20 centavos sobre os 20 centavos

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Era para eu estar escrevendo aqui sobre livros e seriados mas, sinceramente, com tudo o que está acontecendo no Brasil desde quinta-feira minha cabeça não está funcionando para essas coisas (não que a análise de GoT não vá sair, nem resenhas, mas enfim). É tanta coisa na minha cabeça que gostaria de pôr na mesa e clarear um pouco das minhas próprias opiniões sobre tudo o que está acontecendo, sobre a polvorosa, sobre os manifestos, sobre a revolta generalizada. Claro que não pretendo esgotar o tema, pq o que uma aninha do interior sabe do mundo, mas só um pouco do muito que anda sendo ventilado por todos os lados.

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Clarissa – Érico Verissimo

A adolescência é uma fase peculiar da vida e essa transição entre a infância e idade adulta ganha contornos diferentes de acordo com cada época. Aliás, a transição entre o infantil e a maturidade pode ser vista não apenas em termos biológicos, mas também em outros lugares: o urbanismo (no começo das grandes cidades as coisas eram muito mais românticas e simples do que no caos megalopolitano de hoje, o encanto de ir ver um filme no cinema ou fazer o footing no fim da tarde existiam, assim como uma proximidade entre vizinhos que parece impensável nos dias de hoje) ou mesmo o caminho entre os primeiros trabalhos de um autor e aquelas que seriam suas obras-primas.

Clarissa é o livro de estreia de Érico Verissimo e ambos, criador e criatura, possuem muito em comum: ela é uma mocinha sensível, ingênua e sonhadora que saiu da estância da família, no interior, e foi fazer o curso normal em Porto Alegre, na década de 1930 (a cidade não é citada em nenhum ponto do texto, mas por vários elementos textuais, como expressões regionais e referências ao seu lugar natal é fácil inferir). Lá, ela mora na pensão da tia e vemos o dia-a-dia tanto da menina que descobre aos poucos, e não sem surpresas e choques, o mundo adulto, quanto dos demais moradores da pensão e seus vizinhos, de idades e ocupações variadas na vida.

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Cira e o Velho – Walter Tierno

Os próximos três posts – são duas resenhas certas e um artigo programado – vão fazer mais uma trilogia aqui no blog, pois tangenciam mais ou menos o mesmo tema. Mas vamos lá ao primeiro deles.

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Quando eu tinha meus oito ou nove anos comecei a fazer a transição dos livros infantis para os com uma pegada mais infanto-juvenil (os voltados para uma faixa etária de uns 10-14 anos) e, entre eles, obviamente, os clássicos da Coleção Vagalume. E o que falar da Coleção Vagalume? Histórias, algumas de autores que acabaram se consagrando, para todos os gostos: mistério, aventura, policial, horror… A grande maioria dos cenários era o “hoje” e o “agora” (apesar de que o “hoje” e “agora” de algumas histórias acabasse sendo a década de 30 ou de 40, quando elas foram escritas, mas isso de forma alguma tornava a leitura menos instigante ou dificultava a imersão), tendo por protagonistas jovens (também dos 10 até uns 20 anos) metidos em altas aventuras e confusões.

Só comecei a ser torturada com estudar literatura clássica lá pela oitava série do ensino fundamental, antes disso os trabalhos escolares eram feitos com base em livros infanto-juvenis –  muitas vezes com os clássicos Vagalumes. Mais do que isso: eles me fazem lembrar com saudades de meu refúgio sagrado da escola, a biblioteca, de onde era frequentadora quase diária.

A leitura de Cira e o Velho me fez lembrar esses tempos de Coleção Vagalume no que diz respeito ao tom aventuresco e despretensioso da trama, além da forma como ela me fisgou. Na verdade, imagino que o livro seria excelente leitura para alunos do segundo ciclo do Ensino Fundamental (na minha época era de quinta a oitava série), os deixaria animados e instigados com o que vem pela frente. E, claro, me empolgou e instigou como adulta saudosista, mas me imaginei lendo esse livro aos 13 ou 14 anos.

