Órfãos do Eldorado – Milton Hatoum

Algumas coisas além do aspecto puramente literário me motivaram a resenhar este livro, talvez de modo um pouco diferente da informalidade habitual do blog, mas vamos por partes. O primeiro é que finalmente me deparo com um livro começado em O, o que me ajuda em certas questões de simetria. O segundo é que um autor bate o recorde anteriormente mantido por Haruki Murakami aqui no blog: o de mais resenhas em menos tempo de obras diferentes.

Este é o livro mais recente do autor, lançado em 2009, e que foge (ao menos em parte) da temática familiar de Relato de um Certo Oriente e Dois Irmãos. Talvez haja uma lacuna em sua evolução narrativa correspondida por Cinzas do Norte, seu terceiro romance que não tive ainda a oportunidade de ler, pois entre Dois Irmãos e Órfãos do Eldorado há um verdadeiro salto e a diferença é palpável. Enquanto o primeiro se vale de uma narrativa linear (temporalmente e tematicamente), o segundo se utiliza de idas e vindas pelo tempo e pelo assunto para simular a estrutura do “causo” narrado por um ancião perdido em suas memórias, que transitam entre o sonho e a realidade.

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