Paixão – Lauren Kate

Como vocês já sabem, ou deveriam estar sabendo, a série Fallen é uma espécie de guilty pleasure pessoal. Detestei o primeiro livro, achei o segundo bem legalzinho e cá estou eu lendo (e resenhando!) o terceiro. Não que eu vá levar essa resenha exatamente a sério, também.

(foi engraçado que comprei esse livro em um dia em que passeava com minha mãe. Ela, ao ver minhas compras, virou e… “você gosta de uns livros meio questionáveis”. Eu: “ah, é tão divertido :D”)

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Meu Amor É Um Anjo – Várias Autoras

Meu Amor É Um Anjo é o segundo livro da série Amores Proibidos, da Editora Draco, cujo primeiro volume foi o Meu Amor É Um Vampiro (do qual esta que vos fala participou e por isso não pôde resenhar =P Mas tem um monte de resenhas aqui). A proposta da série é reunir textos de autoras, para um público mais adolescente, e que tratem do encontro sobrenatural entre humanos e a criatura da vez.

Aqui entra o primeiro desafio deste volume: ao contrário do mito do vampiro, que permite inúmeras variações, dos conflitos do amante imortal que jamais envelhecerá, passando pelo bon vivant que desperta a luxúria humana e chegando ao completo monstro, há mil histórias que podem ser contadas. Como diversificar as histórias sobre anjos, então, trazer coisas diferentes em textos de nove autoras?

(e, curiosamente, nenhuma das autoras do livro utilizou-se do mito bíblico do relacionamento entre anjos e humanas, aquela parte do Gênesis que diz mais ou menos que os anjos vieram à terra, se apaixonaram pelas filhas dos homens e fizeram uma raça de nephilins antes de serem punidos por isso).

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Feios – Scott Westerfield

Uma vez estava passeando no shopping com uma amiga e, enquanto tomávamos nossos sorvetinhos sentadas em algum banco, observávamos as pessoas. Primeiro, passaram três adolescentes com o exato mesmo tênis, o mesmo short, a mesma blusa, o mesmo penteado e os mesmos copos da mesma cafeteria. A única coisa diferente entre elas eram as cores dos cabelos e das blusas, todo o resto era igualzinho.  Pouco depois, passaram três senhoras, vestidas com o mesmo estilo de roupa, a mesma escova progressiva, a mesma tonalidade de tintura e botox nos mesmos lugares. Virei para minha amiga e disse: somos todos tão padronizados assim? (sempre me orgulhei de NÃO pertencer a esses padrões).

A primeira e mais óbvia crítica de Feios é essa: a padronização da beleza, essa história e reforço midiático de que só existe um tipo de belo. Lá, ao fazer dezesseis anos, um adolescente deixa de ser Feio e se torna Perfeito – sofre uma série de intervenções cirúrgicas para refletir certo padrão de beleza universal – e se muda para Nova Perfeição, onde só há festas, jogos e diversão.  A protagonista, Tally, uma mocinha prestes a completar os 16 anos, está louca para fazer a cirurgia, deixar os tempos de feiúra para trás e ser uma Perfeita em Nova Perfeição. Só que ela conhece Shay, que não está tão satisfeita assim em fazer a cirurgia, e descobre que o mundo pode ser bem diferente de plásticas e festas…

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Tormenta – Lauren Kate

Sabem aquela história de “guilty pleasure”? De você gostar de algo vergonhoso, ter vergonha de admitir, mas gostar assim mesmo? Pois é, essa leitura se deve metade a guilty pleasure, metade a masoquismo puro e simples.

Li Fallen ano passado, não gostei por N fatores. Mas daí fiquei sabendo que a continuação tinha sido lançada no Brasil e me deu aquela curiosidade de ler, sob o argumento de que “será que o segundo é tão ruim quanto o primeiro?”. Como achei-o em uma promoção online por 17 reais e achei um preço justo a se pagar pela curiosidade, acabei comprando para ver qual era.