O livro começa com o narrador, nos dias de hoje, pesquisando sobre Cira, filha de bruxa e criatura mística que viveu anos atrás quando o Brasil ainda começava a ser explorado e colonizado, por quem desde criança ele foi fascinado. Mesclada com sua busca está a história de Cira – e muitas outras histórias e mitos que acabam tangenciando sua trajetória.

Cira é filha do famoso Cobra Norato e precisa ser morta por causa de uma maldição lançada por sua tia Maria Caninana. O homem escolhido para executá-la é o Paulista, aventureiro truculento que atravessa o sertão em busca de dinheiro – e a perseguição de gato e rato entre os dois é a tônica da trama.

Cira, apesar do encantamento que o narrador sente por ela, não é uma heroína boazinha e determinada. Ela tem seus próprios assuntos a resolver, comete erros, para para descansar e dar voltas. É um espírito livre em missão.

E aqui entra um parêntesis: quando se fala em “fantasia nacional”, uma discussão chata e recorrente versa sobre a utilização dos elementos do folclore nacional em detrimento de importações estrangeiras como anões, elfos, vampiros, pixies, banshees ou o que seja. Para algumas pessoas, uma legítima “fantasia brasileira” seria povoada de sacis, mulas sem cabeça e boitatás como um ode à brasilidade e…

Na minha opinião? BOBAGEM. O autor escreve sobre aquilo que se sente confortável em pesquisar, escrever e criar, independente da parte do mundo onde ele esteja. E esse pessoal costuma esquecer que mesmo no Brasil existem vááárias regiões, mitologias e crenças diferentes entre si. Eu, da região do ouro de Minas Gerais, ao invés de falar dos mitos católicos coloniais ou dos lobisomens, mulas-sem-cabeça e assombrações (quando criança e menina de roça cansei de ouvir histórias dessas criaturas, mesmo nos dias de hoje), posso resolver falar de Ana Jansen lá de São Luiz – que está tão próxima de minha realidade quanto, sei lá, uma banshee. E pra ser muito sincera, um vampiro, um alienígena ou um zumbi está mais próximo do imaginário de uma moça urbana moradora da capital do que um boitatá, um curupira ou um saci. E aí, como esse raciocínio fica? Perde a validade?

Mas acho que o folclore é brasileiro demais para ser rejeitado e rechaçado pelos autores. Walter Tierno aqui descreve um mundo povoado por cobras mágicas, mboitatás, curupiras, animais falantes, assombrações e bruxas (com participação especial do Negrinho do Pastoreio), mas rico, colorido e que não parece uma aula de literatura/cultura nacional chata e arrastada. A trama passa por esses antigos conhecidos, mas sem ser panfletária ou querer fazer referência a uma pretensa “brasilidade”. É um material rico para se contar histórias – e o autor está fazendo isso, e bem.

(Outro autor que tem um trabalho maravilhoso sobre o Brasil colonial e nossos mitos é o Christopher Kastensmidt e seu maravilhoso The Elephant and Macaw Banner – e, nota, ele é um americano radicado no Brasil. Acho esse projeto tão lindo que ainda vou retomá-lo aqui com mais calma :))

Quanto ao desenvolvimento do romance, a história é contada de maneira ágil e dá para se passear pelas páginas do romance com fluidez e interesse. E já mencionei que o livro é ilustrado? Adoro livros ilustrados 🙂 E junto do meu exemplar ainda vieram cartinhas coloridas dos personagens, adorei. O autor mantém o interesse do leitor do começo ao fim, apesar de que acho que ele derrapa no final. Ele poderia ter usado mais um ou dois capítulos para fechar a história de maneira menos abrupta.

Outra coisa: alguns autores se ofendem quando lhes é dito que sua obra é infanto-juvenil. Não sei se tenha sido intenção do autor mirar esse público, mas acho que ele o acertaria com precisão. Pessoalmente, os dois gêneros que acho mais difíceis de escrever são o infanto-juvenil e o infantil. Como manter o interesse de um público jovem em sua trama e ao mesmo tempo não subestimar sua inteligência?

