Orgulho e Preconceito – Jane Austen

orgulho-e-preconceitoA típica história “boy meets girl”: eles se conhecem em uma festa, ela é a menina doce mais bonita da região, ele é o bom partido por quem todas as mocinhas são apaixonadas. Apaixonam-se mas, por uma série de mal entendidos, não podem viver esse amor. O tempo passa, os mal-entendidos são descobertos e esclarecidos e tudo termina em um belo casamento.

 Pois é, esse é o plot típico e em torno do qual Orgulho e Preconceito se constrói – mas que está longe de ser seu plot principal e envolver seus protagonistas. E são estes que fazem a história ser um clássico atemporal.

 Este talvez seja o mais conhecido (e querido) romance romântico de língua inglesa. É muito lido em escolas, é uma história querida até hoje, ganhou inúmeras adaptações cinematográficas e televisivas famosas, ganhou várias recontagens (uma das minhas prediletas é o filme de O Diário de Bridget Jones, nem tanto o livro), paródias (tem ao menos uma delas que já foi resenhada nesse blog…), é sempre citada em outros livros, filmes e séries como o livro de cabeceira de algum personagem. Mas o orginal continua a encantar gerações e ser livro predileto (ao longo da vida já vi muitas mulheres lendo o livro no ônibus, na faculdade, em consultórios…). Aliás, é uma das resenhas mais pedidas do blog desde o início.

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Apaixonados – Lauren Kate

Tudo bem, vai. Às vezes você vai ler uma série (ou melhor, lê o primeiro livro, acha horrível, lê o segundo por curiosidade e descobre que apegou) que sabe nem ter uma qualidade tão grande assim, mas tem elementos divertidos. Soube que este livro ia sair pouco depois de ter lido Paixão e gostei da proposta: histórias fechadas envolvendo o que a saga tem de melhor, os secundários (esquecidos no último volume da cronologia). Quando soube que o lançamento no Brasil estava próximo, pensei cá com meus botões: “ah, vou ler, né? Li até agora mesmo…”.

Este livro não faz parte da saga original, trata-se de um spin-off (ou seja, uma história extra no mesmo universo mas que não se mistura com a trama original), ocorrido entre os eventos de Paixão e que envolve histórias isoladas dos excelentes secundários deixados de lado no último livro. Como na história anterior, todos estão viajando pelo tempo em busca de respostas sobre a maldição que impede Luce e Daniel de ficarem juntos, mas nada os impede de darem uma pequena pausa e comemorarem o Dia dos Namorados.

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A Arte de Amar – Ovídio

Se há uma coisa em comum entre os dias atuais e os das pessoas de dois mil anos atrás (aliás, desde quando a primeira bactéria resolveu que reprodução sexuada era mais divertida do que reprodução assexuada) é a dificuldade para se conseguir um@ namorad@. Ciente da dificuldade dos jovens romanos, o poeta Ovídio resolveu escrever um guia ensinando-os a encontrar uma boa companhia.

Sim, isso mesmo! Uma das coisas que acho mais legais em ler textos antigos é perceber sua dose de atualidade. As pessoas de antigamente podem parecer épicas ou bárbaras, mas somos exatamente iguais a elas. A alma humana é a mesma: queremos conforto, temos dúvidas existenciais, preocupamo-nos com as pessoas próximas, refletimos sobre a vida e nos questionamos sobre o que vem depois. E, claro, nos preocupamos em saber com quem poderemos passar momentos românticos e agradáveis.

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As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

Confesso que não vi o filme, apesar de já ter ouvido falar bastante por dizer respeito a uma diretora que gosto muito do trabalho, em geral (a Sofia Copolla, seu trabalho de estreia) e a uma atriz que costumo gostar dos trabalhos (a Kirsten Dunst), o que é uma grande falha na minha cinefilia (ok, já houve uma época na vida em que assistia a mais filmes do que hoje).

Como diz o texto da contracapa, ao contrário do que pode parecer, o livro está muito mais para o irônico do que para o triste – como o título revela, é a história de cinco jovens irmãs, as Lisbon, que se suicidam ao longo de um ano. Só que, apesar da tragédia, é muito mais um conto sobre a adolescência, sobre os meninos incapazes de entender o mundo secreto das meninas (e no início da adolescência meninos e meninas parecem mesmo seres de universos diferentes) e sobre a vida nos subúrbios de classe média norte-americanos, tudo com uma enorme dose de ironia.

