Game of Thrones – A Segunda Temporada

Assim terminamos a segunda temporada de Game of Thrones (buáááá, tou com saudades já, quando começa a terceira?). Na minha opinião, esta foi muito mais intensa do que a primeira: produção com mais recursos (mas ainda fazendo milagre com pouco), efeitos especiais de primeiríssima, atuações afiadas (ou ao menos a grande maioria delas) e um ponto polêmico mas que para mim funcionou muito bem: surpreender aqueles que já leram o livro com situações diferentes e inusitadas.

Tem uma série de questões e discussões sobre o seriado que seguem depois do intervalo, vamos lá!

  • Ano passado, na primeira temporada, havia um investimento cujo retorno era incerto. Poderia ser um fracasso de audiência ou um sucesso de público e crítica – e foi o segundo caso. Para a segunda temporada, então, houve uma maior injeção de custos, mas sem que fossem feitas extravagâncias. Claro que isso exige alguns sacrifícios, como lobos que praticamente deixam de existir (e no mínimo Ghost e Summer são bastante relevantes para a história), quase nenhum dragão, passagens que são omitidas e simplificadas, mas os benefícios, como os estonteantes episódio 19 e o final do episódio 20, valem a pena.
  • Parece também que os produtores ouviram as críticas. Não houve tantas cenas de sexo e nudez gratuitos na segunda temporada, na verdade em mais de um episódio não houve nem sombra disso (ou só uma cena rápida e pronto). Prefiro assim do que a profusão de peitos e bundas da temporada anterior, algumas que estavam lá simplesmente porque a censura assim permitia. Não sei quanto a vocês, mas pra mim história adulta se relaciona muito mais aos temas que ela aborda do que à profusão de peitos, bundas e genitálias.
  • As locações novas, principalmente a da Islândia, ficaram muito boas, outra escolha acertada. Todas as cenas d’Além da Muralha com aquele visual maravilhoso eram de encher os olhos. Vão voltar lá ano que vem? Espero que sim!
  • Quanto às mudanças na história: achei positivas. Como já disse antes, seria impossível incluir todos os secundários, terciários e quaternários e todas as sub-sub-sub-subtramas sem prejudicar orçamento, coerência interna e tempo. São dez horas de seriado e MUITA informação, além das cenas extras que precisariam ser criadas pelos mais diversos motivos, principalmente as envolvendo o Robb e o Renly (que não têm POV no livro e até por questões narrativas próprias da série precisariam aparecer mais).
    • As partes cortadas não me fizeram falta (como terem resumido o início da Patrulha da Noite, a tomada de Storm’s End e muitas das decisões políticas que Tyrion toma). Algumas foram tomadas por pragmatismo (por exemplo, não havia dinheiro para incluir a corrente em Blackwater – e faz diferença mesmo, ainda mais levando em consideração a parte gráfica belíssima?), outros a narrativa e TODOS os personagens/linhas narrativas estão onde pararam ao fim do segundo livro.
    • A interação Arya-Tywyn que não existe no livro, é fenomenal, tanto pelo trabalho dos dois atores quanto pelo desenvolvimento dos personagens – sabemos que Arya herdou todos os genes de esperteza dos Stark e não deixou nada para os irmãos (talvez o Bran tenha pego alguns) e que Tywyn é um grande estrategista e está disposto a tudo para defender o seu. A bem da verdade? Desejei demais que a interação entre esses dois tivesse ocorrido nos livros também… Não me incomodou que a passagem da garota por Harrenhall tenha sido resumida – deu para entender que ela passou por maus bocados por lá – e que as identidades dos mortos tenha sido alterada (até porque outros personagens podem fazer o que os que morreram fazem posteriormente sem prejuízos). Faltou também um pouco da fuga do castelo, modificada, mas sem prejuízos.
    • Sobre Robb e Talisa (a nova Jeyne Westerling): zzzzzzzzzzz. Achei o romance fora do tom pelo contexto da série, por quem são os envolvidos (por mais que Robb estivesse com as barreiras baixas, precisava mesmo desprezar uma aliança política e casar com uma desconhecida?), porque pareceu uma situação forçada desde o início (a enfermeira bonitinha estava ali apenas para ser interesse romântico do personagem – o que ficou muito mais natural no caso de Gilly ou Ygritte). Dava para ter feito melhor ou mesmo ter colocado o casamento em outras circunstâncias para que parecesse menos birra infantil com a mãe, com a qual Robb prova que pode ser legal mas não está qualificado para ser rei.
    • Agora a mudança que causou mais furor: toda a linha da Dany. Até metade dela, tudo bem, ok, seguindo o livro (a morte de Rakharo foi mais devido ao ator ter saído da série do que uma mudança agendada para o personagem), mas depois os produtores resolveram que quem já leu o livro também deveria ser surpreendido: em especial com a morte de Irri e o roubo dos dragões – e tudo o que aconteceu a partir daí. Gostei. Aliás, ADOREI a mudança! Terminei o episódio do roubo dos dragões completamente sem fôlego, sem ter ideia do que poderia acontecer depois! Mais do que isso: as mudanças tornaram a trama da Daenerys mais interessante (no livro ela fica quietinha em Qarth só conversando e passeando e mesmo a destruição da Casa dos Imortais não faz lá muito sentido), mais animada, com um conflito a ser resolvido e que motiva os espectadores a acompanharem até o fim. Aliás, uma das minhas maiores críticas à trama da Dany no livro é que por muito tempo tudo dá seguidamente certo para ela (fora que ninguém realmente nunca tinha pensado antes em tirar os dragões dela?). Nenhuma mudança traiu a série ou seus personagens (nem da Dany e nem nenhuma linha narrativa, a bem da verdade) e pelo contrário – no caso dela ajudou um pouco a demonstrar seu crescimento como líder e desenvolvimento como personagem. Se as mudanças na série (e que certamente virão mais fortes a partir de agora) forem como essa, para mim os produtores podem mudar o que quiserem.
