Confissões On-Line – Iris Figueiredo

Confissões-On-Line-Frente-684x1024Outro dia vi uma frase interessante: não confie em quem teve um Ensino Médio maravilhoso. Digo mais – da mesma forma que todas as famílias felizes são iguais e infelizes se diferenciam pela infelicidade, ensinos médios felizes são todos iguais e os problemáticos se diferenciam pela natureza dos problemas sofridos.

Conheço a autora do blog dela, de segui-la no twitter e achá-la uma pessoa superfofa. Quando soube que ela lançaria um segundo romance, fiquei curiosa para ver mais sobre sua escrita – conhecia um pouco da ficção dela pelo conto da coletânea Meu Amor É Um Anjo.

Pela capa, título e sinopse esperava uma coisa levinha, engraçadinha, bem inha mesmo, meio consciente de que não sou público-alvo e que talvez isso influenciasse meu julgamento. Mas então me veio a surpresa: de “inho”, esse livro não tem nada. Mais: toda minha condescendência caiu por terra e fui atingida em cheio pela trama e personagens.

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Territórios Invisíveis – Nikelen Witter

territorios-capaAlguns livros são gratas surpresas e nos oferecem muito mais do que aparentam numa primeira vista, mesmo quando já prometiam muito…

Quando criança/pré-adolescente, quando não se falava no termo young adult, eu amava livros de aventuras (principalmente se envolvessem mistérios), de protagonistas mais ou menos de minha idade com uma vida semelhante à minha. Foi a época dos Karas, de Pedro Bandeira, e de quase toda a Coleção Vaga-Lume. Era o tipo de história que mais me empolgava (e que foi evoluindo com o tempo, a descoberta de coisas novas, etc), que me imaginava ali num grupo de jovens aventureiros/investigadores contra perigos inimagináveis.

E não é que o Territórios Invisíveis trouxe de volta toda essa sensação boa de livro da infância?

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II Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira

hydra_2ediçãoAnunciada a segunda edição do Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira

01 de julho de 2013

 

A revista norte-americana Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show (IGMS) e os websites brasileiros A Bandeira do Elefante e da Arara e Universo Insônia se uniram mais uma vez para levar o melhor da ficção especulativa brasileira para os leitores de língua inglesa do mundo inteiro, através da segunda edição do Concurso Hydra de Literatura Fantástica Brasileira.

Um painel de juízes brasileiros selecionará três finalistas entre os contos de literatura fantástica publicados no Brasil em 2011 e 2012. Orson Scott Card, um dos autores mais vendidos do mundo da ficção especulativa e Edmund R. Schubert, editor da IGMS, vão escolher o vencedor entre os finalistas. Os três finalistas terão seus contos traduzidos para o inglês e o vencedor receberá publicação remunerada na revista Intergalactic Medicine Show.

O autor Orson Scott Card é novamente destaque no Brasil, pois a Devir acaba de lançar no país o quarto volume da premiada saga de Ender, Os Filhos da Mente. O primeiro livro da série, O Jogo do Exterminador (Ender’s Game) está sendo adaptado para o cinema e o filme será lançado este ano com participação de Harrison Ford e Ben Kingsley. Card comenta: “Desde a época em que vivi no Brasil no começo dos anos 70, a nação e o povo brasileiro têm sido importantes para mim. Continuo seguindo o panorama de ficção científica brasileira, e tenho orgulho que a IGMS facilitará a apresentação de alguns destes escritores aos leitores americanos. Até agora, leitores americanos têm pouca ideia da quantidade de bons trabalhos que estão sendo feitos no nosso gênero no Brasil.”

Esta segunda edição será organizada pelo publicitário e agitador cultural Tiago Castro, coorganizador do Fantasticon, maior evento do gênero no país e editor do site Universo Insônia. Tiago escreve: “Foi um grande prazer participar da primeira edição do concurso, uma iniciativa tão interessante para ficção especulativa brasileira. O trabalho foi intenso, principalmente pela qualidade dos contos recebidos, mas no final o resultado foi bastante recompensador. Estou feliz e ansioso com a oportunidade de organizar esta segunda edição.”