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Paixão – Lauren Kate

Como vocês já sabem, ou deveriam estar sabendo, a série Fallen é uma espécie de guilty pleasure pessoal. Detestei o primeiro livro, achei o segundo bem legalzinho e cá estou eu lendo (e resenhando!) o terceiro. Não que eu vá levar essa resenha exatamente a sério, também.

(foi engraçado que comprei esse livro em um dia em que passeava com minha mãe. Ela, ao ver minhas compras, virou e… “você gosta de uns livros meio questionáveis”. Eu: “ah, é tão divertido :D”)

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Norwegian Wood – Haruki Murakami

Como começar uma resenha de um livro sobre o qual há muito o que dizer?

Vou citar um amigo que, tempos atrás, disse a seguinte frase: “O medo de amar e o medo de morrer são a mesma coisa”. Norwegian Wood (o título é por conta da música dos Beatles) é um livro sobre a juventude, o relacionar-se, a depressão, a morte. É sobre amor, mas também sobre desamparo e perda.

Esse é um dos primeiros romances do Murakami, lançado em 1987, antes de Minha Querida Sputnik e Após o Anoitecer. Interessante notar a evolução na narrativa, também – aqui, em um de seus primeiros trabalhos, dá para ver que ele tornará sua narrativa mais sintética (temos várias passagens do mais puro e banal cotidiano, talvez como parte de algum clichê oriental sobre a vida e seu ritmo).

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Lançamento: Meu Amor É Um Vampiro, da Editora Draco

Eu disse que teríamos boas novidades em breve, essa é uma delas!

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“MEU AMOR É UM VAMPIRO”, PRIMEIRO VOLUME DA COLEÇÃO AMORES PROIBIDOS

 

A coleção Amores Proibidos vem mostrar que o amor verdadeiro vence todas as barreiras, e pode fazer pessoas muito diferentes descobrirem que tem algo em comum, mesmo quando o coração de uma delas não bate há séculos.

 

Se apaixonar não é nada fácil. Rola ansiedade, expectativa e muito nervosismo pensando no primeiro encontro e, quem sabe, no primeiro beijo. Imagine então quando o pretendente é um vampiro?
Pode ser um bem tradicional de capa e longos caninos, um sombrio e misterioso que aparece de repente na sua janela ou um aventureiro de moto e calça jeans, louco para te levar em um passeio inesquecível. Nesses casos, a adrenalina é ainda maior!

Nas perigosas páginas de Meu Amor é um Vampiro você conhecerá histórias fantásticas das melhores autoras de literatura vampiresca nacional, repletas de casais apaixonados e situações surpreendentes. Mas não pense que tudo são flores e caixas de bombom, afinal de contas, encontrar o par perfeito pode esconder terríveis surpresas.

Proteja o seu pescoço e marque um encontro com histórias que vão do romance ao susto, do suspense ao riso, numa leitura com beijos de tirar o fôlego.

Quem nunca se apaixonou que enfie a primeira estaca.

Essa coletânea é organizada pelo escritor Eric Novello e pela editora Janaína Chervezan, leitores assíduos de literatura de vampiros, e tem o prefácio da dama morcega Giulia Moon, uma das maiores escritoras brasileiras dentro do gênero de terror vampiresco.

Sobre as autoras

Adriana Araújo é uma criatura estranha com idéias esquisitas. Cria histórias em tempo integral e estuda Química na UFMG para se distrair. Já publicou contos nas coletâneas Pacto de Monstros (2009) e Paradigmas 4 (2010) e mantém os sites de tirinhas Bram & Vlad, sobre vampiros, clichês e coisas da vida e Periódicas, onde a Química ri. Seu lema de vida é “não se leve tão a sério”.

Ana Carolina Silveira é advogada, blogueira, leitora inveterada e escritora eventual, não necessariamente nesta ordem. Tem residência variável, sendo a atual Belo Horizonte-MG. Jogou muito Vampiro: A Máscara durante a adolescência e até  hoje tem uma quedinha por Lestat de Lioncourt.

