Sombra e Ossos – Leigh Bardugo

Sombra_130613.inddou: mais do mesmo

ou: por que eu ainda insisto?

ou: por que os autores andam confundindo personalidade forte com grosseria passivo-agressiva?

ou: por que ainda provoco os fanboys em fúria? 😛

 Enfim.

 Na verdade, comecei a ler esse livro meio enganada. Pensei que fosse uma história meio calcada em mitologia russa, de uma autora não-americana – e gosto bastante de cenários diferentes, de culturas diferentes. Mas meu encanto começou a se quebrar quando descobri que a autora é americana (ainda que nascida em Israel) e a mitologia russa do cenário é rasa como uma pesquisa google + wikipedia. Ou melhor: é inexistente mesmo, é só um cenário pseudo-russo.

 E a pesquisa google da autora ainda foi tão malfeita que ela não descobriu que sobrenomes, em russo, concordam com o gênero. Então era só ler Starkov, ao invés de Starkova, que isso me incomodava de um jeito absurdo. É uma coisa boba, eu sei, mas um bom exemplo de pesquisa rasa.

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The Eye of the World – Robert Jordan (série Wheel of Time)

Tem espaço no mundo (e nas estantes) para todo tipo de história. O que é legal para mim pode não ser para você e vice-e-versa, ou mesmo o que é legal para mim no humor de hoje pode não ser amanhã. Posso querer para hoje algo mais denso e cheio de significados, enquanto amanhã posso querer uma comédia bem leve. Posso querer um terror de arrepiar e amanhã um romance que estoure meu índice glicêmico. Às vezes quero apenas a segurança de saber exatamente o que vou encontrar na leitura.

Então, não vejo mal nenhum em um livro épico, com um dualismo maniqueísta sem maiores questionamentos, o protagonista passando pela jornada do herói sendo que dá para marcar em uma cartela de bingo os elementos ou passos da jornada, personagens rasos que só estão ali para cumprir papéis pré-determinados sem maior preocupação em desenvolvimento, vilões megalômanos e todas essas coisas. Na verdade tem épocas em que quero esse tipo de leitura, que quando bem feita é bem divertida (ainda mais para quem tem gosto por uma boa high fantasy).

Então, fui atrás de um clássico do gênero. A série Wheel of the Time é uma das mais famosas e mais queridas do gênero high fantasy, com vários e apaixonados fãs, fóruns de discussão, vários produtos derivados como jogos eletrônicos e rpg’s… enfim. Todo um universo de fãs não pode estar errado em apontar apelo e carisma na série, então era um livro que valia ser lido nem que para conhecer do que se tratava.

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A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

Então é Natal.

Todo mundo de ressaca, 10kg mais gordo, depois de ouvir milhares de trocadilhos infames com “peru” e nós aqui do blog oferecemos a última resenha do ano! Êêêê!!!!

Aprendi a ler muito cedo, então posso dizer que os livros estão presentes na minha vida desde sempre. Mas não foram eles minhas únicas referências de narrativa, muito menos as únicas histórias que ouvi ao longo da vida.

Lá pelos meus inocentes sete ou oito aninhos regados a manhãs fazendo lição de casa na frente da TV ligada na saudosa Manchete, eis que surgia meio por um acaso uma obra que acabou por ser marcada a ferro e fogo no coração da minha geração: Os Cavaleiros do Zodíaco. Como esquecer as Doze Casas, do Mestre do Santuário, das batalhas épicas, armaduras, golpes gritados, do valor da amizade e da devoção à Atena? Podem falar o que quiserem da trama em si (e é fraquinha mesmo, ai essa história na minha mão…), mas o carisma dos personagens, o clima da série e suas passagens memoráveis  são inesquecíveis.

