Good Omens – Neil Gaiman e Terry Pratchett

good-omens-capaUm dos assuntos mais culturalmente instigantes é o apocalipse, o fim de tudo, a chuva de fogo e o ranger de dentes eternos que marcará o ponto final. Como será o dia final? Trará terremotos, meteoritos, renúncias papais? Como será o choro e ranger de dentes definitivos?

 Essa é a versão dos maiores nomes da fantasia inglesa contemporânea, numa parceria feita para dar certo. O humor mordaz de Pratchett misturado com a riqueza dos cenários de Gaiman encaixam-se como uma luva, a fusão de estilos fica bem concisa, apesar de conseguirmos enxergar bem as marcas registradas de cada autor, o recado de que eles estão ali.

 O mundo está marcado para acabar desde o momento em que ele começou, então as legiões de Céu e Inferno estão se preparando para o Armageddon, a batalha final, desde então. Não que todos anjos e demônios concordem com isso: Crowly, demônio, e Aziraphale, anjo, têm lá seus motivos para gostar da humanidade e não estão muito a fim de duelos com espadas com lâminas de fogo, bestas-fera e nem nada disso. Querem é seguir a vida de sempre e deixarem como está, mas os chefes não parecem concordar muito.

 Então, quando o Anticristo está pronto para encarnar… A boa e velha confusão humana entra em jogo, fazendo tudo sair bem diferente do planejado. Ou não, pois logo sabemos que Agnes Nutter, bruxa e profetisa, sabia de passo por passo de tudo o que ocorreria e se existe alguma chance de impedir está nas mãos dela.

 E dá-lhe mal-entendidos, coisas malfeitas, pessoas estúpidas, ironia auto-aplicada e todo o mais fino do humor inglês em sua melhor acidez e em sua maior crítica da realidade. Aliás, a autocrítica e auto-ironia do humor inglês certeiro são inigualáveis, a amostra de que eu, você e a sociedade temos nosso lado tosco e ridículo. E, no caso, até o sobrenatural também não escapa de suas próprias idiossincrasias.

 E, claro, o anticristo é um garotinho humano, agitado e que só quer saber de liderar seus amigos para fazer traquinagens sem fim. Aliás, um pontinho de filosofia do livro: e ele, sendo o protagonista do fim do mundo, ao invés de anjo ou demônio, não possa ser humano e escolher como humano?

 Fora que o rol de personagens e situações absurdas só faz crescer: além dos anjos e demônios, temos ocultistas, bruxas, caçadores de bruxas, médiuns excêntricos, freiras satânicas, um cão infernal de estimação, alienígenas, atlantes, atendentes de telemarketing… E se você, leitor, já teve algum contato prévio com ocultismo, a coisa fica ainda mais engraçada, já que algumas piadas ganham contexto.

 Uma última nota: o livro foi traduzido lá naquela primeira leva de traduções do Neil Gaiman e do Terry Pratchett pela editora Bertrand Brasil e passou muitos anos fora de catálogo, mas foi relançado recentemente.

 Enfim, como diz o subtítulo, o apocalipse nunca foi tão divertido!

***

Até a próxima!

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3 Responses to Good Omens – Neil Gaiman e Terry Pratchett

  1. Michelle says:

    Do Gaiman, sou fã, mas acredita que nunca li nada do Pratchett? Acho que esse livro é a oportunidade perfeita para conhecer.
    Adorei a dica 😉

  2. Gabriel says:

    Um fato sobre o livro: A personagem Morte vem da série Discworld do Pratchett, e a piada sobre o Élvis é impagável!

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