Cristina ‘Tziganne’ Rodriguez tem alma e vida de cigana. Muda incessantemente, procurando descobrir algo de novo no mundo que a cerca. Romântica, acha que o amor supera tudo, inclusive vampirismo. É casada e tem um filho. Dedica-se a escrever e a tentar cuidar de plantas, sem muito sucesso. ‘O vermelho do teu sangue’ é seu primeiro conto publicado. Para saber mais sobre ela, visite: http://tziganne.blogspot.com

Giulia Moon é paulistana, formada em publicidade e propaganda pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Já foi diretora de arte, ilustradora, diretora de criação e sócia de agência de propaganda. Giulia tem três coletâneas de contos publicadas: Luar de Vampiros (2003), Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros (2004) e A Dama-Morcega (2006). Em 2009, lançou o seu primeiro romance, Kaori: Perfume de Vampira. Participou das coletâneas Amor Vampiro (2008), Território V (2009), Galeria do Sobrenatural (2009) e Imaginários Vol. 1 (2009).

Helena Gomes é jornalista, professora universitária e autora dos livros de ficção Assassinato na Biblioteca, Lobo Alpha, Código Criatura, Kimaera – Dois mundos, Nanquim – Memórias de um cachorro da Pet Terapia (infantil), O Arqueiro e a Feiticeira, Aliança dos Povos e Despertar do Dragão (os três últimos da saga A Caverna de Cristais). É também coautora da não-ficção Memórias da Hotelaria Santista (1997). Publica contos em sites, antologias e revistas. Mais sobre seu trabalho em http://mundonergal.blogspot.com

Nazarethe Fonseca nasceu em São Luís, Maranhão. Começou a escrever aos 15 anos, após um sonho que se tornaria seu primeiro livro, uma trama policial. É autora da saga Alma e Sangue, iniciada com O Despertar do Vampiro e que prossegue em O Império dos Vampiros. Escreveu também Kara e Kmam, e publicou contos nas coletâneas Necrópole: Histórias de Bruxaria e Anno Domini.  Mora atualmente em Natal, Rio Grande do Norte. Seu e-mail de contato é almaesangue@gmail.com.

Regina Drummond é mineira e mora em Munique, Alemanha. Apesar da sua formação de professora, nunca deu aulas, mas sempre trabalhou com literatura. Autora de muitos livros, tradutora e contadora de histórias, fala alemão, inglês e francês. Já ganhou alguns prêmios e destaques, sendo o mais importante o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, como editora. Escreve ainda para jornais e revistas, nacionais e internacionais. Entre seus livros, destacam-se “Destino: Transilvânia” (Ed. Scipione); “Sete Histórias do Mundo Mágico” (Ed. Devir); “O destino de uma jovem maga” e “Histórias de Arrepiar” (Giz Editorial); “O Passarinho Rafa”, (Ed. Melhoramentos). Para conhecer seu trabalho, acesse a homepage http://www.regina-drummond.de

Rosana Rios é autora de Lit. Fantástica, Infantil, Juvenil. Em 22 anos de carreira produziu ficção, teatro, roteiros (TV e quadrinhos), Publicou mais de 100 obras e recebeu os prêmios: Cid. de Belo Horizonte (1990), Bienal Nestlé de Literatura (1991), Prêmio Abril de Jornalismo (1994), Menção Altamente Recomendável da FNLIJ (1995, 2006) e foi finalista do Prêmio Jabuti (2008). Mora em São Paulo com a família, uma enorme biblioteca e uma coleção de dragões. Site: http://www.segredodaspedras.com. Blog: http://rosanariosliterature.blogspot.com.

Valéria Hadel nasceu na capital do Estado de São Paulo. É descendente de húngaros e romenos, o que de certa forma explica sua familiaridade com vampiros. Graduou-se em biologia, fez pós-graduação em ecologia e zoologia, e mora em São Sebastião, litoral norte do Estado, desde 1984, quando foi trabalhar com biologia marinha. Sua área de atuação é a pesquisa e o ensino em ecologia e educação ambiental marinha e costeira. No quintal da sua casa moram cinco vira-latas, um dos quais é personagem do conto que escreveu para esta coletânea.

Meu amor é um vampiro
Organizado por Eric Novello e Janaina Chervezan
ISBN
: 978-85-62942-09-9

Gênero: romance sobrenatural (paranormal)

Páginas: 160

Preço de capa: R$ 31,90

DISPONÍVEL NA SEGUNDA QUINZENA DE MAIO/2010

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Aqui, segue o comentário do editor Eric Novello sobre a coletânea.

Aguardem, porque vocês vão gostar da coletânea!!! E já adianto que vai ter promoção aqui no blog!!!

