trilogia The Chemical Garden – Lauren DeStefano

Aprisionada-capaEntão.

 Das séries de resenhas de livros ruins, recentemente tratei de Divergente e de A Seleção. Hoje a resenha será de uma série que trata de temas muito semelhantes a esses dois, mas com um diferencial: achei muito boa. Aliás, não sei se é uma visão enviesada, ou estou vendo apenas o que quero enxergar, mas é até uma crítica sobre os tropos irrefletidos das distopias românticas young adult.

(até coloquei no google e Wither é de 2011, A Seleção, de 2012 e Divergente, de 2011 também. Ou seja, não tem como ser cópia)

Bom, para começar o primeiro livro saiu em português alguns anos atrás, com o nome de Aprisionada. Mas por ter sido por editora pequena e que já encerrou suas atividades, talvez não seja muito fácil encontrar um exemplar por aí. Consegui um empréstimo – depois de opiniões de que esta série é muito boa – mas talvez seja mais fácil adquirir em inglês mesmo (por falar nisso, comprei os outros dois livros na Amazon para o kindle) (por falar nisso, já tenho base para fazer um dos posts mais pedidos do blog em todos os tempos, aguardem).

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série A Seleção – Kiera Cass

a-selecao-capaSabem os reality shows? Existe uma escala de baixaria neles, com certeza, que vai de um nível leve até uma chutação de balde generalizada capaz de gerar uma vergonha alheia tão grande que se transforma em humor. As maiores baixarias de toda, lógico, vem da reciclagem dos antigos programas de arrumar namorado: vejamos pérolas como Rock of Love, ou arrumar uma nova namorada para um astro como Bret Michaels, conhecido pela necessidade de pessoas novas para esquentarem seus pés nas noites frias.

Enfim, transpondo isso para os livros: imaginem uma mistura de Cinderela, Jogos Vorazes (que já era uma espécie de reality show por si só, mas enfim) e Rock of Love – temos a série de hoje, A Seleção.

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Convergente – Veronica Roth

convergente-capaA melhor coisa a fazer quando você se angustia por não terminar nenhum livro de jeito nenhum é pegar um que você sabe que a leitura flui fácil. É tiro e queda: você lê rapidinho e fim, livro lido! Claro que acho muito complicada a obrigação de ler – se lazer vira obrigação, deixou de ser diversão para ser outra coisa. Então, se não tenho blog patrocinado, se não trabalho no processo editorial como um todo, melhor fazer as coisas no meu ritmo e jeito – afinal, por que procurar stress numa atividade que deveria ter o efeito contrário? (e se escrevo isso aqui é que vejo tanta gente, entre amigos e conhecidos, falando que “precisam” ler livros, que leram pouco durante o ano, etc – e confesso que já fui um pouco assim também – que não custa relembrar isso. Não é uma competição. Não deveria ser, ao menos).

Convergente era um livro que servia bem a esse propósito: leitura rápida, já tinha lido os dois outros volumes (e apesar de não ter gostado do segundo confesso que a autora deixava um bom cliffhanger) e ouvi rumores que a autora tinha tomado uma medida bem ousada no livro. Fiquei curiosa e fui conferir, milagrosamente não muito tempo depois do lançamento.

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Divergente – Veronica Roth

capa-divergenteEsse ano está sendo meio pobre em leituras (e mais ainda em resenhas), então não imaginam a alegria de pegar um livro e matá-lo quase de uma vez só. Na verdade, este livro foi recomendação de uma leitora do blog, lá por 2011 quando nem se falava em sair no Brasil – aí um dia num passeio à livraria achei pra comprar, mas foi pra estante e ficou por isso mesmo. O tempo foi passando, lançou-se a edição nacional, a continuação, o terceiro está por sair um dia desses, foi anunciado o filme e o livro lá pegando poeira – até que, querendo uma leitura mais leve, resolvi dar uma chance.

E, como disse, a leitura rápida é um ótimo indicativo de que as coisas fluíram bem.

