Ramsés – O Filho da Luz – Christian Jacq

Este é um raciocínio que será melhor elaborado posteriormente, mas que serve para a introdução do livro de hoje: cada época tem suas modinhas literárias. E isso desde sempre, me arrisco a afirmar que é assim desde quando o advento da imprensa tornou os livros populares, há alguns séculos. Posso citar algumas clássicas, como O Sofrimento do Jovem Werther – livro famoso também por levar vários leitores, solidários ao sofrimento do protagonista, a seguirem seu caminho e se suicidarem. Mas, para não abusar muito da memória de meu leitor, poderia citar o sucesso recente do Código da Vinci – você nunca ouviu falar desse livro? Sério? Esteve em Marte nos últimos cinco anos?

O Código da Vinci tem uma característica diferente de livros como Harry Potter ou Crepúsculo: não é um livro infanto-juvenil que acabou fisgando também adultos. É um livro voltado para adultos que caiu no agrado popular, figurando por anos na lista dos mais vendidos. Culpa do marketing advindo da teoria da conspiração que movimenta a trama? Não sei.

Na década de 1990, houve um fenômeno editorial parecido. Tratou-se da série Ramsés, escrita pelo egiptólogo francês Christian Jacq e composta de cinco livros. Os livros figuraram na lista dos mais vendidos por anos, eram exibidos com destaque nas livrarias e, apesar de não ter sido um fenômeno editorial de proporções tão grandes como o já citado Código, foi a modinha de sua época.

Os livros despertaram minha curiosidade. Sou apaixonada pela Antiguidade desde sempre, livros passados nesse cenário sempre me cativaram bastante. Além disso, o Antigo Egito sempre me pareceu uma terra mágica e misteriosa, com seus faraós, pirâmides, cidades sagradas e hieróglifos. O preço do livro não me era acessível, então foi uma vontade abandonada com o tempo.

Recentemente, descobri que a Best Bolso – que publica ótimos livros em versão pocket – relançou a série. Resolvi levar o livro, tanto pela oportunidade de ler o livro que há quase quinze anos atiça minha curiosidade quanto para me aprofundar em um romance histórico, gênero literário que estou estudando.

Trata-se de uma versão romanceada da vida do faraó Ramsés II, que governou o Egito no século XII a.C, em um governo que durou mais de sessenta anos e foi, talvez, o ponto máximo do Antigo Egito. Este primeiro volume trata da adolescência de Ramsés, de seus preparativos para ser nomeado faraó, da constituição de seu caráter e das suas relações com seus amigos, familiares e adversários.

Acredito que o autor seja tão fascinado pela figura do faraó que o torna uma espécie de super-homem: conversa com os animais, não cai em golpes, está sempre um degrau acima de todas as pessoas com quem se relaciona. Quase como se estivesse mais próximo dos deuses do que da gentalha comum. E um boneco de super-herói não funciona como personagem.

Os demais personagens não possuem suas características tão exploradas, mas também sofrem de uma bidimensionalidade endêmica. Não existem personagens, existem “o vilão que quer derrubar o jovem príncipe”, “o melhor amigo dedicado”, “a beldade sedutora”, o “amigo sombrio e misterioso”, o “traidor” e por aí afora. Figurinhas.

Outro problema é a questão da ambientação. Apesar da história se passar no Egito, essa paisagem, essa sensação de “Antigo Egito” demora para ser alcançada – só o é próximo ao fim do livro. Principalmente no começo, se a história se passasse em Roma, no Império Português, na Inglaterra ou nos EUA de 2009 não faria diferença alguma, exceto por uma ou outra circunstância. Nesse ponto, comparado com o Bernard Cornwell, por exemplo, a ambientação e o transporte para uma outra época ficou bastante prejudicada.

As figurinhas cumprem seu papel na evolução da trama. Nada surpreendente, nenhuma reviravolta, tudo cumprindo seu caminho para que Ramsés se torne o rei.

Um ponto que achei interessante foi o uso de personagens fictícios – como Helena e Menelau, finda a guerra de Troia – visitarem as terras egípcias. Achei que ficou bem interessante a mistura, e coerente com a forma como a história foi conduzida. Também é a oportunidade de mostrar as diferenças entre gregos e egípcios.

Fiquei sinceramente decepcionada com o livro. Li sem expectativas, mas não me conseguiu convencer como narrativa. Bom que dispenso os próximos volumes.

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