 

Alma e Sangue – O Despertar do Vampiro – Nazarethe Fonseca

Uma das febres temáticas mais recorrentes no que diz respeito à literatura – e aos filmes, jogos, quadrinhos e cultura pop em geral – é o mito dos vampiros. É também uma febre cíclica: iniciou-se, agora, com a explosão chamada Crepúsculo, mas já houve outros ciclos de vampiros antes – e haverá outros depois. E, claro, nós, os autores brasileiros não poderiam ficar de fora dessa.

Como já disse antes em outras oportunidades, o mito do vampiro é sedutor por várias razões: primeiramente, pela universalidade, estando presente na grande maioria das culturas de uma forma ou de outra; segundo, pelos conflitos que acaba por levantar – o morto que não está morto, o monstro que tenta ou não recuperar sua humanidade e por aí afora; terceiro, a sensualidade inerente à sedução e à luxúria (luxúria não apenas em seu sentido sexual, mas no sentido amplo de “busca pela satisfação de um desejo/prazer”), afinal vampiros são criaturas movidas pelo desejo de sangue.

Tudo isso para demonstrar a versatilidade do vampiro, que pode ter tanto seu aspecto de besta ressaltado quanto o de criatura com ainda traços e desejos humanos, ainda que dotado de características inumanas.

Cá entre os patrícios, naquilo que se trata de vampiros como personagens e protagonistas de aventuras com muita ação, pancadaria, poderes mágicos e lutas, nada melhor do que citar André Vianco. É um autor com várias séries vampirescas, todas elas com os elementos acima citados, que possui uma legião de fãs ávidos.

Mas, como disse, o mito do vampiro tem muitas faces… E para o leitor, ou leitora, que deseja ver um universo em que os seres da noite lidem com as questões mais existenciais, como o dilema entre o homem e o monstro, e que esteja mais focadas em seus sentimentos? E para o leitor/a que deseja ver aqui o romance sobrenatural vampiro?

Dentre as várias autoras brasileiras que enveredam por essa trilha, destaco hoje Nazarethe Fonseca e seu Alma e Sangue – O Despertar do Vampiro, que recentemente ganhou nova edição pela editora Aleph. É para quem quer ver romance entre humana e vampiro, com todos os elementos que podem temperar essa relação.

Acompanhamos então, em primeira pessoa, a saga de Kara Ramos, uma jovem restauradora residente em São Luís do Maranhão, que já passou por muita coisa na vida apesar da pouca idade. Um belo dia ela é fisgada por uma oportunidade de ouro: fazer o projeto de restauração de um antigo casarão abandonado, que era a obsessão de seu falecido pai. O que ela não sabe é que no interior da casa jaz um vampiro, Jan Kman.

Esqueça Crepúsculo e os vampiros pasteurizados. Aqui, a besta dorme no coração dessas criaturas, que não tem pudores em matar para se alimentar, ou demonstrarsua força e selvageria sobrehumanas. A humanidade, após a mordida fatal, se foi, restando apenas as portas abertas da noite eterna – bem como seus mistérios e habitantes.

Kara e Kman, os protagonistas, jogam um jogo de gato e rato. A protagonista se divide entre o desejo e a repulsa, a paixão e a rejeição, o amor e o ódio. Quase ao ponto da bipolaridade, às vezes. E isso vai se tornando um pouco irritante com o tempo.

E, claro, como não poderia ser diferente, conviver com vampiros atrai companhias desagradáveis e riscos de vida para nossa protagonista – e também expõe relacionamentos humanos viciados. Há contas do passado a serem acertadas, e Kara acaba por ser o pivô de uma batalha começada há séculos.

A narrativa flui bem – e o romance de Kara e Kman é BASTANTE mais carnal do que o de Bella e Edward, para ficarmos no exemplo fácil. Só há alguns problemas em algumas cenas, em que o cenário desaparece e muda, causando aquela sensação de “mas onde ela estava mesmo? Por que essa cena foi cortada?”.

E o cenário é um dos pontos fortes da trama. A história se passa em São Luís – MA, terra natal da autora, e percorre suas ruas, prédios e cultura. Para alguém que mora no sudeste, como eu, é um cenário exótico – somos todos o mesmo Brasil, mas as características regionais diferem, e essa diferença é algo bonito e interessante de ser visto. E, inclusive, outro ponto fortíssimo, usar das nossas características como elementos da história, e não meramente como cenografia.

Um ponto da história que foi apenas tangenciado e que poderia ser melhor explorado é que não necessariamente o monstro é o vampiro. Pode ser também o humano sem nenhum freio moral em busca de seus objetivos.

