O Alienado – Cirilo S. Lemos

Não sei como começar a falar sobre esse livro. Aliás, creio ser essa a principal prerrogativa dos bons romances (não necessariamente histórias de amor): aquela sensação de desorientação, de não saber por onde começar uma análise.

Talvez desorientação seja uma palavra muito exata para ser utilizada aqui: o enredo segue uma linha de lógica e coerência internas, mas é qualquer coisa, menos seguro para o leitor. Cada página pode ser um passo em falso, cada linha um barranco onde se pode despencar de uma história da outra.

É um texto que transcende o gênero. Ficção científica? Fantasia? Mainstream com um viés simbolista? A moldura da classificação é pequena para enquadrar o conteúdo da trama e em nenhum momento o autor tenta encaixar-se aqui ou acolá. As coisas fluem, os elementos necessários aparecem, mas por que a necessidade de rótulo? Basta embarcar na experiência estranha (no melhor dos sentidos da palavra).

Esta é a história de Cosmo Kant (o nome de filósofo/super-herói parece ser muito menos arbitrário do que pode aparentar), um sujeito comum dono de uma vida comum que está escrevendo um romance (que não é uma história de amor) e frequenta um analista, até o dia em que um sujeito sai do espelho de seu banheiro e as coisas começam a ficar realmente estranhas. Para piorar, Cosmo parece ser alvo de criaturas chamadas Metafilósofos, que não deveriam existir fora de seus escritos. Dizer mais do que isso é estragar a trajetória de leitura.

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