Game of Thrones – Episódio 27: The Bear and the Maiden Fair (HBO)

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Ao contrário do episódio anterior, que depois de parar e refletir achei que foi um senhor episódio ainda que não tenha parecido numa primeira vista, esse mesmo depois da “digestão” continua o mais fraco da temporada. Não que tenha sido ruim, longe disso, mas considerando que faltam três episódios para o fim da temporada e tivemos coisas muito impactantes este ano, faltou mais. Importante dizer também que este é o episódio da temporada escrito pelo próprio George R. R. Martin, o que pode dizer muito sobre mudanças (ou não) no cânon da série…

 

  • Finalmente, depois de três temporadas e uma sedução por uma ruiva bonita, Jon Snow está menos Jonjonzinho Floquinho. Ele parece mesmo mais vivo, mais cheio de opinião, mais capaz de responder às provocações dos outros, mais capaz de dar opiniões sensatas, por mais que não saiba de nada. E Ygritte gosta de seu jeitinho calado e, apesar de durona, é uma garota que se apaixona e se deslumbra pelas coisas diferentes que não são de seu mundo. Não, Jon não é o cara que se apaixonaria por ladies perfumadas, e ambos sabem (o público também) que as coisas não serão boas para sempre, mas por que não aproveitar enquanto isso é possível?

  • O tema do amor (e de como a ingenuidade é severamente punida num mundo cínico e sádico) continua, com Robb e sua bela esposa, que anuncia a chegada de lobinhos. E… escreve uma carta numa língua que Robb não pode entender para, supostamente, sua mãe. O garoto, um legítimo filho de Ned Stark, nem liga, afinal que bonitinha e amável a esposinha e como é bom se casar com quem se ama independente disso significar a ruptura de uma aliança política poderosa! (mais sobre o assunto no fim do post)

  • Sansa também vive maus bocados, já que não se casará mais com o bonitão Loras. Ela fala aquilo que seus haters não cansam de dizer, que ela é uma garota estúpida, iludida e que vive para cometer os mesmos erros. Sabemos disso, mas só você pode rever isso. Margaery tenta animá-la, fazer com que veja o lado bom das coisas, que sexo pode ser uma delícia, e Sansa pergunta: “mas como você sabe disso? Sua mãe que ensinou?”. Dá para sentir o facepalm interno do outro lado da tela. Pobre, pobre passarinho inocente…

  • Tyrion também não gosta muito da ideia de casamento e desabafa com Bronn sobre o assunto. O amigo e segurança lembra que ele pode ter duas mulheres e um reino (e que os maus conselhos são gratuitos), então por que tanta choradeira? Quem não gosta nada disso é Shae, que joga na cara do amante toda sua descartabilidade. Ela é só a prostituta divertida, que será descartada quando o sinhozinho se enjoar dela. Já falei aqui e repito: gosto muito da Shae da série, muito mais do que a dos livros. A série conseguiu fazer dela uma pessoa real e não uma boneca de papelão cumprindo uma função no cenário (o mesmo vale para Jeyne/Talisa e até mesmo para Ygritte). É uma das personagens que me importo bastante com o destino e com a vida – e é outra marcada para sempre sob o signo da tragédia.

  • Outra coisa sobre essa cena: no monólogo do episódio passado sobre a escada, Tyrion, o esperto e desbocado, está na mesma posição que a Sansa:a daqueles que se recusam a subir, que se recusam a dar passos mais ousados pelo medo imposto por família, religião, sociedade… Ele pode parecer um personagem durão e despachado, mas uma análise de seus atos pode ver que não. Que ele tenta jogar, sim, mas hesita bastante e está longe de ser o melhor do tabuleiro.

  • A cena inútil do episódio é uma interação há muito desejada: o rei Joffrey (um idiota, porém com perguntas relevantes dessa vez, que ele poderia descobrir se não estivesse por aí ocupado matando moças) e seu avô Tywin Lannister, que o come com farofa. Aliás, ainda espero que até o fim da temporada teremos vovô dando porradas no netinho para fazer mais um gif deliciosíssimo.