Depois ainda vi muitos animes na mesma linha: o grupo de amigos que luta contra o mal e que depende da força da amizade e do amor para avançar, com muuuuita pirotecnia (e meu segundo anime mais marcante de todos é Sailor Moon, tá, prontofalay). Mas a gente vai crescendo e procurando histórias mais elaboradas, já que não só de pirotecnia vive o espectador…

Até que, em um belo dia, cai na mão do leitor já crescidinho e escolado um livro que tem todo o clima de seus desenhos prediletos da infânca E um roteiro caprichado. Epic win. A Batalha do Apocalipse me conquistou por isso, por ser uma espécie de Cavaleiros do Zodíaco 2.0.

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Eragon – Christopher Paolini

Tenho pé atrás confesso com modinhas, ainda mais quando escuto opiniões divergentes e a própria proposta da coisa não me chama a atenção. No auge do Harry Potter, muito se questionou qual seria seu sucessor. Um dos “prováveis sucessores do Harry Potter” da vez foi Eragon – que saiu no Brasil mais ou menos na época em que foi anunciado a produção de um filme baseado na obra.

A história simplesmente não me interessou a princípio e continuou a não me interessar. Sempre torci o nariz, achando que não seria uma história de meu agrado, que o tempo gasto para lê-la poderia ser investido de maneira mais útil lendo coisas que fossem mais ao meu gosto. Só que alguns amigos, surpresos por eu ter lido Crepúsculo – e não desgostado -, alguns até com experiência de leitura, me disseram: “Por que não ler Eragon? É divertido e descompromissado – e mais satisfatório do que Crepúsculo”. Um dia, passeando pelos sites online, vi uma oferta imperdível: a saga inteira por R$29,90. Pareceu um preço justo pela curiosidade, então encomendei.

Resolvi ler Eragon, o primeiro da saga, de coração aberto, não esperando uma obra genial e revolucionária, mas diversão leve e despretensiosa.

Então comecei a ler a história de um mundo onde humanos, elfos (que vieram do… oeste, oh god), anões, orcs e nazgûls urgals e raz’acs convivem entre si. O mapa traz indicações a lugares como Eldor, Ardwen, Melian… Bom, sinto que já ouvi algo parecido em algum lugar, alguma vez…

Este é o mundo de Alagaësia, onde um anel foi forjado e agora precisa ser destruído nas montanhas de Mordor anos atrás, havia uma ordem de cavaleiros jedi místicos que controlavam seus dragões, detentores de um grande poder. Só que um destes cavaleiros, Galbatorix, perdeu seu dragão e, com a ajuda de um desertor, eliminou todos os demais cavaleiros-dragões, tornando-se o Imperador tirânico e despótico.

(a partir daqui, spoilers, ok?)

Entretanto, alguns ovos de dragão escaparam do massacre e um deles conseguiu ser enviado para um lugar seguro. Eragon, um jovem garoto órfão, criado pelos tios em uma fazenda, que desconhece seu próprio passado, encontra o ovo, que choca, revelando a existência de Saphira, uma dragoa azul que acabou de nascer mas tem personalidade de adolescente. Suas mentes se ligam e Eragon é revelado como um cavaleiro-dragão, o primeiro em séculos.

Então, guiado por Brom, aparentemente um bardo, mas um mago experimentado e repleto de conhecimentos, começa sua jornada do herói através do mundo de Alagaësia, para se encontrar com os Varden, uma facção rebelde que desafia o Imperador.

Lá pelas tantas, o destino de Eragon se cruza com o de uma bela princesa elfa que está aliada aos rebeldes. Acaba ganhando um aliado amigo, que o salva de poucas e boas, e acabam formando um trio até encontrarem o QG dos Varden.

Murtagh, o amigo (?) de Eragon, ressalte-se, é emo sorumbático, com dificuldades de relacionar-se ou relaxar, sendo perseguido por seu sharingan por sua origem. E, claro, Eragon e Arya, a elfa, se apaixonam, o que nunca é fácil nessas circunstâncias

E assim começam as aventuras de Eragon, cavaleiro dragão, no primeiro livro de sua (NOSSA, JURA?) trilogia. Ok, não é uma trilogia, virou tetralogia, jocosamente uma trilogia de quatro.

