Retrospectiva 2012

Se você está lendo esse post agora é porque o mundo não acabou (então, até a próxima profecia!). Fins do mundo à parte, 2012 foi um ano bem interessante, como todos os anos são, com seus altos e baixos. Está na hora de fazer aquela análise do que aconteceu e do que deixou de acontecer neste ano, de extrair das coisas boas e ruins aquilo que elas têm de melhor a ensinar e começarmos renovados o ano que se anuncia.

Mas antes disso – e antes de irmos pra farra, nos embebedarmos com espumante vagabundo e cairmos pelas sarjetas – por que não relembrarmos alguns destaques de 2012?

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Fim do Mundo

fimdomundoDaí que de vez em quando o mundo acaba mesmo. Sério. Já acabou algumas vezes, vai acabar outras tantas, e assim as coisas vão. Até porque “mundo” é uma conceituação relativa, que pode coincidir ou não com a de planeta – é sócio-cultural, não física. Para não chegar aos mundos pessoais que cada um carrega dentro de si e que algum dia também terminarão – já que a vida é finita.

 Aliás, talvez esse seja um dos maiores apelos do fim do mundo: nessa nossa sociedade urbana, industrializada, asséptica e desumanizada, nos desconciliamos dos ciclos naturais. A morte é uma parte natural da vida, mas nos desacostumamos a ela – talvez esse um dos grandes fatores que geram medo e ansiedade do fim. Ela virá, é certa, mas o ciclo seguirá sem nós e continuaremos. Nem precisa chegar-se a uma continuação metafísica, mas nossos corpos nutrirão a terra, que nutrirão outros corpos e assim o ciclo se reinicia. Mas já que desconhecemos a terra, nos afastamos dela, e vida e morte são assépticas e desinfetadas, nos esquecemos que somos seres orgânicos como quaisquer outros que habitam o mundo. Finitos e parte da vida.

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Cem Sonetos de Amor – Pablo Neruda

capa_cem-sonetos-de-amorConfesso: livros de poesia nunca são minha primeira opção. Nem a segunda. Nem a terceira. Fazia uma boa década que não abria nenhum (desde os tempos de colégio), a prosa me atrai mais. Se teve algum livro do Desafio Literário que realmente disse respeito a coisas que não leria normalmente, com certeza foi o deste mês. Apesar de ter colocado o livro escolhido na lista, nem era essa minha primeira escolha: era Fernando Pessoa (que está em algum local incerto e não sabido da minha casa, no mínimo escondendo-se entre duas prateleiras). Mas Neruda também é um clássico e uma boa pedida, então resolvi encará-lo.

 Como o título sugere, este é um livro de poesias românticas. Quem na vida nunca fez poesias de amor? Até os grandes mestres da arte, o próprio Neruda era muito afeto aos poemas de amor. Este livrinho não diz respeito ao amor idealizado adolescente, mas de um sentimento mais profundo, de uma compreensão do amor que muda com os anos e a vida, tendo por musa inspiradora a terceira esposa do poeta, Matilde. E, claro, o contrário exato da idealização: o amor físico, sensual, carnal. Principalmente no primeiro segmento do livro (dividido em partes do dia), Manhã, as poesias têm altíssimo teor erótico. Mas amor é vida e se relaciona com todos os aspectos desta: o contato com o ambiente, com as angústias, com as incertezas, com a morte – que também é vida.

 E, como da essência da poesia, é um livro sobre brincar com as palavras, montá-las como tijolinhos em busca de expressar sentimentos e provocar sensações. Senti-me refrescada por alguns deles, em outros, passeei por praias chilenas e senti o cheiro do mar. E refleti sobre o amor, sobre o que é o amor para mim – quis ler várias poesias na alcova…

 Mas ler um livro de cem poesias num mesmo eixo temático é cansativo. A apreciação não é a mesma, pois a saturação começa a crescer e as poesias a se misturarem entre si. Gosto mais de lê-las separadamente, aos poucos, ao invés de ser soterrada por elas. Claro que tive minhas favoritas, mas lê-las em conjunto tira a força delas… Não recomendo.

 Enfim, descobri mais uma coisa nisso tudo: escrevi esse texto para cumprir o desafio combinado, porque poesia se sente, não se resenha!

