Territórios Invisíveis – Nikelen Witter

territorios-capaAlguns livros são gratas surpresas e nos oferecem muito mais do que aparentam numa primeira vista, mesmo quando já prometiam muito…

Quando criança/pré-adolescente, quando não se falava no termo young adult, eu amava livros de aventuras (principalmente se envolvessem mistérios), de protagonistas mais ou menos de minha idade com uma vida semelhante à minha. Foi a época dos Karas, de Pedro Bandeira, e de quase toda a Coleção Vaga-Lume. Era o tipo de história que mais me empolgava (e que foi evoluindo com o tempo, a descoberta de coisas novas, etc), que me imaginava ali num grupo de jovens aventureiros/investigadores contra perigos inimagináveis.

E não é que o Territórios Invisíveis trouxe de volta toda essa sensação boa de livro da infância?

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Enterro Celestial – Xinran

enterro_capaÀs vezes, a máxima de que livros fazem o leitor viajar é ainda mais intensa do que na média. Aliás, essa é uma das funções mais belas e interessantes da literatura: o transporte para outros lugares, tempos e culturas. O choque com o exótico, inimaginável, com aquilo que nossa vida normal é incapaz de nos proporcionar, com realidades que nossa mente (posso assumir com uma probabilidade bem alta que se você está lendo este blog, pertence a uma realidade urbana, ou ao menos urbanizada, que se alimenta de maneira adequada e tem uma faixa variável de conforto) não é capaz de conceber como detalhes da vida prática.

Outra máxima da qual gosto muito é a de que a realidade é ainda mais interessante do que a ficção. E quando a ficção é inspirada por uma realidade incrível? Quando diz-se para uma pessoa, “sua vida daria um romance”, e daria algo extraordinário, que mrece ser compartilhada com o mundo inteiro?

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Juliette Society – Sasha Grey

juliette-capaNa verdade, duas coisas me atraíram para este livro: a personagem da autora, uma ex-atriz pornô que em sua época áurea foi a queridinha do gênero e ganhou fama por isso, e a frustrante experiência com o erotismo de Cinquenta Tons de Cinza (beeeem conservador e burocrático). Eu gosto de livros eróticos, um clássico do gênero, inclusive, é um dos meus livros prediletos dentre todos. Autores como Anaïs Nin ou Henry Miller habitam eventualmente minha lista de leituras (infelizmente não li nada deles desde o início do blog, posso até ver isso, hein), então ver uma versão “pop” para livrarias (porque existe o grande, vasto e safado universo dos livros de banca, o qual nunca penetrei) é uma experiência interessante, ainda mais se houver bons resultados.

 Sobre Sasha Grey, já que falei nela, em sua época de atriz pornô foi uma das queridinhas da indústria e do público, principalmente pelas performances extremas. Ela teve sorte de conseguir sair do meio jovem, com uma fanbase disposta a apoiá-la em seus novos projetos e, aparentemente, sem grandes sequelas – o que não é fácil, a indústria pornográfica é especialmente cruel com suas funcionárias (não é nada bonito, muito menos glamouroso). Entrar nela é, quase invariavelmente, degradar a saúde e a sanidade (e não me venham com “elas escolheram”, porque muitas vezes é a única escolha possível num momento de desespero financeiro – e mesmo não sendo o caso, nas raríssimas exceções, a candidata não sabe o que encontrará do outro lado. Não é muito diferente da prostituição).

 Enfim. Enchi-me de curiosidade pelo livro, até porque a autora deve saber uma coisinha ou mais sobre sexo do que aquela dos Cinquenta Tons – e a experiência despretensiosa poderia ser divertida.