Minha única ressalva, pensando menos nesse público e mais nos censores das Secretarias de Educação, é dar uma maneirada nas cenas de sugestão sexual. Não tem nada explícito (tirando uma passagem que pedobear aprovaria, mas que está contextualizada e é até mesmo poética), mas sabemos como as coisas funcionam no país, né…

Enfim, valeu a leitura, achei interessante e me lembrou meus antigos dias na biblioteca, fascinada e deliciada pela Coleção Vagalume…

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Dados técnicos: “Cira e o Velho”
Autor: Walter Tierno
232 páginas
Ilustrado (ilustrações do autor)
Preço sugerido: R$ 29,90
Giz Editorial

Página oficial

Blog do autor / twitter

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Até a próxima!

E que trabalhão vai me dar colocar os dados técnicos de todos os livros anteriores!

Copa do Mundo

Para os marcianos e saturnianos que visitam meu blog, hoje, dia 11 de junho de 2009, é o primeiro dia da Copa do Mundo de 2010, que acontece na África do Sul.

Gosto do clima de Copa, da festa, do foguetório, das cornetas, das buzinas. As pessoas estão mais festivas, os adultos tem a chance de serem crianças, as pessoas tem a chance de conhecer melhores amigos instantâneos e compartilharem juntos momentos de alegria.

Hoje quando voltava para casa, vi um senhor idoso passeando pela praça soprando uma cornetinha verde-amarela, satisfeito, assim como vejo bandeirinhas do Brasil tremulando pela cidade, paulatinamente. Há quem critique, acha que há coisas mais importantes para se preocupar, ou que patriotismo não deveria ser coisa de ocasião. Discordo em termos, pois todos nós precisamos de diversão, de nos sentirmos encantados, de relaxarmos por alguns segundos e acreditar que nossa realidade pode ser diferente. E também acho bonito as intenções das pessoas convergidas para um único fim.

Só que vamos ser críticos como somos com o Dunga, Robinho, Kaká e colegas em todos os aspectos da nossa vida? Vamos cobrar compromisso e coerência de nossos governantes, exigir mudanças, fazer nossa realidade fora da copa mudar? Vamos levantar a ficha e a atuação de nossos candidatos aos cargos públicos com o mesmo afinco que destrinchamos a atuação dos jogadores em seus clubes? E quando alcançarmos vitórias em nosso desenvolvimento vamos comemorar com grandes festas verde-amarelas?

Desculpem por sair um pouco do tom do blog 🙂

E vai ser um mês com alguns postzinhos temáticos especiais… 🙂

Alma e Sangue – O Despertar do Vampiro – Nazarethe Fonseca

Uma das febres temáticas mais recorrentes no que diz respeito à literatura – e aos filmes, jogos, quadrinhos e cultura pop em geral – é o mito dos vampiros. É também uma febre cíclica: iniciou-se, agora, com a explosão chamada Crepúsculo, mas já houve outros ciclos de vampiros antes – e haverá outros depois. E, claro, nós, os autores brasileiros não poderiam ficar de fora dessa.

Como já disse antes em outras oportunidades, o mito do vampiro é sedutor por várias razões: primeiramente, pela universalidade, estando presente na grande maioria das culturas de uma forma ou de outra; segundo, pelos conflitos que acaba por levantar – o morto que não está morto, o monstro que tenta ou não recuperar sua humanidade e por aí afora; terceiro, a sensualidade inerente à sedução e à luxúria (luxúria não apenas em seu sentido sexual, mas no sentido amplo de “busca pela satisfação de um desejo/prazer”), afinal vampiros são criaturas movidas pelo desejo de sangue.

Tudo isso para demonstrar a versatilidade do vampiro, que pode ter tanto seu aspecto de besta ressaltado quanto o de criatura com ainda traços e desejos humanos, ainda que dotado de características inumanas.

