Infância – J. M. Coetzee

Ah, a infância… Aquela época idílica de brincadeiras até o pôr-do-sol, de candura e inocência e pureza e… Bom, não para todas as crianças. Para nem entrar naqueles casos onde a infância é usurpada pela violência e abuso (físico, psicológico, sexual…), há casos em que, por vários fatores, a personalidade também ajuda para que as lembranças desta época não sejam tão coloridas, ou mesmo passar pela infância não tenha sido indolor.

Este é um romance de inspiração autobiográfica de uma infância que, se não foi violada, também não foi o paraíso da felicidade. John cresce num país cindido (a África do Sul), em que há uma divisão bem clara e hostilidade declarada entre os grupos que compõem a população, para nem falar sobre o preconceito institucionalizado em relação aos negros. E por que a infância de um menino branco, africânder, de classe média, pode não ter sido maravilhosa?

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Balancete

Bom, estamos nos aproximando do fim do ano, né?  Daqui a pouco começam as retrospectivas, as festas, a comilança e tudo mais…  Mas antes disso temos pouco mais de um mês para fechar tudo aquilo que ficou pendente no ano, verificar os projetos que ainda podem ser finalizados, rever as metas daqueles que não deu tempo e já começar a planejar 2013. Porque, bom, 2013 começa em 01/01 e já é possível adiantar várias coisas até mesmo antes disso.

Mas, no que diz respeito às metas relativas à leitura e ao blog, acho que estou indo muito bem. Encerrei as compras de livros esse ano – agora só terminar de pagar o que está no cartão e esperar o ano que vem para reabastecer a estante. Desde ano passado, creio que já comentei antes, faço um inventário dos livros adquiridos no ano (comprados e ganhos) e vou marcando aqueles que já li. Hoje, conforme as anotações atualizadas, foram 39 livros lidos de um universo de 65 adquiridos (esse ano, já que li alguns que tinham ficado pra trás de outros anos, outros que não entraram na lista e coisital). Muito bem, mostra que minha intenção de “segurar” a mão nas compras anda dando resultado – além disso, apesar de ser subjetivo, acho que tive uma melhora qualitativa nas compras, também.

Temos algumas metas interessantes sobre o ano: estou quase terminando o Desafio Literário, com resultados também muito satisfatórios. Ainda pretendo fazer um texto sobre a experiência, mas vai ficar para mais tarde, já que ainda faltam dois tópicos a serem preenchidos. Basta dizer que desde já valeu muito a pena ter topado e já estou esperando a lista para o ano que vem.

Tinha também um desafio pessoal que há quatro anos tentava fazer: ler 52 livros em um ano. Por que exatamente esse número? Pois dá uma média exata de 1 livro por semana, plausível e alcançável. Essa meta e desafio pessoal consegui bater  com louvor, pois até o momento tenho registrados 60 livros. EEE! Claro que não resenho todos e nem na ordem de leitura, mas nunca li tanto em um ano. E provavelmente nunca lerei de novo, mas isso tem seus pontos positivos.

Por falar em resenhas, dei uma olhada na minha lista e descobri que a próxima resenha literária será a de número 100. Que emocionante! Posso não ser tão prolífica quanto outros blogueiros são, mas quando faço, me dedico. Se sou devagar são detalhes 😛 Queria fazer de um livro especial para marcar o momento, então veremos essa semana. Afinal, entre as intenções do ano, ainda faltam mais no mínimo seis resenhas. Socorro!

Então é dar aquela injeção de ânimo final para terminarmos bem o ano! Até a próxima, com muito trabalho!

A Morte É Legal – Jim Anotsu

Então um dia nós vemos um escritor novo por aí e pensamos: nossa, que livro legal, quero ver o que mais ele é capaz de fazer. Pensa que ele tem referências interessantes e pouco usuais para os colegas de geração e de nicho e, quando tem notícias de um novo romance, fica curiosa em ver o resultado final e o que o cara é capaz de aprontar.

(aqui um parêntesis que ninguém precisa saber: eu vi os primeiros rascunhos do livro, dei pitacos, falei do que gostei e não gostei. Por causa da minha moleza para ler de elementos externos, acabei lendo a versão final assim como todo mundo. Acompanhar o doloroso parto de um livro é bem interessante, discussões sobre esse ou aquele personagem, essa ou aquela trama, se isso funciona direito ou aquilo precisa de reparos… enfim).

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Duplo Fantasia Heroica 3 – Christopher Kastensmidt e Simone Saueressig

É com muita alegria que vejo projetos interessantes frutificarem, tanto em termos de repercussão quanto de continuidade. Quase dois anos atrás, quando ouvi pela primeira vez sobre a iniciativa do Duplo Fantasia Heroica, que consiste em livros de bolso a preços populares trazendo duas histórias curtas de fantasia, com tom aventuresco e (pelo menos até o momento) com a acertada escolha do cenário nacional.

É bem legal saber que o projeto alcança seu terceiro volume e dessa vez com uma novidade: a autora Simone Saueressig, que já há muitos anos milita pela literatura fantástica nacional. A novidade me aguçou ainda mais a curiosidade e reforçou o convite para conhecer esse novo volume.

Bom, vamos às histórias:

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Madame Bovary sou eu

Há livros que mexem mais com você do que outros. Que dialogam com sua alma numa conversa ao pé do ouvido, que vão muito além da simples experiência de leitura e se tornam uma jornada de auto-descoberta. Que o autor, atemporal, pareceu te captar, te colocar nas palavras e nas sensações.

No caso, Madame Bovary é meu livro.

Quando o li estava na saída da adolescência, numa fase de experimentação da vida adulta e de novas experiências que a compõem. Estava procurando entender um pouco mais de mim mesma e o livro, parecendo atraído por isso, veio parar em minhas mãos. Ali, numa obra da metade do século XIX passada na França, uma garota às vésperas de seu aniversário de dezenove anos, nos primeiros anos do século XXI, num país e numa cidade que nem sonhavam em existir na época da publicação original, pode se enxergar como em seu diário.

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Flashforward – Robert J. Sawyer

Dois dos temas mais instigantes em qualquer ficção são as viagens no tempo e a questão do livre-arbítrio ou do destino determinado pelas profecias. Está tudo escrito ou tudo pode ser modificado? E, mais do que isso, tentar evitar a profecia vai fazer seu destinatário caminhar diretamente para sua concretização? (esse é um dilema presente na literatura desde sempre – na verdade, os gregos entendiam que o pior dos pecados era justamente tentar burlar o destino, com consequências trágicas).

No livro de hoje, o tema das profecias vêm através da ficção científica e de uma viagem no tempo coletiva involuntária. Como em nossa realidade, o CERN construiu um acelerador de partículas capaz de replicar as condições do início do universo e detectar o bóson de Higgs, partícula presente em modelos teóricos e cuja detecção os confirmaria. Então, um pouco diferente de nós, em 2009, liderados por Lloyd Simcoe e Theo Procopides, o experimento é feito, mas acaba tendo um efeito colateral para lá de inesperado: a humanidade inteira “apagou” por cinco minutos e teve a consciência lançada para 21 anos no futuro, podendo assistir à sua vida por lá por este tempo.

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