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O Aprendiz de Assassino – Robin Hobb

capa-aprendizFalamos muito daquela fantasia top que está na boca do povo, seja por causa de um eventual filme ou minissérie, seja porque vem associado a uma grande campanha de marketing ou atrelada a um grande nome.  Mas existem várias obras que, se não estão fora do radar, fazem parte de um “lado B” menos pop, mas conhecidos pelos leitores e sempre relacionados quando se perguntam sobre boas obras. Um desses casos é a Saga dos Visionários, de Robin Hobb, que saiu recentemente traduzida em português.

Robin Hobb, esta, que é uma mulher de pseudônimo “neutro” utilizado para, quem sabe, burlar o estranhamento de uma autora escrevendo para um público mais neutro (o que dá um longo assunto cheio de pano para manga que não trataremos por agora), nos traz a história de Fitz, fruto da relação ilegítima do herdeiro dos Seis Ducados com uma camponesa, largado por seu avô materno para que a família de seu pai de livre dele. Só que o garoto é uma peça importantíssima para qualquer pretensões políticas – é um herdeiro, ainda que ilegítimo, que nas mãos erradas pode ser uma grande ameaça ao status quo. E que ameaça – o rei Sagaz casou-se duas vezes e possui filhos dos dois casamentos, ou seja, sua própria casa já possui sozinha um grande potencial de divisão.

O menino, então, é criado como um bichinho selvagem por Bronco, o mestre dos estábulos, mas logo percebem que o garoto pode ser muito, muito mais útil se participar dos jogos de poder.

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Sombra e Ossos – Leigh Bardugo

Sombra_130613.inddou: mais do mesmo

ou: por que eu ainda insisto?

ou: por que os autores andam confundindo personalidade forte com grosseria passivo-agressiva?

ou: por que ainda provoco os fanboys em fúria? 😛

 Enfim.

 Na verdade, comecei a ler esse livro meio enganada. Pensei que fosse uma história meio calcada em mitologia russa, de uma autora não-americana – e gosto bastante de cenários diferentes, de culturas diferentes. Mas meu encanto começou a se quebrar quando descobri que a autora é americana (ainda que nascida em Israel) e a mitologia russa do cenário é rasa como uma pesquisa google + wikipedia. Ou melhor: é inexistente mesmo, é só um cenário pseudo-russo.

 E a pesquisa google da autora ainda foi tão malfeita que ela não descobriu que sobrenomes, em russo, concordam com o gênero. Então era só ler Starkov, ao invés de Starkova, que isso me incomodava de um jeito absurdo. É uma coisa boba, eu sei, mas um bom exemplo de pesquisa rasa.

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Divergente – Veronica Roth

capa-divergenteEsse ano está sendo meio pobre em leituras (e mais ainda em resenhas), então não imaginam a alegria de pegar um livro e matá-lo quase de uma vez só. Na verdade, este livro foi recomendação de uma leitora do blog, lá por 2011 quando nem se falava em sair no Brasil – aí um dia num passeio à livraria achei pra comprar, mas foi pra estante e ficou por isso mesmo. O tempo foi passando, lançou-se a edição nacional, a continuação, o terceiro está por sair um dia desses, foi anunciado o filme e o livro lá pegando poeira – até que, querendo uma leitura mais leve, resolvi dar uma chance.

E, como disse, a leitura rápida é um ótimo indicativo de que as coisas fluíram bem.

A história conta a vida de Beatrice (ou Tris), uma garota criada numa Chicago isolada do mundo (ainda não sabemos por que) e dividida em castas, cada uma delas ligadas à característica que os fundadores daquele grupo acham ser primordial à humanidade – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição. E, como todo sistema de castas, há aqueles que não estão nenhuma delas (os “intocáveis” do mundo ficcional em questão, que só existem e a perspectiva de tornar-se uma deles é uma grande ameaça psicológica à protagonista) e os que estão dentro são criados para assumir todos os estereótipos de sua casta, bons e ruins.