E não é que achei que melhorou, mesmo?

Dessa vez, os erros crassos de construção da trama que a autora cometeu no primeiro livro não ocorreram: a história está um pouco mais fechada, sem buracos e sem personagens que desaparecem. Pelo contrário, a adição dos personagens novos só acrescentou à trama, por mais que nenhum deles saia muito de um estereótipo pré-concebido.

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Harry Potter

Como eu poderia passar toda a existência desse blog sem falar sobre o Harry Potter?

Hoje assisti o Harry Potter 7.2 e o filme mexeu bastante com as minhas emoções… Nunca fui pottermaníaca, nunca li os livros em inglês antes que saíssem em português (a bem da verdade li o livro 5 só um ano depois que o livro 6 saiu e o 7 depois de uns seis meses que já tinha saído no Brasil e tava em oferta), nunca reli os livros, nunca fiz muito frisson em torno da série. Não sei se foi porque já era leitora e já conhecia outros mundos mágicos ou porque a empatia não foi o bastante, mas isso não significa de forma nenhuma que a série tenha sido menos marcante.

Comecei a ler a série logo que o segundo livro saiu no Brasil, em 2000, isso lá nos meus 14 anos, numa época em que por várias questões pessoais eu andava desgostosa dos livros. Na verdade, os livros nem me empolgaram muito, mas minha mãe, curiosa, comprou-os PARA ELA. Estava toda naquela coisa de “não quero essas coisas de criança”, e minha mãe disse: “mas não estou comprando para você, estou comprando para mim”. Lemos os dois de uma só vez. Nesse mesmo ano saiu o livro 3 – e lembro que o li numa das piores noites de minha vida, onde Harry e seus amigos me fizeram companhia, onde Hogwarts foi minha segurança (ou o único escapismo possível quando nem sua casa é segura).

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Em Chamas – Suzanne Collins

É complicado fazer uma resenha do segundo livro de uma série porque fatalmente alguns aspectos determinantes do primeiro livro terão de ser abordados, a cada volume que se passa de uma série, mais difícil fica evitar e contornar os spoilers. Por isso evito fazer resenhas de segundos volumes, mas às vezes a necessidade de falar algo me faz burlar essa regra.

Assim sendo, a melhor maneira de começar essa resenha é dizendo que Em Chamas é a continuação de Jogos Vorazes, que foi uma das minhas maiores surpresas literárias do ano até o momento e foi um livro bem impactante – quando você passa uma semana sem conseguir pegar outro livro para ler ou mesmo se pega lembrando de passagens da história e relembrando dos personagens bem depois da última página, você sabe que um livro conseguiu mexer com você. Eu precisava ler a sequência, saber o que acontecia com os personagens após o final agridoce do primeiro livro, de que maneira a autora seguiria com a trama. E, claro, também preciso dividir minhas opiniões com vocês, caríssimos leitores deste blog 😀

Assim sendo, como se trata de uma sequência, só clique no texto integral se já leu o primeiro livro ou se não se importa com alguns spoilers dele. O aviso foi dado!

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Cidade dos Ossos – Cassandra Clare

Eu poderia começar essa resenha ironizando todas as (várias) semelhanças deste livro com Harry Potter, falar de novo sobre, principalmente agora que os filmes do bruxinho estão chegando ao fim, a busca incessante pelo “novo Harry Potter” volta com força total (apesar de que aqui acho que  comparação cinematográfica mais justa seria o “novo Crepúsculo”) ou sobre o recente boom de anjos na literatura.

Mas não vou começar por nada disso.

Vou dizer sobre o quanto esse livro foi uma agradável surpresa.

