Fluxograma para um leitor iniciante de ficção científica e fantasia

Esse fluxograma bem legal está rodando pelas redes sociais há alguns dias, a partir do blog SF Signal e que traz um guia dos 100 melhores livros de FC&F para leitura. É bem legal ir pelos caminhos e procurar qual seria “seu livro”. Está em inglês e não traduzi, mas se você entende, é legal ir acompanhando.

(clique na figura para ampliar)

É uma lista evidentemente controversa (senti falta do Drácula aí, por exemplo, e acho que Stardust está sobrando), mas interessante. Realmente, se você é um leitor iniciante do gênero, que quer saber por onde começar, esta é uma excelente estrada. Dá também para fazer umas consideraçõezinhas sobre os escolhidos.

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Devaneios dominicais de uma leitora compulsiva

Dia desses, ao ver as pilhas se acumulando pelos cantos do quarto, me veio uma necessidade súbita de inventariar todos os livros adquiridos (comprados, ganhos, emprestados, doados) de dezembro do ano passado para cá. Não sei se foi porque voltei das férias com mais livros do que imaginava, ou porque o espaço realmente começou a faltar (alguém me doa uma estante nova?), mas resolvi fazer uma pequena contabilidade.

O resultado? Somente contando os livros de literatura (porque se for contar os técnicos e os de referências as coisas complicam *um pouquinho*), de dezembro para cá 58 livros entraram. É muita coisa.

Desses, li 20, estou com 4 pela metade e abandonei 1. Ou seja, não dá nem metade de tudo o que entrou aqui (e isso só contando os livros desse ano, porque li alguns que tinha comprado ano passado e/ou em outras épocas). Pior que se pensar quantitativamente, parece um desperdício sem-tamanho mesmo. É aquela coisa de empolgar em promoção on-line, comprar uma porrada de livros, passar meses pagando as prestações… e não ter lido nenhum até hoje. Ou de ver “um livrinho tão bonitinho e tá tão baratinho” e acabar levando só para enfeitar a estante.

(tá, eu fiz uns negócios de ocasião nesse meio tempo, como achar uns clássicos bem clássicos no sebo, mas…)

Enfim. Colocando aqui a promessa pública de só comprar um livro novo depois que eu ler no mínimo 60% da cota desse ano (dá aproximadamente 35 livros no total).

E segue a busca por uma estante nova…. u.u

Histórias da Noite Carioca – Eric Novello

Inicialmente, cabe a consideração sobre o quão mais fácil é resenhar uma pessoa que esteja fisicamente e temporalmente distante de você do que uma próxima.

Não ando lendo muita coisa fora da ficção especulativa ultimamente. Para ser muito sincera, não estou por dentro da literatura “mainstream” (o termo aqui entre aspas, no seu significado literal de “corrente principal”, de literatura contemporânea sem gênero), de quem são os nomes fortes hoje e o que eles estão escrevendo. Gosto muito de ler clássicos e alguns autores consagrados do século XX, mas hesito um pouco antes de arriscar coisas novas sem saber se serão do meu gosto ou não. Talvez já tenha mencionado isso anteriormente, para quem acompanha o blog.

Recentemente, o amigo Eric Novello (honorável administrador do Fantastik e participante do Aguarrás) me enviou seu livro Histórias da Noite Carioca, literatura mainstream atualíssima, leve e de fácil leitura.

Trata-se da história de Lucas Moginie, um jovem escritor de relativo sucesso que recebe um ultimato de sua editora: ele precisa entregar o original de seu novo romance o mais rápido possível. Mas há um pequenino problema: Lucas está sofrendo de um leve e ligeiro bloqueio criativo… E, talvez por esse bloqueio ou por uma dessas grandes coincidências da vida, uma pessoa importante de seu passado bate à porta, e há alguns assuntos que ficaram com sua solução pendente.

Então o leitor acompanha através da narrativa em primeira pessoa a rotina de Lucas em sua busca pelo precioso tema e sua vida cotidiana, com personagens como os vizinhos sexualmente excêntricos, os amigos amalucados e a paisagem carioca, com suas ruas, praias, praças, parques e barzinhos.