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Orgulho e Preconceito – Jane Austen

orgulho-e-preconceitoA típica história “boy meets girl”: eles se conhecem em uma festa, ela é a menina doce mais bonita da região, ele é o bom partido por quem todas as mocinhas são apaixonadas. Apaixonam-se mas, por uma série de mal entendidos, não podem viver esse amor. O tempo passa, os mal-entendidos são descobertos e esclarecidos e tudo termina em um belo casamento.

 Pois é, esse é o plot típico e em torno do qual Orgulho e Preconceito se constrói – mas que está longe de ser seu plot principal e envolver seus protagonistas. E são estes que fazem a história ser um clássico atemporal.

 Este talvez seja o mais conhecido (e querido) romance romântico de língua inglesa. É muito lido em escolas, é uma história querida até hoje, ganhou inúmeras adaptações cinematográficas e televisivas famosas, ganhou várias recontagens (uma das minhas prediletas é o filme de O Diário de Bridget Jones, nem tanto o livro), paródias (tem ao menos uma delas que já foi resenhada nesse blog…), é sempre citada em outros livros, filmes e séries como o livro de cabeceira de algum personagem. Mas o orginal continua a encantar gerações e ser livro predileto (ao longo da vida já vi muitas mulheres lendo o livro no ônibus, na faculdade, em consultórios…). Aliás, é uma das resenhas mais pedidas do blog desde o início.

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Caim – José Saramago

caim-capa(Atenção: essa é a resenha de uma obra literária que será tomada pelo universo dessa obra. Não é uma discussão teológica/religiosa, já que cada um acredita naquilo que mais lhe convém e tentar provar que outra pessoa está certa ou errada nesses aspectos ou vai para o rumo da inutilidade ou da briga. Portanto, se tiver algum comentário sobre religião que vai além do que o autor traz ou se é sensível com material de cunho religioso, pode clicar no link “lista de posts” ao lado e divertir-se com alguma postagem de potencial menos polêmico).

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Kaori e o Samurai Sem Braço – Giulia Moon

 kaori-capaConheço o trabalho de Giulia Moon como contista há bastante tempo (e tive até mesmo o privilégio de dividir com ela as páginas de uma antologia) e lá em 2010 adquiri seu primeiro romance, Kaori – Perfume de Vampira. Só que não comprei o livro numa data propícia: apesar de tê-lo encontrado na livraria da rodoviária de São Paulo durante uma viagem, em posição de destaque, aquela foi uma época em que estava lendo muito material sobre vampiros. Meio saturada, pensei: “vou guardar o livro, leio quando desenjoar, senão minha apreciação vai ficar muito comprometida”.

 Só que aí vocês sabem como é, né 😛 Livros vêm, promoções vão, e a pilha de leitura vai crescendo 😛 Até que em 2012 a autora lançou o romance Kaori e o Samurai Sem Braço. Achei a temática interessante (mitologia japonesa é um tema que me atrai), vi que além de tudo o livro era ilustrado – já disse mais de uma vez que adoro livros ilustrados – e o que é melhor: soube que era um spin-off que não dependia da leitura do primeiro livro. Pensei: por que não?

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O Girassol Noturno – A. B. Ceedee

 o girassol noturnoÀs vezes compra-se um livro pela capa e foi bem esse o caso: esse girassol brilhante fixou imediatamente minha atenção em uma das prateleiras secundárias da livraria (que é o melhor destino possível para um livro de editoras pequenas), me fez pegar o livro para olhá-lo melhor , cheirá-lo, tocá-lo, senti-lo e por fim pagá-lo e levá-lo para casa.

Como sempre digo, é sempre bom passear por gêneros para se ter uma ideia global do que é a leitura – ir além do gênero predileto não é necessário somente para quem ser escritor, mas para quem quer ser leitor também. A orelha do livro apresenta seu autor: A. B. Ceedee é um pseudônimo, o leitor que construa a identidade do autor, se assim importar (e identidade, como veremos, é um dos pontos altos do livro), sabemos apenas que ele ou ela é de New Jersey, palco da história que passaremos a ver.

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