Caim – José Saramago

caim-capa(Atenção: essa é a resenha de uma obra literária que será tomada pelo universo dessa obra. Não é uma discussão teológica/religiosa, já que cada um acredita naquilo que mais lhe convém e tentar provar que outra pessoa está certa ou errada nesses aspectos ou vai para o rumo da inutilidade ou da briga. Portanto, se tiver algum comentário sobre religião que vai além do que o autor traz ou se é sensível com material de cunho religioso, pode clicar no link “lista de posts” ao lado e divertir-se com alguma postagem de potencial menos polêmico).

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Good Omens – Neil Gaiman e Terry Pratchett

good-omens-capaUm dos assuntos mais culturalmente instigantes é o apocalipse, o fim de tudo, a chuva de fogo e o ranger de dentes eternos que marcará o ponto final. Como será o dia final? Trará terremotos, meteoritos, renúncias papais? Como será o choro e ranger de dentes definitivos?

 Essa é a versão dos maiores nomes da fantasia inglesa contemporânea, numa parceria feita para dar certo. O humor mordaz de Pratchett misturado com a riqueza dos cenários de Gaiman encaixam-se como uma luva, a fusão de estilos fica bem concisa, apesar de conseguirmos enxergar bem as marcas registradas de cada autor, o recado de que eles estão ali.

 O mundo está marcado para acabar desde o momento em que ele começou, então as legiões de Céu e Inferno estão se preparando para o Armageddon, a batalha final, desde então. Não que todos anjos e demônios concordem com isso: Crowly, demônio, e Aziraphale, anjo, têm lá seus motivos para gostar da humanidade e não estão muito a fim de duelos com espadas com lâminas de fogo, bestas-fera e nem nada disso. Querem é seguir a vida de sempre e deixarem como está, mas os chefes não parecem concordar muito.

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Apaixonados – Lauren Kate

Tudo bem, vai. Às vezes você vai ler uma série (ou melhor, lê o primeiro livro, acha horrível, lê o segundo por curiosidade e descobre que apegou) que sabe nem ter uma qualidade tão grande assim, mas tem elementos divertidos. Soube que este livro ia sair pouco depois de ter lido Paixão e gostei da proposta: histórias fechadas envolvendo o que a saga tem de melhor, os secundários (esquecidos no último volume da cronologia). Quando soube que o lançamento no Brasil estava próximo, pensei cá com meus botões: “ah, vou ler, né? Li até agora mesmo…”.

Este livro não faz parte da saga original, trata-se de um spin-off (ou seja, uma história extra no mesmo universo mas que não se mistura com a trama original), ocorrido entre os eventos de Paixão e que envolve histórias isoladas dos excelentes secundários deixados de lado no último livro. Como na história anterior, todos estão viajando pelo tempo em busca de respostas sobre a maldição que impede Luce e Daniel de ficarem juntos, mas nada os impede de darem uma pequena pausa e comemorarem o Dia dos Namorados.

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Paixão – Lauren Kate

Como vocês já sabem, ou deveriam estar sabendo, a série Fallen é uma espécie de guilty pleasure pessoal. Detestei o primeiro livro, achei o segundo bem legalzinho e cá estou eu lendo (e resenhando!) o terceiro. Não que eu vá levar essa resenha exatamente a sério, também.

(foi engraçado que comprei esse livro em um dia em que passeava com minha mãe. Ela, ao ver minhas compras, virou e… “você gosta de uns livros meio questionáveis”. Eu: “ah, é tão divertido :D”)

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Meu Amor É Um Anjo – Várias Autoras

Meu Amor É Um Anjo é o segundo livro da série Amores Proibidos, da Editora Draco, cujo primeiro volume foi o Meu Amor É Um Vampiro (do qual esta que vos fala participou e por isso não pôde resenhar =P Mas tem um monte de resenhas aqui). A proposta da série é reunir textos de autoras, para um público mais adolescente, e que tratem do encontro sobrenatural entre humanos e a criatura da vez.