E o ponto principal do livro, na minha opinião: tudo narrado com o mais fino humor irônico. Ironia é algo que muitos tentam, mas poucos conseguem fazer de maneira satisfatória, ainda mais quando o objetivo é auto-ironizar-se e também às pequenas coisas da vida, como relações de vizinhança ou o café da manhã.

É um relato sobre o desespero de cumprir um prazo (e qualquer um que, como eu, trabalhe com prazos fatais, sabe que beleza é isso), mas também de revisitar um passado mal-resolvido, com todas as consequências que isso pode trazer.

E tudo chega a uma conclusão: o livro, o passado, a vida. De uma forma atropelada e talvez até mesmo inusitada, mas de vez em quando todos nós somos pegos em armadilhas que não conseguimos antever.

Enfim, é um belo passeio pelas noites cariocas de Lucas Moginie, em um livro bem gostoso de ser lido.

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A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

Depois de muita fantasia e ficção científica, vamos a um livro que não pertence a nenhuma categoria de ficção especulativa (apesar de possuir alguns detalhes que não possuem exatamente verossimilhança…). Uma colega estava lendo este livro em minha sala, há uns dois anos, recomendando-o como boa leitura. Ainda, uma amiga comprara, também empolgada por comentários favoráveis.

Um parêntesis, antes de continuar com o livro. Sou apaixonada por livrarias – entrar, passear, folhear, descobrir este ou aquele romance, ver que esta ou aquela capa chamam a atenção, levar um pocket esperto por um preço bom ou procurar determinado livro específico – mas adoro as livrarias online e suas ofertas tentadoras. Descontos de mais de 50% por livro SEMPRE são tentadores, convites a encher cada vez mais minha biblioteca particular. Então, por que não aproveitar superdescontos?

Em uma das minhas compras, interessada em comprar algum livro que não fosse de ficção especulativa, descobri que A Sombra no Vento estava em uma adorável oferta por R$15,90. Não pensei duas vezes – tinha sido bem-indicado, e R$15,90 não representam exatamente um prejuízo para um livro ruim.

A história trata de Daniel Sempere, um garoto de dez anos órfão de mãe, levado por seu pai ao Cemitério dos Livros Esquecidos (ADOREI o cenário, por que não pensei nele?), onde encontra o romance A Sombra do Vento, escrito por um tal de Julián Carax. Encantado pelo livro, passa a adolescência em busca de seu misterioso autor, encontrando cada vez mais mistérios no caminho que o leva até ele, topando com amigos e inimigos.

É uma história de suspense e mistério, mas com uma leveza adolescente. E trata, também, justamente disso – essa transição leve e misteriosa entre a adolescência e a fase adulta, que diz respeito também à mudança nos relacionamentos que trazemos da infância, à descoberta do amor e do sexo, a assunção de responsabilidades e das consequências de nossas ações.

É também um livro sobre… a leitura. Sobre a importância do livro, sobre mergulhar de cabeça em histórias que nos sejam, como leitores, realmente empolgantes, sobre envolver-se com seus personagens e trama e levar isso às últimas consequências.

A trama, que possui como narrador seu personagem principal, é bastante ágil, com pistas (algumas falsas) e novas informações a cada capítulo. O seu desfecho é particularmente eletrizante – não dá para fechar o livro antes que todo o mistério trazido por Daniel se revele.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o cenário: é também uma história sobre Barcelona no pós-guerra e seus personagens – pessoas comuns, como empregados, ricaços e mendigos, que guardam consigo feridas ou não da Guerra Civil. É também a história de uma cidade, de uma época e das pessoas que a habitam.

Por fim, não é um livro que cause uma mudança de pensamentos ou que leve à reflexão, mas é uma leitura bastante tranquila e interessante para quem deseja desvendar livros misteriosos…

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Este é um dos livros mais apavorantes que já li.

Ele é geralmente classificado como “distopia”. Distopia, em um conceito rápido e objetivo, é o contrário de utopia. De acordo com a Wikipedia, ” Uma Distopia ou Antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utópica ou promove a vivência em uma “Utopia negativa”. São geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo bem como um opressivo controle da sociedade. Nelas, cai-se as cortinas, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. Assim, a tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, de instituições ou mesmo de corporações.”

