Publicou mais de 100 obras e recebeu os prêmios: Cid. de Belo Horizonte (1990), Bienal Nestlé de Literatura (1991), Prêmio Abril de Jornalismo (1994), Menção Altamente Recomendável da FNLIJ (1995, 2006) e foi finalista do Prêmio Jabuti (2008). Mora em São Paulo com a família, uma enorme biblioteca e uma coleção de dragões. Site: http://www.segredodaspedras.com. Blog: http://rosanariosliterature.blogspot.com.

Valéria Hadel nasceu na capital do Estado de São Paulo. É descendente de húngaros e romenos, o que de certa forma explica sua familiaridade com vampiros. Graduou-se em biologia, fez pós-graduação em ecologia e zoologia, e mora em São Sebastião, litoral norte do Estado, desde 1984, quando foi trabalhar com biologia marinha. Sua área de atuação é a pesquisa e o ensino em ecologia e educação ambiental marinha e costeira. No quintal da sua casa moram cinco vira-latas, um dos quais é personagem do conto que escreveu para esta coletânea.

Meu amor é um vampiro
Organizado por Eric Novello e Janaina Chervezan
ISBN
: 978-85-62942-09-9

Gênero: romance sobrenatural (paranormal)

Páginas: 160

Preço de capa: R$ 31,90

DISPONÍVEL NA SEGUNDA QUINZENA DE MAIO/2010

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Aqui, segue o comentário do editor Eric Novello sobre a coletânea.

Aguardem, porque vocês vão gostar da coletânea!!! E já adianto que vai ter promoção aqui no blog!!!

 

Alma e Sangue – O Despertar do Vampiro – Nazarethe Fonseca

Uma das febres temáticas mais recorrentes no que diz respeito à literatura – e aos filmes, jogos, quadrinhos e cultura pop em geral – é o mito dos vampiros. É também uma febre cíclica: iniciou-se, agora, com a explosão chamada Crepúsculo, mas já houve outros ciclos de vampiros antes – e haverá outros depois. E, claro, nós, os autores brasileiros não poderiam ficar de fora dessa.

Como já disse antes em outras oportunidades, o mito do vampiro é sedutor por várias razões: primeiramente, pela universalidade, estando presente na grande maioria das culturas de uma forma ou de outra; segundo, pelos conflitos que acaba por levantar – o morto que não está morto, o monstro que tenta ou não recuperar sua humanidade e por aí afora; terceiro, a sensualidade inerente à sedução e à luxúria (luxúria não apenas em seu sentido sexual, mas no sentido amplo de “busca pela satisfação de um desejo/prazer”), afinal vampiros são criaturas movidas pelo desejo de sangue.

Tudo isso para demonstrar a versatilidade do vampiro, que pode ter tanto seu aspecto de besta ressaltado quanto o de criatura com ainda traços e desejos humanos, ainda que dotado de características inumanas.

Cá entre os patrícios, naquilo que se trata de vampiros como personagens e protagonistas de aventuras com muita ação, pancadaria, poderes mágicos e lutas, nada melhor do que citar André Vianco. É um autor com várias séries vampirescas, todas elas com os elementos acima citados, que possui uma legião de fãs ávidos.

Mas, como disse, o mito do vampiro tem muitas faces… E para o leitor, ou leitora, que deseja ver um universo em que os seres da noite lidem com as questões mais existenciais, como o dilema entre o homem e o monstro, e que esteja mais focadas em seus sentimentos? E para o leitor/a que deseja ver aqui o romance sobrenatural vampiro?

Dentre as várias autoras brasileiras que enveredam por essa trilha, destaco hoje Nazarethe Fonseca e seu Alma e Sangue – O Despertar do Vampiro, que recentemente ganhou nova edição pela editora Aleph. É para quem quer ver romance entre humana e vampiro, com todos os elementos que podem temperar essa relação.

Acompanhamos então, em primeira pessoa, a saga de Kara Ramos, uma jovem restauradora residente em São Luís do Maranhão, que já passou por muita coisa na vida apesar da pouca idade. Um belo dia ela é fisgada por uma oportunidade de ouro: fazer o projeto de restauração de um antigo casarão abandonado, que era a obsessão de seu falecido pai. O que ela não sabe é que no interior da casa jaz um vampiro, Jan Kman.

Esqueça Crepúsculo e os vampiros pasteurizados. Aqui, a besta dorme no coração dessas criaturas, que não tem pudores em matar para se alimentar, ou demonstrarsua força e selvageria sobrehumanas. A humanidade, após a mordida fatal, se foi, restando apenas as portas abertas da noite eterna – bem como seus mistérios e habitantes.

Kara e Kman, os protagonistas, jogam um jogo de gato e rato. A protagonista se divide entre o desejo e a repulsa, a paixão e a rejeição, o amor e o ódio. Quase ao ponto da bipolaridade, às vezes. E isso vai se tornando um pouco irritante com o tempo.

