Divergente – Veronica Roth

capa-divergenteEsse ano está sendo meio pobre em leituras (e mais ainda em resenhas), então não imaginam a alegria de pegar um livro e matá-lo quase de uma vez só. Na verdade, este livro foi recomendação de uma leitora do blog, lá por 2011 quando nem se falava em sair no Brasil – aí um dia num passeio à livraria achei pra comprar, mas foi pra estante e ficou por isso mesmo. O tempo foi passando, lançou-se a edição nacional, a continuação, o terceiro está por sair um dia desses, foi anunciado o filme e o livro lá pegando poeira – até que, querendo uma leitura mais leve, resolvi dar uma chance.

E, como disse, a leitura rápida é um ótimo indicativo de que as coisas fluíram bem.

A história conta a vida de Beatrice (ou Tris), uma garota criada numa Chicago isolada do mundo (ainda não sabemos por que) e dividida em castas, cada uma delas ligadas à característica que os fundadores daquele grupo acham ser primordial à humanidade – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição. E, como todo sistema de castas, há aqueles que não estão nenhuma delas (os “intocáveis” do mundo ficcional em questão, que só existem e a perspectiva de tornar-se uma deles é uma grande ameaça psicológica à protagonista) e os que estão dentro são criados para assumir todos os estereótipos de sua casta, bons e ruins.

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Série House of the Night – PC e Kristin Cast

Uma das várias séries voltadas ao público adolescente feminino que trata de vampiros é a chamada House of the Night, escrita pelas autoras, mãe e filha, PC e Kristin Cast.

Não tive interesse em ler a série, mas a amiga Mariana Ferreira leu e resenhou para mim. Com isso, estreiamos a seção “O Leitor Escreve”, onde é você, o leitor, que colabora com a resenha!

Claro, como não li a série, a respnsabilidade é toda da Mariana, reclamem com ela e não comigo se não gostarem 😛

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House of the Night -resenha por Mariana Ferreira

Dizem que se for para falar mal é melhor nem abrir a boca. Mas né? Vamos considerar isso uma ultilidade pública:

House of Night não é uma série que valha a pena ser lida. Li porque não tinha nada melhor pra fazer durante as férias e estava em promoção no Submarino. Até agora foram 5 volumes e diz a autora que serão 12. Como alguém consegue escrever 12 livros sobre praticamente nada é um grande mistério.

A série até o 5º volume se baseia em vampiros e índios Cherokees. Claro que os vampiros tem seu grau de estilização É assim: uma pessoa se torna vampiro por causa de uma mutação no DNA durante a adolescência. Então ela é marcada, se torna um novato e tem que ir para uma morada da noite para completar sua transformação. Não, não tem mordida, sangue, sedução nem nada. É puramente “biológico”. O mais impressionante é que a despeito de os vampiros serem bonitos, ricos e famosos (no livro, vários atores e cantores como Hugh Grant e Shania Twain são vampiros) os novatos e vampiros são discriminados pelos humanos. Sim, contradição pouca é bobagem. Já os índios só aparecem como referência cultural (o vilão desses primeiros livros é baseado na mitologia deles).

O grosso da história são os adolescentes e seus draminhas e conversinhas. Coisas do tipo: “Oh! Meu namorado humano aparentemente está em grande perigo. Vou ali assistir um DVD com meus coleguinhas depois eu cuido disso”. Então, ao invés de ação, o leitor se depara com uma boa meia dúzia de páginas de diálogos que parecem saídos de malhação com trocentas falas dispensáveis. Exemplo: se a protagonista está com os amigos e faz uma pergunta, aparece uma fala de cada um, mesmo que todos estejam respondendo, em essência a mesma coisa. Isso somado ao grau sandystico de perfeição da personagem irrita demais. Muito piegas para o gosto de praticamente qualquer um.

