Dr. Who ou Como não odiar uma série pelos seus fãs

whodunnitA diferença de “fã” para “fanático” é de apenas um sufixo, coisa que fica evidente em qualquer busca de dois minutos pela internet.

 Lógico que é natural que fãs de determinadas obras, sejam livros, jogos, quadrinhos, seriados de TV; bandas e artistas se reúnam na internet. E, muitas vezes, não ficam satisfeitos se não espalham aos quatro ventos todas as qualidades (reais e imaginárias) de sua obra predileta. O tal do “fandom”.

 E, vamos combinar: fandom, para quem tá fora dele, é um negócio muito chato. Pessoas reunidas para falarem como aquela é a obra-prima revolucionária da humanidade, como cada detalhe é genial e perfeito e como todas as outras pessoas deveriam ouvir a Palavra. E se você não gosta e nem se converte, é como uma agressão pessoal ao fã, é como se o desgosto fosse contra aquela pessoa – quando nunca é, e lá se vem defesas irracionais. Para não falar de rivalidade de fandoms: se você gosta de A, não pode gostar de B de jeito nenhum. Ou gosta dos Backstreet Boys ou do ‘N Sync, ou do Tolkien ou do Martin, ou Marvel ou DC e por aí afora. Ou seja, uma chatice muito, muito grande. Que, ao invés de trazer mais fãs, acaba afastando.

 Sério, conheço várias pessoas, com várias obras, que repetem a mesma frase com diferentes variações: “a obra parece interessante, mas os fãs estragam” (tem uma variação dessa, o contrário lógico, que merece quase um estudo antropológico, a “não gosto mais porque virou mainstream”).

 Dr. Who é uma tradicional série britânica, que fez sucesso desde sua estreia lá pela década de 1960 e foi exibido até o meio da década de 80. Depois de um hiato e tentativas de retomadas, a série reiniciou em 2005 e, no momento, está no intervalo entre a sétima e oitava temporadas da nova série. É um ícone da cultura pop britância e veio para o lado de cá do Atlântico graças às referências em Big Bang Theory (que para mim é uma série que já foi engraçada e hoje me irrita de maneira profunda, PRINCIPALMENTE os fãs) (algum dia talvez fale sobre), ganhando uma legião de fãs.

  Aí mora o problema: entrei em contato primeiro com os fãs e depois com a série. E sinceramente, ter gente gritando no seu ouvido o quanto algo é legal, perfeito, imperdível e genial não ajuda em NADA na vontade de assistir algo.

 Mas existe uma grande diferença entre a série e os fãs e tanto repulsa pelo fandom quanto preconceito pelo mainstream podem te fazer perder coisas realmente boas. E é isso que tem de se levar em consideração ao se procurar algo: o conteúdo, não os fãs.

 Como assinei o Netflix recentemente e a série está disponível lá, resolvi dar uma chance e… Não é que é divertido?

 A história é bem simples: um alienígena de forma humana viaja numa máquina do tempo disfarçada de cabine policial pelas épocas e lugares, encontrando todo o tipo de pessoa e lutando contra todo o tipo de ameaça. É bem simples e não se leva a sério – deixa muitas pontas soltas mesmo (todo mundo do universo falando inglês perfeitamente bem), não se preocupa em responder aos “como?” inevitáveis e, no geral, é muito bem-humorada.

 E uma coisa que achei bem interessante para uma série temática: o Doutor adora os humanos e se esforça para protegê-los, mas na grande maioria das vezes, o “monstro malvado” só está reagindo a uma agressão humana. Os grandes vilões somos nós – e o Doutor luta para que tenhamos a chance de deixar de ser.

 Os personagens (o próprio Doutor, seus acompanhantes, amigos e inimigos) também são interessantes e, do primeiro episódio “para ver qual é”, do segundo de “já tou assintindo mesmo…”, logo se vai a temporada de uma só vez.

 Enfim, é uma série bem divertida. Não a coisa mais genial do mundo e nem a chatice e saturação que os fãs mais exaltados fazem parecer ser – mas seja essa série ou outra qualquer, se você chegou a ela depois dos fãs, não tenha medo: veja (ou leia, ou ouça) assim mesmo que pode ser legal.

***

Até a próxima!

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4 Responses to Dr. Who ou Como não odiar uma série pelos seus fãs

  1. elviraxena says:

    “”deixa muitas pontas soltas mesmo (todo mundo do universo falando inglês perfeitamente bem)””” todos parecem falar inglês perfeitamente bem. Quando você entra na TARDIS ela meio que instala em você um tradutor, então quando o Doctor e as companions chegam em um lugar eles ouvem traduzidos para eles e falam traduzidos para os do planeta/nava que estão.
    O que é uma ideia bem lega, porque como você entende tudo e todos é pra dar uma ilusão de que você também tem esse ‘app’ de tradução instalado.
    Doctor Who em determinada temporada é como uma explosão na cabeça, se tu tá no inicio pode ser é, é legal… mas depois que se apega 😦

  2. Diego Guzzi Felix da Silva says:

    Parece a minha situação com star trek

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