  • O diferencial de Game of Thrones: os personagense seu tratamento ao longo da série. Certamente, desde os livros, se a série tem sua dimensão deve muito ao carisma de seus personagens, feitos para gerarem sentimento por parte do espectador. Tmbém é o momento de falar dos atores, apesar de que falar novamente do Peter Dinklage, a encarnação do Tyrion, que sabe ir do humor à adrenalina ao drama e à tristeza com intensidade e convencimento, e de Maisie Williams e sua atuação como Arya Stark é chover no molhado. Então quero passar a outros personagens e atores que achei dignos de destaque nessa temporada (lembrando que achei a grande maioria do elenco afiadíssimo, dos papéis pequenos aos grandes, havendo poucos desvios. Na verdade, desvios que me incomodaram mesmo só o Lancel Lannister (ô ator fraquinho que apela à caretinhas numa tentativa de atuação) e o Littlefinger (o ator e toda a composição do personagem na série o tornam muito mais estranho e ameaçador do que ele é no livro, mais sutil e insidioso).
    • A grande atuação da temporada, quem roubou a cena e teve a melhor linha narrativa certamente foi Alfie Allen/Theon Greyjoy. Se no livro é um dos personagens mais detestáveis e desprezíveis (apesar de que ao menos ao fim do livro 2 pra mim eu sentia a mais repulsiva pena por ele), na tela um pouco da questão interna dele, que aparece com mais força só um pouco depois, ficou bem trabalhada. Ele quer ser um Stark, mas nunca foi um Stark de verdade. Ele quer aceito por um pai e família que desconhece (e que o desprezam por ter perdido seus modos brutos) e para isso trai a família que o acolheu e o melhor amigo. É acompanhar uma história que desce ladeira abaixo: de alguém – orgulhoso e arrogante sim, como vimos pela primeira temporada e também agora – e que vai com boa vontade ao encontro do pai, mas lá encontra algo completamente diferente do esperado. Nada de braços abertos, mas indiferença e desdém. Para tentar ser o filho pródigo amado, ele trai a si mesmo, e só entra numa espiral decadente. Uma das frases do Bran é emblemática: “você sempre nos odiou?”. Acho que a série (e a atuação) demonstra que Theon não sabia o que estava fazendo e aos poucos foi engolido pelo próprio orgulho, pelas escolhas erradas e foi deixando para trás aos poucos sua sanidade e identidade.
    • Alfie Allen, em quem não punha muita fé logo que o elenco foi anunciado (quem levaria fé no cara que inspirou isso?), mas merecia um prêmio pelo show de atuação nessa temporada. Ele conseguiu transmitir a complexidade do personagem, seu conflito, tirá-lo do papel e fazê-lo carne. Fez sentir o que o personagem sentia e isso é o que um bom ator faz.
    • Para terminar o tópico sobre ele, não achei, sinceramente, que fossem cobrir todo o arco do Theon Greyjoy nessa temporada, até porque alguns pontos como a chegada de Reek demandariam uma complexidade que não caberia em dez episódios. Aliás, sejamos sinceros: a própria introdução do Reek no livro é para lá de confusa e postergá-la talvez tenha sido uma solução melhor (ao menos para segurar o ator na série por mais uma temporada). Mas fomos da arrogância à loucura e ao fim trágico e ridículo que só um personagem que tentou voar com os pássaros e rastejou com os vermes pode ter.
    • Outra personagem que no fim das contas gostei do que fizeram foi a Shae. Nos primeiros episódios, achei a Shae do seriado ainda mais chata do que a do livro, mas a partir do momento em que ela se torna aia de Sansa, algumas interações bem interessantes acontecem entre as duas. Aliás, já tinha falado da mudança na Shae na temporada passada: de menina do interior a mulher ligeiramente mais velha e mais curtida pela vida. E que sabe se defender. E que gosta de verdade do Tyrion (o que também pode provocar desdobramentos muito interessantes, a serem vistos). Destaco também a cena em que ela corre o risco de ser desmascarada pela rainha Cersei, mas que consegue sair da situação. Uma amostra de que ela está em uma situação difícil, mas também é forte. Como disse, estou curiosa para saber o que acontecerá com ela nas temporadas vindouras: mulher, prostituta, estrangeira e no meio das intrigas palacianas – uma combinação explosiva em Westeros.
    • Dos personagens novos, achei a dinâmica Stannis-Davos-Melisandre corrida demais para ter sido bem transposta. O Davos quase não aparece (e é um personagem bem mais importante nos livros – até agora não engoli não darem nem uma explicação se ele no fim das contas viveu ou morreu). Como vemos Stannis de perto, ele também me parece muito mais emocionalmente vivo do que nos livros, o que achei uma boa adição. Além deles, a Brienne parece saída diretamente da minha imaginação (e acho que a atriz vai dar conta do posterior aprofundamento psicológico da personagem).
    • Outra personagem nova que também deu o que falar e também achei uma escolha acertada: Ygritte. A novata Rose Leslie foi outra que desvendou a personagem e a transpôs: com um jeito muito mais provocativo do que o do livro, muito mais disposta a fazer o que está ao seu alcance para sobreviver e curiosa para saber quem é aquele corvo bastardo-floquinho com quem se deparou, além de, claro, ser belíssima (sobre isso um parêntesis: todo mundo no seriado é bonito. Todo mundo. Esqueçam os livros nesse quesito). Gostei muito do trabalho dela e já sinto saudades para a próxima temporada.
  • Por fim, acho que é isso o que tinha para falar. Complementos ou coisas que eu tenha esquecido, fiquem livres para usarem os comentários!

