Good Omens – Neil Gaiman e Terry Pratchett

good-omens-capaUm dos assuntos mais culturalmente instigantes é o apocalipse, o fim de tudo, a chuva de fogo e o ranger de dentes eternos que marcará o ponto final. Como será o dia final? Trará terremotos, meteoritos, renúncias papais? Como será o choro e ranger de dentes definitivos?

 Essa é a versão dos maiores nomes da fantasia inglesa contemporânea, numa parceria feita para dar certo. O humor mordaz de Pratchett misturado com a riqueza dos cenários de Gaiman encaixam-se como uma luva, a fusão de estilos fica bem concisa, apesar de conseguirmos enxergar bem as marcas registradas de cada autor, o recado de que eles estão ali.

 O mundo está marcado para acabar desde o momento em que ele começou, então as legiões de Céu e Inferno estão se preparando para o Armageddon, a batalha final, desde então. Não que todos anjos e demônios concordem com isso: Crowly, demônio, e Aziraphale, anjo, têm lá seus motivos para gostar da humanidade e não estão muito a fim de duelos com espadas com lâminas de fogo, bestas-fera e nem nada disso. Querem é seguir a vida de sempre e deixarem como está, mas os chefes não parecem concordar muito.

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Fim do Mundo

fimdomundoDaí que de vez em quando o mundo acaba mesmo. Sério. Já acabou algumas vezes, vai acabar outras tantas, e assim as coisas vão. Até porque “mundo” é uma conceituação relativa, que pode coincidir ou não com a de planeta – é sócio-cultural, não física. Para não chegar aos mundos pessoais que cada um carrega dentro de si e que algum dia também terminarão – já que a vida é finita.

 Aliás, talvez esse seja um dos maiores apelos do fim do mundo: nessa nossa sociedade urbana, industrializada, asséptica e desumanizada, nos desconciliamos dos ciclos naturais. A morte é uma parte natural da vida, mas nos desacostumamos a ela – talvez esse um dos grandes fatores que geram medo e ansiedade do fim. Ela virá, é certa, mas o ciclo seguirá sem nós e continuaremos. Nem precisa chegar-se a uma continuação metafísica, mas nossos corpos nutrirão a terra, que nutrirão outros corpos e assim o ciclo se reinicia. Mas já que desconhecemos a terra, nos afastamos dela, e vida e morte são assépticas e desinfetadas, nos esquecemos que somos seres orgânicos como quaisquer outros que habitam o mundo. Finitos e parte da vida.

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A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

Então é Natal.

Todo mundo de ressaca, 10kg mais gordo, depois de ouvir milhares de trocadilhos infames com “peru” e nós aqui do blog oferecemos a última resenha do ano! Êêêê!!!!

Aprendi a ler muito cedo, então posso dizer que os livros estão presentes na minha vida desde sempre. Mas não foram eles minhas únicas referências de narrativa, muito menos as únicas histórias que ouvi ao longo da vida.

Lá pelos meus inocentes sete ou oito aninhos regados a manhãs fazendo lição de casa na frente da TV ligada na saudosa Manchete, eis que surgia meio por um acaso uma obra que acabou por ser marcada a ferro e fogo no coração da minha geração: Os Cavaleiros do Zodíaco. Como esquecer as Doze Casas, do Mestre do Santuário, das batalhas épicas, armaduras, golpes gritados, do valor da amizade e da devoção à Atena? Podem falar o que quiserem da trama em si (e é fraquinha mesmo, ai essa história na minha mão…), mas o carisma dos personagens, o clima da série e suas passagens memoráveis  são inesquecíveis.

Depois ainda vi muitos animes na mesma linha: o grupo de amigos que luta contra o mal e que depende da força da amizade e do amor para avançar, com muuuuita pirotecnia (e meu segundo anime mais marcante de todos é Sailor Moon, tá, prontofalay). Mas a gente vai crescendo e procurando histórias mais elaboradas, já que não só de pirotecnia vive o espectador…

Até que, em um belo dia, cai na mão do leitor já crescidinho e escolado um livro que tem todo o clima de seus desenhos prediletos da infânca E um roteiro caprichado. Epic win. A Batalha do Apocalipse me conquistou por isso, por ser uma espécie de Cavaleiros do Zodíaco 2.0.

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