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Até a próxima!

Lançamento: Fim do Mundo: Guerras, Destruição e Apocalipse na História e no Cinema

Daí que segundo a comoção popular o mundo acaba sexta que vem, dia 21/12. Já tem sua programação para o fim do mundo da vez? Pois nós temos uma sugestão! Se estiver em Porto Alegre, compareça ao lançamento deste livro!

Apesar de ler um livro acadêmico, a temática é bem livre e interessante para quem gosta de cinema e da interpretação histórica dos fatos.  Já fiz trabalhos acadêmicos mais ou menos nesse sentido e o resultado final é bem próximo para o leigo. E, claro, tem uma citação científica desse humilde blog em um dos artigos (ho ho ho).

Fica então o convite a todos 🙂

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Fim do Mundo: Guerras, Destruição e Apocalipse na História e no Cinema

Organizadores:

Cesar Augusto Barcellos Guazzelli;
Charles Sidarta Machado Domingos;
José Orestes Beck;
Rafael Hansen Quinsani

Este livro é resultado do sexto Ciclo de Cinema, História e Educação realizado pelo Departamento de História da

UFRGS em parceria com a Sala Redenção- Cinema Universitário. A obra aborda a temática do fim do mundo explorada
com diferentes enfoques em treze filmes de diversos gêneros.

A ideia da morte, individual ou coletiva, da extinção do homem ou de todas as espécies e do fim do plano material
em que vivemos remonta desde os primórdios da existência do homem. O medo e a angústia presente em diversas
culturas, transmitidos de geração após geração de diferentes formas é explorado e amplificado a partir do século
XX pelo meio cinematográfico. Por meios religiosos, míticos, belicosos, sobre-humanos ou por desastres naturais
a presença do fim é ressuscitada de tempos em tempos coadunando angústias de tempos passados, presente e
expectativas de futuro. No nosso presente isto é sintetizado no ano 2012, possível data do fim do mundo identificada
pela civilização Maia.

Os filmes analisados são: Apocalypto de Mel Gibson; Dr. Fantástico de Stanley Kubrick; Contágio de Steven
Soderbergh; Terra dos mortos de George Romero; A última esperança da terra de Boris Sagal; O Advogado do diabo
de Taylor Hackford; Armagedon de Michael Bay; Guerra dos mundos de Steven Spielberg; Conquista sangrenta de
Paul Verhoeven; Ensaio sobre a cegueira de Fernando Meirelles; O sacrifício de Andrei Tarkoviski; 2012 de Roland
Emmerich; As invasões bárbaras de Denys Arcand

Os treze filmes selecionados buscam contemplar estas temáticas e servir de escopo para a produção de um debate de
interesse acadêmico, científico e social divulgando a rica produção e reflexão realizadas no meio universitário do Rio
Grande do Sul.

Lançamento
Dia 21 de Dezembro 18h30min
Sala Redenção
Campus Central da UFRGS

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Até a próxima!

A História da Aia – Margaret Atwood

capa-a-historia-da-aia-margaret-atwoodQualquer coisa que eu diga sobre esse livro vai ser pequena perto de seu conteúdo. Aliás, esse é um desses livros que dá medo de resenhar – penso que qualquer palavra que eu vá dizer sobre ele vai soar pequena e ridícula demais. Mas a vontade de contar minhas impressões, de “espalhar a palavra” sobre um livro excelente (e infelizmente fora de catálogo, comprei de um sebo) e que recomendo imensamente a leitura e reflexão.

Poucas coisas me horrorizam mais do que discursos machistas e conservadores como o do deputado Malafaia (para pegar alguém que personifica esse tipo de pensamento) e da utilização de argumentação pseudo-religiosa para a validação desse discurso. Cada vez que vejo nas páginas de jornais matérias como audiências na Câmara sobre a “cura gay” (!!!), debates acalorados sobre o aborto, comentaristas em notícias de crimes de estupro e violência contra a mulher em geral falando que as vítimas mereceram, penso que se damos passos para frente em alguns aspectos, os para trás em outros são óbvios e velozes. Ao mesmo em que se luta por igualdade e respeito independente de gênero, mais se reprime e oprime em moldes morais castradores.