Para começo de conversa, não sei o que me atraiu nele. É um dos lançamentos hypados de young-adult do momento, mas quando vi a sinopse pela primeira vez, não me bateu lá muita vontade de ler. Só que recentemente, no fim do ano, lendo a sinopse novamente, o livro despertou minha curiosidade o suficiente para ser adquirido. Também fiquei sabendo que a autora, Cassandra Clare, era autora de fanfics tendo inclusive escrito um dos mais famosos baseados no Harry Potter, o Draco Dormiens (que até eu li, apesar de não me interessar por fanfics de Harry Potter – voltaremos ao tema jajá). Bateu uma identificação danada, já que há muitos e muitos anos eu também escrevia fanfics e queria fazer mnhas próprias histórias, então também tinha o “vamos ver o que uma fanfiqueira faz quando precisa criar seu próprio universo”.

E é aqui que entra minha supresa: o livro, dentro dos parâmetros do gênero e público a que se propõe, é muito bom.

É a história de Clary Frey, uma adolescente de 15 anos normal que, um belo dia, ao ir à baladeeenha com seu amigo Simon, vê um adolescente esquisito e resolve ir atrás dele para uma paquera. As implicações de um inocente flerte juvenil são a descoberta de que demônios, vampiros, lobisomens e outras criaturas místicas não são mitos: eles estão entre nós. Além disso, os nephilims, um grupo de caçadores com sangue de anjo, andam entre nós para garantir que todos se comportem – especialmente uma facção chamada Caçadores de Sombras, treinados desde a tenra idade para retornarem demônios para suas dimensões de origem e manter a paz dimensional.

Clary conhece então os irmãos Alec e Isabelle – e Jace, o loirinho bonitinho e sarcástico que chama sua atenção imediatamente. E, claro, sua vida muda para sempre a partir deste encontro. E, mais claro ainda, ela não sabe toda a verdade sobre sua origem e si mesma. Após o encontro inusitado, coisas muito estranhas começam a acontecer em sua vida e quando sua mãe é sequestrada, ela se dá conta de que está envolvida até o pescoço com os Caçadores de Sombras e precisa tirar essa história a limpo.

Então dá-lhe perseguições, criaturas mágicas das mais diversas que vivem disfarçadas de humanos, lugares mágicos escondidos dos olhares vulgares (ou mundanos, como são chamados aqui), reviravoltas, segredos perdidos no tempo, alguns deles capazes de mudar toda a vida dos envolvidos…

Aqui, voltamos ao Harry Potter. Como já dito, a autora escrevia fanfics do bruxinho e sua turma e resolveu escrever suas próprias histórias em seu próprio cenário. As semelhanças entre as duas obras aqui não é meramente acidental e nem podem ser – elas se tocam, se inspiram, derivam.

Vamos pegar uma sinopse do Cidade dos Ossos: garota sai de sua vida normal e é jogada em um mundo mágico desconhecido das pessoas comuns, que está sendo ameaçado por um ditador poderoso, que todos julgavam morto, e que deseja dominar este mundo mágico e subjugar a humanidade comum. Isso realmente não lembra NADA para vocês?

E outros detalhes, como a semelhança entre Clary e Gina Weasley (apesar de que acho essa forçada – a Clary, por sua descrição física e nome, me parece muito mais uma mary sue – ou projeção idealizada da autora – do que uma versão da Gina), Jace e Draco Malfoy, um dicotomia entre as criaturas mágicas e o mundo dos “trouxas”/”mundanos”… E, claro, a parte em que a história dos pais dos protagonistas é contada parece mais como seria um fanfiction nos marotos, mas enfim…

Mas o cenário, quando visto de perto, não soa falso como uma Hogwarts estilizada seria – há criaturas que jamais passariam perto das aventuras do bruxinho, como anjos e demônios, e o sistema de magia e controle não está restrito às regras rígidas de um colégio interno. Pelo contrário: a regra aqui é não ter regras (exceto as da boa  vizinhança, controladas pelos Caçadores de Sombra). Inclusive, há mundanos, como o Simon (meu personagem predileto de longe!), que mesmo com sua falta de poderes são capazes de salvar o dia.

