Territórios Invisíveis – Nikelen Witter

territorios-capaAlguns livros são gratas surpresas e nos oferecem muito mais do que aparentam numa primeira vista, mesmo quando já prometiam muito…

Quando criança/pré-adolescente, quando não se falava no termo young adult, eu amava livros de aventuras (principalmente se envolvessem mistérios), de protagonistas mais ou menos de minha idade com uma vida semelhante à minha. Foi a época dos Karas, de Pedro Bandeira, e de quase toda a Coleção Vaga-Lume. Era o tipo de história que mais me empolgava (e que foi evoluindo com o tempo, a descoberta de coisas novas, etc), que me imaginava ali num grupo de jovens aventureiros/investigadores contra perigos inimagináveis.

E não é que o Territórios Invisíveis trouxe de volta toda essa sensação boa de livro da infância?

Essa é a história dos gêmeos Ariadne e Hector, que perderam a mãe (desaparecida) há algum tempo. Mas acontecimentos misteriosos começam a rondá-los, novos desaparecimentos acontecem e, juntamente com seus amigos Léo, Neco e Camila saem em busca de respostas e do enigma de uma caixa com estampa de sol, chave para uma aventura juvenil com tudo o que tem direito.

Cada parágrafo era saboreado deliciosamente, relembrando os melhores momentos de leitura de tempos antigos. Os protagonistas são extremamente convincentes como jovens em seus 12, 13 anos e a história tem viradas e mistérios para todos os gostos. Há sociedades secretas, segredos ocultos, criaturas mágicas (uma adição benvinda aos detetives juvenis mais tradicionais) e… os territórios invisíveis do título.

Outra coisa da qual gostei bastante (mas que funcionou para mim porque conheço o lugar e a geografia) é que, apesar dos poucos nomes citados, eu sabia exatamente quais eram as locações do livro – visualizava mentalmente a praça onde se desenrolavam parte dos acontecimentos principais, as ruas das casas importantes, até mesmo certo shopping utilizado como ponto de encontro em determinado ponto da trama. Essa identificação espacial dá todo um tempero extra, toda uma graça especial em retratar lugares já conhecidos. Claro que não vai funcionar para quem não conhece a cidade onde se passa a trama, mas… Creio que minha percepção de outras obras passadas em lugares que desconheço fosse bem diferente se houvesse esse elemento de familiaridade.

A trama não me ganhou só pelo valor afetivo: é bem construída e com elementos bem diferentes do que se vê habitualmente nesse tipo de história. Claro que tem algum problema de ritmo, coisa de livro de estreia, mas nada que a jogue para muito acima da média dos livros de novos autores nacionais do meio fantástico que ando lendo nos últimos anos. Inclusive, foi finalista do Prêmio Argos de Literatura Fantástica (que, curiosamente, contando com este, acabei lendo e resenhando três dos participantes desta edição, o vencedor incluso), o que só ressalta isso – apesar de dirigido para um público mais jovem do que o habitual neste meio, dá banho em muitos novos autores (e em outros não tão novos assim, e nem em editoras pequenas).

O trabalho editorial também foi bem legal: o livro é ilustrado (já mencionei que adoro livros ilustrados, né) e o papel e edição exibem um capricho poucas vezes visto até mesmo em editoras grandes. O que só realça a qualidade do material escrito. Ponto dentro da Editora Fantas.

De resto, caso você tenha sido fã desse tipo de livros algum dia, tenha um jovem leitor para presentear ou simplesmente quer ler algo bom e diferente, é um material recomendadíssimo.

***

P.S.: Infelizmente, o blog demorou tanto a ser atualizado porque há um mês (!) encontro-me sem internet em casa devido à mudança de endereço (é, andei me mudando recentemente, coroando um ano de pouco blog mas muito, muito trabalho fora dele) e a companhia também não deu notícias de quando será resolvido o problema. Ainda espero atualizar novamente esse ano, mas se isso for impossível, em janeiro o blog volta a ter uma periodicidade mais regular 🙂

E até a próxima!

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