A história conta a vida de Beatrice (ou Tris), uma garota criada numa Chicago isolada do mundo (ainda não sabemos por que) e dividida em castas, cada uma delas ligadas à característica que os fundadores daquele grupo acham ser primordial à humanidade – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição. E, como todo sistema de castas, há aqueles que não estão nenhuma delas (os “intocáveis” do mundo ficcional em questão, que só existem e a perspectiva de tornar-se uma deles é uma grande ameaça psicológica à protagonista) e os que estão dentro são criados para assumir todos os estereótipos de sua casta, bons e ruins.

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Battle Royale – Koushun Takami

battle-royale-capaPoucos pesadelos são mais reais do que a violência. Todos estamos, em maior ou menor grau, sujeitos a ela – pode ser que um belo dia não voltemos mais para casa depois de um assalto, ou estejamos no lugar errado na hora errada, ou (especialmente no caso de mulheres) nos envolvamos com a pessoa errada. E, quanto mais gratuita e isenta de sentido, mais terrível a possibilidade se torna.

 O que dizer, então, de jovens, reunidos contra sua vontade, cujo único objetivo é matar uns aos outros para o deleite de um governo ditatorial? Amigo contra amigo, irmão contra irmão, e suas vidas desperdiçadas?

 Essa é a premissa de Battle Royale, lançado no início da década de 2000 e que virou hit imediato no Japão, sendo recontada em filme e mangá (ambos de bastante sucesso no ocidente, quem viveu por essa época na internet e/ou com algum contato com a cultura otaku com certeza viu ou ouviu falar em alguma dessas adaptações).

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A História da Aia – Margaret Atwood

capa-a-historia-da-aia-margaret-atwoodQualquer coisa que eu diga sobre esse livro vai ser pequena perto de seu conteúdo. Aliás, esse é um desses livros que dá medo de resenhar – penso que qualquer palavra que eu vá dizer sobre ele vai soar pequena e ridícula demais. Mas a vontade de contar minhas impressões, de “espalhar a palavra” sobre um livro excelente (e infelizmente fora de catálogo, comprei de um sebo) e que recomendo imensamente a leitura e reflexão.

Poucas coisas me horrorizam mais do que discursos machistas e conservadores como o do deputado Malafaia (para pegar alguém que personifica esse tipo de pensamento) e da utilização de argumentação pseudo-religiosa para a validação desse discurso. Cada vez que vejo nas páginas de jornais matérias como audiências na Câmara sobre a “cura gay” (!!!), debates acalorados sobre o aborto, comentaristas em notícias de crimes de estupro e violência contra a mulher em geral falando que as vítimas mereceram, penso que se damos passos para frente em alguns aspectos, os para trás em outros são óbvios e velozes. Ao mesmo em que se luta por igualdade e respeito independente de gênero, mais se reprime e oprime em moldes morais castradores.

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O Alienado – Cirilo S. Lemos

Não sei como começar a falar sobre esse livro. Aliás, creio ser essa a principal prerrogativa dos bons romances (não necessariamente histórias de amor): aquela sensação de desorientação, de não saber por onde começar uma análise.

Talvez desorientação seja uma palavra muito exata para ser utilizada aqui: o enredo segue uma linha de lógica e coerência internas, mas é qualquer coisa, menos seguro para o leitor. Cada página pode ser um passo em falso, cada linha um barranco onde se pode despencar de uma história da outra.

É um texto que transcende o gênero. Ficção científica? Fantasia? Mainstream com um viés simbolista? A moldura da classificação é pequena para enquadrar o conteúdo da trama e em nenhum momento o autor tenta encaixar-se aqui ou acolá. As coisas fluem, os elementos necessários aparecem, mas por que a necessidade de rótulo? Basta embarcar na experiência estranha (no melhor dos sentidos da palavra).

Esta é a história de Cosmo Kant (o nome de filósofo/super-herói parece ser muito menos arbitrário do que pode aparentar), um sujeito comum dono de uma vida comum que está escrevendo um romance (que não é uma história de amor) e frequenta um analista, até o dia em que um sujeito sai do espelho de seu banheiro e as coisas começam a ficar realmente estranhas. Para piorar, Cosmo parece ser alvo de criaturas chamadas Metafilósofos, que não deveriam existir fora de seus escritos. Dizer mais do que isso é estragar a trajetória de leitura.