  • Dany, por sua vez, age com realeza chegando a mais uma cidade para libertar mais escravos. Alguém mais notou o paralelismo da cena do príncipe de Yunkai e seu arauto e de Ygritte fazendo troça dos guerreiros com tambores para anunciá-los? Pois é isso, não tem mas nem meio mas, ela é uma conquistadora e não deixará tijolinho em seu caminho. (e é uma das grandes questões da personagem no livro e que pode ser transportada para cá: com a vida e reputação que ela está construindo para si, por que querer retomar o trono de Westeros? Será que quando ela chegar lá, se chegar, ela se perguntará se valeu a pena e a resposta será não? Respostas a serem dadas no último livro/temporada…).

  • Agora a cena desnecessária da temporada. Eu, inocente, pensando: será que os produtores aprenderam a lição e sexo e nudez estão menos gratuitos (comparados com a primeira temporada sem dúvida). Tivemos uma cena de sexo e nudez super contextualizada mais cedo, mas o mind game sobre Theon Greyjoy continua. E dessa vez a mutilação atinge áreas, hm… delicadas. (mais sobre no fim da resenha). Achei a cena de sexo e violência gratuitos e desnecessários, aliás, já enchi o saco do Theon sendo torturado (li os livros, sei quem é o torturador e os motivos dele, mas minha mãe, por exemplo, tá perdidinha), já entendi, já peguei a moral e tem mais personagens e coisas interessantes para acontecer!

  • E Branzzz continua sendo Branzzz com seus amiguinhos zzz. Aliás, aqui pensei numa coisa: num contraponto ao Senhor da Luz, o menino verde é uma espécie de ocultista de Westeros, com leitura de sonhos, viagens astrais e símbolos mágicos. Bran diz que até mesmo sua queda não foi sem motivo, que tudo estava escrito (ou seja, ele não culpa Jaime Lannister por isso e não se ressente do atentado). Quero muito ver onde vamos parar com eles – e, claro, devemos mencionar Hodor dramático (e cadê os lobos? Cadê os lobos MESMO?).

  • Isso tudo para chegarmos na donzela e no urso do título. Jaime vai ser enviado de volta para King’s Landing (e mande os cumprimentos pra Robb e pro pessoal lá no casamento do tio dele), mas Brienne fica. Eles se despedem, ele vai indo mas aí começa a se dar conta de que há algo de errado. Perguntando daqui para lá, ele descobre que ela sofrerá as consequências da história das safiras – e é algo que ele não pode admitir. Um homem que ninguém dá um centavo pela honra, mas que sempre paga suas dívidas. E sua dívida é salvar Brienne, mesmo que para isso precise arriscar sua vida se jogando num poço com um urso. A cena é muito bem-feita, toda a tensão de um assassinato cruel e sutil para o deleite de um bando de sádicos (e curioso que no livro era pra ser um vestido rosa ridículo, mas a atriz que faz Brienne é tão elegante que ficaria linda até vestindo um saco de batatas). Ele tem honra, sim, nem que para salvar uma pessoa que zelou por ele e sua vida nas circunstâncias. É um ponto importantíssimo na virada do personagem, uma das melhores cenas do livro e que marca bastante esses dois. E Jaime é um dos melhores personagens da série em termos de construção de longe, mais até do que Tyrion, um dos preferidos pessoais do autor.

  • Claro, sobre o tema, um dos melhores diálogos até o momento. “Quantos homens você matou até hoje?”. “Ah, inúmeros”. “E quantas pessoas você salvou?”. “500 mil. A população de King’s Landing”. “…”.

  • Tenho alguns comentários a fazer, mas são todos spoilers, então colocarei um monte de enters, depois mais enters até a parte dos comentários. Então se não leu os livros pode pular o próximo segmento sem dó e ir direto para os comentários. Coloquei até outra ilustração lá embaixo, podem ir para depois dela.

