Dois Irmãos – Milton Hatoum

A rivalidade entre irmãos, uma das coisas mais comuns nas famílias na vida real, é um tema literário desde sempre, poderia dizer que desde Caim e Abel. Quando se trata da rivalidade entre gêmeos então, poderia dizer que desde Esaú e Jacó (os bíblicos e o livro machadiano), passando pelos clássicos embates entre a gêmea boa e a má de novelas.

Mas essa não é a história de um “gêmeo bom” e um “gêmeo mau”, até mesmo porque essa dicotomia não existe na vida real, e essa é uma história do cotidiano. Trata-se dos gêmeos Yaqub e Omar, que nunca se deram bem, e que estendem essa rivalidade, com consequências catastróficas, por toda a vida.

Estamos na Manaus do início do século XX, pouco depois do apogeu do ciclo da borracha, responsável por atrair pessoas de todo o mundo para a capital do Amazonas – inclusos os ascendentes dos gêmeos, que vieram do Líbano. É um período de efervescência e riqueza para talvez uma das cidades mais isoladas do Brasil por seus fatores geográficos e um passeio por suas características: prédios, ruas, o desabrochar de uma elite econômica muito rica e a proximidade com a floresta logo ali.

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