A primeira edição do concurso foi realizada em 2011. Os dois primeiros colocados, Brontops Baruq e Flávio Medeiros, tiveram seus contos publicados em inglês na revista IGMS, recebendo remuneração pela publicação e destaque na imprensa internacional. Brontops Baruq, vencedor da primeira edição, relata: “O Concurso Hydra foi uma injeção de autoconfiança e me inspirou a continuar escrevendo. Fico feliz de saber deste novo concurso e espero que ele continue abrindo portas e caminhos, além de levar mais da literatura fantástica brasileira a novos hemisférios”.

Os três contos finalistas serão traduzidos para o inglês por Christopher Kastensmidt, autor finalista do Prêmio Nebula, professor da UniRitter e fundador do Concurso Hydra. Christopher acrescenta: “Foi uma honra trabalhar com Orson Scott Card e IGMS durante o primeiro Concurso Hydra, e estou muito feliz que eles estão apoiando esta iniciativa mais uma vez. É muito difícil o autor brasileiro ser publicado no exterior, e as publicações resultantes da primeira edição tiveram um enorme impacto sobre as carreiras dos finalistas. Também, a parceira deu uma visibilidade internacional inédita à comunidade de ficção especulativa brasileira.”

Edmund R. Schubert, editor da IGMs diz: “Eu acho que explorar pontos de vista e atitudes interculturais não é apenas saudável, mas absolutamente necessário, em um mundo cada vez mais interligado, onde a ficção científica e a fantasia são a voz de quem é “estranho”, “alienígena”, literalmente e metaforicamente. É a voz que explora diferenças que nos tornam iguais. Na edição inaugural do concurso Hydra, ao invés de publicar apenas o vencedor (como foi originalmente planejado), IGMS publicou dois dos finalistas, e foi muito gratificante ver como o concurso foi bem recebido no Brasil, assim como ver as histórias premiadas  bem recebidas nos Estados Unidos. Mal posso esperar para ver o que o segundo concurso Hydra nos trará”.

O nome do Concurso Hydra vem da constelação.  Esta constelação com nome de um monstro mítico atravessa a equador celestial, unindo os hemisférios celestiais norte e sul, da mesma maneira que o Concurso Hydra espera juntar os hemisférios norte e sul de ficção especulativa. A constelação Hydra também aparece na bandeira brasileira.

As inscrições serão abertas de 15 de julho a 31 de agosto, e todos os autores brasileiros com contos que se encaixam no gênero de literatura fantástica e que foram publicados pela primeira vez nos anos de 2011 e 2012 podem participar. O regulamento em português está disponível no site Universo Insônia (universoinsonia.com.br). Não existe taxa de inscrição e o vencedor receberá tradução do conto para inglês e contrato de publicação na IGMS, com pagamento padrão da revista.

 

Sobre Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show

Fundada em 2005 pelo multipremiado escritor Orson Scott Card, e editada desde 2006 por Edmund R. Schubert, IGMS é uma revista online bimensal premiada que publica contos ilustrados de ficção científica e fantasia, histórias, entrevistas, resenhas e muito mais.  Autores vão de profissionais conhecidos como Peter Beagle e David Farland até autores fazendo sua estreia profissional. O site da revista é www.intergalacticmedicineshow.com.

 

Sobre The Elephant and Macaw Banner

A Bandeira do Elefante e da Arara (The Elephant and Macaw Banner) é uma série internacionalmente premiada de fantasia situada no Brasil do século XVI. As histórias contam as aventuras de Gerard van Oost e Oludara, uma dupla improvável de heróis que se encontram em Salvador.  Notícias, arte e informações sobre as referências culturais e históricas podem ser encontrados no site www.ABandeira.org.

