Morto Até O Anoitecer – Charlaine Harris

Desde que ouvi falar na série True Blood, lá pelo comecinho de 2009 quando a febre já tinha estourado – e quando eu saí do meu exílio intelectual do meu ano de formatura – fiquei interessadíssima na premissa, uma história de vampiros com doses de terror, romance e modernidade. Vi um episódio solto quando ainda tinha HBO em casa (não tenho mais, buaaaa), adorei o climão e assim que saiu o box da primeira temporada, comprei e assisti de uma vez só. Fazia tempo que não me sentia tão envolvida com a trama e os personagens de uma série, além de que HBO é HBO, né? Elenco bem escalado, produção caprichada, música boa…

E a série de TV é baseada numa série de livros, As Crônicas dos Vampiros Sulistas, da autora Charlaine Harris. A protagonista da série é Sookie Stackhouse, uma moça de 25 anos simpática, sorridente e com a pequena peculiaridade de ler a mente das pessoas, e as histórias são contadas por ela, em primeira pessoa.

Desde ano passado estava querendo comprar o primeiro volume da série, Morto Até o Anoitecer, em português, mas a primeira edição lançada pela Ediouro (com a capa original fofinha!) tinha esgotado e até em sebos estava difícil de encontrar. Só que a Ediouro lançou uma segunda edição – que também já deve estar esgotando rapidinho, porque é meio complicada de encontrar – e no meu mais recente passeio ao meu parque de diversões predileto comprei o último exemplar da loja.

Não é a primeira vez que trato de livros de vampiros e de romance sobrenatural de vampiros aqui no blog, como vocês podem relembrar aqui e aqui. Só que esse é um pouquinho diferente dos outros… Tem romance? Tem. Mas é um ponto de convergência fortíssimo entre dois subgêneros do fantástico: o romance sobrenatural e a fantasia urbana. Não entrarei em detalhes sobre ambos agora, mas basta dizer que esse é um livro para quem gosta de romances e também para quem gosta de histórias de vampiros.

Sookie é uma garçonete que mora em Bon Temps, cidadezinha do interior da Louisianna – que é o lugar mais mágico de todos os EUA – onde nada de muito interessante acontece, até o belo dia em que um vampiro aparece. Os vampiros vieram a público há dois anos, quando os japoneses desenvolveram sangue sintético engarrafado e permitiram que essa minoria revelasse para o mundo sua existência e requeresse seus direitos.

Claro, nós descobrimos que Bill Compton é um vampiro na SEGUNDA página do livro, então nada de centenas de páginas de Sookie especulando qual criatura misteriosa é aquele bonitão inesperado que apareceu na sua vida. E dá-lhe ironias e referências aos romances de vampiro e romance sobrenatural em geral, e autoras como Anne Rice em particular.

E não só a ironia: os vampiros são uma minoria social que deseja aceitação e representatividade – e quantas não são as minorias reais que desejam o mesmo? Esse ponto é mais forte na minissérie do que no primeiro livro, que só tangencia a questão da aceitação e do preconceito de levinho, mas cabe dizer que a base do desfecho é justamente essa.

Ah, dois pontos de ter visto a minissérie antes: a minha concepção dos personagens é a feição dos atores da série – a Sookie é a Anna Paquin e o Bill o Stephen Moyer – e eu já sabia mais ou menos o que aconteceria. Claro, na minissérie há detalhes a mais e a menos, algumas coisas são modificadas e outras, que só acontecem mais pra frente na série de livros, já aparecem na primeira temporada. Mas são experiências diferentes e complementares, não excludentes.

O mundo de Bon Temps é revelado aos pouquinhos e não são apenas os vampiros que o habitam, mas também outras criaturas mágicas. E os vampiros, bom que se diga, não são góticos bebedores de sangue ou criaturas pasteurizadas e boazinhas: são monstros. Claro, alguns são éticos e tentam se misturar e viver bem com os humanos, como Bill, outros são cínicos e não fazem questão de conviver com humanos fora da hora das refeições mas também não querem cometer crimes à toa,  como Eric, ou máquinas de caos e morte, como Diane e Malcolm. Quanto à caracterização deles, a autora está mais próxima de Bram Stocker e dos livros de terror e ação do que do romance sobrenatural.

Quanto ao romance… Sookie e Bill se apaixonam – ela porque não consegue ler a mente dele, e isso a deixa em paz, ele porque a acha uma criaturinha interessante -, namoram, fazem sexo, bastante sexo, trocam declarações de amor, tudo aquilo que convém a um casal de namorados, mas nada de melodramas como “esperei por você por toda a eternidade”, “você é meu amor verdadeiro”, “você é minha alma gêmea”, “nunca senti por ninguém o que sinto por você” e bombas de glicose do gênero. É um casal normal de pessoas que se atraem mutuamente e gostam da companhia uma da outra – um relacionamento mais adulto. Para mim, é um modelo de romance muito mais agradável e que faz muito mais sentido do que o clássico do romance sobrenatural.

Enfim, é um livro de leitura rápida, gostosa e divertida. Com certeza não me lembrarei dele pro resto da vida, mas recomendo enfaticamente! Um excelente conto de terror, mas situado na atualidade e em seus problemas e com uma boa e generosa pitada de erotismo!

p.s.1: Fiz uma experiência no skoob e fiz histórico de leitura desse livro. Confira o resultado aqui!

p.s.2: Os dois livros seguintes da série, Vampiros em Dallas e Clube dos Vampiros, já estão disponíveis em português!

p.s.3: Sookie lê os pensamentos de todos, menos os de Bill, a pele dos vampiros é mais brilhante do que a das demais pessoas… e Morto Até O Anoitecer foi lançado em 2000. Então decidam vocês quem inspirou quem, ou se é só uma coincidência…

p.s.4: Desde o seriado, sempre visualizei a Sookie como Olive, a protagonista do jogo Princess Maker II, dizendo “Hello, Mr. Vampire! ^^”

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Até a próxima!

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