Battle Royale versus Jogos Vorazes

Battle_royale_pochetteAcho que a primeira reação de uma geração que cresceu na internet, de olho nas últimas novidades japonesas e nos filmes que de lá vinham, ao ver a sinopse de Jogos Vorazes foi a seguinte: “ora, uma nova versão de Battle Royale?”. Essa foi a minha, ao menos, e foi justamente para buscar as semelhanças que fui ler o segundo livro (não que o resultado final não tenha sido surpreendente e bom).

 Battle Royale já entrou por mérito próprio num universo cultural. Algumas imagens do filme, principalmente da vilãzinha com um sorriso psicopata já fazem parte do imaginário popular. Também não pretendo fazer uma análise dos filmes hilária como essa.Hunger Games Final Poster

 Bom, ambas as histórias são survival games – e nem são as primeiras a trazerem o tema. Para começo de conversa, ambas elegem como maior referência o clássico O Senhor das Moscas (livraço, recomendo demais a leitura, que tem várias camadas muito mais profundas do que esse blog se propõe a trazer – em outras palavras, eu não faria uma resenha sobre, mas um trabalho acadêmico), que trata da crueldade de crianças isoladas da sociedade e deixadas no estado de natureza sem a supervisão de adultos.

 Acho muito difícil que Suzanne Collins não tenha entrado em contato com Battle Royale, principalmente por sua profissão principal, nem tenha pego algumas coisas para a composição de sua história (como a idade dos jovens, o casal principal em que um dos membros fica ferido e o outro se sente compelido a protegê-lo, a morte anual de inocentes servir como pão e circo para um governo ditatorial), mas de resto estão em pontos bem diferentes do mesmo espectro.304892_132

 Nem se comparam, por exemplo, quem são e o que fazem Katniss e Shuya – uma fala muito mais da crítica a um mundo onde tudo se televisiona principalmente para uma elite mimada e acéfala; o outro sobre o homem se torna o lobo do homem e a violência é a válvula de escape. Ela sabia das regras do jogo e as aceitou para sobreviver – ele jamais teve escolha (bem como seus adversários). Ela vem de uma sociedade que glorifica a violência, ele de uma cujo coletivo está acima de tudo. E, claro, ela é uma heroína, uma garota que é sua própria salvadora sem depender do príncipe da última hora, ele é o protetor da passiva Noriko.

 Tudo isso para nem contar em detalhes do desenvolvimento da história – e do fato de que Battle Royale gasta tempo em desenvolver grande parte dos personagens que irão morrer, você sabe quem eles são, de onde vieram e como é sua vida (no mangá esse background é ainda mais expandido), enquanto em Jogos Vorazes temos um batalhão de camisas vermelhas – e só nos próximos livros há alguma preocupação em tornar os outros tributos pessoas com passado, sentimentos, motivações.

hunger-games-vanity-fair Enfim, para não me alongar demais: são histórias parecidas, sim, mas que vão para lados e consequências completamente diferentes. Então, recomendo, para efeitos diferentes a leitura dos dois filmes e a locação dos dois filmes, para depois voltar aqui e fazer sua própria comparação. O que acham?

***

Até a próxima!

Anúncios

5 Responses to Battle Royale versus Jogos Vorazes

  1. Bom eu posso falar do Battle Royale sem preocupação. Li todos as edições do mangá, assisti a série (Dorama) e a primeira impressão que tive ao ver “The Hunger Games” foi que seria uma cópia descarada do B.R. Não posso dizer muito até porque só vi o primeiro filme, mas além das temáticas que se desenrolam pra pontos diferentes, “Jogos Vorazes” me parece e não posso afirmar com todas as letras no lugar, é muito mais “infantil”, talvez seja impressão de quem só viu o filme e não leu o livro. Opniões….?!!!

    • Acho que depende um pouco da perspectiva. Os personagens do Hunger Games, por exemplo, estão num escopo moral um pouco diferente (apesar daquela coisa do mocinho nunca dar o primeiro tiro), mas as situações do Battle Royale são mais cruas.

  2. Sybylla says:

    Gente, cópia descarada é copiar o texto na íntegra. Ter ideias semelhantes não deve ser considerado plágio.

    Se for assim, nem Battle Royale nem Jogos Vorazes deveriam existir, já que existe O Senhor das Moscas.

    E Jogos Vorazes nem de longe é infantil. Tem que ler os três livros pra compreender que é uma obra densa, com altas críticas sociais e à indústria do entretenimento.

    O próprio autor de Battle Royale disse que jamais processaria Collins, pois ele não acredita em plágio e disse que ambas as obras têm muito a acrescentar. Então por que a picuinha não para?

    • Foi o que me motivou o texto, são histórias semelhantes, mas não plágios. É uma polêmica até mesmo vazia e quem continua a afirmar é porque não leu e nem pretende nem uma, nem outra. Fora que originalidade absoluta não existe…

  3. Marcio Roberto says:

    Lógica: ” Cê gosta de Hunger Games? Claro! Então lê Battle Royale! Cê vai gostar! Valeu! ” Como é de verdade: “Cê gosta de Hunger Games? Claro! Aquela cópia gay de Battle Royale? Aquela merda presta! ” Em vez dos fãs estimularem a ler, não, ficam fazendo safadeza e tomando atitudes irracionais. The Hunger Games não é nem um pouco infantil, mas nossa sociedade é muito mais Capitol que Distrito.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: