O Brigadeiro

brigadeiroPoucas coisas proporcionam tanto prazer e são tão simples quanto um brigadeiro. Seja o doce preferido das festinhas de criança (às vezes acompanhado do granulado de pior qualidade possível que estraga toda a experiência), aquela solução rápida para uma vontade inconveniente de comer doces, a panela amiga em um dia de mau humor – lá está o rei dos doces.

 A receita é bem simples: uma lata de leite condensado, uma colher de manteiga, duas de chocolate em pó. Algumas pessoas tentam complicar o que é simples (como a famosa receita do William Bonner que leva gema de ovo) – mas é só jogar os ingredientes na panela, mexer mexer mexer mexer e voilà. Claro, não desaprovo as variações temáticas e até aprecio novidades, como trocar o chocolate em pó pela barra, ou pelo cacau em pó para diminuir a doçura, ou misturar a cremes e biscoitos. Entrou na moda a onda de brigadeiros gourmet, com com recheios e coberturas sofisticadas demonstrando toda a versatilidade do doce. Mas o menos é mais.

 E para mim esse é o grande mistério do brigadeiro: como não existem dois iguais, sendo a receita tão simples? Como o resultado final de cada um é diferente? Seriam as mãos do cozinheiro, a temperatura do fogo, a panela, a quantidade de mexidas? Já fiz essa experiência em casa: no mesmo exato fogão com a mesma exata receita, dois resultados completamente diferentes.

 Claro, às vezes inventa-se demais e acaba-se errando nos princípios, nos fundamentos. Para não mencionar os brigadeiros desandados da minha infância: minha mãe nunca foi a mais habilidosa das cozinheiras, é verdade, mas fazia balinhas de chocolate puxentas impossíveis de serem consumidas. Bons tempos.

 O que continuo sem entender é: como algo tão simples pode ser tão individual? O brigadeiro da madrinha, da tia, da amiga. Pode-se dizer que duas pessoas são diferentes, logo, duas receitas serão diferentes – mas como outras tantas, às vezes complexas, podem ser iguais então?

 Mas duas coisas são sagradas: JAMAIS use margarina no brigadeiro, a textura muda completamente e não de uma maneira boa, e só use achocolatado se esse for o ultimíssimo recurso.

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Até a próxima!

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Madame Bovary sou eu

Há livros que mexem mais com você do que outros. Que dialogam com sua alma numa conversa ao pé do ouvido, que vão muito além da simples experiência de leitura e se tornam uma jornada de auto-descoberta. Que o autor, atemporal, pareceu te captar, te colocar nas palavras e nas sensações.

No caso, Madame Bovary é meu livro.

Quando o li estava na saída da adolescência, numa fase de experimentação da vida adulta e de novas experiências que a compõem. Estava procurando entender um pouco mais de mim mesma e o livro, parecendo atraído por isso, veio parar em minhas mãos. Ali, numa obra da metade do século XIX passada na França, uma garota às vésperas de seu aniversário de dezenove anos, nos primeiros anos do século XXI, num país e numa cidade que nem sonhavam em existir na época da publicação original, pode se enxergar como em seu diário.

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Olimpíadas de Londres 2012 – Uma breve reflexão

Sou viciada em olimpíadas, dessas pessoas que param a vida pela oportunidade de acompanhar as modalidades (já até combinei o tempo de recuperação de uma cirurgia com os Jogos para assistir a tudo com mais calma). Aliás, adoro esportes em geral, acompanho várias modalidades com prazer imenso o ano inteiro. Educação Física foi uma ideia até cogitada a sério como curso por algum tempo, mas logo abandonada porque minha prática não é lá grandes coisas (e na vida há paixões e habilidades um pouco maiores).

Mas poucas coisas na vida tem um apelo maior do que o esporte, como a humanidade desde os tempos antigos já reconheceram. Qualquer um que já tenha praticado algum esporte individual sabe o que é o duelo consigo mesmo e a auto-superação, a alegria de forçar o limite e saber que ele é mais extenso do que se imagina. Da mesma forma o esporte coletivo: fazer o seu máximo e conhecer o máximo do outro, fora o sentir-se parte de algo. Isso para nem falar da diversão, coisa que qualquer peladeiro de final de semana poderá afirmar. O esporte tem um papel muito importante na saúde física e mental do indivíduo (óbvio que a grande maioria das pessoas não será atleta de alto rendimento), quando praticado, e esse desafio ao próprio limite, além de provocar certa projeção de quem torce (o torcedor se projeta no time, a vitória do time é a do torcedor, mesmo que em seu sofá e cerveja).

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