O Brigadeiro

brigadeiroPoucas coisas proporcionam tanto prazer e são tão simples quanto um brigadeiro. Seja o doce preferido das festinhas de criança (às vezes acompanhado do granulado de pior qualidade possível que estraga toda a experiência), aquela solução rápida para uma vontade inconveniente de comer doces, a panela amiga em um dia de mau humor – lá está o rei dos doces.

 A receita é bem simples: uma lata de leite condensado, uma colher de manteiga, duas de chocolate em pó. Algumas pessoas tentam complicar o que é simples (como a famosa receita do William Bonner que leva gema de ovo) – mas é só jogar os ingredientes na panela, mexer mexer mexer mexer e voilà. Claro, não desaprovo as variações temáticas e até aprecio novidades, como trocar o chocolate em pó pela barra, ou pelo cacau em pó para diminuir a doçura, ou misturar a cremes e biscoitos. Entrou na moda a onda de brigadeiros gourmet, com com recheios e coberturas sofisticadas demonstrando toda a versatilidade do doce. Mas o menos é mais.

 E para mim esse é o grande mistério do brigadeiro: como não existem dois iguais, sendo a receita tão simples? Como o resultado final de cada um é diferente? Seriam as mãos do cozinheiro, a temperatura do fogo, a panela, a quantidade de mexidas? Já fiz essa experiência em casa: no mesmo exato fogão com a mesma exata receita, dois resultados completamente diferentes.

 Claro, às vezes inventa-se demais e acaba-se errando nos princípios, nos fundamentos. Para não mencionar os brigadeiros desandados da minha infância: minha mãe nunca foi a mais habilidosa das cozinheiras, é verdade, mas fazia balinhas de chocolate puxentas impossíveis de serem consumidas. Bons tempos.

 O que continuo sem entender é: como algo tão simples pode ser tão individual? O brigadeiro da madrinha, da tia, da amiga. Pode-se dizer que duas pessoas são diferentes, logo, duas receitas serão diferentes – mas como outras tantas, às vezes complexas, podem ser iguais então?

 Mas duas coisas são sagradas: JAMAIS use margarina no brigadeiro, a textura muda completamente e não de uma maneira boa, e só use achocolatado se esse for o ultimíssimo recurso.

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Até a próxima!

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O Clube dos Anjos – Luis Fernando Verissimo

No post anterior, eu disse que tinha lido um livro, pouco depois, que era de certa forma uma representação daquilo de ruim que a comida pode trazer para a vida de uma pessoa. Bom, foi este o livro em questão, mas primeiro uma apresentaçãozinha.

Não preciso apresentar Luis Fernando Verissimo, um dos maiores autores brasileiros contemporâneos, em qualidade e prolificidade. Ele é conhecido pela crônica de costumes, além do humor ácido do absurdo da realidade (e por vários textos apócrifos da internet que nem dele são). Eventualmente ele escreve romances, apesar de não ser essa sua especialidade, então já entra a curiosidade de saber como se sai um cronista conduzindo uma história longa.

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Escola dos Sabores – Erica Bauermeister

Ano passado, pelo amor ao desafio, resolvi me juntar ao Desafio Literário, pela oportunidade de ler livros que já queria ler, mas precisava de um “empurrãozinho”, e também para ler coisas novas que não passariam normalmente pela minha estante. A proposta para janeiro era um livro que envolvesse gastronomia e/ou culinária e ficção e como duas escolhas óbvias já tinham sido lidas antes tive de procurar outras alternativas.

Uma das opções que me dei foi então o livro Escola dos Sabores, de Erica Bauermeister, que é a história de uma chef, dona de um restaurante de sucesso, que abre seus salões mensalmente para um curso de culinária – cada turma dura seis meses e reune pessoas em busca de vários objetivos durante o aprendizado: aprender efetivamente a cozinhar melhor, fazer algo para renovar a vida ou simplesmente a simples e mera curiosidade.

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Assando Bolos em Kigali – Gaile Parkin

Um desses lugares comuns bem verdadeiros sobre livros e leituras é sua capacidade de nos transportar para outras terras, viver culturas diferentes da nossa e conhecer maneiras novas de se pensar. É uma oportunidade única, pegando autores e histórias certas, de conhecer muito mais sobre o mundo e seus habitantes do que os atlas geográficos ou enciclopédias.

