Reino das Névoas – Camila Fernandes

A proposta desse livro é trazer “contos de fadas para adultos”. Não que, em sua origem, contos de fada tenham sido histórias infantis, como a própria autora esclarece no prefácio: eram histórias moralizantes, que davam conselhos e a punição de maus atos, principalmente para adultos ou jovens em formação para a vida. As versões que conhecemos hoje, de certa forma pasteurizadas, surgiram a partir dos trabalhos dos Irmãos Grimm e de Charles Perrault, que recolheram essas histórias e as recontaram de maneira mais leve.

Mas o “para adultos” do título também pode ter uma outra interpretação. Não diz respeito apenas a cenas de sexo e violência mais cruas, mas ao que acho principal no fato de ser adulto: ter de fazer escolhas, nem todas fáceis, nem todas simples, e viver com o peso de suas consequências. Sabem aquela história batida dos grandes poderes e grandes responsabilidades? Mais ou menos isso.

Então, com essas prerrogativas em mente, a autora traz uma coleção de contos de fadas modernizados – e deliciosos, li o livro em uma tarde, não conseguia largá-lo – e adultos. Toda aquela atmosfera mágica de contos de fada está presente e a narrativa é simplesmente deliciosa de se acompanhar. A autora conseguiu pegar o espírito dos contos que lhe servem de inspiração, alguns deles até mesmo recontados aqui, como A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e mesmo A Bela e a Fera (evidentemente não a versão da Disney). Outro ponto forte são as ilustrações para cada conto, também obra da autora (que é ilustradora), afinal um livro de contos de fadas não poderia passar sem ilustrações, poderia?

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Os Magos – Lev Grossman

Meses atrás, em um desses momentos de indecisão sobre a próxima leitura e conversando sobre indicações de livros, meu correspondente gaúcho me indicou um dos seus livros preferidos, que havia lhe impactado bastante quando lido: Os Magos, de Lev Grossman.

A recomendação e a temática do livro (uma fantasia passada no mundo real, nos tempos atuais, com uma pegada mais adulta, além de estar um pouco distante da “modinha” fantástica) me convenceram a dar uma chance ao livro –  e ele acabou trazendo um conteúdo um pouco diferente daquele que eu imaginava encontrar.

Essa é a história de Quentin, um adolescente normal, com tendências nerds, solitário e dotado de inteligência acima da média que, um belo dia, graças a uma série de eventos estranhos, é convidado a frequentar a Universidade Mágica de Brakebills. Claro, até aquele presente momento, ele não sabia da existência de mágica no mundo, apesar de seu apego aos livros infantis passados no lindo, mágico e idílico mundo de Fillory que ele sempre quis visitar. (e aqui entra uma referência explícita e óbvia a Nárnia, mas também, e por que não, à Terra do Nunca, referência que fica mais clara com o subtexto em mente, mas já chegamos lá).

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