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Jogos Vorazes – O filme

A primeira coisa a falar aqui, novamente, é o fato de que o filme é uma adaptação do livro, então se o fã espera que tudo ocorrerá ipsis literis como na história que ele conhece, sairá decepcionado. A segunda é que, apesar de ter gostado bastante do livro e recomendá-lo a quem pergunta, não sou exatamente fã – não participo de fóruns de discussão, não fiquei acompanhando em cima a produção do filme e nem nada disso, apenas sabia que iria assisti-lo fatalmente, o que tira um pouco do auê da coisa.

Dito isso, voltemos à questão da adaptação: quando se faz um filme, deve-se pensar em dois públicos, aqueles que já leram o livro e querem a história que conhecem na tela e aqueles que nunca tiveram nenhum contato anterior com a obra e querem que o filme seja auto-explicativo. Dessa forma, detalhes, personagens e acontecimentos devem ser condensados na duração do filme (no caso, 145 min), e muitos fatos serão refeitos, personagens terão de desaparecer ou farão uma participaçãozinha especial só para constar.

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A Esperança – Suzanne Collins

Como vocês podem relembrar aqui e aqui, o blog está acompanhando a trilogia Jogos Vorazes, e nada mais natural (ainda mais sabendo que a adaptação para o cinema estreia no começo do ano que vem) do que conferir o volume que encerra a franquia (e encerra mesmo, sem chances de continuações) – ainda mais quando o segundo livro, Em Chamas, terminou completamente em aberto.

Vamos lá: o primeiro Jogos Vorazes foi um livro que me pegou desprevenida – apesar de conhecer a história em linhas gerais, de nenhuma maneira poderia esperar o que encontraria ali, e fui pega de surpresa pela trama bem mais densa do que o normal de romances young adult, por uma personagem que podia se lamentar demais mas que também era bem mais forte do que as protagonistas de young adult geralmente o são, de uma tensão seja ela física ou emocional também bem mais intensa do que a média.

Só que esse imediatismo, essa tensão,  acabou sendo diluída pelos livros seguintes e A Esperança, o fecho da série, encontra-se aquém de tudo o que o primeiro livro prometeu. Bom, vou precisar de alguns spoilers (mas não tantos que a leitura fique insuportável) para resenhar, então se você não leu os livros anteriores, esteja avisado.

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Feios – Scott Westerfield

Uma vez estava passeando no shopping com uma amiga e, enquanto tomávamos nossos sorvetinhos sentadas em algum banco, observávamos as pessoas. Primeiro, passaram três adolescentes com o exato mesmo tênis, o mesmo short, a mesma blusa, o mesmo penteado e os mesmos copos da mesma cafeteria. A única coisa diferente entre elas eram as cores dos cabelos e das blusas, todo o resto era igualzinho.  Pouco depois, passaram três senhoras, vestidas com o mesmo estilo de roupa, a mesma escova progressiva, a mesma tonalidade de tintura e botox nos mesmos lugares. Virei para minha amiga e disse: somos todos tão padronizados assim? (sempre me orgulhei de NÃO pertencer a esses padrões).

A primeira e mais óbvia crítica de Feios é essa: a padronização da beleza, essa história e reforço midiático de que só existe um tipo de belo. Lá, ao fazer dezesseis anos, um adolescente deixa de ser Feio e se torna Perfeito – sofre uma série de intervenções cirúrgicas para refletir certo padrão de beleza universal – e se muda para Nova Perfeição, onde só há festas, jogos e diversão.  A protagonista, Tally, uma mocinha prestes a completar os 16 anos, está louca para fazer a cirurgia, deixar os tempos de feiúra para trás e ser uma Perfeita em Nova Perfeição. Só que ela conhece Shay, que não está tão satisfeita assim em fazer a cirurgia, e descobre que o mundo pode ser bem diferente de plásticas e festas…

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