O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

o-lado-bom-da-vida-capaHá alguns livros que podem ser leves e simples, mas trazem mensagens e reflexões bem interessantes. A bem da verdade, esse livro foi uma leitura de viagem, comprado por não ser complexo e de digestão mais leve, mas nem por isso deixou de me comover, me fazer refletir ou de pensar nos personagens e suas angústias mesmo depois da página final.

 É um livro leve e bem-humorado, sim, mas que trata de um assunto nada colorido: a doença mental. Pat Peoples é bipolar e passou os últimos tempos de sua vida internado num sanatório por motivos que não se recorda. Seu maior desejo é reatar com a esposa por quem é loucamente apaixonado, Nikki, e para isso ele está se esforçando para se tornar uma pessoa melhor. Só que o mundo do lado de fora está bem diferente do que quando o deixou…

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Battle Royale – Koushun Takami

battle-royale-capaPoucos pesadelos são mais reais do que a violência. Todos estamos, em maior ou menor grau, sujeitos a ela – pode ser que um belo dia não voltemos mais para casa depois de um assalto, ou estejamos no lugar errado na hora errada, ou (especialmente no caso de mulheres) nos envolvamos com a pessoa errada. E, quanto mais gratuita e isenta de sentido, mais terrível a possibilidade se torna.

 O que dizer, então, de jovens, reunidos contra sua vontade, cujo único objetivo é matar uns aos outros para o deleite de um governo ditatorial? Amigo contra amigo, irmão contra irmão, e suas vidas desperdiçadas?

 Essa é a premissa de Battle Royale, lançado no início da década de 2000 e que virou hit imediato no Japão, sendo recontada em filme e mangá (ambos de bastante sucesso no ocidente, quem viveu por essa época na internet e/ou com algum contato com a cultura otaku com certeza viu ou ouviu falar em alguma dessas adaptações).

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Good Omens – Neil Gaiman e Terry Pratchett

good-omens-capaUm dos assuntos mais culturalmente instigantes é o apocalipse, o fim de tudo, a chuva de fogo e o ranger de dentes eternos que marcará o ponto final. Como será o dia final? Trará terremotos, meteoritos, renúncias papais? Como será o choro e ranger de dentes definitivos?

 Essa é a versão dos maiores nomes da fantasia inglesa contemporânea, numa parceria feita para dar certo. O humor mordaz de Pratchett misturado com a riqueza dos cenários de Gaiman encaixam-se como uma luva, a fusão de estilos fica bem concisa, apesar de conseguirmos enxergar bem as marcas registradas de cada autor, o recado de que eles estão ali.

 O mundo está marcado para acabar desde o momento em que ele começou, então as legiões de Céu e Inferno estão se preparando para o Armageddon, a batalha final, desde então. Não que todos anjos e demônios concordem com isso: Crowly, demônio, e Aziraphale, anjo, têm lá seus motivos para gostar da humanidade e não estão muito a fim de duelos com espadas com lâminas de fogo, bestas-fera e nem nada disso. Querem é seguir a vida de sempre e deixarem como está, mas os chefes não parecem concordar muito.

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Cinquenta Tons do Sr. Darcy – Emma Thomas

50-tons-darcyÉ uma verdade universalmente reconhecida que um clássico gera o desejo da iconoclastia. Aliás, essa iconoclastia é até mesmo saudável, pois obras e conceitos intocáveis não são nada saudáveis – e para que a quebra seja eficiente, quem a faz deve conhecer a obra original para tal.

Orgulho e Preconceito é uma das obras mais importantes da literatura inglesa. Um jovem provavelmente lerá o livro no colégio em países de língua inglesa, inclusive (e será que pegarão a ojeriza aos clássicos tão comum entre os alunos pátrios?). É muito mais do que um romance: é o retrato e crítica social de uma época que aparenta ser tão glamourosa, mas que continua se aplicando aos dias atuais, como o peso da conta bancária de alguém, prestígio social, preconceitos à primeira vista e mal-entendidos.

E como todo clássico, é constantemente renovado, tanto pela adaptação para outras mídias (tem ao mínimo três versões em filmes/séries de TV, incluindo uma muito clássica da BBC) quanto por recontagens (por incrível que pareça O Diário de Bridget Jones é uma versão moderna da obra) e paródias (como a precursora da onda de mashups Orgulho e Preconceito e Zumbis). Acho todos os casos válidos, pois é assim que o clássico se mantém vivo, não imutável e encostado na parede pegando poeira, traça e teia de aranha.

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O Jardim do Diabo – Luis Fernando Veríssimo

o-jardim-do-diaboA associação mental imediata entre Luis Fernando Veríssimo e um texto é obviamente o humor. Não o humor rasteiro das falsas mensagens na internet atribuídas a ele, mas o humor sutil do ridículo da realidade, aquele pontual e direto ao alvo. Suas crônicas são clássicas, algumas impagáveis, e poucos em nosso idioma conseguem uma sátira do cotidiano tão certeira. O Jardim do Diabo foi seu primeiro romance, será que ele conseguiria replicar o efeito de suas crônicas?

(e sobre o Luis Fernando Verissimo, uma coisa que me deixa intrigada: taí um autor que em todas discussões de “brasileiro não lê autor nacional”/”brasileiro não lê os autores que quero que ele leia”, ele passa ignorado. Não achincalhado como Paulo Coelho, mas ignorado completamente. Curioso, não?)

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Clube da Luta – Chuck Palahniuk

clube-da-lutaA primeira regra do Clube da Luta é não falar sobre o Clube da Luta.

