Erótica Fantástica 1 – Vários Autores

capa_erotica-fantasticaDepois de várias digressões sobre tons de cinza e coisas do gênero, tá na hora de falar de coisa boa, de iogurteira top therm de outras propostas em erotismo que possuem o potencial para serem muito interessantes. Afinal, sexo é bom, divertido e a grande maioria das pessoas gosta. Há os clássicos do tema, claro, até tem resenha aqui de um deles, mas nada impede de sabores novos, pessoas novas… de haver diversidade.

Então por que não trazer o erotismo para os domínios do fantástico? Essa é a proposta da antologia Erótica Fantástica 1 (haverá um volume 2 a ser lançado em 2013): contos eróticos em cenários fantásticos (sejam eles de fantasia ou ficção científica). Dezesseis autores, dezesseis estilos, dezesseis universos diferentes para exploração e apreciação. Uma ótima pedida, não?

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A Morte É Legal – Jim Anotsu

Então um dia nós vemos um escritor novo por aí e pensamos: nossa, que livro legal, quero ver o que mais ele é capaz de fazer. Pensa que ele tem referências interessantes e pouco usuais para os colegas de geração e de nicho e, quando tem notícias de um novo romance, fica curiosa em ver o resultado final e o que o cara é capaz de aprontar.

(aqui um parêntesis que ninguém precisa saber: eu vi os primeiros rascunhos do livro, dei pitacos, falei do que gostei e não gostei. Por causa da minha moleza para ler de elementos externos, acabei lendo a versão final assim como todo mundo. Acompanhar o doloroso parto de um livro é bem interessante, discussões sobre esse ou aquele personagem, essa ou aquela trama, se isso funciona direito ou aquilo precisa de reparos… enfim).

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O Alienado – Cirilo S. Lemos

Não sei como começar a falar sobre esse livro. Aliás, creio ser essa a principal prerrogativa dos bons romances (não necessariamente histórias de amor): aquela sensação de desorientação, de não saber por onde começar uma análise.

Talvez desorientação seja uma palavra muito exata para ser utilizada aqui: o enredo segue uma linha de lógica e coerência internas, mas é qualquer coisa, menos seguro para o leitor. Cada página pode ser um passo em falso, cada linha um barranco onde se pode despencar de uma história da outra.

É um texto que transcende o gênero. Ficção científica? Fantasia? Mainstream com um viés simbolista? A moldura da classificação é pequena para enquadrar o conteúdo da trama e em nenhum momento o autor tenta encaixar-se aqui ou acolá. As coisas fluem, os elementos necessários aparecem, mas por que a necessidade de rótulo? Basta embarcar na experiência estranha (no melhor dos sentidos da palavra).

Esta é a história de Cosmo Kant (o nome de filósofo/super-herói parece ser muito menos arbitrário do que pode aparentar), um sujeito comum dono de uma vida comum que está escrevendo um romance (que não é uma história de amor) e frequenta um analista, até o dia em que um sujeito sai do espelho de seu banheiro e as coisas começam a ficar realmente estranhas. Para piorar, Cosmo parece ser alvo de criaturas chamadas Metafilósofos, que não deveriam existir fora de seus escritos. Dizer mais do que isso é estragar a trajetória de leitura.

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A Sombra no Sol – Eric Novello

A resenha deste livro tem de começar por alguns dados objetivos bem interessantes: ele faz parte de um projeto multimídia bem interessante, no qual o e-book foi lançado antes do livro de papel e cuja pré-venda dava direito ao e-book exclusivo Dias Nublados (não, não tenho, chuif! Tenho de editar a resenha depois…). Infelizmente, não tenho e-reader e além de tudo detesto ler no computador (hábito que pelo visto precisarei rever nos próximos anos), então só pude ler a edição de papel lançada algum tempo depois. Mas vale a iniciativa, até porque, como disse, o meio eletrônico cada dia mais deixa de ser promessa e vira realidade, que deve envolver todos os sujeitos do processo de leitura: o autor, o editor, a editora, o leitor. Esses primeiros experimentos mostram o novo caminho a ser seguido – e é bom que se repliquem cada vez mais, até para teimosos tradicionalistas como eu se dobrem às novidades 😦

O autor, Eric Novello, velho conhecido aqui do blog (e sou fã mesmo!), parecia a pessoa ideal para encampar o projeto: além da qualidade de seu texto, é alguém que gosta de testar aquilo que a tecnologia, multimídia e transmídia tem de especial para oferecer à experiência de leitura. Também bem legal a editora Draco levar o projeto adiante, um salto para frente bem legal.