Uma palavrinha sobre os personagens agora: o Jace foi tão planejado para que todas as meninas caíssem de paixão por ele que para mim não funcionou. Achei-o chatinho, artificial demais no tom blasé/irônico, não consegui criar empatia. Ele foi tão feito para ser gostado e para que todos caiam de paixão por ele que ficou fora do tom, que não me despertou mais do que indiferença. O Simon (e aqui entra a “regra de liberdade dos personagens abaixo dos protagonistas” da qual um dia voltarei a falar) consegue ser muito mais simpático – um humano sem poderes, desprezado pelos Caçadores de Sombra mas que se infiltra, se impõe e vira parte do time.

Quanto à Clary, protagonista, gostei dela. As atitudes estão coerentes com a de uma adolescente que vê seu mundo virar de ponta-cabeça algumas milhares de vezes, são muito mais “alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui????” misturada com a paixonite adolescente inevitável. Quero ver de que forma isso vai ser conduzido ao longo da série.

Enfim, o livro foi uma gratíssima surpresa, a trama segura o leitor e o deixa ligado do começo ao fim e me deu muita curiosidade de seguir a série (não ao ponto de comprar tudo o que já saiu em inglês, mas deu). O próximo livro da série sai no Brasil em abril – e vou adquiri-lo logo que for possível! Fica a recomendação para quem gosta do gênero, para quem quer uma leitura de desligar a cabeça e ler feliz da vida e para quem quer desbravar um pouco do maravilhoso mundo da Y.A.

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Quer tirar suas próprias conclusões? Compre o livro! (Submarino)

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Até  próxima!

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Série House of the Night – PC e Kristin Cast

Uma das várias séries voltadas ao público adolescente feminino que trata de vampiros é a chamada House of the Night, escrita pelas autoras, mãe e filha, PC e Kristin Cast.

Não tive interesse em ler a série, mas a amiga Mariana Ferreira leu e resenhou para mim. Com isso, estreiamos a seção “O Leitor Escreve”, onde é você, o leitor, que colabora com a resenha!

Claro, como não li a série, a respnsabilidade é toda da Mariana, reclamem com ela e não comigo se não gostarem 😛

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House of the Night -resenha por Mariana Ferreira

Dizem que se for para falar mal é melhor nem abrir a boca. Mas né? Vamos considerar isso uma ultilidade pública:

House of Night não é uma série que valha a pena ser lida. Li porque não tinha nada melhor pra fazer durante as férias e estava em promoção no Submarino. Até agora foram 5 volumes e diz a autora que serão 12. Como alguém consegue escrever 12 livros sobre praticamente nada é um grande mistério.

A série até o 5º volume se baseia em vampiros e índios Cherokees. Claro que os vampiros tem seu grau de estilização É assim: uma pessoa se torna vampiro por causa de uma mutação no DNA durante a adolescência. Então ela é marcada, se torna um novato e tem que ir para uma morada da noite para completar sua transformação. Não, não tem mordida, sangue, sedução nem nada. É puramente “biológico”. O mais impressionante é que a despeito de os vampiros serem bonitos, ricos e famosos (no livro, vários atores e cantores como Hugh Grant e Shania Twain são vampiros) os novatos e vampiros são discriminados pelos humanos. Sim, contradição pouca é bobagem. Já os índios só aparecem como referência cultural (o vilão desses primeiros livros é baseado na mitologia deles).

O grosso da história são os adolescentes e seus draminhas e conversinhas. Coisas do tipo: “Oh! Meu namorado humano aparentemente está em grande perigo. Vou ali assistir um DVD com meus coleguinhas depois eu cuido disso”. Então, ao invés de ação, o leitor se depara com uma boa meia dúzia de páginas de diálogos que parecem saídos de malhação com trocentas falas dispensáveis. Exemplo: se a protagonista está com os amigos e faz uma pergunta, aparece uma fala de cada um, mesmo que todos estejam respondendo, em essência a mesma coisa. Isso somado ao grau sandystico de perfeição da personagem irrita demais. Muito piegas para o gosto de praticamente qualquer um.

