Maus – Art Spiegelman

Poucas coisas foram mais horríveis e inacreditáveis (no pior dos sentidos, de realmente não entender o que levam pessoas a considerar um grupo de outras pessoas um inimigo a ser exterminado) do que o holocausto ocorrido na Segunda Guerra Mundial. Várias histórias foram contadas sobre o extermínio de judeus, sob todos os ângulos possíveis: desde a história de uma menina que tem a adolescência interrompida pela guerra (tanto por não poder usufrui-la quanto por morrer em função dela), como Anne Frank, quanto a de um milionário que arrisca a própria vida para salvar pessoas, como retratado no filme A Lista de Schindler. Na verdade, esse é um tema tão recorrente, especialmente em cinema, que acaba até desgastado, do tipo “mais uma história sobre o holocausto?”.

O próprio autor de Maus se pega fazendo essa pergunta em determinado ponto. Mais uma história? Só que essa é um pouco diferente: pela forma, pela abordagem, pelo metatexto.

Leia mais deste post

Anúncios

Os Passarinhos – Estevão Ribeiro

Sou leitora e apreciadora de quadrinhos tanto quanto de livros, mas confesso que acompanho menos os primeiros do que gostaria, por vários motivos que vão desde o preço à eleição de uma lista de prioridades de leitura ficcional. Também não me sinto a pessoa mais preparada do mundo para resenhar quadrinhos, pois a forma de narrativa utilizada é totalmente diferente da de um texto e eu estou meio “por fora” das tendências – além do que certamente existe quem seja mais gabaritado do que eu internet afora para esse tipo de análise.

Também é de se reconhecer o papel da internet na propagação – e, por que não, no fomento – dos quadrinhos nacionais. Como o quadrinho é uma mídia muito fácil de ser distribuída pela rede – e ler uma tirinha no monitor é um exercício muito mais confortável do que ler uma página de texto corrido, blogs de quadrinhos podem romper barreiras e auxiliar na divulgação de trabalhos, sejam eles de iniciantes, nem tão iniciantes assim ou profissionais. Inclusive, tem uma listinha de links ao lado de tirinhas que acompanho.

Estevão Ribeiro é desenhista e roteiristas e lançou o site de tirinhas Os Passarinhos no meio de 2009, contando a história de dois passarinhos: o rabugento Alfonso e o idealista e inconveniente -e fofíssimo – Hector, que dividem o mesmo galho de árvore. Hector quer ser escritor, então dá-lhe piadas de situações que quem está no meio vive, e ambos convivem com outras figuras que povoam o meio: os críticos literários, os fãs, a família, os vizinhos, as pessoas de todos os dias. E não são apenas piadas de escritores e para escritores: são reflexões sobre a vida, a amizade, o companheirismo, a arte de conviver.

Aproveitando o sucesso do blog, o autor lançou um livreto simpático com algumas tirinhas clássicas – e várias inéditas. O livro, pequenininho, ficou muito simpático, com direito a depoimentos de leitores e até mesmo a participação especial de Neil Gaiman! É de se ler em uma sentada, com direito a várias risadas pelos insights de Hector sobre a escrita, a vida, o universo e tudo o mais.

O formato é pequeno, do tamanho aproximado de uma tirinha quando dimensionada em jornal ou revista, com uma tirinha por página. E elas são sobre temas comuns à vida de dois pássaros, como os grãos de milho de cada dia ou as dificuldades de arranjar uma boa árvore onde se estabelecer, mas também de alguns temas que nós seres humanos entendemos muito bem: a inveja a uma pessoa melhor sucedida, as dificuldades em arranjar um bom emprego ou companhia. Tudo isso de uma forma leve, com fortes pitadas de ironia. Reduzir uma história, mesmo que curta, a três quadros e conseguir contá-la é um grande desafio – e o autor consegue vencê-lo.

Fica aqui a sugestão para conferirem um pouco desses piados!

***

Até a próxima!

Deixe seu comentário!