E, claro, como não poderia ser diferente, conviver com vampiros atrai companhias desagradáveis e riscos de vida para nossa protagonista – e também expõe relacionamentos humanos viciados. Há contas do passado a serem acertadas, e Kara acaba por ser o pivô de uma batalha começada há séculos.

A narrativa flui bem – e o romance de Kara e Kman é BASTANTE mais carnal do que o de Bella e Edward, para ficarmos no exemplo fácil. Só há alguns problemas em algumas cenas, em que o cenário desaparece e muda, causando aquela sensação de “mas onde ela estava mesmo? Por que essa cena foi cortada?”.

E o cenário é um dos pontos fortes da trama. A história se passa em São Luís – MA, terra natal da autora, e percorre suas ruas, prédios e cultura. Para alguém que mora no sudeste, como eu, é um cenário exótico – somos todos o mesmo Brasil, mas as características regionais diferem, e essa diferença é algo bonito e interessante de ser visto. E, inclusive, outro ponto fortíssimo, usar das nossas características como elementos da história, e não meramente como cenografia.

Um ponto da história que foi apenas tangenciado e que poderia ser melhor explorado é que não necessariamente o monstro é o vampiro. Pode ser também o humano sem nenhum freio moral em busca de seus objetivos.

Como ponto fraco, como já disse, alguns pontos em que a prosa se torna confusa e as cenas parecem cortadas e coladas sem muita coerência, mas é algo suportável. Outro ponto, quando Jan fala de seu passado: eu sou até bastante enjoada com alguns detalhes – e, no caso, os nomes dos personagens quebram o sense of wonder. Um detalhe bobo, mas que se estivesse presente, a história ficaria mais redonda.

Enfim, é uma história para quem quer ver romance sobrenatural, vampiros, beijo na boca e química, tudo isso com um tempero nacional bem interessante.

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Série Crepúsculo – Stephenie Meyer

Depois de dois meses passeando por Westeros, cá estou eu com uma resenha nova. A Storm of Swords é um livro simplesmente fantástico! Mas estou em dúvida se faço uma resenha individual dele, como fiz dos outros dois livros, ou espero a leitura do quarto para fazer uma resenha única da série até aqui. O que vocês acham?

Mas vou demorar um pouco para ler o quatro, porque antes quero pôr a leitura de outros assuntos em dia – em dois meses, a pilha de livros só fez crescer!

Então, por hoje apresento uma resenha não do último livro que li, mas da série que é o hit do momento e está estacionada no topo da lista dos mais vendidos desde seu lançamento: Crepúsculo.

A primeira e mais óbvia coisa a se falar sobre Crepúsculo é de seu público-alvo: adolescentes do sexo feminino. Se você já saiu da adolescência, ou não é mulher, é pouco provável que se sinta atraído por essa leitura – e, caso tenha se sentido, é um caso excepcional. Inclusive, é fácil identificá-lo com um estilo literário conhecido lá fora como “chick lit” – “literatura de mulherzinha”, escrita por mulheres para mulheres e que se identifica com clichês identificados com o sexo feminino.

Agora, vamos a Crepúsculo. A essas alturas, você deve saber que é a história de uma adolescente que se apaixona perdidamente por um vampiro. Ah, o mito do vampiro… Talvez, do grande leque temático da fantasia, é o mais aprazível e próximo do grande público. É um ícone tanto da imortalidade – o vampiro, afinal, é o “morto que não morreu” – da bestialidade inerente a cada um de nós e também da luxúria, da sede insaciável. É monstro, mas seduz para caçar. Seduz o público leitor, também.

Vampiros são uma constante no mercado: estão sempre na moda. Vide best sellers como Anne Rice e Charlaine Harris – e, aqui entre nós, André Vianco, as séries de quadrinhos, os filmes… Crepúsculo é um pouco disso tudo, fundido com o romance adolescente. E, claro, com uma boa dose de moralismo para agradar mamães e papais mais puritanos.

Bella é a garota-média: não é a cheerleader, não é a nerd-esquisita-do-canto-da-sala. Como toda boa adolescente, tem uma visão bastante distorcida de si mesma – autoestima baixa, insegurança, todos esses dramas. A história começa quando ela se muda da cidade grande para Forks, sua cidadezinha natal, para poder morar com seu pai. Com uma nova casa, uma nova rotina, e uma nova escola passa a fazer parte dela. E, lá, ela encontra-se com seu príncipe encantado: Edward, um garoto muito bonito e misterioso. E um vampiro.