Como ponto fraco, como já disse, alguns pontos em que a prosa se torna confusa e as cenas parecem cortadas e coladas sem muita coerência, mas é algo suportável. Outro ponto, quando Jan fala de seu passado: eu sou até bastante enjoada com alguns detalhes – e, no caso, os nomes dos personagens quebram o sense of wonder. Um detalhe bobo, mas que se estivesse presente, a história ficaria mais redonda.

Enfim, é uma história para quem quer ver romance sobrenatural, vampiros, beijo na boca e química, tudo isso com um tempero nacional bem interessante.

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P.S.: Alma e Sangue – O Império dos Vampiros, a continuação do Despertar, foi lançado agora, dia 12/11! Confiram!

Série Crepúsculo – Stephenie Meyer

Depois de dois meses passeando por Westeros, cá estou eu com uma resenha nova. A Storm of Swords é um livro simplesmente fantástico! Mas estou em dúvida se faço uma resenha individual dele, como fiz dos outros dois livros, ou espero a leitura do quarto para fazer uma resenha única da série até aqui. O que vocês acham?

Mas vou demorar um pouco para ler o quatro, porque antes quero pôr a leitura de outros assuntos em dia – em dois meses, a pilha de livros só fez crescer!

Então, por hoje apresento uma resenha não do último livro que li, mas da série que é o hit do momento e está estacionada no topo da lista dos mais vendidos desde seu lançamento: Crepúsculo.

A primeira e mais óbvia coisa a se falar sobre Crepúsculo é de seu público-alvo: adolescentes do sexo feminino. Se você já saiu da adolescência, ou não é mulher, é pouco provável que se sinta atraído por essa leitura – e, caso tenha se sentido, é um caso excepcional. Inclusive, é fácil identificá-lo com um estilo literário conhecido lá fora como “chick lit” – “literatura de mulherzinha”, escrita por mulheres para mulheres e que se identifica com clichês identificados com o sexo feminino.

Agora, vamos a Crepúsculo. A essas alturas, você deve saber que é a história de uma adolescente que se apaixona perdidamente por um vampiro. Ah, o mito do vampiro… Talvez, do grande leque temático da fantasia, é o mais aprazível e próximo do grande público. É um ícone tanto da imortalidade – o vampiro, afinal, é o “morto que não morreu” – da bestialidade inerente a cada um de nós e também da luxúria, da sede insaciável. É monstro, mas seduz para caçar. Seduz o público leitor, também.

Vampiros são uma constante no mercado: estão sempre na moda. Vide best sellers como Anne Rice e Charlaine Harris – e, aqui entre nós, André Vianco, as séries de quadrinhos, os filmes… Crepúsculo é um pouco disso tudo, fundido com o romance adolescente. E, claro, com uma boa dose de moralismo para agradar mamães e papais mais puritanos.

Bella é a garota-média: não é a cheerleader, não é a nerd-esquisita-do-canto-da-sala. Como toda boa adolescente, tem uma visão bastante distorcida de si mesma – autoestima baixa, insegurança, todos esses dramas. A história começa quando ela se muda da cidade grande para Forks, sua cidadezinha natal, para poder morar com seu pai. Com uma nova casa, uma nova rotina, e uma nova escola passa a fazer parte dela. E, lá, ela encontra-se com seu príncipe encantado: Edward, um garoto muito bonito e misterioso. E um vampiro.

Não é muito difícil entender por que a história é tão atraente: Bella é a garota-padrão, aquela que qualquer leitora poderia ser, e Edward é o namorado ideal: lindo, carinhoso, dedicado, companheiro, cortês, romântico, completamente apaixonado… Qual garota não desejaria um namorado assim? (apesar que, pessoalmente, o Jacob faz muito mais o meu estilo :P)

No primeiro livro da série, vemos uma Bella deslumbrada, até irritante ao repetir milhares de vezes o quão lindo, maravilhoso, perfeito, supremo, magnânimo, inigualável, absoluto, salve salve Edward é. Mas, tirando os exageros, ela não me parece muito diferente de uma adolescente padrão – lembrando que o amor adolescente é mais intenso, imediato e exagerado do que em qualquer outra fase da vida…

Por falar em “amor adolescente”, não mencionei um ponto importante: Edward é de uma família de vampiros bonzinhos que não caçam humanos, mas só animais. Tudo perfeitamente pasteurizado. Da mesma forma, Edward deseja Bella mas, como é um vampiro bonzinho, educado, de boa família e aprovado pelos pais, não morderá seu pescocinho. Tirem as presas e o sangue da história: o namorado perfeito que luta contra seus desejos carnais e mantém a sua namorada intacta. Acho que isso fica suficientemente claro na passagem do passeio no campo, onde eles se acariciam e ele revela o quanto ela atiça seus desejos e é uma tentação, mas que a ama o suficiente para resistir. Bella é a tentação perfeita, mas Edward será forte o bastante para provar apenas o amor, e não o corpo. Não sei. Desconfio que determinada autora mórmon teve dificuldades para chegar ao casamento virgem.

