O Amor de Uma Boa Mulher – Alice Munro

amor-boa-mulherEntão chegamos ao prêmio literário de maior prestígio do mundo, o Nobel. O franco favorito a ser contemplado em 2013, o nigeriano Chinua Achebe, faleceu no começo do ano – e como não há premiação póstuma, deixou seu posto em aberto (só para comentar, já li um dos livros do autor, chamado A Flecha de Deus – que, de certa forma, se assemelha ao livro de hoje, naquilo que traz o recorte do cotidiano de uma família e comunidade numa Nigéria que passa por um imenso choque cultural). Assim sendo, não havia favoritos ou nomes certos e uma grande indagação no ar: quem será o contemplado?

A grande torcida das bolsas de apostas (e também deste blog) era pelo japonês Haruki Murakami, mas a decepção foi generalizada no dia do anúncio do prêmio, que contemplou a canadense Alice Munro. A obra da autora, contista (num mundo de romancistas, um raro dom), intimamente ligada ao cotidiano e vida das mulheres canadenses nas décadas centrais do século XX. Claro que fiquei insatisfeita porque meu candidato preferido não havia ganhado, mas a temática da autora me despertou alguma curiosidade, além de que, querendo ou não, havendo justiça ou não, o Nobel é a maior chancela que um autor pode ter por sua obra.

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Caim – José Saramago

caim-capa(Atenção: essa é a resenha de uma obra literária que será tomada pelo universo dessa obra. Não é uma discussão teológica/religiosa, já que cada um acredita naquilo que mais lhe convém e tentar provar que outra pessoa está certa ou errada nesses aspectos ou vai para o rumo da inutilidade ou da briga. Portanto, se tiver algum comentário sobre religião que vai além do que o autor traz ou se é sensível com material de cunho religioso, pode clicar no link “lista de posts” ao lado e divertir-se com alguma postagem de potencial menos polêmico).

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Cem Sonetos de Amor – Pablo Neruda

capa_cem-sonetos-de-amorConfesso: livros de poesia nunca são minha primeira opção. Nem a segunda. Nem a terceira. Fazia uma boa década que não abria nenhum (desde os tempos de colégio), a prosa me atrai mais. Se teve algum livro do Desafio Literário que realmente disse respeito a coisas que não leria normalmente, com certeza foi o deste mês. Apesar de ter colocado o livro escolhido na lista, nem era essa minha primeira escolha: era Fernando Pessoa (que está em algum local incerto e não sabido da minha casa, no mínimo escondendo-se entre duas prateleiras). Mas Neruda também é um clássico e uma boa pedida, então resolvi encará-lo.

 Como o título sugere, este é um livro de poesias românticas. Quem na vida nunca fez poesias de amor? Até os grandes mestres da arte, o próprio Neruda era muito afeto aos poemas de amor. Este livrinho não diz respeito ao amor idealizado adolescente, mas de um sentimento mais profundo, de uma compreensão do amor que muda com os anos e a vida, tendo por musa inspiradora a terceira esposa do poeta, Matilde. E, claro, o contrário exato da idealização: o amor físico, sensual, carnal. Principalmente no primeiro segmento do livro (dividido em partes do dia), Manhã, as poesias têm altíssimo teor erótico. Mas amor é vida e se relaciona com todos os aspectos desta: o contato com o ambiente, com as angústias, com as incertezas, com a morte – que também é vida.

 E, como da essência da poesia, é um livro sobre brincar com as palavras, montá-las como tijolinhos em busca de expressar sentimentos e provocar sensações. Senti-me refrescada por alguns deles, em outros, passeei por praias chilenas e senti o cheiro do mar. E refleti sobre o amor, sobre o que é o amor para mim – quis ler várias poesias na alcova…

 Mas ler um livro de cem poesias num mesmo eixo temático é cansativo. A apreciação não é a mesma, pois a saturação começa a crescer e as poesias a se misturarem entre si. Gosto mais de lê-las separadamente, aos poucos, ao invés de ser soterrada por elas. Claro que tive minhas favoritas, mas lê-las em conjunto tira a força delas… Não recomendo.

 Enfim, descobri mais uma coisa nisso tudo: escrevi esse texto para cumprir o desafio combinado, porque poesia se sente, não se resenha!

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Até a próxima!

Infância – J. M. Coetzee

Ah, a infância… Aquela época idílica de brincadeiras até o pôr-do-sol, de candura e inocência e pureza e… Bom, não para todas as crianças. Para nem entrar naqueles casos onde a infância é usurpada pela violência e abuso (físico, psicológico, sexual…), há casos em que, por vários fatores, a personalidade também ajuda para que as lembranças desta época não sejam tão coloridas, ou mesmo passar pela infância não tenha sido indolor.

Este é um romance de inspiração autobiográfica de uma infância que, se não foi violada, também não foi o paraíso da felicidade. John cresce num país cindido (a África do Sul), em que há uma divisão bem clara e hostilidade declarada entre os grupos que compõem a população, para nem falar sobre o preconceito institucionalizado em relação aos negros. E por que a infância de um menino branco, africânder, de classe média, pode não ter sido maravilhosa?

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