Nihonjin – Oscar Nakasato

Há assuntos naturalmente envolventes, como o que envolve culturas diferentes que precisam se conciliar pelas circunstâncias, ou a formação do Brasil por pessoas que vieram de todas as partes do mundo (consensualmente ou não). Esbarrei com esse livro quando pesquisava sobre o prêmio Benvirá e soube que fora o vencedor da primeira edição – no site, havia uma amostra do primeiro capítulo e o interesse foi imediato, tanto pela temática da imigração japonesa quanto pelo texto ao mesmo tempo delicado e instigante.

Mas aí ocorreu outro fato que me reforçou o interesse pelo livro: a mais recente polêmica envolvendo o Prêmio Jabuti, na figura de um personagem em particular, o Jurado C. Resumindo, pois outros já explicaram a situação muito melhor, a regra de votação do Jabuti esse ano permitia que cada jurado desse notas de 0 a 10 para os concorrentes. O Jurado C então resolveu privilegiar autores iniciantes, dando zero para autores já consagrados e alterando as notas do concurso. Por fim, quem venceu o Jabuti 2012 foi justamente o livro Nihonjin, do estreante Oscar Nakasato.

O livro e seu conteúdo não têm a menor culpa de estarem no olho do furacão dessa polêmica. Aliás, espero que a confusão toda não cole no material, já que o livro é bem interessante para ser considerado “campeão com asterisco”. E, como sempre é bom lembrar, essas são minhas opiniões de leitora – não sou crítica literária, não tenho pretensão alguma de sê-lo. Com certeza há por aí opinião profissional mais abalizada, só procurar, então aqui coloco a opinião de uma leitora.

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O Alienado – Cirilo S. Lemos

Não sei como começar a falar sobre esse livro. Aliás, creio ser essa a principal prerrogativa dos bons romances (não necessariamente histórias de amor): aquela sensação de desorientação, de não saber por onde começar uma análise.

Talvez desorientação seja uma palavra muito exata para ser utilizada aqui: o enredo segue uma linha de lógica e coerência internas, mas é qualquer coisa, menos seguro para o leitor. Cada página pode ser um passo em falso, cada linha um barranco onde se pode despencar de uma história da outra.

É um texto que transcende o gênero. Ficção científica? Fantasia? Mainstream com um viés simbolista? A moldura da classificação é pequena para enquadrar o conteúdo da trama e em nenhum momento o autor tenta encaixar-se aqui ou acolá. As coisas fluem, os elementos necessários aparecem, mas por que a necessidade de rótulo? Basta embarcar na experiência estranha (no melhor dos sentidos da palavra).

Esta é a história de Cosmo Kant (o nome de filósofo/super-herói parece ser muito menos arbitrário do que pode aparentar), um sujeito comum dono de uma vida comum que está escrevendo um romance (que não é uma história de amor) e frequenta um analista, até o dia em que um sujeito sai do espelho de seu banheiro e as coisas começam a ficar realmente estranhas. Para piorar, Cosmo parece ser alvo de criaturas chamadas Metafilósofos, que não deveriam existir fora de seus escritos. Dizer mais do que isso é estragar a trajetória de leitura.

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Jogador nº1 – Ernest Cline

Na minha época (tudo bem, essa história de “na minha época” é coisa de velho saudosista, mas não sei começar de outra forma) nerd era xingamento. Aquelx menininhx meio esquisitinhx que sentava no fundo da sala e tinha gostos extravagantes era um risco de contaminação para todo um grupo de playboys praieiros e guerreiros. Lembro uma vez, eu com meus 16 aninhos na saída do colégio, conversando com duas coleguinhas: “gosto da Lisa Simpson, faria uma camiseta com a foto dela, escrito ‘nerd’”, para o olhar horrorizado de ambas. Só que os anos mudaram, veio a internet, veio The Big Bang Theory, os filmes de super-heróis e ser nerd virou bonito, cool. Virou uma tribo urbana com vestuário, linguajar e gostos próprios, como várias outras.

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Cinquenta Tons Mais Escuros – E. L. James

Avisei na resenha anterior: corra desse cara, Ana, que ele é cilada! Óbvio que ela não correu o mais rápido que conseguiu. Mas o mesmo se aplica para mim: sei que esse livro é cilada, mas lá estava eu lendo feito boba e escrevendo essa resenha para relatar a experiência para vocês.

Recapitulando, a série Cinquenta Tons é o sucesso editorial de todos os tempos da última semana. Conta a história de Anastasia Steele, uma moça bobinha, inexperiente e insegura que se envolve com o misterioso, problemático, lindo, tesão, bonito e gostosão (e rico, mui rico) Christian Grey. Nisso, nossa ex-virgem descobriu-se compulsiva por sexo, que é algo que o bonitão pode dar em abundância para ela, e assim segue a vida.

As novidades deste segundo volume são que o casal reata e começa a se conhecer melhor (porque, claro, eles só vão ter um diálogo honesto depois de meses de putaria extrema. Ninguém nem sabe qual o prato preferido do outro, qual matéria gostava mais na escola, essas coisas) (meu namorado teria problemas, acho que não tenho prato preferido. Qual é meu prato preferido? o.Ô). Agora estão num namoro firme e sério, ao contrário da relação de escopo meramente sexual que o sr. Grey pretendia no início. Mas como estava tudo tranquilo demais, agora temos um chefe tarado e uma ex-namorada louca na parada, para agitarem tudo!

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Maus – Art Spiegelman

Poucas coisas foram mais horríveis e inacreditáveis (no pior dos sentidos, de realmente não entender o que levam pessoas a considerar um grupo de outras pessoas um inimigo a ser exterminado) do que o holocausto ocorrido na Segunda Guerra Mundial. Várias histórias foram contadas sobre o extermínio de judeus, sob todos os ângulos possíveis: desde a história de uma menina que tem a adolescência interrompida pela guerra (tanto por não poder usufrui-la quanto por morrer em função dela), como Anne Frank, quanto a de um milionário que arrisca a própria vida para salvar pessoas, como retratado no filme A Lista de Schindler. Na verdade, esse é um tema tão recorrente, especialmente em cinema, que acaba até desgastado, do tipo “mais uma história sobre o holocausto?”.

O próprio autor de Maus se pega fazendo essa pergunta em determinado ponto. Mais uma história? Só que essa é um pouco diferente: pela forma, pela abordagem, pelo metatexto.

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