Bom, vale ressaltar sobre os vampiros que brilham o sol e a absoluta pasteurização do ambiente: fica difícil para quem já leu Bram Stocker ou mesmo Anne Rice.

E, quanto a esta última, a Meyer pode negar o quanto quiser, mas os ecos de Lestat, Louis e amigos estão ali para quem quiser ver. Uma boa pitada de World of Darkness – ou, no mínimo, Underworld – também está ali para quem quiser ver. A culpa que Edward sente por ser um imortal lembra muito das agruras internas de Louis e mesmo outros detalhes que vemos sobre a “mitologia vampírica” de Rice podem ser facilmente encontrados.

Das referências assumidas, também dá para encontrar muito do gótico de O Morro dos Ventos Uivantes – taí um livro que eu acho que valha uma resenha no futuro -, mas em um mundo onde Heathcliff e Catherine podem ficar juntos.

Passamos então para o livro dois, Lua Nova, e pela introdução de novos personagens: lobisomens. Novamente, World of Darkness (ou no mínimo Underworld) – os lobisomens de Meyer lembram bastante aqueles de Lobisomem: O Apocalipse – sim, ambos partiram do mesmo mito original das tribos xamânicas norte-americanas – mas falo especialmente sobre sua organização, atributos e relação com vampiros.

E, claro, Jacob, como personagem, funciona muito melhor do que as figurinhas de álbum Bella e Edward. Inclusive, ele é o responsável por mostrar o lado humano dos dois: as dúvidas, os medos, os questionamentos, o que se questiona ao se deparar com duas rotas opostas em seu caminho. É ele que os aproxima de uma realidade que não possuem, de uma humanidade. Jacob é o elemento humano, é a tensão da série – e também um de seus melhores pontos.

Em Eclipse, ele assume em definitivo o papel de vértice do triângulo amoroso. E, para Bella, não é apenas entre o vampiro e o amigo: é também o momento para tomar sua decisão interna sobre qual caminho deseja trilhar. Sem dúvidas é o melhor livro da série. A trama é bem desenvolvida, em comparação com os demais livros da série, vários personagens aparecem e fazem parte dela, harmonicamente, construindo o que precisa ser contado e toda a tensão dos últimos dois livros está para ser resolvida. Satisfatoriamente, em minha opinião.

Chegamos então ao último livro, Amanhecer. Finalmente Bella pode realizar seu grande sonho. E, novamente, a moral puritana: Bella só alcança a plenitude depois de um determinado fato específico. Só depois dele é que suas inseguranças todas vão embora – ou seja, uma mulher só se torna uma mulher verdadeira depois que determinado fato acontece em sua vida. Não gostei da conclusão da saga – além da história ter um dos maiores anticlímax que já li, vários personagens são mal-explorados, ficam perdidos no decorrer da trama, não possuem “o seu momento” – estão lá, jogados, sem serem aproveitados. Não sei o quanto os editores pressionaram para que esse livro saísse rápido, mas ele merecia ser melhor trabalhado, alguns fatos melhor esclarecidos, alguns personagens melhor aproveitados. É um final satisfatório, mas faltou bastante tempero nele.

Outra coisa que incomoda na série: em apenas uma ocasião podemos ver uma batalha – e com seres com vampiros e lobisomens andando por aí, por que não mostrá-las!!! Apenas uma batalha é mostrada com detalhes, as outras não são vistas ou acontece algo de sobrenatural – olha deus dando tchauzinho de fora da máquina – para impedi-las. O público não reclamaria se tivesse mais ação!

Por fim, é uma série que vale a pena ser lida tanto pela diversão descompromissada – ninguém lê Crepúsculo esperando encontrar uma obra literária que vá perdurar os séculos, pelamor – e também, principalmente, para penetrarmos um pouco no hype do momento – e, quem sabe, naquilo que seu público espera.

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