Além de piegas a narrativa é arrastada, cheia de detalhes que não são da sua conta e com pouca ação por livro. O primeiro volume, como eu já disse, é praticamente só ambientação. Tem um pouquinho de “coisa acontecendo” (nada de muito aventuresco mesmo, juro) e milhares de detalhes sobre a vida e obra dos vampiros e suas escolinhas. Totalmente dispensável. Os detalhes terrivelmente irrelevantes são coisas do tipo “passei a chapa para arrumar os cabelos”. Sério, se cada vez que a autora trocasse a descrição do ritual de make-up da protagonista por “me arrumei e saí” os cinco volumes juntos diminuiriam umas 50 páginas. Se não fosse tão angustiante ler esses detalhes sem importância, os livros seriam muito melhores, porque a história em si tem até seu charme.

Mas o que mais mata lenta e dolorosamente tudo o que podia ser bom na série é a previsibilidade feladaputa. Caro leitor, se você tiver a mínima suspeita de que uma personagem vai morrer, é porque ela VAI morrer. Se acha que alguém vai fazer alguma merda, é porque essa pessoa VAI fazer merda. Se suspeitar minimamente que a diretora da escola é mau igual a um pica-pau, tenha certeza de que ela é mesmo. Isso fica claro desde a primeira vez que ela aparece. Nem pra ter um conflito “será que ela é” igual a J. K. Rowling fez com o Snape.

Falar em Snape, eu devia ter lido a série do Harry Potter de novo nas férias ao invés dessa bobagenzinha. Talvez a única coisa boa desses livros é que vai virar filme ou série de televisão com muitos corpos malhados e rostos bonitos. Segundo a autora, todos os vampiros são muito belos e se o novato engordar ou adoecer, ele morre.

Bom, resumindo para você poder conversar com sua priminha de 12 anos retardada por definição e fã da série: A menina é marcada, aí a família de crentes loucos dela surta e ela foge para pedir ajuda à avó. Como a velhinha mora em uma fazenda e está pelo campo, a menina sai andando loucamente pelo bosque, cai, bate a cabeça e morre desmaia. Desmaiada, ela vê/sonha com a deusa Nyx, divindade que os vampiros cultuam. Aí a deusa tipo abençoa especificamente a ela. Quando a protagonista (Zoey) acorda, ela está na morada da noite em segurança porque a vovozinha a levou para lá. Depois de se recuperar, ela sai botando moral pela escola porque é muito mais poderosa do que qualquer novato que já existiu, então ela consegue acabar com a equivalente cheerleader local e ficar com o namorado dela além do namorado antigo que ela tinha na vida de apenas humana. Durante os outros livros, a melhor amiga dela morre e volta como uma criatura estranha, mas a incrível Zoey consegue salvá-la e a menina se transforma em um outro tipo de vampiro. Então ela descobre que tem mais um monte de novatos que não morreram e também estão assim. Além disso,  a cheerleader do primeiro livro vira amiga da protagonista. Como Zoey é a principal, estilo Seiya porém mais rainha da cocada preta, ela arruma mais uns 3 ou 4 namorados/pretendentes e geralmente está com mais de um ao mesmo tempo embora no fundo sejam todos uns malas. Em determinado ponto da história, fica claro que a diretora da morada da noite é má e ela invoca um deus antigo e mau. Então a perfeita Sandy Zoey, seus fiéis amigos, seus devotos namorados e sua fofíssima vovó descendente de Cherokees se unem com as freiras legais para exorcizar os capetas. Ah sim, importante lembrar que a Zoey é estilo Jesus, sabe? Ela é MUITO tocada pela deusa! O tempo todo acontece. É tipo RPG mesmo, sabe? Entra na dungeon, salva a princesa, ganha XP e sobe de nível. Isso só comprova o quanto a personagem é isenta de falhas. Sério, eu devia ter relido Harry Potter, que pelo menos era o “escolhido” mas era um sujeito loser como outro qualquer, com seus conflitos internos, suas fraquezas, suas incompetências e seus amigos que participam da história ao invés de só ficar pagando pau para ele.

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Até a próxima!

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