 

Sobre o Universo Insônia

O site Universo Insônia publica artigos, notícias e opiniões sobre literatura fantástica, cinema, quadrinhos, séries de TV, jogos analógicos e digitais, desenhos animados e cultura pop fantástica em geral. O principal objetivo do site é divulgar e apoiar os profissionais da área da cultura fantástica brasileira, mas também traz conteúdo sobre as diversas produções internacionais. www.universoinsonia.com.br

Tiago Castro

Organizador

contato@tiagocastro.com.br

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Confira também o REGULAMENTO do concurso!

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Acho que, para quem é autor de contos, publicado e quer participar de uma coisa muito legal, deveria pensar em mandar os textos para apreciação! Quem sabe não recebem por aí uma surpresa boa? 😉

Até a próxima!

 

Kaori e o Samurai Sem Braço – Giulia Moon

 kaori-capaConheço o trabalho de Giulia Moon como contista há bastante tempo (e tive até mesmo o privilégio de dividir com ela as páginas de uma antologia) e lá em 2010 adquiri seu primeiro romance, Kaori – Perfume de Vampira. Só que não comprei o livro numa data propícia: apesar de tê-lo encontrado na livraria da rodoviária de São Paulo durante uma viagem, em posição de destaque, aquela foi uma época em que estava lendo muito material sobre vampiros. Meio saturada, pensei: “vou guardar o livro, leio quando desenjoar, senão minha apreciação vai ficar muito comprometida”.

 Só que aí vocês sabem como é, né 😛 Livros vêm, promoções vão, e a pilha de leitura vai crescendo 😛 Até que em 2012 a autora lançou o romance Kaori e o Samurai Sem Braço. Achei a temática interessante (mitologia japonesa é um tema que me atrai), vi que além de tudo o livro era ilustrado – já disse mais de uma vez que adoro livros ilustrados – e o que é melhor: soube que era um spin-off que não dependia da leitura do primeiro livro. Pensei: por que não?

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O Jardim do Diabo – Luis Fernando Veríssimo

o-jardim-do-diaboA associação mental imediata entre Luis Fernando Veríssimo e um texto é obviamente o humor. Não o humor rasteiro das falsas mensagens na internet atribuídas a ele, mas o humor sutil do ridículo da realidade, aquele pontual e direto ao alvo. Suas crônicas são clássicas, algumas impagáveis, e poucos em nosso idioma conseguem uma sátira do cotidiano tão certeira. O Jardim do Diabo foi seu primeiro romance, será que ele conseguiria replicar o efeito de suas crônicas?

(e sobre o Luis Fernando Verissimo, uma coisa que me deixa intrigada: taí um autor que em todas discussões de “brasileiro não lê autor nacional”/”brasileiro não lê os autores que quero que ele leia”, ele passa ignorado. Não achincalhado como Paulo Coelho, mas ignorado completamente. Curioso, não?)

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Erótica Fantástica 1 – Vários Autores

capa_erotica-fantasticaDepois de várias digressões sobre tons de cinza e coisas do gênero, tá na hora de falar de coisa boa, de iogurteira top therm de outras propostas em erotismo que possuem o potencial para serem muito interessantes. Afinal, sexo é bom, divertido e a grande maioria das pessoas gosta. Há os clássicos do tema, claro, até tem resenha aqui de um deles, mas nada impede de sabores novos, pessoas novas… de haver diversidade.

Então por que não trazer o erotismo para os domínios do fantástico? Essa é a proposta da antologia Erótica Fantástica 1 (haverá um volume 2 a ser lançado em 2013): contos eróticos em cenários fantásticos (sejam eles de fantasia ou ficção científica). Dezesseis autores, dezesseis estilos, dezesseis universos diferentes para exploração e apreciação. Uma ótima pedida, não?

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A Morte É Legal – Jim Anotsu

Então um dia nós vemos um escritor novo por aí e pensamos: nossa, que livro legal, quero ver o que mais ele é capaz de fazer. Pensa que ele tem referências interessantes e pouco usuais para os colegas de geração e de nicho e, quando tem notícias de um novo romance, fica curiosa em ver o resultado final e o que o cara é capaz de aprontar.