Aqui entra o primeiro desafio deste volume: ao contrário do mito do vampiro, que permite inúmeras variações, dos conflitos do amante imortal que jamais envelhecerá, passando pelo bon vivant que desperta a luxúria humana e chegando ao completo monstro, há mil histórias que podem ser contadas. Como diversificar as histórias sobre anjos, então, trazer coisas diferentes em textos de nove autoras?

(e, curiosamente, nenhuma das autoras do livro utilizou-se do mito bíblico do relacionamento entre anjos e humanas, aquela parte do Gênesis que diz mais ou menos que os anjos vieram à terra, se apaixonaram pelas filhas dos homens e fizeram uma raça de nephilins antes de serem punidos por isso).

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Os Filhos do Éden – Eduardo Spohr

Um dos grandes destaques do ano passado foi, sem dúvidas, A Batalha do Apocalipse, do brasileiro Eduardo Spohr, que partiu de uma edição independente (que se esgotou num instante) para uma grande editora – e permaneceu por semanas a fio entre os livros mais vendidos, com todos os méritos.

O desafio foi o que veio depois: como seriam as coisas após um épico das proporções de A Batalha do Apocalipse?

Os Filhos do Éden parte de uma decisão ao mesmo tempo arriscada e corajosa: pegar o cenário de A Batalha do Apocalipse, mas contar outra história com outros personagens. O autor justifica-se dizendo que o Apocalipse é o grande evento de seu universo e não haveria como ser fiel ao próprio cenário concebendo um evento “maior do que o maior”. Concordo. O cenário dos anjos é riquíssimo e cobre no mínimo 10 mil anos de história da humanidade, há possibilidades de se contar uma infinidade de história nesse meio-tempo. Fora que são livros independentes: dá para ler primeiro Os Filhos do Éden sem prejuízos de compreensão de cenário e personagens, até porque falam de tempos e eventos diversos.

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Tormenta – Lauren Kate

Sabem aquela história de “guilty pleasure”? De você gostar de algo vergonhoso, ter vergonha de admitir, mas gostar assim mesmo? Pois é, essa leitura se deve metade a guilty pleasure, metade a masoquismo puro e simples.

Li Fallen ano passado, não gostei por N fatores. Mas daí fiquei sabendo que a continuação tinha sido lançada no Brasil e me deu aquela curiosidade de ler, sob o argumento de que “será que o segundo é tão ruim quanto o primeiro?”. Como achei-o em uma promoção online por 17 reais e achei um preço justo a se pagar pela curiosidade, acabei comprando para ver qual era.

E não é que achei que melhorou, mesmo?

Dessa vez, os erros crassos de construção da trama que a autora cometeu no primeiro livro não ocorreram: a história está um pouco mais fechada, sem buracos e sem personagens que desaparecem. Pelo contrário, a adição dos personagens novos só acrescentou à trama, por mais que nenhum deles saia muito de um estereótipo pré-concebido.

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Cidade dos Ossos – Cassandra Clare

Eu poderia começar essa resenha ironizando todas as (várias) semelhanças deste livro com Harry Potter, falar de novo sobre, principalmente agora que os filmes do bruxinho estão chegando ao fim, a busca incessante pelo “novo Harry Potter” volta com força total (apesar de que aqui acho que  comparação cinematográfica mais justa seria o “novo Crepúsculo”) ou sobre o recente boom de anjos na literatura.

Mas não vou começar por nada disso.

Vou dizer sobre o quanto esse livro foi uma agradável surpresa.

Para começo de conversa, não sei o que me atraiu nele. É um dos lançamentos hypados de young-adult do momento, mas quando vi a sinopse pela primeira vez, não me bateu lá muita vontade de ler. Só que recentemente, no fim do ano, lendo a sinopse novamente, o livro despertou minha curiosidade o suficiente para ser adquirido. Também fiquei sabendo que a autora, Cassandra Clare, era autora de fanfics tendo inclusive escrito um dos mais famosos baseados no Harry Potter, o Draco Dormiens (que até eu li, apesar de não me interessar por fanfics de Harry Potter – voltaremos ao tema jajá). Bateu uma identificação danada, já que há muitos e muitos anos eu também escrevia fanfics e queria fazer mnhas próprias histórias, então também tinha o “vamos ver o que uma fanfiqueira faz quando precisa criar seu próprio universo”.

