Juliette Society – Sasha Grey

juliette-capaNa verdade, duas coisas me atraíram para este livro: a personagem da autora, uma ex-atriz pornô que em sua época áurea foi a queridinha do gênero e ganhou fama por isso, e a frustrante experiência com o erotismo de Cinquenta Tons de Cinza (beeeem conservador e burocrático). Eu gosto de livros eróticos, um clássico do gênero, inclusive, é um dos meus livros prediletos dentre todos. Autores como Anaïs Nin ou Henry Miller habitam eventualmente minha lista de leituras (infelizmente não li nada deles desde o início do blog, posso até ver isso, hein), então ver uma versão “pop” para livrarias (porque existe o grande, vasto e safado universo dos livros de banca, o qual nunca penetrei) é uma experiência interessante, ainda mais se houver bons resultados.

 Sobre Sasha Grey, já que falei nela, em sua época de atriz pornô foi uma das queridinhas da indústria e do público, principalmente pelas performances extremas. Ela teve sorte de conseguir sair do meio jovem, com uma fanbase disposta a apoiá-la em seus novos projetos e, aparentemente, sem grandes sequelas – o que não é fácil, a indústria pornográfica é especialmente cruel com suas funcionárias (não é nada bonito, muito menos glamouroso). Entrar nela é, quase invariavelmente, degradar a saúde e a sanidade (e não me venham com “elas escolheram”, porque muitas vezes é a única escolha possível num momento de desespero financeiro – e mesmo não sendo o caso, nas raríssimas exceções, a candidata não sabe o que encontrará do outro lado. Não é muito diferente da prostituição).

 Enfim. Enchi-me de curiosidade pelo livro, até porque a autora deve saber uma coisinha ou mais sobre sexo do que aquela dos Cinquenta Tons – e a experiência despretensiosa poderia ser divertida.

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O Aprendiz de Assassino – Robin Hobb

capa-aprendizFalamos muito daquela fantasia top que está na boca do povo, seja por causa de um eventual filme ou minissérie, seja porque vem associado a uma grande campanha de marketing ou atrelada a um grande nome.  Mas existem várias obras que, se não estão fora do radar, fazem parte de um “lado B” menos pop, mas conhecidos pelos leitores e sempre relacionados quando se perguntam sobre boas obras. Um desses casos é a Saga dos Visionários, de Robin Hobb, que saiu recentemente traduzida em português.

Robin Hobb, esta, que é uma mulher de pseudônimo “neutro” utilizado para, quem sabe, burlar o estranhamento de uma autora escrevendo para um público mais neutro (o que dá um longo assunto cheio de pano para manga que não trataremos por agora), nos traz a história de Fitz, fruto da relação ilegítima do herdeiro dos Seis Ducados com uma camponesa, largado por seu avô materno para que a família de seu pai de livre dele. Só que o garoto é uma peça importantíssima para qualquer pretensões políticas – é um herdeiro, ainda que ilegítimo, que nas mãos erradas pode ser uma grande ameaça ao status quo. E que ameaça – o rei Sagaz casou-se duas vezes e possui filhos dos dois casamentos, ou seja, sua própria casa já possui sozinha um grande potencial de divisão.

O menino, então, é criado como um bichinho selvagem por Bronco, o mestre dos estábulos, mas logo percebem que o garoto pode ser muito, muito mais útil se participar dos jogos de poder.

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Sombra e Ossos – Leigh Bardugo

Sombra_130613.inddou: mais do mesmo

ou: por que eu ainda insisto?

ou: por que os autores andam confundindo personalidade forte com grosseria passivo-agressiva?

ou: por que ainda provoco os fanboys em fúria? 😛

 Enfim.

 Na verdade, comecei a ler esse livro meio enganada. Pensei que fosse uma história meio calcada em mitologia russa, de uma autora não-americana – e gosto bastante de cenários diferentes, de culturas diferentes. Mas meu encanto começou a se quebrar quando descobri que a autora é americana (ainda que nascida em Israel) e a mitologia russa do cenário é rasa como uma pesquisa google + wikipedia. Ou melhor: é inexistente mesmo, é só um cenário pseudo-russo.

 E a pesquisa google da autora ainda foi tão malfeita que ela não descobriu que sobrenomes, em russo, concordam com o gênero. Então era só ler Starkov, ao invés de Starkova, que isso me incomodava de um jeito absurdo. É uma coisa boba, eu sei, mas um bom exemplo de pesquisa rasa.

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