Além de piegas a narrativa é arrastada, cheia de detalhes que não são da sua conta e com pouca ação por livro. O primeiro volume, como eu já disse, é praticamente só ambientação. Tem um pouquinho de “coisa acontecendo” (nada de muito aventuresco mesmo, juro) e milhares de detalhes sobre a vida e obra dos vampiros e suas escolinhas. Totalmente dispensável. Os detalhes terrivelmente irrelevantes são coisas do tipo “passei a chapa para arrumar os cabelos”. Sério, se cada vez que a autora trocasse a descrição do ritual de make-up da protagonista por “me arrumei e saí” os cinco volumes juntos diminuiriam umas 50 páginas. Se não fosse tão angustiante ler esses detalhes sem importância, os livros seriam muito melhores, porque a história em si tem até seu charme.

Mas o que mais mata lenta e dolorosamente tudo o que podia ser bom na série é a previsibilidade feladaputa. Caro leitor, se você tiver a mínima suspeita de que uma personagem vai morrer, é porque ela VAI morrer. Se acha que alguém vai fazer alguma merda, é porque essa pessoa VAI fazer merda. Se suspeitar minimamente que a diretora da escola é mau igual a um pica-pau, tenha certeza de que ela é mesmo. Isso fica claro desde a primeira vez que ela aparece. Nem pra ter um conflito “será que ela é” igual a J. K. Rowling fez com o Snape.

Falar em Snape, eu devia ter lido a série do Harry Potter de novo nas férias ao invés dessa bobagenzinha. Talvez a única coisa boa desses livros é que vai virar filme ou série de televisão com muitos corpos malhados e rostos bonitos. Segundo a autora, todos os vampiros são muito belos e se o novato engordar ou adoecer, ele morre.

Bom, resumindo para você poder conversar com sua priminha de 12 anos retardada por definição e fã da série: A menina é marcada, aí a família de crentes loucos dela surta e ela foge para pedir ajuda à avó. Como a velhinha mora em uma fazenda e está pelo campo, a menina sai andando loucamente pelo bosque, cai, bate a cabeça e morre desmaia. Desmaiada, ela vê/sonha com a deusa Nyx, divindade que os vampiros cultuam. Aí a deusa tipo abençoa especificamente a ela. Quando a protagonista (Zoey) acorda, ela está na morada da noite em segurança porque a vovozinha a levou para lá. Depois de se recuperar, ela sai botando moral pela escola porque é muito mais poderosa do que qualquer novato que já existiu, então ela consegue acabar com a equivalente cheerleader local e ficar com o namorado dela além do namorado antigo que ela tinha na vida de apenas humana. Durante os outros livros, a melhor amiga dela morre e volta como uma criatura estranha, mas a incrível Zoey consegue salvá-la e a menina se transforma em um outro tipo de vampiro. Então ela descobre que tem mais um monte de novatos que não morreram e também estão assim. Além disso,  a cheerleader do primeiro livro vira amiga da protagonista. Como Zoey é a principal, estilo Seiya porém mais rainha da cocada preta, ela arruma mais uns 3 ou 4 namorados/pretendentes e geralmente está com mais de um ao mesmo tempo embora no fundo sejam todos uns malas. Em determinado ponto da história, fica claro que a diretora da morada da noite é má e ela invoca um deus antigo e mau. Então a perfeita Sandy Zoey, seus fiéis amigos, seus devotos namorados e sua fofíssima vovó descendente de Cherokees se unem com as freiras legais para exorcizar os capetas. Ah sim, importante lembrar que a Zoey é estilo Jesus, sabe? Ela é MUITO tocada pela deusa! O tempo todo acontece. É tipo RPG mesmo, sabe? Entra na dungeon, salva a princesa, ganha XP e sobe de nível. Isso só comprova o quanto a personagem é isenta de falhas. Sério, eu devia ter relido Harry Potter, que pelo menos era o “escolhido” mas era um sujeito loser como outro qualquer, com seus conflitos internos, suas fraquezas, suas incompetências e seus amigos que participam da história ao invés de só ficar pagando pau para ele.

