Clarissa – Érico Verissimo

A adolescência é uma fase peculiar da vida e essa transição entre a infância e idade adulta ganha contornos diferentes de acordo com cada época. Aliás, a transição entre o infantil e a maturidade pode ser vista não apenas em termos biológicos, mas também em outros lugares: o urbanismo (no começo das grandes cidades as coisas eram muito mais românticas e simples do que no caos megalopolitano de hoje, o encanto de ir ver um filme no cinema ou fazer o footing no fim da tarde existiam, assim como uma proximidade entre vizinhos que parece impensável nos dias de hoje) ou mesmo o caminho entre os primeiros trabalhos de um autor e aquelas que seriam suas obras-primas.

Clarissa é o livro de estreia de Érico Verissimo e ambos, criador e criatura, possuem muito em comum: ela é uma mocinha sensível, ingênua e sonhadora que saiu da estância da família, no interior, e foi fazer o curso normal em Porto Alegre, na década de 1930 (a cidade não é citada em nenhum ponto do texto, mas por vários elementos textuais, como expressões regionais e referências ao seu lugar natal é fácil inferir). Lá, ela mora na pensão da tia e vemos o dia-a-dia tanto da menina que descobre aos poucos, e não sem surpresas e choques, o mundo adulto, quanto dos demais moradores da pensão e seus vizinhos, de idades e ocupações variadas na vida.

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