Cá entre os patrícios, naquilo que se trata de vampiros como personagens e protagonistas de aventuras com muita ação, pancadaria, poderes mágicos e lutas, nada melhor do que citar André Vianco. É um autor com várias séries vampirescas, todas elas com os elementos acima citados, que possui uma legião de fãs ávidos.

Mas, como disse, o mito do vampiro tem muitas faces… E para o leitor, ou leitora, que deseja ver um universo em que os seres da noite lidem com as questões mais existenciais, como o dilema entre o homem e o monstro, e que esteja mais focadas em seus sentimentos? E para o leitor/a que deseja ver aqui o romance sobrenatural vampiro?

Dentre as várias autoras brasileiras que enveredam por essa trilha, destaco hoje Nazarethe Fonseca e seu Alma e Sangue – O Despertar do Vampiro, que recentemente ganhou nova edição pela editora Aleph. É para quem quer ver romance entre humana e vampiro, com todos os elementos que podem temperar essa relação.

Acompanhamos então, em primeira pessoa, a saga de Kara Ramos, uma jovem restauradora residente em São Luís do Maranhão, que já passou por muita coisa na vida apesar da pouca idade. Um belo dia ela é fisgada por uma oportunidade de ouro: fazer o projeto de restauração de um antigo casarão abandonado, que era a obsessão de seu falecido pai. O que ela não sabe é que no interior da casa jaz um vampiro, Jan Kman.

Esqueça Crepúsculo e os vampiros pasteurizados. Aqui, a besta dorme no coração dessas criaturas, que não tem pudores em matar para se alimentar, ou demonstrarsua força e selvageria sobrehumanas. A humanidade, após a mordida fatal, se foi, restando apenas as portas abertas da noite eterna – bem como seus mistérios e habitantes.

Kara e Kman, os protagonistas, jogam um jogo de gato e rato. A protagonista se divide entre o desejo e a repulsa, a paixão e a rejeição, o amor e o ódio. Quase ao ponto da bipolaridade, às vezes. E isso vai se tornando um pouco irritante com o tempo.

E, claro, como não poderia ser diferente, conviver com vampiros atrai companhias desagradáveis e riscos de vida para nossa protagonista – e também expõe relacionamentos humanos viciados. Há contas do passado a serem acertadas, e Kara acaba por ser o pivô de uma batalha começada há séculos.

A narrativa flui bem – e o romance de Kara e Kman é BASTANTE mais carnal do que o de Bella e Edward, para ficarmos no exemplo fácil. Só há alguns problemas em algumas cenas, em que o cenário desaparece e muda, causando aquela sensação de “mas onde ela estava mesmo? Por que essa cena foi cortada?”.

E o cenário é um dos pontos fortes da trama. A história se passa em São Luís – MA, terra natal da autora, e percorre suas ruas, prédios e cultura. Para alguém que mora no sudeste, como eu, é um cenário exótico – somos todos o mesmo Brasil, mas as características regionais diferem, e essa diferença é algo bonito e interessante de ser visto. E, inclusive, outro ponto fortíssimo, usar das nossas características como elementos da história, e não meramente como cenografia.

Um ponto da história que foi apenas tangenciado e que poderia ser melhor explorado é que não necessariamente o monstro é o vampiro. Pode ser também o humano sem nenhum freio moral em busca de seus objetivos.

Como ponto fraco, como já disse, alguns pontos em que a prosa se torna confusa e as cenas parecem cortadas e coladas sem muita coerência, mas é algo suportável. Outro ponto, quando Jan fala de seu passado: eu sou até bastante enjoada com alguns detalhes – e, no caso, os nomes dos personagens quebram o sense of wonder. Um detalhe bobo, mas que se estivesse presente, a história ficaria mais redonda.

Enfim, é uma história para quem quer ver romance sobrenatural, vampiros, beijo na boca e química, tudo isso com um tempero nacional bem interessante.