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Até a próxima!

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Convite oficial para o lançamento de Meu Amor É Um Vampiro, da Editora Draco

Annabel e Sarah – Jim Anotsu

É difícil, depois que você passa por ela, pintar um retrato fiel da adolescência – ou os adolescentes literários são muito caricatos ou totalmente irreais. Se a personalidade é complicada de ser emulada, pior ainda é todo o clima e ambiente em que se insere a adolescência – a cada cinco anos acontece uma renovação de gerações, de gostos e de cultura, é bastante difícil, quanto mais um autor vai envelhecendo, conseguir dialogar com esse mundo sem parecer um tiozão querendo parecer legal.

Annabel e Sarah foi escrita por Jim Anotsu (o autor é brasileiro, o pseudônimo uma homenagem a heróis de infância) quando ele estava no último ano do ensino médio e é uma incursão tanto à adolescência quanto uma homenagem a autores, histórias e personagens. É um livro planejado para a leitura rápida e fluente, para ser consumido em uma tarde chuvosa ou num momento de folga.

É a obra de estreia do autor – a história de duas irmãs gêmeas, Annabel e Sarah, totalmente diferentes entre si. A Annabel faz o tipo esquentadinha e revoltada, de personalidade forte e que não faz o menor esforço para ser amiga de sua irmã, uma garota meiga, delicada e que gosta de moda.

Sarah então é tragada por uma televisão e Annabel, única pessoa capaz de ajudá-la, parte para buscar a flor de Amor Perfeito, que poderá salvá-la.

Então, a trama se parte em duas: Annabel vai para um universo baseado nos romances policias hardboiled e na literatura beat (com direito à cidade chamada Kerouac e ao encontro de um gêmeo perdido de Sal Paradise), em que os animais são os seres racionais e os humanos bichinhos de estimação ou comida, enquanto Sarah vai para uma cidade onde todos são obrigados a serem felizes o tempo todo, uma realidade distópica que tem um pouco de George Orwell, Alice No País das Maravilhas (e do RPG Paranoia, também).

E dá-lhe referências e homenagens – mas o livro não se torna refém delas ou torna indispensável seu conhecimento para que se entenda a obra. Algum nome de banda ou de programa de TV é citado aqui ou ali, mas nada que torne a obra inacessível para quem nunca ouviu falar e não sabe do que se trata. As homenagens também acabam por ficar orgânicas (exceto Annabel que acaba se perdendo um pouco na homenagem aos beats), a composição do texto, ágil e cheio de twists, faz com que a leitura flua tranquila e agradável.

O fato de ser um romance de estreia, escrito durante a adolescência do autor, se mostran a composição dos personagens – falta delinear a personalidade das gêmeas, ainda que Annabel seja um pouco desvendada nos interlúdios entre os capítulos, mas Sarah permanece uma incógnita. Também falta algo no final, falta um elemento fundamental numa história em que as personagens precisam passar por várias provações para poderem crescer – elas não mudam. Mas, sejamos justos: não é que passem incólumes pela jornada, afinal o que elas descobrem no final é algo bem bonito, um desses segredos muito valiosos os quais passamos por ele sem nos darmos conta.

Enfim, se esse é o livro de estreia do Jim, eu espero ansiosamente pelo próximo. Vale a leitura, é uma aventura bem legal, muito bem conduzida, é como ver um encontro literário entre Quentin Tarantino e Tim Burton. E quero mais histórias no universo de felicidade imposta de Sarah!

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