Já há algum tempo ando interessada em ler histórias de lugares diferentes da minha cultura brasileira, de classe média e moradora do sudeste (depois de quase vinte anos de interior agora ando me aprimorando nas artes de “moradora de cidade grande”), assim como da cultura anglófona quase onipresente nos livros de ficção, no cinema e na TV mais comerciais. Gosto de conhecer o diferente, saber como as coisas acontecem aqui e acolá do mundo e que no fim das contas pessoas são pessoas, onde quer que elas estejam e como quer que elas vivam.

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Julie&Julia – Julie Powell

Olá! O blog andou um tanto quanto silencioso nos últimos tempos, mas minha vida fora daqui também anda agitada. Estou aproveitando a atualização para juntar links, organizar coisas e tirar as teias de aranha do blog. Enfim.

Terminei os livros já publicados da série A Song of Ice and Fire. Como o volume de spoilers vai aumentando gradualmente, e vocês conhecem a política de spoilers do blog, achei que não seria conveniente fazer resenhas dos dois últimos livros. Mas, em compensação, como boa fangirl que sou, já estou prometendo uma resenha que englobe tudo!

A coisa boa de não ter podido atualizar, também, é que estou devendo quatro resenhas além da já citada! Ou seja, tem muito material para vir pra cá. E espero ter novidades dentro de breve!

Mas chega de blablabla e vamos ao livro de hoje. Primeiro, soube deste livro primeiramente por uma notinha de jornal sobre o filme baseado nele, e a temática me interessou: Julia Child é uma chef famosa, responsável pela popularização da culinária francesa nos Estados Unidos na década de 1960, enquanto Julie Powell, nos anos 2000, vivendo um mau momento de sua vida, impõe-se o seguinte desafio: preparar, em um ano, todas as receitas do livro de Julia Child (o filme, estrelado por Meryl Streep e Amy Adams, estreia no Brasil em outubro).

A premissa me pareceu interessante: a culinária servindo como vetor de uma mudança de vida. Além disso, pelo menos por enquanto, estou tentando evitar livros de fantasia para que minha impressão sobre eles não saia viciada (quero ver alguém me causar a sensação de maravilhamento que o sr. George R. R. Martin me causou), e este parecia ser do tipo leve, divertido e não-fantástico que eu procurava.

O livro, baseado em fatos reais, narra a história de Julie Powell, aproximando-se dos trinta anos, com um emprego horrível, precisando se mudar para um apartamento péssimo e sendo cobrada, ainda que internamente, por filhos. O suficiente para qualquer um surtar, não? Então, visitando sua mãe, ela encontra o livro Mastering the Art of French Cooking (Dominando a arte da culinária francesa, numa tradução livre), de autoria de Julia Child, e, com o apoio de seu marido, se propõe o seguinte desafio: preparar todas as mais de 500 receitas do livro em 365 dias – e relatar, em um blog, seus progressos diários.

Claro que este não é um processo simples, afinal a vida e todos os seus problemas consequentes continua lá. A autora relata suas próprias crises pessoais, como a falta de apoio da mãe ao seu projeto, o apartamento mal localizado e caindo aos pedaços, o emprego desestimulante e enfadonho… Tudo isso regado a manteiga e vísceras (só de pensar em fígado de frango…IUCK!!!!!!).

Claro, Julie e o marido tem suas restrições alimentares, mas todas caem por terra pelo domínio da culinária francesa. Quem nunca comera ovos antes, passa a apreciá-los, bem com vísceras e pepinos.

Outra coisa, o quanto o ato de comer, de servir comida, se relaciona à interação social. Nós nos reunimos em volta da mesa, convidamos os amigos para jantar ou almoçar, vamos para bares e restaurantes… Nos domingos e natais, reunimos a família em volta da mesa. Comer e conviver são coisas que se complementam, que caminham juntas. Conversar com as pessoas queridas usando como pretexto comidinhas gostosas é uma das melhores coisas que existem, e até isso parece ser modificado na vida de Julie – sua casa, em um lugar longíquo e de acesso complicado, vira um reduto de amigos atrás de sua comidinha.

E, claro, a importância que blogar adquire em sua vida, afinal os relatos diários faziam parte do desafio. O blog se tornou um sucesso e a relação com os leitores importante tanto para sua concretização quanto para dar novos ares e um novo rumo para a vida. Não sei. Quem sabe os comentários desse blog comecem a bombar também? 😛

Enfim, é uma leitura leve, desbocada e divertida, sobre coisas que uma pessoa pode resolver fazer para dar um up na própria vida.

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Até a próxima!