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Boletim Leitura Escrita #4

Nesse boletim temos duas notícias bem legais para os leitores do blog!

A Editora Draco completou dois anos no último dia 28 (parabéns!) e para comemorar está fazendo uma superpromoção: na compra de dois ou mais livros do catálogo (exceto lançamentos), desconto de 50% no valor de capa + frete grátis!

Eles tem vários livros legais (vários até já resenhados aqui anteriormente), então tá aí a oportunidade de ler bons livros por um precinho camarada (e ainda incrementar os presentes de fim de ano, ho ho ho!)

CLICAR AQUI para ir para a página da editora e saber de mais detalhes para aproveitar a promoção! =D Não percam, porque está imperdível mesmo! E atenção, só vai até dia 05/12, então corram lá para aproveitar!

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A outra notícia é uma espécie de “odds and ends” bem particular (e bem legal para as pessoas envolvidas :D)

Deem só uma olhadinha na questão 10 da  prova de vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que aconteceu nesse último final de semana. Reconhecem a capa ali impressa? 🙂 E o site de onde ela foi retirada? :)))

É muito, muito muito muito legal conseguir esse tipo de abrangência, dá aquele orgulhinho gostoso de trabalho que vale a pena. Fiquei muito feliz em ter ajudado a divulgar o livro (e com certeza quem elaborou a prova deu uma lidinha aqui, né, para saber do que se tratava), todos os parabéns do mundo também para o Pedro Vieira, mostrando que a nova geração de autores brasileiros já está virando até mesmo matéria de prova!

(e só pra deixar bem explícito a resposta é a letra D, ok?)

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Até a próxima!

Lançamento: O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio, de José Roberto Vieira

 

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio é o romance de estreia de José Roberto Vieira, uma emocionante aventura épica em um mundo fantástico e sombrio. Passado, presente e futuro se encontram com a cultura pop numa mistura de referências a animações, quadrinhos, RPG e videogames. Considerado o primeiro romance nacional pensado na estética steampunk, o mundo de O Baronato de Shoah une seres mitológicos como medusas e titãs a grandes inventos tecnológicos.

Desde o nascimento os Bnei Shoah são treinados para fazerem parte da Kabalah, a elite do exército do Quinto Império. Sacerdotes, Profetas, Guerreiros, Amaldiçoados, eles não conhecem outros caminhos, apenas a implacável luta pela manutenção da ordem estabelecida.

Depois de dois anos servindo o exército, Sehn Hadjakkis finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita na infância: casar-se com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.

Entretanto, a revelação de um poderoso e surpreendente vilão põe Sehn perante um dilema: cumprir a promessa à amada ou rumar a um trágico confronto, sabendo que isso poderá destruir não só o que jurou amar e proteger, mas aquilo que aprendeu como a verdade até então.

 

Sobre o autor:

José Roberto Vieira

Nasceu em 1982, na capital de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade Mackenzie, atuou como pesquisador pelo SBPC e CNPQ, atualmente é redator e revisor. Teve contos publicados na coletânea Anno Domini – Manuscritos Medievais (2008) e Pacto de Monstros (2009). BLOG www.baronatodeshoah.blogspot.com

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio
Autor: José Roberto Vieira

Gênero: Literatura fantástica – romance

Formato: 14cm x 21cm

Páginas: 264 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 46,90

Eclipse ao Pôr do Sol – Antonio Luiz M. C. Costa

Livros de contos de um só autor podem ter efeito duplo: a amostra de temática e de estilo pode ser enfadonha ou instigante. A publicação de estreia na ficção do articulista Antonio Luiz M. C. Costa cai no segundo grupo – estava planejando ler um conto por dia, mas foi impossível largar o livro antes de ler tudo.

Existe uma certa identidade temática nos contos escolhidos para comporem o livro: o sobrenatural e o mágico em terras tão distantes e tão próximas, no espaço e no tempo. Temos amostras da lírica do amor, de investigações mágicas, de reflexões…

Bom, vamos a uma análise rapidinha dos contos:

O conto de abertura, A Nascente da Serra, é o melhor da coletânea. Não sei qual seria a melhor palavra para descrevê-lo. Lírico? Agridoce? Ambos? A escrita, uma emulação do português clássico, trouxe uma dose maior de poesia para o conto. A identidade do protagonista ficou óbvia para mim logo no comecinho e me colocou um sorriso no rosto. Sua musa tem uma face diferente a cada época da humanidade e cultura: princesa sacrificada, ninfa, santinha… É uma história sobre um amor singelo e puro, mas que não é eterno (algum amor é?) e nem será o único na vida dos protagonistas. O final, com easter egg para quem gosta de literatura clássica, também me provocou um risinho. Caso eu fosse professora do Ensino Médio, levaria o conto para ser lido por meus alunos em alguma atividade complementar. O livro tem outros bons contos, mas já vale a pena ser adquirido só por conter essa preciosidade.