***

P.S.1: Link das 10 mudanças mais legais dos livros, em inglês.

P.S.2.: Link com análises com base nos capítulos do livro da série, em inglês.

*

Enfim, vai ser uma loooooonga espera até o ano que vem (isso porque não tem livro esse ano para amenizar a dor – mas sempre podemos reler os outros cinco, né?). Mas para quem veio parar no blog por causa da série, tem mais coisas legais aqui! Agora além dos livros estamos cobrindo cinema, talvez mais séries apareçam por aqui, então voltem para saber das novidades!

Sobre Game of Thrones, esse ano ainda tem a resenha do DVD da primeira temporada (que já está nas minhas mãos *-*), mais pra frente.

Sobre Westeros, esse ano está saindo um monte de material novo: guias de cenários, de mapas, até mesmo um livro de receitas (que eu quero! Para testar e ver o que acontece! :P). Ainda, em algum ponto entre o segundo semestre e o ano que vem, vai sair um livro com as primeiras quatro histórias de Dunk e Egg (para quem não sabe, é um spin-off da série original, com outros personagens e em outra época).

Sobre George R. R. Martin, o primeiro romance do autor saiu em português (e já comprei e está aqui prontinho para ser lido!) e seus outros livros devem chegar com maior facilidade agora, até porque foram reeditados como pocket lá fora. O quinto livro, A Dança dos Dragões, também acabou de sair no Brasil, para quem está acompanhando a série em português (já teve resenha, aqui!). Ou seja, ouviremos falar muito do velhinho ao longo do ano!

***

Até a próxima!

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10 Responses to Game of Thrones – A Segunda Temporada

  1. Diego Guzzi felix da Silva says:

    Não podemos comparar a aparencia das pessoas da Idade Media com a aparencia de hoje, por que a vida na Idade Media era muito precaria além de não possuirem a minima condição de higiene e serem constantemente atacados pelo acaso, como saques, guerras e doenças. O que vejo nas criticas sobre series ambientadas na Idade Media é que o elenco é bonito demais para viver esses personagens e concordo, mas qnão podemos comparar a aparencia das pessoas dos dias de hoje com daquele periodo e em algumas coisas não da para ser como foi na realidade.

    • Com certeza, mas se o autor afirma que o personagem é feio ele é feio naquele contexto, né, com aqueles comparativos 😛 Mas não reclamo de ser todo mundo bonito na série, muito pelo contrário no caso do elenco masculino… 😛

  2. Marcela says:

    É chover no molhado falar sobre o quanto gostamos dessa série, né? Eu tô me sentindo órfã de pai e mãe. Disse que ia ler beeem devagar o terceiro livro, mas ele já acabou faz tempo e tô naquele momento que nada que eu começo a ler me anima. Só quero continuar… hahahaha

    Enquanto lia, não conseguia parar de pensar o quanto a terceira/quarta temporadas serão incríveis. Tipo, tem tudo pra superar TANTO o que teve até agora… Consigo prever finais de episódios de tirar o fôlego e dá também pra especular os finais das duas próximas temporadas… AFF, CHEGA LOGO!!!!

    ;D

  3. tessiof says:

    Comentário meio nada a ver, mas relacionado ao autor da série: Você pensa em fazer uma critica sobre “O Trono do Sol” de S.L. Farrell?

  4. Rafaella says:

    Estou me roendo os dedos de curiosidade estou baixando 6 episodios pra assistir,,,mas quero saber, realmente Khal drogo volta…?

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