Mas não se trata de uma distopia. Apesar de escrito como tal, é a nossa própria realidade. E isso é apavorante.

Na trama do livro, Montag é um bombeiro que, nesse futuro, possui a função de queimar livros. Um belo dia, após trocar palavras com uma garota da vizinhança, começa a se questionar sobre sua vida e, por fim, o que haveria de tão perigoso nos livros que os fizeram ser banidos.

Apresenta-se então uma sociedade dominada pela mídia, em que as pessoas não conversam mais entre si, mas apenas com sua “família” – os personagens da programação da televisão onipresente. Em que as pessoas são fúteis, vazias, egoístas, hedonistas e insensíveis. Não há nem o que dizer sobre alienação – a sociedade como um todo é alienada e alienante. O valor mais importante é a diversão, então por que pensar sobre si mesmo ou questionar sua realidade? Isso não é divertido.

Exatamente por isso os livros foram banidos: cada minoria se melindrava com um determinado trecho, que era suprimido. Por fim, por que as pessoas gostariam de ler livros e ficar tristes com a reflexão subsequente? O importante mesmo é se divertir.

Esse é o ponto apavorante da história.

Quantas pessoas não conhecemos que são vazias, que não se lembram de fatos relevantes sobre si e sobre os outros, que os assuntos se resumem a roupas, carros, esportes ou à programação da TV, por absoluta falta de qualquer outro conteúdo?

Quantos hedonistas não vemos por aí, principalmente em minha geração? O que importa é o prazer e a diversão, por que a reflexão se ela pode ser tão dolorosa? O melhor é não pensar muito e viver para se divertir. Melhor nem falar sobre a insensibilidade e sobre o egoísmo. Assim como na obra, é tão comum vermos jovens pegando carros, dirigindo a toda velocidade e atropelando pessoas apenas por diversão… e isso ser absolutamente normal.

A mídia? Há quem viva para as novelas e se importe mais com fofocas de artistas do que com sua própria vida – vide as vendagens de revistas como a Caras. A companhia é a mocinha da novela, a paixão platônica, o galã, o inimigo capital, o vilão.
Com o advento da internet então, torna-se perfeitamente possível uma vida totalmente virtual, em que as amizades acontecem no Second Life, as conversas se estabelecem no MSN, a intimidade se esvai.

E as minorias ofendidas? O politicamente correto vem com força total. Isso não pode porque as feministas não gostam, aquilo não pode porque o movimento negro não gosta, aquilo outro então ofende aos homossexuais. E a sociedade pisa em ovos para que ninguém se melindre.

Os livros libertam a mente, ensinam sobre a alma humana, provocam a reflexão. Por isso são perigosos – por que derrubar uma linda e confortável torre de marfim eletrônico se viver na ignorância (em todo e qualquer sentido que “ignorância” possa ter) é tão mais confortável e agradável? Para que pensar se isso vai entristecer o indivíduo? Cabe então aos bombeiros combaterem essa maligna ameaça.

Outro ponto interessante do livro é como a mídia escapa daquilo realmente importante. Em determinado ponto, a guerra foi declarada e é iminente, mas todas as câmeras estão em cima da perseguição a um criminoso comum. E quanto a nós? Quantas vezes investigações importantes, projetos de lei particularmente discutíveis ou escândalos políticos não são abafados por pais que atiram criancinhas pela janela ou por namorados ciumentos que sequestram namoradas? Afinal, a novela sempre é mais interessante do que a vida coletiva.

Alguns pontos da escrita, principalmente no que dizem respeito à tecnologia, soam datados. Achei particularmente inverossímel o fato de existir um rio que não estivesse totalmente degradado pela poluição e a existência de um bosque tão próximo a uma cidade.

Apesar disso, naquilo que os livros trazem de melhor – o retrato da alma humana e da sociedade – a trama continua atualíssima, talvez muito mais atual do que era em 1953, seu ano de lançamento.

Vale a leitura e vale a reflexão subsequente (porque a reflexão pode ser dolorida, mas é extremamente necessária).

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