Toda a parte anterior dessa resenha foi para apontar, de forma irônica, sarcástica e ácida o que considero o maior e principal ponto fraco do livro: ele é um amálgama de várias sagas famosas. É quase um Senhor dos Anéis encontra Star Wars, com uma boooa pitada dos dragões de Pern por cima (que é uma série que nunca saiu no Brasil mas é um grande sucesso nos EUA).

Para deixar bem claro aqui: eu não chamaria de plágio, pois os elementos de várias histórias estão misturados entre si e não há cópia de nenhuma delas. Mas, também, não há nenhuma originalidade, nenhuma criação em cima de fórmulas já conhecidas, testadas e aprovadas. São elas reunidas, batidas no liquidificador e servidas ao público. É uma espécie de “roteiro-miojo” – bem menos complexo do que o arroz-com-feijão, só jogar a jornada do herói na água por três minutos e pôr temperinhos por cima.

A jornada do herói, ou monomito (algum dia volto ao tema com mais calma), é um roteiro basilar para se contar uma história e muito está relacionado ao processo de crescimento pessoal do indivíduo, mas colocá-la da forma mais linear possível em uma história, de forma que dê para identificar facilmente cada uma de suas etapas, está para lá de batido. É uma maneira fácil e prática de montar uma história, sim, quase com o preenchimento de lacunas, mas não traz nenhuma surpresa para o leitor com algum experimentalismo.

O que é outro ponto importante: eu não sou da faixa etária planejada para o livro, de jeito nenhum. Mas daí lembro que li o Senhor dos Anéis com 15 anos, sem maiores problemas – e, antes disso, já tinha lido Admirável Mundo Novo ou a Odisseia. Tudo bem, eu reconheço que essa é a exceção e não a regra, mas fica complicado não comparar Eragorn com toda a minha carga anterior de leitura – e que a total falta de originalidade do roteiro salte aos olhos.

O que é uma pena, porque a prosa do autor é até gostosa de se ler. Imagino o que ele faria com uma história que fosse um pouco mais dele…

E aqui outro ponto de esclarecimento: como já disse, a jornada do herói é uma das formas mais clássicas de se contar uma história. Há quem diga, inclusive, que todas as histórias já foram contadas. Não estou pregando aqui uma originalidade total – difícil, quase impossível, somos humanos, se formos buscar, todos os nossos dilemas possuem a mesma raiz – mas a utilização de elementos clássicos de uma forma original, de uma maneira nova. As próprias comparações que saltam aos olhos quando se lê Eragon: Star Wars não é um primor de originalidade, mas conseguiu reunir elementos antigos em algo novo. Mesmo o Senhor dos Anéis: trata-se de um paradigma do gênero fantástico, mas algumas das referências são óbvias (como O Anel dos Nibelungos, p. ex.). E, nunca é demais ressaltar, toda obra parte de uma série de referências anteriores – mas para que ela se torne algo novo, deve transcendê-las.

Eragon é um livro divertido, bom para passar o tempo, de leitura rápida. Há alguns problemas de suspensão da descrença – mais para o final, principalmente. Eu deixei de levar o livro a sério depois de uma passagem em que os personagens atravessam um deserto durante o dia (!!!) e praticamente a jato com seus cavalos. Um pouco de lógica básica, no caso, não faria nenhum mal à trama.

Outro ponto é que, pelo menos para mim, Eragon, Saphira e amigos próximos nunca estiveram realmente em perigo – exceto aqueles que, para qualquer um que já viu Star Wars, precisam ser eliminados para o bem da história. Essa sensação de que não interessa o que aconteça, o personagem vai se dar bem – não estou nem falando de morte, mas de ver planos darem redondamente errado, de perigos iminentes, de separações dolorosas, de ver o personagem “por baixo” para poder se reerguer.

Enfim, valeu a leitura, foi leve e divertida. Mas a satisfação foi a mesma de almoçar um miojo porque não tem mais nada em casa…

(e um p.s. inevitável: lá pelas tantas tem um figurante chamado Korgan. Não pude deixar de imaginar Aragorn, filho de Arathorn, herdeiro de Isildur, Elessar, de espada na mão dizendo “there can be only one“).

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