(aqui um parêntesis que ninguém precisa saber: eu vi os primeiros rascunhos do livro, dei pitacos, falei do que gostei e não gostei. Por causa da minha moleza para ler de elementos externos, acabei lendo a versão final assim como todo mundo. Acompanhar o doloroso parto de um livro é bem interessante, discussões sobre esse ou aquele personagem, essa ou aquela trama, se isso funciona direito ou aquilo precisa de reparos… enfim).

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Duplo Fantasia Heroica 3 – Christopher Kastensmidt e Simone Saueressig

É com muita alegria que vejo projetos interessantes frutificarem, tanto em termos de repercussão quanto de continuidade. Quase dois anos atrás, quando ouvi pela primeira vez sobre a iniciativa do Duplo Fantasia Heroica, que consiste em livros de bolso a preços populares trazendo duas histórias curtas de fantasia, com tom aventuresco e (pelo menos até o momento) com a acertada escolha do cenário nacional.

É bem legal saber que o projeto alcança seu terceiro volume e dessa vez com uma novidade: a autora Simone Saueressig, que já há muitos anos milita pela literatura fantástica nacional. A novidade me aguçou ainda mais a curiosidade e reforçou o convite para conhecer esse novo volume.

Bom, vamos às histórias:

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Nihonjin – Oscar Nakasato

Há assuntos naturalmente envolventes, como o que envolve culturas diferentes que precisam se conciliar pelas circunstâncias, ou a formação do Brasil por pessoas que vieram de todas as partes do mundo (consensualmente ou não). Esbarrei com esse livro quando pesquisava sobre o prêmio Benvirá e soube que fora o vencedor da primeira edição – no site, havia uma amostra do primeiro capítulo e o interesse foi imediato, tanto pela temática da imigração japonesa quanto pelo texto ao mesmo tempo delicado e instigante.

Mas aí ocorreu outro fato que me reforçou o interesse pelo livro: a mais recente polêmica envolvendo o Prêmio Jabuti, na figura de um personagem em particular, o Jurado C. Resumindo, pois outros já explicaram a situação muito melhor, a regra de votação do Jabuti esse ano permitia que cada jurado desse notas de 0 a 10 para os concorrentes. O Jurado C então resolveu privilegiar autores iniciantes, dando zero para autores já consagrados e alterando as notas do concurso. Por fim, quem venceu o Jabuti 2012 foi justamente o livro Nihonjin, do estreante Oscar Nakasato.

O livro e seu conteúdo não têm a menor culpa de estarem no olho do furacão dessa polêmica. Aliás, espero que a confusão toda não cole no material, já que o livro é bem interessante para ser considerado “campeão com asterisco”. E, como sempre é bom lembrar, essas são minhas opiniões de leitora – não sou crítica literária, não tenho pretensão alguma de sê-lo. Com certeza há por aí opinião profissional mais abalizada, só procurar, então aqui coloco a opinião de uma leitora.

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Órfãos do Eldorado – Milton Hatoum

Algumas coisas além do aspecto puramente literário me motivaram a resenhar este livro, talvez de modo um pouco diferente da informalidade habitual do blog, mas vamos por partes. O primeiro é que finalmente me deparo com um livro começado em O, o que me ajuda em certas questões de simetria. O segundo é que um autor bate o recorde anteriormente mantido por Haruki Murakami aqui no blog: o de mais resenhas em menos tempo de obras diferentes.

Este é o livro mais recente do autor, lançado em 2009, e que foge (ao menos em parte) da temática familiar de Relato de um Certo Oriente e Dois Irmãos. Talvez haja uma lacuna em sua evolução narrativa correspondida por Cinzas do Norte, seu terceiro romance que não tive ainda a oportunidade de ler, pois entre Dois Irmãos e Órfãos do Eldorado há um verdadeiro salto e a diferença é palpável. Enquanto o primeiro se vale de uma narrativa linear (temporalmente e tematicamente), o segundo se utiliza de idas e vindas pelo tempo e pelo assunto para simular a estrutura do “causo” narrado por um ancião perdido em suas memórias, que transitam entre o sonho e a realidade.

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