Frozen: Uma Aventura Congelante – Disney

frozenProvavelmente (já que não me lembro da primeira vez, já que tenho uma lembrança remota que comprova a teoria, mas não sei se houve um “antes”) o primeiro filme que vi no cinema foi um dos grandes clássicos Disney. Ou melhor, indo mais longe na lembrança: A Bela e A Fera (no cinema onde hoje é o Sesc Palladium, em Belo Horizonte, pra ser mais exata). Tive a sorte de ter crescido na era de ouro do final de 1980-início de 1990, onde, por cerca de dez anos, uma obra-prima Disney atrás da outra eram lançadas. O mês julho era esperado com ansiedade (não apenas para meus dias de férias com minha avó – que incluiam, é claro, pelo menos uma ida ao cinema), já que era a data da próxima animação.

Os anos foram se passando, veio um período bem ruim para o estúdio: filmes ruins, problemas financeiros e a hegemonia abalada pela concorrência, como a revolucionária Pixar – ainda que pertença ao estúdio – , a descoberta ocidental de Hayao Miyazaki (um dos maiores mestres da arte da animação) e mesmo os grandes estúdios de cinema se mexendo e aprimorando suas próprias técnicas, como a Dreamworks. Mas, como num conto de fadas, a Disney reergueu-se, vem na sequência de bons filmes (ainda que não sejam mais apresentados em julho) e voltou a ter o prestígio de outrora (ainda que com alguns escorregões desnecessários, mas já chegamos lá).

Então não deixa de ser uma grande alegria dar de cara com A Animação do Ano que tem todo o jeito dos melhores filmes dos saudosos anos 90, de ter vindo na esteira de grandes sucessos como o próprio A Bela e a Fera, Alladin e O Rei Leão (que, há quem diga, é a animação da Disney absoluta). Mas… bom, os tempos são outros 😉

O filme, livremente baseado no conto A Rainha do Gelo, de Hans Christian Andersen, conta a história de duas irmãs, as princesas Elsa e Anna: a mais velha tem poderes mágicos que a fazem congelar qualquer coisa, o que acarreta num sério acidente envolvendo a mais nova. Para salvar a vida da pequena e evitar que novas tragédias aconteçam, toda memória da magia é apagada da mente de Anna e ela e a irmã crescem isoladas num palácio fechado e sem nenhum contato físico. A abertura, que revela ainda a morte dos pais das jovens, é de cortar o coração, ao ver que Anna anseia pela irmã e Elsa gostaria de poder atender, mas teme machucá-la.

Muitos anos se passam e chega a data da coroação de Elsa como rainha, mas as coisas desandam, seus poderes se descontrolam e ela joga seu reino num inverno eterno. Anna, sentindo-se culpada e responsável pelos acontecimentos, decide arriscar a vida e encontrar a irmã para talvez quem sabe consertar tudo, contando para isso com a ajuda de Kristoff, um vendedor de gelo bem rústico.

A unidade visual da animação (acho o 3D da Disney lindo e há nesse filme sequências muito inspiradas, como a sequência em que Elsa canta Let It Go – tudo, como a transformação de aparência e a construção do castelo de gelo é de encher os olhos e arrepiar) com o sucesso anterior Enrolados sugere certa identidade temática que acaba por não ocorrer – aqui, a trama é bem mais pesada, as situações e dilemas que ambas as princesas precisam enfrentar são muito pesados, mas tudo é passado de maneira suave. Aliás, fossem outros diretores, com essa exata mesma história poderia ser o quarto filme da trilogia escura da Disney. Até mesmo o melhor personagem do filme, o boneco de neve Olaf, é movido por um profundo desejo autodestrutivo e, por mais que isso seja apresentado de forma leve e divertida, está muito longe de ser o tipo de construção comum a animações infantis.

(por falar em Olaf, voltando ao que eu disse lá em cima sobre escorregões Disney – a necessidade de convocar o “astro do momento” para dublagem de algum personagem importante. No caso, na minha opinião, não creio que Fábio Porchat comprometa o Olaf, a dublagem não me incomodou em nada e até ficou simpática – não ficou travada como Tiago Abravanel em Detona Ralph ou DESASTROSA como a ideia de jerico incompreensível de convocar Luciano Huck para o principal papel de Enrolados onde, além da inexistência de atuação, fica muito, muito difícil de abstrair e lembrar que se está assistindo a um filme e não à TV sábado de tarde. A Disney não precisa da voz de famosos para atrair público – “filme Disney” sempre foi e ainda é chancela o suficiente para garantia de público e qualidade).

E, voltando, tem alguns pontos que tornam este filme muitíssimo interessante, ainda mais comparado aos clássicos filmes de princesa. Primeiro, são DUAS princesas, duas PROTAGONISTAS. Porque, pensem comigo: já repararam que nos filmes de princesa, ou mesmo nos filmes de heróis, praticamente NÃO EXISTE uma outra personagem feminina jovem, que interaja com a protagonista da vez e esteja do lado dela? Sério, tirando figuras mais maternais (como a Madame Samovar, a vovó da Pocahontas, a mãe e a avó da Mulan, a “mãe” do Tarzan e tals), só em filmes muito recentes amizade e parceria femininas aparecem – Charlotte, a amiga da Tiana de A Princesa e o Sapo, é uma personagem MUITO relevante para a trama, apesar de secundária e, apesar de não interagirem entre si muito além de poucas frases, em Detona Ralph até temos duas personagens femininas importantíssimas do lado dos mocinhos. Aí de repente BAM! – DUAS protagonistas, como eu disse. Duas princesas, com tramas e histórias próprias, e um filme que gira em torno do amor que sentem uma pela outra e como terem sido privadas dele trouxe problemas para elas e para todos.

Porque ambas se sacrificam e muito por quem amam – tanto Elsa ao aceitar afastar-se de todos por medo de perder a irmã tão amada para sempre quanto Anna por não medir esforços e riscos para trazer a irmã de volta.

E outra coisa deliciosa sobre o quanto as coisas mudam e a mensagem de hoje não pode ser a mesma de décadas atrás: a relação de Anna e o príncipe da vez, Hans, que é uma subversão do mais clássico de todos os clichês da Disney: o Amor Verdadeiro. Os personagens ao redor de Anna a criticam por decidir se casar com alguém que mal conhece e elementos como a quebra de feitiços poderosos e o Beijo Redentor aparecem aqui de forma muito, MUITO diferente de tudo aquilo que fomos educadas para esperar. A lição aqui é o contrário: romance é uma parte da vida, não o fim absoluto dela, e a redenção parte de nós mesmos e não de um elemento interno que nos salva. Que o conceito de amor verdadeiro é muitísimo mais amplo do que aquele oferecido pelo príncipe encantado e seu cavalo branco. E não posso nem mensurar a curiosidade que sinto de uma nova geração de princesas, como Tiana, Merida, Anna e Elsa, que certamente estão vindo por aí.

Para terminar: o filme já nasceu como grande clássico Disney. Tudo aquilo que torna os filmes inesquecíveis está lá – além das atualizações, tanto de tecnologia de animação quanto de moral da história.

***

(bom, como ainda tou sem internet e atualizando o blog de forma bastante precária, fica sem o cartaz do filme, que eu colo aqui quando der e apago essa mensagem 🙂 )

Até a próxima!

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2 Responses to Frozen: Uma Aventura Congelante – Disney

  1. Bruno says:

    Olaf melhor personagem 😛 Fora isso nada a acrescentar, o filme é muito bonito e divertido mesmo =)

  2. Mayara Kelly says:

    adorei o filme queria a escrita dele contando a historia do filme

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