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Cem Sonetos de Amor – Pablo Neruda

capa_cem-sonetos-de-amorConfesso: livros de poesia nunca são minha primeira opção. Nem a segunda. Nem a terceira. Fazia uma boa década que não abria nenhum (desde os tempos de colégio), a prosa me atrai mais. Se teve algum livro do Desafio Literário que realmente disse respeito a coisas que não leria normalmente, com certeza foi o deste mês. Apesar de ter colocado o livro escolhido na lista, nem era essa minha primeira escolha: era Fernando Pessoa (que está em algum local incerto e não sabido da minha casa, no mínimo escondendo-se entre duas prateleiras). Mas Neruda também é um clássico e uma boa pedida, então resolvi encará-lo.

 Como o título sugere, este é um livro de poesias românticas. Quem na vida nunca fez poesias de amor? Até os grandes mestres da arte, o próprio Neruda era muito afeto aos poemas de amor. Este livrinho não diz respeito ao amor idealizado adolescente, mas de um sentimento mais profundo, de uma compreensão do amor que muda com os anos e a vida, tendo por musa inspiradora a terceira esposa do poeta, Matilde. E, claro, o contrário exato da idealização: o amor físico, sensual, carnal. Principalmente no primeiro segmento do livro (dividido em partes do dia), Manhã, as poesias têm altíssimo teor erótico. Mas amor é vida e se relaciona com todos os aspectos desta: o contato com o ambiente, com as angústias, com as incertezas, com a morte – que também é vida.

 E, como da essência da poesia, é um livro sobre brincar com as palavras, montá-las como tijolinhos em busca de expressar sentimentos e provocar sensações. Senti-me refrescada por alguns deles, em outros, passeei por praias chilenas e senti o cheiro do mar. E refleti sobre o amor, sobre o que é o amor para mim – quis ler várias poesias na alcova…

 Mas ler um livro de cem poesias num mesmo eixo temático é cansativo. A apreciação não é a mesma, pois a saturação começa a crescer e as poesias a se misturarem entre si. Gosto mais de lê-las separadamente, aos poucos, ao invés de ser soterrada por elas. Claro que tive minhas favoritas, mas lê-las em conjunto tira a força delas… Não recomendo.

 Enfim, descobri mais uma coisa nisso tudo: escrevi esse texto para cumprir o desafio combinado, porque poesia se sente, não se resenha!

***

Até a próxima!

A História da Aia – Margaret Atwood

capa-a-historia-da-aia-margaret-atwoodQualquer coisa que eu diga sobre esse livro vai ser pequena perto de seu conteúdo. Aliás, esse é um desses livros que dá medo de resenhar – penso que qualquer palavra que eu vá dizer sobre ele vai soar pequena e ridícula demais. Mas a vontade de contar minhas impressões, de “espalhar a palavra” sobre um livro excelente (e infelizmente fora de catálogo, comprei de um sebo) e que recomendo imensamente a leitura e reflexão.

Poucas coisas me horrorizam mais do que discursos machistas e conservadores como o do deputado Malafaia (para pegar alguém que personifica esse tipo de pensamento) e da utilização de argumentação pseudo-religiosa para a validação desse discurso. Cada vez que vejo nas páginas de jornais matérias como audiências na Câmara sobre a “cura gay” (!!!), debates acalorados sobre o aborto, comentaristas em notícias de crimes de estupro e violência contra a mulher em geral falando que as vítimas mereceram, penso que se damos passos para frente em alguns aspectos, os para trás em outros são óbvios e velozes. Ao mesmo em que se luta por igualdade e respeito independente de gênero, mais se reprime e oprime em moldes morais castradores.

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Erótica Fantástica 1 – Vários Autores

capa_erotica-fantasticaDepois de várias digressões sobre tons de cinza e coisas do gênero, tá na hora de falar de coisa boa, de iogurteira top therm de outras propostas em erotismo que possuem o potencial para serem muito interessantes. Afinal, sexo é bom, divertido e a grande maioria das pessoas gosta. Há os clássicos do tema, claro, até tem resenha aqui de um deles, mas nada impede de sabores novos, pessoas novas… de haver diversidade.

Então por que não trazer o erotismo para os domínios do fantástico? Essa é a proposta da antologia Erótica Fantástica 1 (haverá um volume 2 a ser lançado em 2013): contos eróticos em cenários fantásticos (sejam eles de fantasia ou ficção científica). Dezesseis autores, dezesseis estilos, dezesseis universos diferentes para exploração e apreciação. Uma ótima pedida, não?

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Cinquenta Tons de Liberdade – E. L. James

uAiai. O que não se faz para pagar uns pecadinhos literários? Mas a penitência chegou ao fim, esse é o último livro do famoso best-seller de “pornô para mamães” que está na lista de mais vendidos desde que foi lançado no mundo todo para deleite de algumas, curiosidade de muitos e horror de outros. Não vou dizer que não tenha sido uma experiência antropológica, digamos assim, divertida, principalmente por fatores involuntários, e nem a certeza de que agora vou precisar de outra série ruim para ler pelo único objetivo de zoeira… (até porque o último livro de Fallen já foi lançado, tenho de ler depois).

Mas enfim, vocês podem ver minha travessia por inferno e purgatório aqui e aqui. Nesse último volume Ana, que deveria ter saído correndo, procurado atendimento psicológico para si e para Christian, ir viver sua vida ou sei lá aceitou um pedido de casamento feito depois de longuíssimos 45 dias de relacionamento. É, porque é muito sensato assumir um compromisso assim tão sério com uma pessoa que você conhece faz um mês e meio. Pelo menos na inspiração declarada Crepúsculo ainda se leva mais de ano para que Bella e Edward juntem os trapinhos. Só que ninguém nessa história é mentalmente são, vamos que vamos com essa história de casamento.

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