Não é muito difícil entender por que a história é tão atraente: Bella é a garota-padrão, aquela que qualquer leitora poderia ser, e Edward é o namorado ideal: lindo, carinhoso, dedicado, companheiro, cortês, romântico, completamente apaixonado… Qual garota não desejaria um namorado assim? (apesar que, pessoalmente, o Jacob faz muito mais o meu estilo :P)

No primeiro livro da série, vemos uma Bella deslumbrada, até irritante ao repetir milhares de vezes o quão lindo, maravilhoso, perfeito, supremo, magnânimo, inigualável, absoluto, salve salve Edward é. Mas, tirando os exageros, ela não me parece muito diferente de uma adolescente padrão – lembrando que o amor adolescente é mais intenso, imediato e exagerado do que em qualquer outra fase da vida…

Por falar em “amor adolescente”, não mencionei um ponto importante: Edward é de uma família de vampiros bonzinhos que não caçam humanos, mas só animais. Tudo perfeitamente pasteurizado. Da mesma forma, Edward deseja Bella mas, como é um vampiro bonzinho, educado, de boa família e aprovado pelos pais, não morderá seu pescocinho. Tirem as presas e o sangue da história: o namorado perfeito que luta contra seus desejos carnais e mantém a sua namorada intacta. Acho que isso fica suficientemente claro na passagem do passeio no campo, onde eles se acariciam e ele revela o quanto ela atiça seus desejos e é uma tentação, mas que a ama o suficiente para resistir. Bella é a tentação perfeita, mas Edward será forte o bastante para provar apenas o amor, e não o corpo. Não sei. Desconfio que determinada autora mórmon teve dificuldades para chegar ao casamento virgem.

Bom, vale ressaltar sobre os vampiros que brilham o sol e a absoluta pasteurização do ambiente: fica difícil para quem já leu Bram Stocker ou mesmo Anne Rice.

E, quanto a esta última, a Meyer pode negar o quanto quiser, mas os ecos de Lestat, Louis e amigos estão ali para quem quiser ver. Uma boa pitada de World of Darkness – ou, no mínimo, Underworld – também está ali para quem quiser ver. A culpa que Edward sente por ser um imortal lembra muito das agruras internas de Louis e mesmo outros detalhes que vemos sobre a “mitologia vampírica” de Rice podem ser facilmente encontrados.

Das referências assumidas, também dá para encontrar muito do gótico de O Morro dos Ventos Uivantes – taí um livro que eu acho que valha uma resenha no futuro -, mas em um mundo onde Heathcliff e Catherine podem ficar juntos.

Passamos então para o livro dois, Lua Nova, e pela introdução de novos personagens: lobisomens. Novamente, World of Darkness (ou no mínimo Underworld) – os lobisomens de Meyer lembram bastante aqueles de Lobisomem: O Apocalipse – sim, ambos partiram do mesmo mito original das tribos xamânicas norte-americanas – mas falo especialmente sobre sua organização, atributos e relação com vampiros.

E, claro, Jacob, como personagem, funciona muito melhor do que as figurinhas de álbum Bella e Edward. Inclusive, ele é o responsável por mostrar o lado humano dos dois: as dúvidas, os medos, os questionamentos, o que se questiona ao se deparar com duas rotas opostas em seu caminho. É ele que os aproxima de uma realidade que não possuem, de uma humanidade. Jacob é o elemento humano, é a tensão da série – e também um de seus melhores pontos.

Em Eclipse, ele assume em definitivo o papel de vértice do triângulo amoroso. E, para Bella, não é apenas entre o vampiro e o amigo: é também o momento para tomar sua decisão interna sobre qual caminho deseja trilhar. Sem dúvidas é o melhor livro da série. A trama é bem desenvolvida, em comparação com os demais livros da série, vários personagens aparecem e fazem parte dela, harmonicamente, construindo o que precisa ser contado e toda a tensão dos últimos dois livros está para ser resolvida. Satisfatoriamente, em minha opinião.

Chegamos então ao último livro, Amanhecer. Finalmente Bella pode realizar seu grande sonho. E, novamente, a moral puritana: Bella só alcança a plenitude depois de um determinado fato específico. Só depois dele é que suas inseguranças todas vão embora – ou seja, uma mulher só se torna uma mulher verdadeira depois que determinado fato acontece em sua vida. Não gostei da conclusão da saga – além da história ter um dos maiores anticlímax que já li, vários personagens são mal-explorados, ficam perdidos no decorrer da trama, não possuem “o seu momento” – estão lá, jogados, sem serem aproveitados. Não sei o quanto os editores pressionaram para que esse livro saísse rápido, mas ele merecia ser melhor trabalhado, alguns fatos melhor esclarecidos, alguns personagens melhor aproveitados. É um final satisfatório, mas faltou bastante tempero nele.

Outra coisa que incomoda na série: em apenas uma ocasião podemos ver uma batalha – e com seres com vampiros e lobisomens andando por aí, por que não mostrá-las!!! Apenas uma batalha é mostrada com detalhes, as outras não são vistas ou acontece algo de sobrenatural – olha deus dando tchauzinho de fora da máquina – para impedi-las. O público não reclamaria se tivesse mais ação!

Por fim, é uma série que vale a pena ser lida tanto pela diversão descompromissada – ninguém lê Crepúsculo esperando encontrar uma obra literária que vá perdurar os séculos, pelamor – e também, principalmente, para penetrarmos um pouco no hype do momento – e, quem sabe, naquilo que seu público espera.

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