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P.S.: Alma e Sangue – O Império dos Vampiros, a continuação do Despertar, foi lançado agora, dia 12/11! Confiram!

O Senhor da Chuva – André Vianco

Este é um blog eclético, afinal a dona do blog é eclética (bom, dentro de certos parâmetros, não espere ver Augusto Cury aqui). Do mainstream ao underground, do clássico ao lançamento de ontem, a intenção do blog é trazer dicas de leitura que agradem a todos os paladares.

Então, aproveitando a temática natalina, vamos tratar de anjos.

Primeiro, algumas palavras sobre o autor. André Vianco é o cara que deu certo, na minha opinião. Esforçou-se, correu atrás, financiou seu primeiro livro e, hoje, é um escritor brasileiro profissional, com direito a livros nas listas de mais vendidos.
Sua história pessoal é uma história de alguém determinado, que lutou até atingir o seu objetivo, e que continua lutando. Além disso, é um participante bastante atencioso da comunidade orkutiana “Escritores de Fantasia”, onde é membro ativo e atuante. Para mim, o André é um exemplo a ser seguido. Algum dia meus futuros livros estarão aos lados dos dele.

Mas agora, vamos a este livro específico. O Senhor da Chuva trata da antiga, clássica e eterna batalha entre anjos e demônios, que começou no dia da Queda e durará para sempre. Este round específico envolve seu protagonista, um anjo que, ao desviar de suas funções habituais e ajudar a um traficante que tinha o potencial para ser salvo, acaba desequilibrando a ordem das coisas e provocando uma sangrenta batalha.

O começo é eletrizante. O leitor é envolvido logo de início pelos personagens e pela trama e logo faz parte das ações dos protagonistas, o anjo e o humano, que tem suas vidas reviradas ao avesso em uma sucessão de acontecimentos.

Como não poderia deixar de ser diferente nos livros do autor, o terror está presente, então dá-lhe sustos, sangue, gosma e criaturas bizarras. E, claro, a participação especial de alguns vampiros que acabam envolvidos nos acontecimentos.

O livro gira em torno da batalha iminente entre anjos e demônios. E, pela simbologia dessa batalha, pelo significado dos anjos significarem tudo aquilo que é bom, bonito e puro e os demônios a corrupção e a degradação, é natural que os primeiros acabem vencedores, ainda mais se o autor deseja passar uma mensagem de esperança. Nesse ponto, acho que está a falha gritante do livro.

O começo é realmente empolgante, o leitor sente vontade de seguir em frente, mas a empolgação vai indo embora com o decorrer da trama. A batalha final e o desfecho como um todo se arrastam devagar, é difícil ler as últimas páginas para se chegar ao final. O livro perde o fôlego e fica apenas aquela sensação do “já que cheguei até aqui quero ver o que acontece”.

Também em relação ao desfecho, a saída encontrada pelo autor soa forçada. Quanto mais um dos lados se fortalecia, mais eu como leitora pensava: “pois é, e agora como você vai sair dessa?”. E a solução soa forçada, não é natural. Não diria que é um deus ex machina, não chega a esse ponto, mas pareceu muito que o autor seguiu uma linha de raciocínio do tipo “essa é a melhor solução que eu posso encontrar nessa sinuca de bico que me meti”.

Outro ponto que achei estranho, apesar de não ser da construção da trama em si, é o fato da cidadezinha em que a trama se desenvolve ser de maioria protestante e batista. No Brasil, sem ser uma colônia? Isso me pareceu estranho, ainda mais sabendo que no interiorzão, há quase uma unanimidade católica e as comunidades protestantes, em sua maioria, são neopentecostais. Talvez se fosse uma colônia ou houvesse alguma explicação para isso soasse mais natural.

Como avaliação final do livro, diria que vale a pena ler se o leitor pretende refrescar a cabeça ou se pretende conhecer o trabalho de autores novos. Ou mesmo se é um dia chuvoso, pelo jogo de palavras que isso proporciona.