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Erótica Fantástica 1 – Vários Autores

capa_erotica-fantasticaDepois de várias digressões sobre tons de cinza e coisas do gênero, tá na hora de falar de coisa boa, de iogurteira top therm de outras propostas em erotismo que possuem o potencial para serem muito interessantes. Afinal, sexo é bom, divertido e a grande maioria das pessoas gosta. Há os clássicos do tema, claro, até tem resenha aqui de um deles, mas nada impede de sabores novos, pessoas novas… de haver diversidade.

Então por que não trazer o erotismo para os domínios do fantástico? Essa é a proposta da antologia Erótica Fantástica 1 (haverá um volume 2 a ser lançado em 2013): contos eróticos em cenários fantásticos (sejam eles de fantasia ou ficção científica). Dezesseis autores, dezesseis estilos, dezesseis universos diferentes para exploração e apreciação. Uma ótima pedida, não?

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Cinquenta Tons de Liberdade – E. L. James

uAiai. O que não se faz para pagar uns pecadinhos literários? Mas a penitência chegou ao fim, esse é o último livro do famoso best-seller de “pornô para mamães” que está na lista de mais vendidos desde que foi lançado no mundo todo para deleite de algumas, curiosidade de muitos e horror de outros. Não vou dizer que não tenha sido uma experiência antropológica, digamos assim, divertida, principalmente por fatores involuntários, e nem a certeza de que agora vou precisar de outra série ruim para ler pelo único objetivo de zoeira… (até porque o último livro de Fallen já foi lançado, tenho de ler depois).

Mas enfim, vocês podem ver minha travessia por inferno e purgatório aqui e aqui. Nesse último volume Ana, que deveria ter saído correndo, procurado atendimento psicológico para si e para Christian, ir viver sua vida ou sei lá aceitou um pedido de casamento feito depois de longuíssimos 45 dias de relacionamento. É, porque é muito sensato assumir um compromisso assim tão sério com uma pessoa que você conhece faz um mês e meio. Pelo menos na inspiração declarada Crepúsculo ainda se leva mais de ano para que Bella e Edward juntem os trapinhos. Só que ninguém nessa história é mentalmente são, vamos que vamos com essa história de casamento.

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Desafio Literário 2013

https://i2.wp.com/2.bp.blogspot.com/-lefIlJwexM8/ULaZjlAh5UI/AAAAAAAAD5w/yTvkbb6xrLA/s1600/BannerDL200x80.jpgQuem acompanha o blog pôde ver meu empenho no Desafio Literário 2012, que chegou em seu último mês e em sua última rodada de desafios. Se for para fazer um balanço final, diria que foi muito positivo (se não tivesse sido não tava participando de novo, né). 12 livros por ano para quem lê muito não é nada e ainda é um empurrãozinho naquela hora do “o que eu vou ler agora?” que bate de vez em quando. Meu único mês realmente problemático foi junho, por não conseguir os livros a tempo (mas ao menos tinha um curinga na manga), e em outros fiz a lista e não olhei o preço dos livros que não tinha, o que me fez mudar todos os planos (como em novembro).

Mas foi uma ótima experiência. Primeiro porque li vários livros e autores que já tinha vontade de ler mas faltava um empurrão de incentivo, segundo porque me abri para temas e autores que não leria espontaneamente e gostei. Um terceiro ponto bem legal foi que deu para (ao menos tentar) ler livros parados na estante (coisa que infelizmente não será possível esse ano pois só três se encaixaram nos temas propostos. Quatro, se contar com o tema livre). Aliás, para quem tem muitos livros que comprou na empolgação mas ficaram pelas estantes, recomendo fortemente o desafio, ou então fazer algum pessoal à sua escolha.

Esse ano a regra do jogo mudou e não é obrigatório fazer a lista. Mas fiz assim mesmo, até porque é bom se organizar com antecedência, comprar com antecedência e não bater aquele desespero de última hora. E que vocês, queridos leitores, se inspirem! E já sabem minhas regras pessoais, né: se cabíveis, livros que eu já tenha ou que já tenha a intenção de ler, preferencialmente com pockets disponíveis.

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