A Outra Volta do Parafuso – Henry James

Um dos maiores apelos do terror, além do medo do desconhecido, é quando a ameaça desconhecida poderia acontecer com qualquer um, inclusive com o leitor em seu sossego. Muito além do terror gráfico de monstros, demônios ou ameaças cósmicas está aquele um pouco mais próximo: a loucura, a perseguição, o crime.

Esta também é a premissa mais básica de uma das mais clássicas escolas do terror (aquela vitoriana, do fim do século XIX e início do XX, que também diz muito acerca do positivismo vigente e do advento da ciência sobre o obscurantismo): qual o pior terror, as assombrações ou as alucinações que ocorrem apenas na mente do assombrado? O sobrenatural é real ou é apenas imaginação?

A trama, já que o livro é de 1898, é bem conhecida: uma jovem preceptora vai trabalhar numa mansão erma (e mansões ermas e sombrias tem tudo a ver com terror, também) contratada para cuidar de dois órfãos, com a condição de em momento algum aborrecer o tio e responsável legal deles com qualquer problema, mas ela começa a ver os fantasmas de sua antecessora e seu amante e conclui que as crianças estão em perigo e precisa salvá-las. Lógico que apenas ela vê os fantasmas e ameaças e toda a trama se constrói sobre as visões.

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