O segundo conto, O Anhangá, é uma ficção alternativa (ou seja, reune personagens preexistentes) sobre a solução de um mistério na Santos do século XIX. Demorei a estabelecer empatia com os personagens e com a trama, o que só aconteceu quando começou o thriller – e foi impossível parar de ler até a solução final. É o duelo entre o ceticismo e o sobrenatural (e a vitória e explicação são bem coerentes com a ciência positivista da época). Não gostei do final, achei que faltou um pouco do sal e pimenta que temperaram todo o conto, mas no balanço geral é uma boa leitura.

Não gostei de Louco Por Um Feitiço, o próximo conto. Sei de onde saíram os personagens e as situações, por ser um spin-off de um projeto anterior do autor. Achei o conto bem construído, bem narrado, tem um background interessante (um dos machos-beta da comunidade que se ressente do macho-alfa, digamos assim), mas achei que partiu do nada e chegou a lugar nenhum. Sei lá. Ficou parecendo mais uma desculpa para uma cena de sexo interespécie e menos uma história a ser contada (e não tenho pudores literários para cenas calientes, até as narradas nos mínimos detalhes – e isso o autor faz sem cair no ridículo, mas achei que faltou… história).

O quarto conto, Papai Noel Volta Para Casa, traz as reflexões do bom-velhinho, que não gosta de seu serviço mas depende dele para tirar uns trocados, pois já não possui as glórias do passado. Uma reflexão sobre o balanço de poder da humanidade através dos tempos, e também sobre como quem algum dia foi rei jamais perde a majestade. A composição deste conto é bem diferente da dos demais, mas é imperdível, com um desfecho que não surpreende mas é bem conduzido.

O Cio da Terra é uma espécie de continuação do primeiro conto, A Nascente da Serra, onde um jovem do século XXI encontra a musa do primeiro conto e se apaixona perdidamente. E, como todo louco de amor, sua razão e bom-senso sucumbem ao reino das emoções e sentidos. O ponto alto do conto é a caracterização da linguagem, que ficou bem interessante – e apesar do atrevimento linguístico, em nenhum momento o conto perde a fluência. Quanto ao final, tenho sentimentos dúbios. Gostei, mas não gostei (apesar de que quem viu o mundo mágico não pode mesmo querer voltar para o mundo real). Fica para o leitor decidir 🙂

Agora vamos ao último conto, o que nomeia a coletânea, Eclipse ao Pôr do Sol. Também foi um conto que demorei a criar empatia, só aconteceu depois da passagem do oráculo – antes disso, me pareceu mais um desafio do tipo “quantas deidades gregas consigo colocar dentro de contexto”. Mas após o oráculo e quando a investigação começou, o texto fluiu que foi uma beleza. O subtexto é algo como a ciência, e não a superstição, é capaz de levar o homem à liberdade e felicidade, e da superação de um pensamento místico com o desenvolvimento da ciência (e meus problemas aqui são mais ideológicos, por não concordar muito com o ponto, do que em estilo e desenvolvimento em si). É um conto rico em referências e fiquei feliz por pegar pelo menos grande parte delas, o que torna a trama e a mensagem mais claros.

Enfim, são sabores diferentes que levam a um denominador comum. Vale a leitura, os contos são bem fluentes e interessantes. E se você conhece o trabalho do Antonio Luiz como crítico, então fica mais interessante ainda acompanhá-lo agora do lado oposto.

Dados técnicos:

Eclipse ao pôr do sol e outros contos fantásticos
Antonio Luiz M. C. Costa
ISBN: 978-85-62942-05-1

Gênero: Literatura fantástica
Páginas: 128
Preço de capa: R$ 27,90

Compre em: (Livraria Cultura)

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Até a próxima!

Convite: Você tem medo de quê? + PROMOÇÃO!

Convite de evento legal para quem estiver no Rio de Janeiro em 27 de outubro…

Então, cariocas, aproveitem para já comemorarem o Dia das Bruxas! (~o.o)~

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E já que já estamos aqui mesmo, para comemorar o evento e o tanto de lançamentos deste ano, vamos de sorteio DUPLO!!!!

Um exemplar de AnaCrônicas, da Ana Cristina Rodrigues, e um de Enquanto Ele Estava Morto, do Estevão Ribeiro, que está lançando o segundo livro!

E os dois vão para o mesmo vencedor!!!

Mas como participar?

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Até a próxima!