E é aqui que entra minha supresa: o livro, dentro dos parâmetros do gênero e público a que se propõe, é muito bom.

É a história de Clary Frey, uma adolescente de 15 anos normal que, um belo dia, ao ir à baladeeenha com seu amigo Simon, vê um adolescente esquisito e resolve ir atrás dele para uma paquera. As implicações de um inocente flerte juvenil são a descoberta de que demônios, vampiros, lobisomens e outras criaturas místicas não são mitos: eles estão entre nós. Além disso, os nephilims, um grupo de caçadores com sangue de anjo, andam entre nós para garantir que todos se comportem – especialmente uma facção chamada Caçadores de Sombras, treinados desde a tenra idade para retornarem demônios para suas dimensões de origem e manter a paz dimensional.

Clary conhece então os irmãos Alec e Isabelle – e Jace, o loirinho bonitinho e sarcástico que chama sua atenção imediatamente. E, claro, sua vida muda para sempre a partir deste encontro. E, mais claro ainda, ela não sabe toda a verdade sobre sua origem e si mesma. Após o encontro inusitado, coisas muito estranhas começam a acontecer em sua vida e quando sua mãe é sequestrada, ela se dá conta de que está envolvida até o pescoço com os Caçadores de Sombras e precisa tirar essa história a limpo.

Então dá-lhe perseguições, criaturas mágicas das mais diversas que vivem disfarçadas de humanos, lugares mágicos escondidos dos olhares vulgares (ou mundanos, como são chamados aqui), reviravoltas, segredos perdidos no tempo, alguns deles capazes de mudar toda a vida dos envolvidos…

Aqui, voltamos ao Harry Potter. Como já dito, a autora escrevia fanfics do bruxinho e sua turma e resolveu escrever suas próprias histórias em seu próprio cenário. As semelhanças entre as duas obras aqui não é meramente acidental e nem podem ser – elas se tocam, se inspiram, derivam.

Vamos pegar uma sinopse do Cidade dos Ossos: garota sai de sua vida normal e é jogada em um mundo mágico desconhecido das pessoas comuns, que está sendo ameaçado por um ditador poderoso, que todos julgavam morto, e que deseja dominar este mundo mágico e subjugar a humanidade comum. Isso realmente não lembra NADA para vocês?

E outros detalhes, como a semelhança entre Clary e Gina Weasley (apesar de que acho essa forçada – a Clary, por sua descrição física e nome, me parece muito mais uma mary sue – ou projeção idealizada da autora – do que uma versão da Gina), Jace e Draco Malfoy, um dicotomia entre as criaturas mágicas e o mundo dos “trouxas”/”mundanos”… E, claro, a parte em que a história dos pais dos protagonistas é contada parece mais como seria um fanfiction nos marotos, mas enfim…

Mas o cenário, quando visto de perto, não soa falso como uma Hogwarts estilizada seria – há criaturas que jamais passariam perto das aventuras do bruxinho, como anjos e demônios, e o sistema de magia e controle não está restrito às regras rígidas de um colégio interno. Pelo contrário: a regra aqui é não ter regras (exceto as da boa  vizinhança, controladas pelos Caçadores de Sombra). Inclusive, há mundanos, como o Simon (meu personagem predileto de longe!), que mesmo com sua falta de poderes são capazes de salvar o dia.

Uma palavrinha sobre os personagens agora: o Jace foi tão planejado para que todas as meninas caíssem de paixão por ele que para mim não funcionou. Achei-o chatinho, artificial demais no tom blasé/irônico, não consegui criar empatia. Ele foi tão feito para ser gostado e para que todos caiam de paixão por ele que ficou fora do tom, que não me despertou mais do que indiferença. O Simon (e aqui entra a “regra de liberdade dos personagens abaixo dos protagonistas” da qual um dia voltarei a falar) consegue ser muito mais simpático – um humano sem poderes, desprezado pelos Caçadores de Sombra mas que se infiltra, se impõe e vira parte do time.