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  • Sobre Talisa/Jeyne: o cânon dos livros e das séries é completamente diferente, mas a notícia da gravidez pode ser uma confirmação da velha teoria de que Jeyne está grávida. Se for verdade – e se ela sobreviver ao RW para que isso faça diferença – então temos, no lado positivo, uma esperança para a reconstrução Stark e no negativo, para o plano dos Lannisters e depois de Littlefinger, alguém com mais vocação hereditária do que Sansa. Aliás, também foi retirada toda a história de Robb legitimar Jon e fazer dele seu herdeiro – coisa que provavelmente ainda vai fazer diferença para o personagem. Então aqui entramos no ponto do confronto direto com o material dos livros, ou de antecipar coisas que ainda virão. Ou simplesmente mudar por completo os destinos e utilidade de Sansa e Jon.

  • Sobre Theon e Ramsay Bolton: acho que consigo entender por que estão insistindo tanto nas cenas de tortura: para ter um novo vilão odiável no momento em que Joffrey faltar. Para que o público se acostume com ele antes de parecer só um substituto mais fraco (apesar de ser o pior personagem da série por uma longa margem e olha que temos concorrentes de peso como o Montanha ou o próprio Joffrey). E sim, estão explicitando coisas que estavam implícitas nos livros.

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Até a próxima!

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3 Responses to Game of Thrones – Episódio 27: The Bear and the Maiden Fair (HBO)

  1. Bruno says:

    Acho que a Shae tem mais empatia na série porque há mais espaço pra ela, a gente chega a quase ter um “POV” dela em algumas cenas. Gosto da personagem na série, não acho a do livro tão inútil (apesar de ela ter sim uma função análoga de uma boneca inflável =P), mas é uma mudança interessante, que praticamente cria um personagem a mais mesmo. Só fico imaginando que fim ela terá mais pra frente, em comparação com o que ela tem no livro…

    Já pra Tallisa / Jeyne acho que a série perde um bocado mais com a substituição. Na prática, ela está lá mesmo só pra dar mais cenas pro Robb, que afinal tá fazendo as vezes de heroi da vez depois da morte do Ned, mas acho que cai muitas vezes no clichê e no estereótipo forçado, além de até anacrônico – toda a noção de amor romântico que a presença dela na série traz, que ultrapassa classes sociais e afins, é um tema muito mais moderno e contemporâneo, que faz sentido nos dias de hoje mas parece fraco em uma série que tenta ter alguma inspiração histórica. É algo que talvez faça sentido em um personagem como o Tyrion ou até o Jon, que são desgarrados mesmo com a sua origem aristocrática, mas pro Robb, que cresceu com as noções de honra e do seu papel como líder do seu pai… E, claro, a coisa só piora com o fato de o ator ser muito ruim, né =P Fico imaginando se apenas dar mais personalidade pra uma Jeyne, como fizeram com a Shae, não seria mais produtivo… Exceto se tiverem outros planos para a personagem, como certas teorias aí das interwebz tem sugerido, e mesmo assim já seria um bocado clichê.

    E o Theon, bem, sabe que a função das cenas é só não dispensar o ator por uma temporada inteira, né =P Mas elas tão bem chatinhas sim, podiam ser diminuídas sem perda alguma.

    • A Talusa/Jeyne é problemática por qualquer ângulo que se olhe: num mundo cínico como Westeros, só torna Robb um idiota (de trocar um casamento político pelo “amor verdadeiro”, ainda mais onde admite-se abertamente casamentos de conveniência e amantes). E se as coisas seguirem como parecem que vão seguir, só torna Talisa um baita clichê, também.

  2. Fabio Q. Fq says:

    Legais seus pontos de vista;
    Estou achando esses dragões muito bem feitos, algo que eu não imagini fosse ficar tão bom!
    No restante acho tudo bem “morno”, rs

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