Quanto à Clary, protagonista, gostei dela. As atitudes estão coerentes com a de uma adolescente que vê seu mundo virar de ponta-cabeça algumas milhares de vezes, são muito mais “alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui????” misturada com a paixonite adolescente inevitável. Quero ver de que forma isso vai ser conduzido ao longo da série.

Enfim, o livro foi uma gratíssima surpresa, a trama segura o leitor e o deixa ligado do começo ao fim e me deu muita curiosidade de seguir a série (não ao ponto de comprar tudo o que já saiu em inglês, mas deu). O próximo livro da série sai no Brasil em abril – e vou adquiri-lo logo que for possível! Fica a recomendação para quem gosta do gênero, para quem quer uma leitura de desligar a cabeça e ler feliz da vida e para quem quer desbravar um pouco do maravilhoso mundo da Y.A.

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Quer tirar suas próprias conclusões? Compre o livro! (Submarino)

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Até  próxima!

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A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

Então é Natal.

Todo mundo de ressaca, 10kg mais gordo, depois de ouvir milhares de trocadilhos infames com “peru” e nós aqui do blog oferecemos a última resenha do ano! Êêêê!!!!

Aprendi a ler muito cedo, então posso dizer que os livros estão presentes na minha vida desde sempre. Mas não foram eles minhas únicas referências de narrativa, muito menos as únicas histórias que ouvi ao longo da vida.

Lá pelos meus inocentes sete ou oito aninhos regados a manhãs fazendo lição de casa na frente da TV ligada na saudosa Manchete, eis que surgia meio por um acaso uma obra que acabou por ser marcada a ferro e fogo no coração da minha geração: Os Cavaleiros do Zodíaco. Como esquecer as Doze Casas, do Mestre do Santuário, das batalhas épicas, armaduras, golpes gritados, do valor da amizade e da devoção à Atena? Podem falar o que quiserem da trama em si (e é fraquinha mesmo, ai essa história na minha mão…), mas o carisma dos personagens, o clima da série e suas passagens memoráveis  são inesquecíveis.

Depois ainda vi muitos animes na mesma linha: o grupo de amigos que luta contra o mal e que depende da força da amizade e do amor para avançar, com muuuuita pirotecnia (e meu segundo anime mais marcante de todos é Sailor Moon, tá, prontofalay). Mas a gente vai crescendo e procurando histórias mais elaboradas, já que não só de pirotecnia vive o espectador…

Até que, em um belo dia, cai na mão do leitor já crescidinho e escolado um livro que tem todo o clima de seus desenhos prediletos da infânca E um roteiro caprichado. Epic win. A Batalha do Apocalipse me conquistou por isso, por ser uma espécie de Cavaleiros do Zodíaco 2.0.

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Fallen – Lauren Kate

(ou: por que a Charlaine Harris me agradou tanto e nós brasileiros nada temos a dever a ninguém).

A onda do momento, depois dos vampiros inaugurados por Crepúsculo, é a dos romances sobrenaturais adolescentes/young adult em que o casal é composto de um humano e um anjo. Nos blogs especializados nesse tipo de público e linha editorial, vocês podem ver exemplos e mais exemplos, com todas as abordagens e para todos os gostos.

A recomendação que eu tinha de Fallen era um pouco diferente: que tinha vindo na onda dos livros mais comerciais, mas que trazia uma abordagem diferenciada (vulgarmente, “o melhor dessa onda que saiu”). Fiquei bastante curiosa para ver do que se tratava – e também para ver qual a concepção de um romance angelical direcionado a um público jovem de hoje e agora.

Fallen é a história de Luce, uma menina que vai para um reformatório como parte da punição por um crime que não cometeu. Lá, faz novas amizades, desperta paixões e fica fascinada por um lindo garoto chamado Daniel, que ela nunca viu antes mas tem certeza de que é um velho conhecido…

A partir de agora spoilers porque não tem jeito de falar o que achei da série sem eles. E já vou dizendo que vou ser malvada de agora pra frente.

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